Teen Titans - Caminhos Traçados
2 A Aproximação
Notas iniciais
Já fazia umas semanas que estávamos morando juntos da torre dos Titãs. No início, a convivência era meio monótona, já que não nos conhecíamos direito, parecíamos um bando de estranhos, olhando um para o outro de forma envergonhada sem ter o que fazer. Bom... nada de errado no que eu falei porque era basicamente isso mesmo. Mas aos poucos vamos pegando certa intimidade, o que é natural quando se vive junto.
Montei meu quarto com a ajuda de Cyborg, que aliás, daria para um excelente designer. Isso nos aproximou demais nesse meio tempo, mas o melhor mesmo foi saber que o nome dele era Victor, porque a partir daí ele começou a fazer brincadeiras sobre sermos uma dupla dinâmica da tecnologia: Victor e Victoria. Tiramos boas risadas disso. Através dele, também me aproximei demais do Mutano, que até hoje não se conforma com o fato de eu ser melhor do que ele no videogame, principalmente no jogo favorito dele. Acredito que posso dizer que eu e o Garfield (Mutano) nos tornamos melhores amigos para a vida com essa convivência.
Uma forma que eu sempre gostei de usar para canalizar e concentrar meus poderes era a meditação. Por um longo tempo frequentei centros zen-budistas, que me ajudavam demais a encontrar minha paz de espírito. Quando vi Ravena usando o livro de Azarath para meditar, logo me interessei. Nesse momento, juntei-me a ela para meditar. Foi algo que virou rotina para nós após um tempo, meditávamos todos os dias, do momento que o sol começava a baixar até ele se pôr totalmente. Outra coisa que me chamou a atenção era a força de Estelar. Fora as pessoas grandes como o Cyborg ou o Mutano em forma de dinossauro, eu nunca tinha visto alguém com a mesma média de estatura que eu com tanta força. Eu tinha super-força, mas era algo acidental. Mas Estelar não era, era impressionante.
Quando começamos a treinar rotineiramente, nos víamos como rivais na disputa de força ou peso. Isso, de certa forma era bom porque nos incentivava a ser melhores, cada vez mais. Era uma relação saudável, dentro e fora da arena de treinamento. Estelar, com todo o seu campo de brutalidade, era na verdade um amor de pessoa, uma das mais doces que já conheci, e as vezes, até mesmo ingênua.
De forma geral, eu fiz amizade com todos os Titãs logo de cara. Menos com aquele que eu mais queria, que era o Robin. Quer dizer, eu conhecia ele, mas como ele não fazia ideia de quem eu era, era como se não nos conhecêssemos. Eu achei que, durante os treinamentos ele iria me reconhecer, afinal, fomos em certo momento treinados juntos. Mas quando começamos a lutar e ele começou a soltar os golpes em mim, eu defendi todos e, admito que até fui meio maldosa, e soltei umas porradas bem dadas nele. Eu percebia que cada vez mais, Dick ia ficando mais puto com a situação, porque perder não era um costume dele, mas ele estava. Estava perdendo feio. Feio demais. Para mim. Sem estar usando qualquer tipo de poder, só o combate corpo-a-corpo que me foi ensinado.
Chegou a uma altura do campeonato que ele começou a apelar mais do que qualquer vez na vida dele. Ele estava determinado a me vencer, e sua ambição era de impressionar qualquer um, inclusive os outros Titãs, que estavam assistindo perplexos a Robin se matar de lutar enquanto eu levava aquilo numa boa. Em dado momento eu decidi que era hora de acabar com aquilo logo, e desisti. Ele não aceitou. Pediu que eu voltasse e continuasse lutando contra ele. Eu me neguei, ele já estava morto, porque como falei, eu tinha sido até meio maldosa com ele no início, o que o deixou cansado facilmente, porque eu conhecia todos os seus pontos fracos.
De repente, ele deu um salto na minha frente e gritou:
—Vamos acabar com isso, agora!!!
E quando percebi que ele estava indo com tudo para cima de mim, e que de fato ele estava determinado a me vencer mesmo que precisasse me machucar, desviei do golpe, peguei seu soco e o transformei numa chave de braço e desferi um soco na boca do estômago dele. Ele caiu no chão. Derrotado. Eu acho que peguei pesado demais. Nessa hora, todos os Titãs me encararam com pesar. Parecia medo ou algo do tipo. Porque se eu havia feito aquilo com o Robin, um dos melhores lutadores e prodígios já vistos no mundo sem meus poderes, o que eu poderia fazer com outras pessoas com meus poderes?
Abaixei a cabeça, olhei para o Robin e, quando fui tentar ajudá-lo a levantar, ele se esquivou das minhas mãos, furioso. Falei:
— Deixe-me ajudá-lo.
— Não preciso da sua ajuda. — ele respondeu- Afinal, que diabos é você?
Ele então se levantou, olhou no fundo dos meus olhos, que no momento estavam totalmente negros, e foi embora. Todos os outros se retiraram também. Eu achei que ele me reconheceria pelos golpes, habilidades, mas tudo o que eu consegui foi afastá-lo de mim. Em poucos dias, os outros Titãs esqueceram o acontecimento, voltaram a agir normalmente comigo, como eu queria mesmo que fosse. Já ele, não parecia tão satisfeito assim. Então, decidi que faria de tudo para que ele gostasse de mim, que se lembrasse, me considerasse uma amiga, assim como os outros me consideravam. Mas parecia que tudo o que eu fazia não adiantava de nada, nada agradava Dick.
Em determinado momento, pensei até que ele tinha mudado, que era assim, seco com todos, até perceber que ele se soltava com o grupo, mas quando eu tentava falar algo, ele simplesmente ficava mudo e ignorava. Nos treinos, ele ainda disputava comigo, mas nunca mais combate corpo-a-corpo, só meus poderes mesmo, ataques de voo, ou gritos sônicos, buracos negros, etc.
Pelo visto, o negócio era comigo mesma, e nada que eu fizesse mudaria isso. Até que um dia, fomos fazer uma patrulha pela cidade. Seria algo como uma divisão de grupos. Naquela semana, havia ocorrido um massacre terrível na cidade: um maníaco com poderes de destruição em massa que havia matado inocentes por diversão. Na divisão, caímos eu e ele. Resumindo, ele foi OBRIGADO a me aturar. Nesse tempo, enquanto não ocorria nada, ficou um silêncio um tanto quanto constrangedor, até que tomei coragem e falei na lata:
— Escuta, será que dá para esquecer aquilo? Só por um instante, ok?
— Aquilo o que? — respondeu ele de forma seca
— Ah, por favor! Você acha mesmo que eu não percebo que você age diferente comigo?
— Me desculpe, — respondeu ele, de forma totalmente forçada — acho que não consegui me conformar com o fato de perder um combate corpo-a-corpo, isso nunca aconteceu antes. Acho que foi algo, inusitado para mim, eu diria.
— Olha, eu não queria, mas exagerei, e eu tenho noção disso. Se puder me perdoar, seria ótimo. Eu realmente quero ser sua amiga... então, amigos?
— Claro, amigos. — respondeu ele de forma não muito entusiasmada, porém, sincera.
Eu estava explodindo de felicidade por dentro, mas não externei isso, dei apenas um meio sorriso sutil. Quando pensei que podíamos começar uma conversa legal, ao passo que ele me perguntou aonde eu havia aprendido a lutar, veio problema. O maníaco apareceu, logo para nós. Imediatamente acionamos os outros Titãs, que vieram numa rapidez extrema.
O nome dele era Peyton, um ex-fuzileiro naval dotado de problemas mentais que foi exposto a uma experiência de destruição em massa que deu errado. Bom, sabemos que algumas exposições à radioatividade dão certo, como a minha, por exemplo. Mas a dele deu MUITO errado. Ele ficou deformado, teve seus problemas mentais acentuados, que o tornou ainda mais agressivo e, fez com que, através do uso da mente, ele controlasse pessoas entrando na mente delas. Com isso, ele logo convocou um "exército" para lutar contra nós, para ganhar tempo. Eram pessoas inocentes, sendo controladas por ele, então, nós não podíamos simplesmente machucá-las. A situação se complicava cada vez mais para conter aquelas pessoas sem causar danos graves a elas. Até que eu e a Ravena tivemos uma ideia.
Os poderes da escuridão, tais como o da Ravena de expulsar sua alma do corpo e o meu, de buracos negros,são capazes de penetrar a cabeça das pessoas, podendo causar tanto reações de loucura, desespero ou esperança/felicidade. E era exatamente do que nós precisávamos. Enquanto pedimos para os outros evacuarem as pessoas daquele local, entramos na mente de Peyton (acredite, era um horror). Foi uma verdadeira guerra mental, onde eu e Ravena precisamos ser muito cautelosas para não nos perdermos.
Após uma árdua disputa, finalmente conseguimos entrar na chave do pensamento dele. Quando isso ocorre, acabou para a pessoa. Nós atormentamos a cabeça de Peyton. Talvez esse tenha sido o caminho errado, pois algumas semanas depois desse acontecimento, já contido numa prisão de segurança máxima, ele se suicidou, deixando o seguinte aviso: "Há tormentos que nos fazem crescer, mas há aqueles que nos diminuem tanto que deixamos de existir, assim como eu estou deixando nesse momento".
Isso abalou um pouco as nossas vidas naquele momento, mas como todos os erros são uma lição, uma aprendizagem, esse também foi. Há males que vem para bens, assim como esse veio, porque foi partindo dele que nos unimos de uma forma tão intensa que nos tornamos praticamente uma família.
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