Teen Heart Beating Faster
2 Capítulo I
Notas iniciais
O volume estava tão alto que meus ouvidos não conseguiam identificar a música. Apenas meu corpo sentia o som e vibrava conforme a batida. Era sábado à noite e mais uma festa de uma menina qualquer estava começando.
Eu e mais algumas amigas nos infiltramos no meio da pista de dança e começamos a colar nossos corpos entre nós e com os outros – meninos e meninas – que também estavam dançando alucinadamente. Claro que, como em todas as festas, há quem esteja lá apenas para dançar, beijar na boca e se divertir, mas há também quem só quer se drogar, se embebedar e arrumar confusão. Minhas amigas são sempre um pouco dos dois – o que eu realmente não gosto -, mas eu mantenho o máximo de distância possível de pessoas como as últimas. Eu acho.
Eu dançava com os olhos fechados, balançando mus cabelos de um jeito “sensual” para atrair os meninos (claro). Oras,, já que meu ex-namorado me trocou por uma qualquer por que não posso trocá-lo por “uns quaisquer”?
— A festa está boa pra você? – um garoto realmente bonito gritou em meu ouvido para que sua voz sobressaísse o volume da música.
— Está ótima, mas pode ficar melhor – gritei também. Ele entendeu “o recado” e me pegou pela cintura. Por impulso, segurei sua nuca com uma de minhas mãos e a última coisa que vi antes de beijá-lo foi um belo sorriso que me fez sorrir também.
Conforme sua língua se mexia dentro da minha boca, meu estomago revirava. Seus lábios tinham um gosto insuportável de fumo – sabe-se lá qual – e bebida. Parei aquele beijo o mais rápido possível, antes que me viciasse nessa droga que nem sei qual é.
Disfarçadamente dançando, eu saí da pista e fui direto para o bar. Queria beber qualquer coisa que tirasse aquele gosto nojento da minha boca.
— Eu quero uma Coca zero – o garçom riu. Por que ri? Só por que não sou uma adolescente drogada e alcoólatra, mas julgando pelas minhas roupas pareço ser?
Ele me serviu um copo e deixou a lata preta do lado. Sentei-me no banco a minha frente e bebi meu refrigerante.
— A gata está acompanhada – aquele garçom de festa de adolescente despreocupado encostou-se no balcão, dando em cima de mim. Apenas o olhei por cima do copo com uma cara nada agradável. Peguei minha lata e meu copo e dei-o as costas. Quem aquela “coisa” de aproximadamente 27 anos, com certeza desempregado, pensa que é para dar em cima de uma “inofensiva” garota de 16?
Sentei-me em uma mesa afastada de toda agitação e aglomeração de pessoas. A música já não chegava tão alta. Puis minha lata na mesa e me encostei no banco acolchoado em que estava sentada.
Enquanto observava aqueles adolescentes repugnantes “dançando” no centro do salão, eu bebia o resto do refrigerante que estava no copo. Quando fui me servir mais um pouco da lata, senti uma mão encima da minha e logo em seguida um braço em volta dos meus ombros. Fechei meus olhos e senti a respiração de alguém se aproximar da minha orelha.
— Por favor, não estou afim agora...
— Calma, não vim aqui pra isso! – reconheci aquela voz grave ecoando em meus tímpanos. Virei meu rosto de uma vez só para vê-lo.
Não tinha percebido antes, mas nossos rostos estavam muito próximos. Tão próximos que pude sentir sua respiração em meu rosto e a primeira coisa que vi foi o reflexo das luzes coloridas piscando em seus olhos.
-Joe! – abracei-o forte antes que algo pudesse acontecer.
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