Tecido E Pimenta

32 Capítulo 32: Contagem regressiva


Notas iniciais
UHU consegui postar antes da meia noite então estou no prazo!

Capítulo super recomendado a Daay Chan pela minha décima recomendação, vlw linda!

Como eu faço vocês esperarem um mês por capítulo não vou encher linguiça, apesar dos capítulos serem grandes né -_-.
Vamos lá!
PS: capítulo sem revisão então não estranhem alguns errinhos :).

Um pouco mais cedo, ainda naquela mesma noite de sábado.


Depois de se despedirem e deixarem Sakura em frente ao Chrysler Building, para que a mesma fosse ver como andava a irmã, Sasuke e Karin tomaram seu rumo para casa do moreno, que se manteve sério, silencioso e pensativo por mais da metade do caminho, o mesmo estado que tomou conta de si dentro daquele shopping após o desagradável reencontro.



– Ei Sasuke, — Chamou a ruiva no banco de passageiro – você esta bem?



O moreno depois de um breve suspiro e sem desviar o olhar da estrada respondeu.



– Estou.



–...aconteceu alguma coisa?



– Nada. – Respondeu ele singularmente pela segunda vez, deixando a ruiva um pouco aflita com aquela forma fria de tratamento.



– Eu fiz alguma coisa errada? – Perguntou ela meio cabisbaixa finalmente tirando o Uchiha de seu estado pensativo e reparando em sua parceira. – Se foi por causa da Sakura eu sinto muito, não achei que fosse ficar chateado de eu convidar ela pra passear com a gente, além das brincadeiras no shopping –



– Não, não, não é nada disso.



– Então porque você parece tão desgostoso depois que saímos de lá? – Perguntou claramente preocupada com o estado do Uchiha.



Após refletir um pouco, Sasuke notou como estava tratando friamente sua companheira, talvez do mesmo modo que tratará Yahiko, mas sem toda aquela ira palpável, apenas a frieza.



Encostou o carro no primeiro acostamento que encontrou, se livrou do cinto de segurança e depositou um beijo cálido na face de Karin, que até corou um pouco com o ato de carinho inesperado.



– Desculpe, eu não queria te tratar assim, é só que...



– Só que?



Ele procurava as palavras para se expressar.



– Amor, lembra-se daquele casal que encontramos no Shopping?



– Os seus conhecidos?



– Na verdade são antigos amigos, ex-amigos. – Resumiu ele com o desagrado estampado em sua face.



– E...vocês brigaram?



– Estava prestes a voar no pescoço daquele homem, se você não tivesse chegado provavelmente estaríamos nos esmurrando no chão.



– Mas porque tudo isso?



Sim, como explicar?



– O que você precisa saber é que aquele cara não é de confiança e a namorada dele não é flor que se cheire, nem de longe. – Completou ele notando uma expressão curiosa e insatisfeita no rosto de Karin, viu a mesma cruzar os braços, encher as bochechas e virar a cara antes de perguntar.



– Antiga namorada?



– Pff hahahahaha.



– Qual é a graça?



– Você e esse seu jeito de fazer birra, parece criança haha. – Continuou ele vendo que mesmo a pequena provocação não enceraria o assunto tão fácil.



– Ainda não me respondeu Uchiha.



Hum, pronto, quando ela passava a chama-lo pelo sobrenome é porque estava ficando irritada. É, o jeito era continuar com respostas simples e objetivas.



– Ela não é minha ex. – Respondeu sinceramente, mas mesmo assim a expressão dela não se suavizou, então... – É do Naruto.



Tempo para a informação ser processada:



3



2



1



– WHAT!? – O movimento automático de agarrar o amado pela lateral do ombro, mais o fato do estridente e potente grito ter sido dado a quase queima roupa no ouvido de Sasuke deixou o moreno não só atordoado como também com um fino zunido ecoando em sua cuca.



Após se recuperar do susto, bater e chacoalhar a cabeça algumas vezes ele pôde voltar ao normal com uma leve dor de cabeça.



– Por que elas gritam senhor? Por que elas sempre gritam senhoooor? – Gesticulava o moreno para si mesmo, pois sabia que a essa altura Karin não se importava mais com um “a” que ele dissesse, a menos que tivesse relação com seu primo.



– Como é que você me esconde uma bomba dessas!? – Perguntou ela ainda histérica e claramente ignorando as ultimas interrogações do namorado. – Eu aqui sempre me preocupando com a vida amorosa do meu primo e você nem pra me contar que ele já namorou sério com alguém!



– “Devia se preocupar mais com a nossa vida amorosa do que com a do seu primo” E que importância isso tem?



– TODA! Sasuke, eu passei quase dois anos achando que o meu primo era gay porque ele não olhava pra mulher alguma, era até bem preconceituoso com todas que se aproximavam, até comigo.



– Quanto drama, não é pra tanto.



– Não é pra tanto!? Teve uma época em que eu achei que ele me desprezava porque estava afim de você!



A ultima confissão foi tão absurda que fez Sasuke se engasgar com a própria saliva e somente depois de uns bons tapas em suas costas foi que voltou ao normal, talvez até mais mau humorado do que antes?



– Ficou maluca!? Eu e o Naruto??



– E eu ia saber? Mal conhecia o meu primo e você na época. – Disse ela vendo o Uchiha cobrindo o rosto em vergonha alheia.



– Por Kami que raciocínio é esse? Eu espero que você não tenha dividido esses seus pensamentos com mais ninguém.



– Ainda bem que não, hoje em dia sei que ririão da minha cara...mas, voltando ao principal, qual é a história deles?



–...pense um pouco, mulher bonita, com um namoro longo com outro cara que não é o seu primo, o fato de eu estar de mal humor.



Enquanto ele narrava ela raciocinava.



– Quando terminar de juntar dois mais dois me avise tá? – Terminou ele, tendo uma resposta quase que imediata da ruiva.



– Traição?



– Em vários sentidos, aquela vagabunda é o motivo de ele não se relacionar com mulher alguma por sete anos, e tratar todas da maneira como você já sabe “Obviamente é mais complicado do que isso, mas você não precisa saber dos detalhes”.



– Não acredito, foi tão ruim assim?



– Pior. – Disse ele no automático vendo que as perguntas da mesma havia sessado, virou minimamente o rosto só para encontrar a Uzumaki bem próxima de si com um imenso olhar de expectativa. – Eu não vou contar o que houve.



– Hããã porque não?



– Primeiro, mexer na ferida dos outros não é legal, nem ético, não que eu ligue pra essa parte, e segundo, ele esta bem agora não esta? Pra que ficar remexendo em coisas ruins, — Finalizou ele colocando as mãos atrás da cabeça. – deixe-o voltar a aproveitar a vida com o mínimo de sossego, ele precisa disso.



– Verdade, foi só olhar pra ele e a Hina-chan no parque, a felicidade deles era palpável, — Disse ela com um largo sorriso de felicidade, uma marca típica da família Uzumaki – queria ver como eles estão agora.



– Podemos visita-los durante a semana é só ligar com antecedência. – Comentou o moreno vendo a expressão de Karin mudar de sorridente para uma muito irritadiça.



– Huuugh, só de pensar que aquelazinha é o motivo do meu primo ter sido malvado comigo quando a gente se conheceu, fora o fato desse relacionamento mau acabado deixar ele afetado por sete anos, aaaaaaa se eu soubesse, quem teria voado em pescoços no shopping teria sido eu!



– Nem tente, ela sabe defesa pessoal.



– Não subestime uma mulher com raiva Sasuke!



– Que seja, — disse dando de ombros e religando o carro voltando para a estrada – vamos encerrar esse assunto por aqui e com um pouco de sorte talvez nunca mais a vejamos de novo.



– É bom mesmo, agora que eu sei quem ela é vai ouvir poucas e boas minhas se eu encontrar ela na rua.



– Hum. “Mas o que eu não quero mesmo é que o Naruto a encontre, não agora que ele esta finalmente superando aquela época dos infernos”.



– Acho que não preciso nem dizer, mas não comente nada disso com o seu primo.



– Eu sei disso, não vou me meter, até porque tenho muito mais o que fazer.



– Como o que?



– Estamos a duas semanas do desfile Sasuke, chegou a hora de eu colocar a mão na massa e começar a trabalhar duro.



– Bem, desde que se lembre de colocar a mão na minha massa no fim do dia, pra mim esta ótimo.



O ultimo comentário foi respondido com um “leve” tapa no ombro seguido de um murmúrio de falso desagrado.



– Pervertido.



#####



O resto do final de semana passou tranquilo para todos, Sasuke desfez a cara emburrada do dia anterior e ele e Karin passaram o dia de domingo ao estilo do moreno, em casa, desfrutando da companhia um do outro e algumas coisas mais.



Para compensar o dia inteiro que passaram em casa, Naruto e Hinata desfrutaram de seu domingo na companhia de Sakura indo a todos os tipos de lugares, cinema, fliperama e encerraram o dia numa boa churrascaria, não é nem preciso dizer que todo este cronograma havia sido planejado pela rosada, dando um ar de programa para adolescentes do qual todos aproveitaram, mesmo com as constantes provocações da Haruno para com o mais novo casal, que ainda tentava se desvencilhar de dar uma explicação para a perda de algumas camisinhas no dia anterior, fato este que Hinata jamais compartilharia com sua amiga, pelo menos não com seu nível de coragem atual.



No QG da SVU os funcionários tiveram permissão para voltarem as suas casas, pelo menos por aquele dia, afinal teriam muitas explicações a dar as suas famílias e entes queridos sobre a noite de natal, exceto Kakashi, que como não possuía família só sairia do QG na segunda de manhã.



Um dos mais satisfeitos com aquilo era Gaara, pois por mais que aparentasse ser um oficial exemplar estava se corroendo por dentro por deixar Ino sozinha numa data, segundo ela, tão romântica.



Para compensar isso, decidiu fazer um mimo para a namorada, o qual organizou com muito cuidado durante todo o dia.



Ino por inúmeras vezes havia perguntado qual era a grande surpresa que ele havia planejado para ambos, mas Gaara não cedeu uma única vez, continuando a conduzir a namorada por entre as árvores do Central Park, naquela fria noite de inverno.



– Gaara já estamos andando há vinte minutos – Reclamou Ino pela terceira vez devido ao frio que fazia no parque, apesar de tanto ela quanto o ruivo estrem usando jaquetas e botas de coura, a loira com um conjunto branco e o dele preto – Falta muito pra chegar?



– M diga você – Respondeu ele afastando um ultimo arbusto e revelando sua bela surpresa.



Na margem de um dos lagos havia uma toalha xadrez de porte médio e estendida, sendo cercado por um circulo das flores mais variadas e em seu centro uma grande cesta de piquenique.



– Que liiiiindo haha! – Exclamou a loira com um sorriso de 15 quilates enquanto rodeava o circulo apanhando algumas das flores mais bonias – Amor, como você fez tudo isso? Pensei que estivesse se matando de trabalhar no QG.



– E estava, — Começou ele guiando a loira para a toalha e se sentando junto com ela, apanhou uma margarida de sua mão e a prendeu com jeito nos cabelos da amada na altura da orilha esquerda – mas a minha sorte é ter um chefe compreensivo, que me deixou sair algumas horas antes do horário, “apesar de todos nós estarmos fazendo hora extra”, foi tempo suficiente para comprar as flores, os quitutes, arrumar a sexta e estar aqui com você.



Narrava ele alegremente mesmo percebendo que a namorada não prestava realmente atenção no que dizia.



– Olha, não me entenda mal, até porque eu estou adorando tudo isso, mas...esta noite romântica não tem nenhum outro motivo?



Perspicaz como sempre, apesar de ser um rapaz sério o ruivo nunca conseguiu mentir para Ino, pois sempre se atrapalhava no meio do caminho, e a loira por sua vez, já conhecendo seu namorado de cima a baixo podia dizer quando o mesmo estava nervoso somente olhando em seus olhos, talvez esta seja uma das desvantagens de se conviver tanto tempo com uma pessoa, você se torna completamente exposto para ela, de qualquer forma, mentir certamente não era uma opção.



Gaara por fim bufou e a olhou meio sem jeito.



– Eu sou um livro aberto para você não sou?



– Nem tanto, — Respondeu ela com um sorriso sapeca — só é fácil de dizer quando você esta preocupado com alguma coisa.



– Como?



Nisso a loira esticou os dois indicadores e empurrou as extremidades da boca do ruivo para cima.



– Você sorri mais que o normal! – Disse se afastando e cruzando as pernas em modo de índio.



– Vou tentar me lembrar dessa na próxima vez.



– Pode esquecer, é mais fácil você enganar a sua irmã do que a mim.



– Não vou nem começar essa argumentação, vocês que se entendam se esse tópico sair daqui.



– Ok, mas vai, pode ir falando!



Ele balançou o cabelo um tanto inseguro e apoiou os braços sobre as pernas buscando por um apoio.



– Bem, a verdade é que...



Levou cerca de dez minutos para Gaara narrar toda a situação, contou sobre a conversa que teve com Kakashi, assim como, a grande operação que aconteceria no natal e como ambos não poderiam passar juntos tanto o dia quanto a noite do feriado, Ino ouviu tudo sem dizer uma única palavra até ele terminar.



– E é isso. – Finalizou sendo pego de surpresa pela namorada, Ino se espreguiçou , deitou a cabeça confortavelmente, quase se jogando na verdade, no colo do namorado e deu um longo suspiro o fitando logo em seguida, de cabeça para baixo.



– Isso não é justo. – Proferiu ela de forma meio tediosa.



– Eu sei, sinto muito Ino.



– Hum? Eu não to falando de mim, to falando de você!



– Hã eu?



– Claro oras, Gaara você se mata naquela delegacia mais de 12 horas por dia, trabalha até mais do que os outros por ser o braço direito do chefe e não tem nem o direito de passar um feriado tranquilo? Isso é um absurdo!



– Mas amor –



– Tá tá já sei – Interrompeu enquanto gesticulava com as mãos – é uma grande operação, é pelo bem da cidade...e segundo você pelo meu bem também.



– É claro! Esse é o maior motivo!



Com tal afirmação a loira só pôde sorrir ternamente enquanto pegava uma das mãos do ruivo a beijando e passando por seu rosto com carinho.



– Então dessa vez eu vou deixar passar. – Suspirou e se deixou levar por um momento fechando os olhos. – Mais alguma coisa?



– Sim. – Respondeu prontamente.



– Hãã, eu tava brincando. – Disse ela dando um sorriso forçado enquanto ele se manteve sério.



– Quero que me prometa, que até eu voltar para sua casa, na noite do dia 25, que você não vai sair de casa.



– Pode deixar, depois de saber de tudo isso vou no mercado amanhã mesmo repor a minha geladeira, sou bonita de mais pra ser sequestrada.



– Nem brinque com isso.



Respondeu ele se deitando de bruços na toalha obrigando Ino a se mover, mas logo sentindo aloira se deitar sobre suas costas.



– Ei, me diz uma coisa, — Começou ela sussurrando em seu ouvido – Esta noite é para compensar o feriado?



– Bem, essa era a ideia. – Disse o ruivo notando o sorriso aconchegante da loira.



– Então, temos de fazer valer a pena.



Finalizou Ino distribuindo vários beijos pela nuca do ruivo, chegando logo a sua face e fazendo com que o mesmo se virasse para retribuir o carinho, ficaram deitados assim por um bom tempo até a loira começar a despir Gaara de sua jaqueta de couro. O ruivo que de inocente já não tinha mais nada, logo perguntou com real preocupação.



– Não esta muito frio aqui para você?



– Sem problemas – Disse lhe mordiscando o lábio – você me esquenta.



Terminou a loira logo sentindo seu corpo ser prensado contra o do ruivo para passarem um maravilhosa noite de amor a beira daquele lago cristalino, mesmo com os ventos gelados do frio de inverno.



Sim...com os ventos gelados do frio inverno.



#####



Segunda feira



Dia 22 de Dezembro.



Contagem regressiva para o Natal, três dias.



Naquela manhã de segunda os lençóis e a cama nunca lhe pareceram tão confortáveis para certo moreno, tinha tanta vontade de levantar para trabalhar quanto de enfiar um foguete no cu e ascender.



Havia tantas coisas para se preocupar a partir daquele dia, o desfile era uma delas de fato, mas o principal era a noticia que deveria dar a seu amigo, sobre a descoberta de dois abutres sobrevoando a cidade, Konan e Yahiko.



Qualquer que fosse a reação de Naruto sobre isso com certeza não seria boa, mas era bem melhor do que ele ser pego de surpresa na rua e acabar fazendo uma besteira, como o próprio Uchiha quase fizera naquele shopping, o melhor era falar de uma vez e enfrentar as consequências depois.



Com isso em mente tateou os lençóis a procura de sua parceira, porem sem sucesso, em vez disso apalpou uma folha de papel de escrita duvidosa, pois a letra parecia bem embasada, demorou um pouco até Sasuke perceber que ainda estava grogue de sono, mas assim que o fez esfregou os olhos com força notando na verdade a perfeita letra em suas mãos.



“ Bom dia amor, a partir de hoje estamos a duas semanas do desfile, e com meu novo cargo terei muitos preparativos para fazer, assim como você e o Naruto, terei de chegar mais cedo na empresa e mais tarde em casa, então não estranhe a minha falta por esses dias, te vejo no trabalho.”



“PS: tem café quente na cozinha, beijos Karin.”



Ao final do bilhete a face do moreno já se encontrava enterrada no travesseiro e para variar, Sasuke estava de mau humor.



– Era só o que me faltava, além daqueles dois urubus agora ainda tenho de me preocupar em como passar 14 noites sozinho.



Reclamou ele em desgosto, porem sua mente logo foi preenchida com algumas lembranças recentes, mais especificamente as de uma fim de tarde em um parque de diversões.



– Coração aberto Sasuke...coração aberto! – Repetiu ele em ênfase e talvez também tentando se convencer — ...isso é mais difícil do que parece.



Bem, dizem que o tempo cura todas as coisas, então tudo seria uma questão de se acostumar, o moreno teria de aguentar algum tempo longe de sua amada e isso lhe serviria perfeitamente para testar suas palavras.



Vendo que não havia mais muito o que se fazer, levantou mandando suas cobertas sabe-se lá para onde e logo já estava debaixo do chuveiro, fez sua higiene pessoal e vestiu seu conjunto de calça e terno cinza, passou na cozinha e antes de sair se serviu de uma generosa caneca de café, porem após o seu primeiro gole...



– PUFFF AHG que gelo! Ela fez mesmo esse café de manhã?



A resposta lhe veio quando seus olhos pararam no relógio da cozinha, que demarcava exatamente 10:30 da manhã, ou seja, além de estar atrasado para trabalhar agora também tinha aquele gosto amargo de café passado em sua boca. O que lhe arrancou um alto suspiro.



– Isso só pode ser algum tipo de castigo.



Imagine Sasuke, o seu Karma é tão limpo quanto um lençol branquinho, que foi recentemente adubado.



Sem muita alternativa o moreno despejou o resto do liquido na pia e saiu catando pneus na direção da empresa, quem sabe a vida lhe sorrisse um pouco e ele teria pelo menos a felicidade de atropelar um pombo a caminho do trabalho.



#####



Uma hora antes, na cobertura do Chrysler Building, a manhã não era uma das mais calmas também, não que isso já não tivesse se tornado rotineiro, pois depois que uma certa azulada e rosada passaram a morar na residência do Uzumaki as manhãs nunca mais foram calmas, porem desta vez a agitação se devia a um motivo diferente...



– Aaaaaah eu também quero ir! – Insistiu a Hyuuga seguindo Naruto até a sala de estar.



–Hina, nós já conversamos sobre isso, — Relembrava Naruto enquanto terminava de se arrumar para trabalhar – você não pode aparecer na empresa até o dia do desfile, ordens do seu chefe.



– Mas você é o meu chefe!



– Sou um dos seus chefes, e eu dei carta branca para o Sasuke quanto a sua punição, por tanto você não vai!



– Mas, mas –



– Hinata pare de choramingar! – Reprimiu Sakura adentrando a sala também terminando de vestir o seu conjunto de jeans, que ia de seu sapato até a jaqueta. – Já é a décima vez que estão discutindo sobre isso, devia era estar pulando de alegria por não ter de ir trabalhar.



– E você não deveria ter desligado todos os despertadores da casa, agora estamos todos atrasados! – Retrucou Naruto.



– Eu gosto de dormir até tarde nos fins de semana.



– Só que hoje já é segunda!



– Pra mim a manhã de segunda ainda é um pós domingo.



– Não vou nem perguntar de onde veio essa conclusão. Pronta?



– Estou.



– Então vamos. – Declarou ele já de posse das chaves do carro e indo com Sakura até a porta do AP.



– Esperem ai! – Esbravejou a Hyuuga se colocando na frente da porta. – Eu ainda não terminei de falar!



– Hinata por favoooor, nós temos que ir! – Suplicou o Uzumaki.



– Mas o que eu vou fazer durante o dia?



Naruto respirou fundo para juntar paciência e prosseguiu mais calmamente.



– Bem, você não pode pisar na empresa, isso é fato, mas não significa que não possa trabalhar, todo o material que precisar você tem aqui, se tiver alguma ideia para a coleção de primavera pode colocar no papel.



– Ta, e fora isso?



O Uzumaki puxou a carteira e depositou 500 dólares nas pequenas mãos da moça.



– Com isso você pode comprar mais alguma coisa se precisar e pode sair para dar uma volta também.



– Mas, mas, mas –



– ORA POR KAMI HINATA! Isso é tudo o que eu posso fazer! – Esbravejou o Uzumaki, desde a noite de domingo Hinata parecia ter entrado em um estado extremamente manhoso e isso junto a sua teimosia e egoísmo estava torrando toda a paciência de Naruto. – O que mais você quer?



Interrogou ele encarando a namorada vendo lentamente os seus olhos marejarem, e por fim...



– Eu não quero ficar sozinhaaaaaa haa haa uuuhg – Viu-a desabar em choro, isso fez com que toda a frustração do Uzumaki se transformasse em um grande aperto no coração.



Se aproximou com cuidado e a envolveu num abraço desajeitado por ela estar tão nervosa.



– Desculpe Hina, desculpe, — Pedia ele ainda ouvindo o choro abafado em seu paletó negro. – estando tão perto de um desfile todos na empresa ficam mais agitados e estressados, especialmente eu e o Sasuke que temos de coordenar tudo. Ei – Chamou-a afastando-se um pouco para ver o rosto da azulada ainda banhado em lágrimas, que ele passou a enxugar enquanto a acalmava – eu também tô chateado com isso, ou acha que eu quero passar o dia inteiro naquela casa sala enfurnada de papel e sem você do meu lado pra dar um beijinho de vez em quando?



O ultimo comentário tirou um sorriso fraco da azulada, seguido por um beijo demorado e molhado, devido a suas lagrimas.



– Prometo voltar o mais rápido possível.



–...tá, eu vou arranjar alguma coisa pra fazer. – Respondeu ela ainda sem muito ânimo.



– Se pudesse fazer aparecer o café da manhã seria ótimo, — Comentou a rosada – estou indo trabalhar de estomago vazio.



E foi nesse momento que Naruto teve uma ideia.



– Já sei! Hina, porque você não tenta fazer o jantar?



– O-o-o jantar? Mas eu nem sei cozinhar.



– Melhor ainda. – Continuou ele agora confundindo mais Sakura do que a própria Hinata – Você pode aprender desde o básico e preparar um belo jantar para quando eu e a Sakura chegarmos.



– Opa, agora eu tô gostando! – Enfatizou a rosada.



É, que outra reação se esperaria de alguém que pensa pelo estômago...



– Até ai eu também gostei da ideia, só tem um probleminha.



– Que seria?



– Quem vai me ensinar?



– Simples, na segunda prateleira esquerda da cozinha tem uma coleção de livros de receita, e você pode pesquisar métodos e modos de preparo pela internet, ou vocês acham que eu aprendi a cozinhar por magia?



– Sinceramente não me importa, — Respondeu a rosada – a tua comida é boa e ponto, não preciso saber mais do que isso.



– “Por alguma razão esse tipo de pensamento me irrita” Então, estamos combinados?



– Uhum, vou me esforçar!



Afirmou ela mais alegre para o alivio do Uzumaki.



Naruto se despediu com mais um beijo e Sakura com um simples aceno de mão, e assim ambos deixaram a cobertura para começarem o dia, deixando Hinata, também sozinha.



#####



Enquanto isso na recepção do edifício...



– Arf, arf estou morto, porque os meus subordinados tem de ser tão desleixados? Vou fazer com que todos eles refaçam o treinamento após essa operação, que gente mais despreparada. Quem contratou eles?...ah fui eu.



Uma figura cansada e desprovida de qualquer energia, reclamando de coisas que possivelmente também fossem sua culpa, essa era a imagem que Hatake Kakashi transmitia naquele momento.



Depois de passar duas noites em claro o grisalho tinha suas olheiras mais destacadas do que nunca e o uniforme bem passado de gerente em seu armário já estava todo amarrotado naquela manhã.



Se “arrastou como pode até a recepção e nem se quer cumprimentou Naruto direito quando este e Sakura passaram por ele, depositou a cabeça no frio mármore e se permitiu alguns momentos de sono”.



#####



Faziam poucos minutos desde que o Uzumaki dirigia pelas ruas movimentadas de New York com Sakura no banco de passageiro, ambos sem proferir uma palavra, incomodada com algo que vinha lhe perturbando desde o apartamento ela finalmente resolve quebrar o silencio.



– Forçado.



– Hum?



– Aquilo tudo foi muito forçado.



– ...Do que esta falando? – respondeu ele meio desanimado, esperando que ela não tivesse realmente notado.



– Eu não sou boba ta. O jeito como você tratou a Hina...- Iniciou ela,mas decidiu que seguiria por outra abordagem – o que teria feito se ela insistisse em vir?



–...Provavelmente nós iriamos brigar.



– Aquele papo de estresse por causa do desfile, sorte sua ela ter engolido.



– Se tem alguma coisa pra me dizer então diga de uma vez, eu não gosto de rodeios.



– Então vou ser direta. – Afirmou ela encarando o loiro, que não desviara nem uma vez os olhos da estrada. – Já enjoou?



– O que?



– Da Hinata, já enjoou dela?



Ele nada respondeu, além de se mostrar um pouco surpreso e encarar a rosada de canto, afinal estava dirigindo.



– O motivo do seu estresse de manhã, não era o desfile porcaria nenhuma, era a Hina não era?



–...e se for?



– Quero saber se você já se cansou dela, porque se espera que ela mude de atitude de um dia para o outro vai sonhando. Se for só para se estressar então é melhor acabar com tudo de uma vez.



Com isso Naruto perde toda a seriedade que o assunto deveria ter, por que na verdade ele ne deveria existir em primeiro lugar, mas ficou feliz em saber o que a rosada pensava.



– Você é bem mais coruja do que eu pensei. – Disse ele fazendo a rosada arquear uma sobrancelha – Sakura-chan, você não tem nenhuma experiência em relacionamentos não é?



Afirmou ele irritando e constrangendo a rosada ao mesmo tempo.



– O que quer dizer com isso?



– Pensar que um relacionamento pode acabar assim por tão pouco é muita ingenuidade. – Começou ele tendo certeza de que ela prestava atenção. – Eu não estou esperando que a Hinata mude de uma hora para outra, ela foi criada de um modo por quase toda a sua vida, é normal ela ser “um pouco” mimada e isso não me incomoda, posso até dizer que gosto de fazer as coisas pra ela, ver aquele sorriso vale por tudo. O nosso relacionamento tem só um final de semana, mas uma briga pode acontecer a qualquer momento e pela mais simples banalidade, se eu fosse terminar por uma coisa dessas, nunca teria namorado na vida...eu amo ela Sakura, e vai precisar de coisa bem pior pra eu querer me separar, ... o que eu espero que nunca aconteça.



Por algum tempo, Sakura manteve a sua expressão confusa e surpresa, mas por fim, começou a sorrir, se recostou de volta em seu banco muito satisfeita e pode desabafar.



– Obrigada, por se apaixonar por ela.



– Hã? Que tipo de agradecimento é esse? Isso não é o tipo de coisa que se faz por querer, mas, certamente eu estou feliz por ter acontecido. – Admitiu meio encabulado.



Sakura retirou seu sinto e se escorou no ombro do Uzumaki com os olhos fechados, como se tentasse descansar.



– Ei ei, o que esta fazendo? Se sente direito e ponha o cinto! – Ordenou ele, porem a Haruno nem se mexia, com medo que algo pudesse acontecer reduziu a velocidade e permitiu a ela se ajeitar, vendo um sorriso diferente brotar em sua face, um que ele ainda não conhecia.



– Você é perfeito. – disse ela em tom baixo.



– Eu não chego nem perto disso, tenho tantos defeitos quanto você...bom talvez não tantos.



Ignorando a ultima parte da resposta, Sakura o olhou de relance antes de se acomodar ainda mais e proferir antes de cair em sono profundo.



– É...é sim.



Depois disso, nada mais se ouviu, além do barulho do transito de New York.



#####



Após uma hora de transito eles finalmente conseguiram chegar a empresa, Naruto acordou Sakura com leves chacoalhadas até que a mesma despertasse e passasse a segui-lo.



Dentro da empresa o ritmo já era frenético com todos os tipos de tarefas sendo realizadas, telefonemas para mão de obra necessária, a escolha de cores e enfeites para o dia do desfile, os músicos para o baile pós desfile, que aliais era tão aguardado quando o próprio evento principal, nele se reuniam as pessoas mais influentes e ricas da cidade, comprando grandes quantias dos produtos da Tecido e Pimenta, além de vários “oportunistas” por assim dizer, pois sempre havia um ou outro infeliz que traziam propostas e mais propostas de afilamento e fusões de suas próprias empresas para incluir a TP, mesmo as ofertas sendo sempre recusadas por Naruto e Sasuke esse tipo de coisa nunca parava de acontecer, e olha que a empresa tinha apenas dois anos de vida.



Havia muito mais para se reclamar, mas vamos nos concentrar no presente, afinal sem a devida preparação nada poderia acontecer, e eles tinham um prazo rigoroso que precisava ser cumprido.



Ao chegarem em uma certa parte do local, era ora de cada um exercer sua função.



– Bem, a minha sala fica pra cá, então nos vemos na hora da saída.



– Certo, até mais então.



Após se despedirem Sakura seguiu rapidamente para a área das modelos pensando em como seria a sua participação naquilo tudo, vislumbrou a grande porta pela segunda vez e por fim a abriu, gerando muito mais barulho do que esperava.



E esse barulho, atraiu a atenção de um certo instrutor.



– AAAAAAAAAAA-CHEEEEEEEEEEEIIII!!!!!!



– GYAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!



Ao ver Sakura parada na porta Gay-quer dizer-Gai pareceu ter entrado em frenezi e sabe-se lá porque começou a correr na direção da rosada como um atleta olímpico, porem fazendo as caretas mais extravagantes que seu rosto de maquiagem pesada era capaz de gerar.



Quando viu o mesmo pular em sua direção, e obviamente assustada, a reação natural de Sakura foi fechar a porta de volta, escutando o estrondoso som do que deveria ser a cara de seu instrutor batendo contra a placa de ferro que os separava.



Meio hesitante, e ainda se recuperando do susto, a rosada empurrou a porta com cuidado tentando achar o bailarino dentro da sala, sendo surpreendida quando sentiu alguma coisa puxar o seu pé.



– Pe-guei -vo-cê!



– Hiiiiii!!



Anunciou o bailarino com algum sangue escorrendo por sua face assustando ainda mais a rosada, tanto pela sua expressão quanto pela maquiagem borrada.



Enquanto Gai remendava sua compostura Sakura levava um grande sermão do mesmo, com o desfile estando tão próximo uma modelo iniciante faltar a uma semana inteira de ensaio era inadmissível para ele, apesar de a única coisa que rodeava a sua cabeça era: Que raios de treinamento uma pessoa precisa ter para andar?



– Esta prestando atenção senhorita Haruno!? – Exclamou o excêntrico bailarino com uma voz tão fina que já estava lhe dando dor de cabeça.



– Hai Gai-chan, vou me dedicar.



– Nesse caso você pode começar vindo comigo. – Manifestou-se a ruiva aparecendo ao lado da rosada com uma prancheta em mãos.



– Karin-chan! Bom dia.



– Quase boa tarde não é senhorita Haruno?



– Hehe, o que esta fazendo aqui?



– Como eu lhe disse na semana passada, agora que fui promovida vou auxiliar o Gai-chan na preparação das modelos, e já que esta bem atrás das outras, vou me encarregar pessoalmente de você.



– Ai ai, ai vem bomba. – Lamentou a rosada com um sorriso de canto forçado.



#####



Um pouco mais tarde, naquele mesmo dia, por volta de 12:00 da tarde.



Hinata já havia lido e relido umas três receitas das que mais gostou de um dos livros do Uzumaki, todas envolvendo o mesmo prato, sopa, afinal se começasse por algo muito extravagante tinha medo explodir a cozinha...



– Certo! Vai ser essa sopa de tomate aqui! – Decidiu ela com alegria e entusiasmo, porem ao abrir as três geladeiras teve sua decepção. – Não acredito que em nenhuma delas tenha um tomatinho.



Sendo assim a solução era óbvia, se queria mesmo fazer aquela sopa teria de comprar os ingredientes, checou a receita e a cozinha mais uma vez para se certificar de tudo o que iria precisar, colocou um casaco branco e felpudo, combinando com suas botas, e colocou uma nota de cem dólares no bolso, se soubesse que iria mesmo sair para fazer compras tão simples teria pedido ao namorado para deixar troco, mas fazer oque né.



Colocou rapidamente suas lentes de contado verdes e reclamando pela 200° vez como queria que elas fossem azuis, trancou bem a porta de casa e por fim saiu.



Chegando na recepção ela avistou ela avistou o gentil gerente Kakashi de volta ao prédio, já que ele havia ficado ausente por algum tempo devido ao seu emprego principal, num gostoso cochilo, teve pena de acorda-lo, mas precisava de alguma orientação naquele momento.



– Senhor Hatake, senhor Hatake.



Depois de algumas sacudidelas o grisalho acordou um tanto atordoado e constrangido.



– Me perdoe senhorita, em que posso ajuda-la.



– Hihi trabalhando muito?



– Sim, digamos que sim, eu tenho outro emprego além deste e isso esta me custando um pouco.



– Entendo, será que o senhor pode me dar uma indicação?



– Pois não.



– Eu preciso comprar algumas coisinhas para o almoço e jantar, onde posso comprar vegetais frescos?



– Ah, vire a direita e siga por cerca de 16 quadras daqui, depois vire o primeiro sinal no cruzamento e siga por mais cinco a direita, nas manhãs de segunda-feira tem uma feirinha com ótimos legumes e frutas, creio que vai encontrar tudo o que precisa lá.



– Huuum, acho que entendi, obrigada senhor Hatake. – Agradeceu-o e estava pronta para seguir seu caminho...



– Senhorita. – Quando ele lhe chamou desta vez.



– Hai?



– Eu notei que você e uma moça de cabelos róseos tem entrado e saído deste edifício nas ultimas semanas na companhia do senhor Uzumaki, e creio que esta é a primeira vez que a vejo saindo sozinha...vocês por um acaso, estariam morando com ele?



Pânico, essa é a definição do que tomou conta de Hinata naquele momento, ela se lembrava muito bem das palavras de Naruto quando adentraram aquele edifício pela primeira vez.



“Depois do meu pequeno projeto o proprietário meio que simpatizou com a ideia e transformou todo o edifício em um conjunto de apartamentos, mas só para as pessoas mais ricas e famosas de New York”.



E agora?



Se ainda usasse o sobrenome Hyuuga com certeza não haveria problema algum sobre a sua presença, no entanto Hinata abdicou desse nome junto com todos os seus benefícios, e agora era apenas uma moça comum e sem nenhum prestigio.



Só a ideia de ser expulsa dali junto de Sakura lhe embrulhava o estomago, o que deveria dizer? O que deveria fazer? Poderiam acontecer tantas coisas a partir daquele momento que sua cabeça simplesmente se recusava a raciocinar.



Vendo o estado da moça Kakashi prosseguiu.



– Vou reformular a minha pergunta. Qual seria a sua relação com o senhor Uzumaki?



Aquela era definitivamente uma resposta que ela daria com gosto a qualquer um que lhe perguntasse, esperou mais um pouco esperando que seu nervosismo passasse e soltou de uma vez só.



– Nós somos namorados! – Exclamou ela sem se importar com quem pudesse ouvir.



Os olhos do grisalho mostraram algum espanto por cerca de meio segundo e por fim voltaram ao normal antes que ela pudesse perceber, ele se abaixou no balcão de mármore e de lá puxou um livro verde de capa dura com detalhes de folhas douradas nas extremidades.



– Neste caso, você poderia assinar aqui?



– E-eto, o que é isso?



– Isto mocinha é o livro de registros dos moradores deste edifício, o dono é rigoroso quanto aos status de seus condôminos, por isso todos tem seus respectivos prestígios assimilados aqui, de forma resumida o registro neste livro é o que permite a sua estadia legal aqui.



– M-mas,...eu não tenho nenhum prestigio. – Admitiu ela tristemente.



– Isso não é verdade, o seu prestigio é ser a mulher de Uzumaki Naruto, um grande empresário desta cidade.



Espere um pouco como é que é?



– Pres-tigio? – Repetiu ela em descrença do que havia escutado, tal afirmação fez o sangue de Hinata subir a cabeça e ferver em suas veias. – O que você pensa que a nossa relação é!? Da forma como falou pareceu algo tão frívolo que me fez sentir até nojo, você esta falando dos nossos sentimentos como se fosse algum tipo de objeto! As relações dos outros não tem um valor para serem colocadas em um papel!!



Hinata exclamava convicta de suas palavras e com verdadeira indignação, do modo como Kakashi falou parecia que ela tinha sorte por ter Naruto como namorado, o que poderia até ser verdade, mas não quando visto do modo como aquele livro fresco o fazia parecer, ela teve sorte sim, de encontrar um bom homem por quem se apaixonar, e não de encontrar um empresário rico para se relacionar com ele, se tem uma coisa da qual a Hyuuga desprovia era a ganancia por bens materiais, pois desde pequena ela já sabia muito bem que o dinheiro não trás tanta felicidade como aparenta, trocaria tudo o que tinha por uma vida humilde em seu passado, assim como decidiu fazer quando fugiu de casa.



O Hatake por sua vez, manteve o semblante sério durante todo o tempo, analisando bem as palavras de Hinata e encarando o livro em suas mãos vez ou outra, por fim ele só pode suspirar se sentindo realizado.



– Sim, você esta absolutamente certa. – Declarou ele surpreendendo Hinata. – De fato este tipo de coisa também me incomoda, para mim as pessoas deveriam ser livres para fazer o que gostam e se relacionar com qualquer um, mas infelizmente nós não vivemos em uma utopia, enquanto as classes sociais existirem esse tipo de “discriminação” nunca vai acabar, digo isso pois um dos meus funcionários namora uma das cobiçadas modelos da Tecido e Pimenta e a senhorita Yamanaka mais de uma vez quase saiu aos tapas com o dono daqui, pois por melhor homem que ele seja, o senhor Sabaku é apenas um policial comum.



Com isso o Hatake estendeu o livro junto a uma caneta de mesmo padrão fino do material em suas mãos.



– Não importa o que as pessoas digam sobre vocês, se uma pessoa escolheu alguém para amar, para mim os outros não tem o direito de dizer nada. Veja este livro apenas como uma das frescuras da sociedade. – Finalizou ele com um sorriso por debaixo da mascara, vendo a expressão da moça a sua frente se suavizar, não só concordava com suas palavras como também torcia para que algum dia elas se tornassem realidade.



Hinata assinou o livro bem ao lado do nome de Naruto se dando por satisfeita, querendo ou não, aos olhos dos outros ela seria apenas reconhecida como a mulher de um homem importante, se a Hyuuga ligaria para isso ou não, já é outra história.



– Me desculpe, por me exaltar. – Disse ela envergonhada, pois odiava brigas e ter de levantar a voz.



– Não se preocupe com isso, quem dera eu conhecesse mais moças como você, é melhor se apressar – Conferiu o livro – senhorita Haruno, a feira fica aberta somente até as 13:00 horas.



– Ah nesse caso tenho de me apressar, até logo senhor Hatake!



– Senhorita Haruno. – Chamou-a mais uma vez antes que ela pudesse sair.



– Hai?



–... A partir de agora pode ser que as coisas fiquem um pouco mais difíceis, mas se lembre das palavras que me disse aqui hoje, e aquente firme ok?



– Ok, pode deixar. – Respondeu ela saindo apressada sem realmente entender ok Kakashi quis lhe dizer, fazendo o Hatake suspirar ainda mais cansado.



– A sociedade pode se mostrar muito cruel, eu farei a minha parte, então aguente firme mocinha.



Argumentou o grisalho para si mesmo, sem saber que a moça que esta diante de si, era uma autentica aristocrata, se a sociedade iria lhe testar, então ela que se preparasse para ver quem é Haruno Hinata.



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Depois de alguns bons minutos de caminhada Hinata chegou até a dita feira pegando-a guase fechando, mas mesmo de longe pode ver seu alvo, alguns dos tomates mais lindo que já vira, certamente haviam sido plantados com muito carinho por quem quer que tenha os cultivado.



– Senhor, poderia me ver uma sacola com vinte dos seus melhores tomates. – Pediu ela meio ofegante, pois havia corrido um pouco para poder chegar até lá devido ao horário.



– Opa, pode deixar moça bonita! – Respondeu o dono da pequena banca de legumes, um homem de porte pequeno com um charuto e um pano branco amarrado na cabeça, mas certamente o que mais chamava a atenção era o fato de estar de chinelos em pleno inverno. – Você chegou bem em cima da hora, todos já estão indo pra casa.



– Pois é, tive um pouco de dificuldade pra achar o lugar.



– Hehe essa rua é um pouco escondida mesmo.



Eles jogavam conversa fora enquanto o vendedor separava os tomates.



– O senhor não sente frio estando só de chinelo?



– Eu uso um par destes faço sol, chuva ou o que mais a mãe natureza mandar, não me sinto confortável com outra coisa.



– Entendo.



– Aqui esta mocinha, são 16 dólares ao todo. – Disse ele estendendo a sacola bem cheia para Hinata.



– Eto, o senhor teria troco? – perguntou ela lhe erguendo a nota de cem.



– Jesus apaga a luz, eu não vou ter troco para uma nota tão alta minha filha! – Exclamou ele para moça, sem notar que ambos estavam sendo observados.



– Huuum, nesse caso o senhor pode ficar com o troco.



– HÃ? Tem certeza? Isso tudo por uma sacola de tomates?



– Acredite não vai me fazer falta.



– Então, pelo menos me deixe lhe dar mais alguns tomates!



– Mas se eu levar muitos vão acabar estragando, até acho que vinte pode ser um exagero, então aceite por favor.



– Hehehehe se eu contasse uma história dessas pros meus colegas nenhum deles iria acreditar. – Disse ele desamarrando o pano branco de sua cabeça revelando uma límpida carequinha e o usando para enxugar o rosto, aceitando ainda tímido, porem muito agradecido o dinheiro da moça. – Pode me dizer o seu nome mocinha?



– Claro, me chamo Hinata moço.



– Pois bem minha querida, esta feirinha aqui abre toda segunda e fins de semana, se voltar aqui outra vez prometo separar a minha melhor safra de tomates para você com um bom desconto da casa.



– Eu estou aprendendo a cozinhar para o meu namorado, então aceitarei com prazer a oferta.



– Então diga a ele para tomar conta muito bem de você e elogiar sua comida, se não o velho Nicolas aqui vai dar um belo cascudo nele.



– Huhuhu muito obrigado senhor Nicolas.



– Puxa não precisa de senhor querida, me sinto ainda mais velho.



– Hihi então só Nicolas. – Disse ela pegando sua sacola e se despedindo. – Bye Bye Nicolaaas!



– Va com cuidado mocinha! Hehe que mocinha mais encantadora e minha esposa ainda diz que esse tipo de gente não existe mais no mundo. Papeou ele para si mesmo sem notar e muito menos Hinata que as pessoas que a observavam haviam saído pouco depois dela dali, e agora estavam em seu encalço.



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As ultimas cinco quadras que se atravessa para chegar aquela humilde feirinha eram mais fechadas do que as outras, com mais becos e bem menos cuidada, aquela pequena parte de Manhattan refletia bem uma pequena parte suja do centro da cidade.



Hinata ia cantarolando por aquelas quadras meio desertas, feliz e satisfeita pela nova amizade que havia feito e pelos lindos tomates que havia conseguido.



– Agora só preciso chegar em casa e meter a mão na massa, apesar de não ter massa em sopa de tomate hihi.



Estava tão distraída em sua própria felicidade que nem ao menos notou as duas figuras que passaram a lhe seguir de perto, e quando percebeu já era tarde de mais.



Sentiu sua boca ser tapada por mãos grandes de dedos grossos e seu cabelo foi fortemente puxado a levando para dentro de um daqueles escuros becos, deixando apenas sua sacola do lado de fora, um dos homens segura-lhe firme enquanto o outro revirava seus bolsos a procura de dinheiro ou qualquer outra coisa de valor.



– Tsc, nada ela ta limpa! – Afirmou com desgosto um dos homens de grande estatura.



– Tem certeza? Eu vi ela puxando cenzinho e doando de boa praquele velho.



– Aquilo devia ser tudo que ela estava carregando, tsc, que azar, se soubesse disso valia mais a pena ter espancado o velho e levado o lucro do dia.



– Bem não veja tudo pelo lado ruim, olha só a belezinha em que nós botamos a mão.



– Você adora mesmo essa parte não é seu animal?



– Que tal nós darmos um trato nela aqui mesmo?



– É uma boa, assim ela já vem com a gente mais calminha, pode deixar que eu seguro e você vai primeiro.



– Kakakakah.



Terror, horror, aflição, medo e todas as sensações intimidadoras do mundo percorriam Hinata naquele momento, tudo estava acontecendo tão rápido que ela não tinha como reagir, sentia o seu corpo ser apertado por aquelas mãos enormes e pressão de suas costas sendo esmagada contra a parede. Sabia o que pretendiam fazer com ela, e não tinha nem forças para reagir ou gritar, sua boca estava fortemente fechada lhe impossibilitando de até morder seus agressores, um deles lhe desabotoou o casaco mostrando uma expressão pervertida e satisfeita ao ver o tamanho de seus seios e belas curvas, estava prestes a cair em desespero quando um som agudo chama sua atenção.



Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu!



Passos, aquilo eram passos? Pareciam ser.



Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu! Tu!



Era o som de algo fino batendo contra o chão, e pela velocidade parecia esta correndo, virou o rosto por reflexo tentando ver do que se tratava apenas para testemunhar um vulto saltando e desferindo uma potente voadora no homem que a segurava.



– GLUA!



O brutamontes de quase dois metros havia sido jogado longe por uma figura fina e esguia que se escondia nas sobras daquele beco.



– Maldito! Quem é você?



Protestou o outro perguntando com seus punhos, sendo estes desviados com facilidade pela misteriosa figura, após esse desvio o homem sentiu uma forte pontada no saco como se algo fino tivesse lhe acertado, após isso se podia ouvir com clareza os ossos de seu rosto sendo esmigalhados pelos potentes chutes da outra figura, um ultimo golpe alto no queixo mandou o segundo infeliz ao alto caindo com força sobre o companheiro, ambos agora desacordados e um deles definitivamente bem mais feio do que antes.



Hinata assistiu tudo sem reação, apenas agradecendo cada segundo a Kami por estar salva, viu seu misterioso salvador se aproximar e lhe oferecer a mão. Que foi prontamente aceita.



– Você esta bem? – Perguntou a figura constatando que a menina tremia muito. – Pobrezinha, deve estar apavorada, venha vamos sair daqui. – Proferiu seguindo para fora daquele beco escuro. – Venha comigo querida, minha casa é perto daqui, pode descansar lá até se sentir melhor.



– O-obrigada, e-eto...



– Ah que cabeça a minha, estou te levando sem nem mesmo me apresentar, — Disse enquanto saiam do beco revelando ser talvez uma das mulheres mais bonitas que Hinata já vira sem sua vida. – prazer querida, eu me chamo Konan.



Continua...



Notas finais
E ai gente a espera vlw ou não valeu a pena, bom, vcs já sabem como é então espero vocês em meu próximo capitulo, ah sim, tentem não morrer de curiosidade falo? XD hehehe