Tecido E Pimenta

25 Capítulo 25: Os sentimentos de Uchiha Sasuke


Notas iniciais
OIIIIIIIIIIII MY GOD Capitulo dedicadiiiiiiissimo a
Kuchiki Saya pela minha quinta recomendação, jesus como eu fiquei feliz, então vamos ao capitulo!

– “Aquela marca me paralisou totalmente, meus lábios se entre abriam e fechavam involuntariamente, aquilo era uma coincidência, tinha de ser, porque isso apareceria aqui e agora depois de 7 anos, a marca do cão raivoso devorando a letra H, Hellhounds, esse era o nome do maior erro da minha vida, algo do qual vale a pena uma pessoa se arrepender, não que tudo tenha sido ruim, afinal aquela maldita gangue me proporcionou os melhores amigos da minha vida, me fez crescer como pessoa e me impulsionou ainda mais no meu sonho de me tornar um policial.”



– “Mas o que tudo aquilo significava?” “Kakashi-san entrou aqui tão eufórico e do nada me desenha esse símbolo, aliais que espécie de magia negra tem nessa cidade?” “New York já foi mais tranquila”.



– Você esta bem Gaara? – Perguntou Kakashi.



– S-sim.



– Tem certeza? Você esta pálido, digo, mais do que o normal, deveria tomar mais sol.



– “Resolvi que era melhor me fechar do mundo por alguns segundos e me acalmar, agradeço a preocupação do meu chefe, mas nesse momento estou a ponto de ter um ataque de nervos!” Fechei os meus olhos por poucos instantes tentando parecer o mais natural possível, quando abri, bem, não adiantou muita coisa, mas pelo menos eu já conseguia disfarçar o nervosismo.”



– Kakashi-san, o que exatamente é isso?



– Ao que me parece a figura de uma fera, um cachorro devorando a letra H, em algumas culturas a cabeça do cão negro, conhecido como “Sinistro” é um sinal de morte ou de mau agouro, o meu pai era um tanto supersticioso, mas tudo que ele falava acabava virando realidade, uma vez eu derrubei sal sem querer e esqueci-me de jogar um pouco pelo ombro, não dei nem três passos dentro de casa e uma tabua arrebentou bem no meu pé e bateu na minha cabeça, eu não sei o que significa a letra H, mas se isso for mesmo um Sinistro, então alguma coisa muito ruim deve estar prestes a acontecer na cidade.



Depois que seu chefe concluiu o raciocínio, Gaara teve algum tempo para respirar, digeriu toda a informação, e sem qualquer explicação começo a dobra e organizar todos aqueles mapas em um montinho, desfazendo aquela figura dos infernos e entregando o mesmo para Kakashi.



– Kakashi-san, não acha que esta trabalhando demais?



– Hã?



– A única coisa que você faltou dizer é que esse cão também tem alguma coisa a ver com os sequestros da cidade, estamos nesse caso já a mais de uma semana e até agora não fizemos progresso algum, eu até entendo essa sua paranoia, mas o estresse esta te afetando demais e fazendo você ver coisa que não existem. – Quanto a essa ultima parte, Gaara tentava convencer tanto o grisalho quanto a si mesmo.



Kakashi deu uma pequena bufada e meio que caiu em desânimo.



– Talvez você tenha razão, não estamos chegando a lugar nenhum, e você sabe que eu não paro quieto com um mistério nas mãos.



Agora que ele falou, o ruivo notou as roupas de seu chefe mais amarrotadas do que o normal e as olheiras um pouco maiores que o de costume, até seu topete habitual estava meio desgrenhado.



–...Por curiosidade, quando foi a ultima vez que você dormiu?



– Etooo, a umas, talvez, 40 ou 70 horas atrás?



– Por kami não é a toa que fica desenhando e falando coisas sem nexo, seu cérebro deve estar mofando ai dentro, venha eu vou te levar para casa!



– Eu posso ir sozinho. – Protestou ele.



– Ah claro, e deixar uma pessoa que não dorme há quase três dias atrás de um volante seria uma ótima ideia.



– Odeio quando você usa esse seu lado sarcástico.



– Que seja, vá pegar o seu casaco e vamos embora!



Por fim o grisalho finalmente mostrou seu olhar cansado e suspirou derrotado, provavelmente até dormiria no caminho de casa.



– Se não tem jeito não é, uma boa noite de sono talvez me faça bem mesmo, te encontro lá embaixo.



Quando aporta bateu novamente o ruivo praticamente desabou em sua cadeira, havia ficado uma pilha de nervos, tudo por causa daquele desenho idiota, que lhe trouxe tantas lembranças do passado, algumas boas, outras nem tanto, imerso em frustração Gaara fez a única coisa que poderia lhe acalmar, pegou o celular, apertou o numero um da discagem rápida e esperou três toques para ser atendido.



– Quem diria, você me ligando tão cedo.



– Oi para você também minha linda.



Sim, Ino era a solução para todas as suas frustrações e pesares, seu olhar iluminava o seu caminho, sua voz apaziguava seu espírito e seu sorriso fazia-o se apaixonar cada vez mais por ela.



– Hihi oi, e ai a que devo as honras?



– Não fale como se eu te ignorasse.



– É que ainda são... – Conferiu no relógio — nove da noite e você só me dá sinal de vida lá pelas onze.



– Pois saiba que hoje estou saindo mais cedo, onde você esta amor?



– Indo para casa, por quê?



– Eu pensei em passar no mercado, comprar uma boa massa e fazer aquele macarrão com molho de tomate e pimenta que você adora.



– Huuum isso parece uma delicia de programa! – Afirmou ela empolgada – E quanto à sobremesa?



– Ai eu pensei em ter você.



– Hahaha eu só aceito se rolar brigadeiro depois.



– Combinado, logo estarei ai.



– Ok. – Respondeu ela indo desligar o telefone.



– Ah Ino!



– Hum?



–...Eu te amo. – Declarou ele de forma tão suave que sua namorada até estranhou um pouco, mas ela logo se esqueceu disso quando a felicidade tomou forma em sua face através de um sorriso.



– O que foi isso, tão de repente?



– Nada, eu só quis dizer.



– Huhu estranho, ...ei.



– Hum?



– Eu também te amo.



Os dois ficaram ali, curtindo um pouco o silêncio de ambos e tendo certeza de expressão um do outro no fim de cada linha.



– Então, até daqui apouco. – Disse ele.



– Hum até. – Respondeu ela esperando uns dez segundos até que ele desligasse o telefone.



Gaara agora se sentia de alma limpa, era incrível como as poucas palavras de sua namorada conseguiam levanta-lo até as nuvens.



No caminho do estacionamento ele interrompeu um pouco sua própria felicidade e uma pequena parte de sua mente o forçou a se lembrar daquele desenho, se perguntando se aquela gangue ainda existia, essa linha de raciocínio logo o levou as pessoas que representavam aquela figura, Naruto, Sasuke, sua irmã Temari e...



– O que vocês estarão fazendo agora? Konan..., Yahiko.



*****



No dia seguinte, as 07:00 horas da manhã, aeroporto de New York.



Mesmo ainda tão cedo o aeroporto daquela cidade nunca parecia estar calmo, sempre cheio de pessoas indo e vindo de todas as partes do mundo, provavelmente esta cidade se tornou uma parada obrigatória para aqueles que querem conhecer a América mais antiga, afinal já estamos no ano de 2018, muitas cidade já haviam se modernizado pelo mundo, não, nada extravagante e fantasioso como em desenhos animados, mas certamente estava ficado mais parecido com uma cidade futurista, em si tratando de cidades fantasiosas o Japão foi a que mais evoluiu com certeza, a ilha havia praticamente dobrado de tamanho sendo agora uma metade de metal e outra de terra, mas não New York, esta assim como outras cidades latinas e uma boa porção do mundo, resolveram continuar por mais alguns anos com seu visual antigo e despojado, obviamente o mundo evolui e logo estas cidades precisariam aderir as novas tecnologias se quisessem sobreviver, mas continuariam com seu visual antigo tanto quanto pudessem.



Na plataforma de desembarque sete os passageiros que vinham de Paris, uma das cidades que também se recusou a aderir à modernização, caminhavam sonolentos e bocejando com suas bagagens de mão em direção à porta de saída, não importa o quanto os aviões tenham se tornado confortáveis para viagens longas, acordar cedo sempre seria uma merda!



Entre estes estava uma ruiva muito satisfeita consigo mesma, havia dobrado com sucesso os acionistas da Agent Provocateur e agora estava de volta, louca para chegar em casa, tomar um bom banho e despencar em sua cama, precisaria fazer uma faxininha depois, seu lar havia ficado largado por mais de uma semana sem ninguém para cuidar, fora que ela nunca parava realmente em casa, pois sempre acabava “dormindo” fora na casa de um certo moreno.



Essa viagem serviu para Karin pensar direito e muito seriamente na relação que tinha com Sasuke e sua conclusão não poderia estar mais certa, o amava, amava com todas as fibras de seu corpo, mas não iria se humilhar para o Uchiha, se tem uma coisa que seu primo lhe ensinou muito bem é que um Uzumaki não baixa a cabeça para ninguém e muito menos se humilha, ela tentaria fazer as coisas darem certo com ele, mas se Sasuke continuasse com a mesma atitude de antes da viagem, então seria impossível essa relação dar certo, estava decidida em se mostrar tão fria e confiante como o próprio Uchiha, que não notou uma pessoa parada bem a sua frente, teve tempo de parar antes de pisar nos sapatos de luxo da mesma e iria levantar a cabeça para se desculpar quando...



– Okaeri Karin.



Pronunciou aquela voz autoritária, mas com aquele toque de ternura que ele só direcionava para ela, ouvir essa voz depois de uma semana foi um prazer muito maior que o esperado, era Sasuke, ele estava ali no aeroporto bem na frente dela.



Tomando um ultimo resfolego de coragem ela levantou a cabeça e fitou aqueles olhos de cor ônix, sempre com aquele olhar de superioridade, esse olhar era algo que irritava tantos homens como também seduzia mulheres e Karin não era diferente, mas uma coisa ela tinha e era orgulho o jeito como foi tratada e as palavras frias do Uchiha ainda estavam bem cravadas dentro dela e essa não era uma ferida que se fecharia fácil.



Depois de encara-lo por cerca de dez segundos a saudades de Karin logo se converteu em irritação, segurou ainda mais firme sua mala e passou reto pelo Uchiha, só faltou pegar um marca texto e escrever “toco” na testa do moreno.



– Ei Karin, espera! – Para a sorte dele a ruiva andava calmamente então nem precisou correr para alcança-la. – Por favor espera – Pediu ele se postando na frente dela – depois de todo esse tempo não vai me dizer nada?



– Eu poderia dizer o mesmo – respondeu ela com uma amargura na voz que Sasuke nunca tinha ouvido antes – admito que eu passei da linha naquela noite, quando eu afirmei que era sua namorada, mas o mesmo se aplica a você, se não quer ter um compromisso sério então não me trate como se nós estivéssemos tendo um!



– Karin...



– Já faz mais de oito meses que nós começamos a dormir juntos e nesse tempo depois de uns dois meses você nunca mais dormiu com nenhuma outra mulher além de mim, nós saímos, nos divertimos, passamos a maior parte do nosso dia juntos, eu até tenho uma parte do seu guarda roupa reservada só pras minhas coisas – Era impossível controlar a emoção que insistia em vazar de seus olhos – SE ISSO NÃO É ESTAR NAMORANDO ENTÃO O QUE É!? Ugh snif guh guh.



Sasuke não sabia o que fazer, esperava que recepcionando a ruiva no aeroporto ela se jogaria em seus braços de tanta saudade e toda aquela noite desastrosa seria esquecida, mas não, ela estava ali chorando com todos os motivos do mundo e lhe dando um ultimato, ele não estava preparado para isso, não sabia o que falar ou o que fazer, não rezava há anos e agora implorava a Kami para que a resposta lhe descesse dos céus.



– Func uhg, você umgh não vai dizer nada não é?



–...



– Eu já devia saber. – Com um sorriso triste e fraco a ruiva se pôs a caminhar lentamente, tentando conter suas lagrimas, nunca pensou que as coisas fossem acabar assim.



– Espe...



As palavras morriam em sua boca, Sasuke continuava ali, de olhos arregalados e inconformados, como as coisas foram acabar assim? O que ele fez de errado? Por que as coisas não podiam ser do jeito dele? Ela queria tanto assim um compromisso? Estar ligada de verdade a ele?



Agora já era tarde, estava acabado. Ou melhor, estava mesmo? Ele iria deixar que acabasse assim? Ficaria ali parado com um idiota vendo ela ir embora!? Cada vez mais e mais a culpa e o pesar dentro de Sasuke foram se transformando em um ódio descomunal, não para com Karin, mas sim para com ele mesmo! Por que tinha de ser tão tão, TÃO COVARDE! Julgava Naruto, mas ele também não tinha coragem de enfrentar os seus próprios fantasmas.



O nosso irmão é um bom exemplo disso né?



Ah não, ELE NÃO!



Aquela versão mais jovem e distorcida do moreno que era sua consciência só aparecia quando ele enfrentava algum dilema em sua vida, mas desta vez ele estava mais decidido do que nunca!



Se virou na direção da ruiva e viu que ela estava quase saindo pela porta giratória do aeroporto, e então correu, correu na direção dela e correu como um louco como se sua vida dependesse disso CORREU COM TODA SUA VELOCIDADE NA DIREÇÃO DA PAREDE DE VIDRO DO AEROPORTO!!!



– HaaaaaaaaaAAAAAAAAAAAAAAAAAH!



E a atravessou com tudo saindo do outro lado!



PA!



– Kyaaaaaaaaa!



– Aaaaaaaaaaa!



O que não faltou ali foi gente esperneando em pânico, e com razão, afinal não é todo dia que se vê um homem atravessando uma parede de vidro com três centímetros de espessura, a maioria das pessoas que estavam do lado de fora fugiram com o susto e as de dentro não se atreviam a sair de medo.



Karin devido ao susto caiu em cima de sua mala e mirava o moreno ainda com algumas lagrimas e agora definitivamente sem entender nada, a calça e o terno do Uchiha estavam arruinados de tão rasgados, haviam alguns cortes pelo corpo, principalmente nos braços e uma grande quantidade de sangue vazando de sua testa, o moreno não sabia se lutava mais em busca de ar ou simplesmente para se manter em pé.



– Eu disse arf...arf pra você esperar.



– Você é maluco – Disse ela mais afirmando do que perguntando – O que te deu na cabeça para fazer isso!? Podia ter se matado!



– Olha arf, depois de tantos anos levando cabeçadas do seu primo, arf aquela parede de vidro pareceu uma folha de papel. – Disse ele rindo fraco tentando disfarçar a dor.



– Folha de papel? A quem acha que engana? Você mal se aguenta em pé!



– Hu, eu sei, mas – Disse ele acariciando a face da ruiva com a mão suja de sangue – eu não podia deixar você ir.



–...Porque?



Ele a olhou bem fundo nos olhos e disse com toda sua sinceridade, seus verdadeiros sentimentos.



– Porque, eu não quero te perder.



Nesse meio tempo os seguranças do aeroporto já haviam se juntado na área de desembarque e apontavam suas pistolas para o Uchiha, eram cerca de 8 guardas.



– Você ai seu maluco mãos na cabeça e deite-se devagar no chão. – Se pronunciou um deles, usava o uniforme azul claro, calça preta e o quepe de sua profissão, era meio baixinho e magro, cabelo calvo bege e tinha um bigodinho.



– Ta de brincadeira seu guarda– Disse Sasuke quase tombando, mas sendo amparado por Karin – isso aqui ta cheio de vidro.



– Acha que isso aqui é alguma piada? – Ameaçou o policial destravando a arma.



– Por favor seu guarda não atire – Pedia Karin – ele só estava um pouco fora de si, mas já esta bem.



– Vamos ouvir direitinho o motivo de suas ações lá na central. – Disse ele com a arma na mão e pegando suas algemas no bolso de trás enquanto se aproximava.



– Foi por ela. – Disse ele simplesmente apontando com a cabeça para a ruiva – É por causa dela que eu estou assim.



– Hã?



– Eto, nós tivemos um desentendimento agora a pouco e eu meio que — Dizia Karin tentando se explicar.



– Meio que estava terminando comigo. – Completou o Uchiha.



–...Isso é verdade mocinha?



– Hum, uhum “Não que de para terminar uma coisa que nem começou”.



Com essa afirmação o guarda só pôde bufar em descrença baixando a arma.



– Tudo isso por causa de uma crise na relação?



– Huhuha, fazer o que seu guarda, quando se esta apaixonado nós fazemos loucuras.



Karin quase teve de buscar apoio no moreno para não cair com a ultima frase, ela havia entendido certo? Ele estava apaixonado...por ela!?



– Escute rapaz –



– Seu guarda – Interrompeu o moreno – eu sinto muito por causar tantos problemas, mas será que eu não posso simplesmente pagar pelos estragos e ir embora, acho que eu preciso de um médico.



– Mas, eu – O guarda se calou na hora quando o Uchiha puxou sua carteira e retirou metade de um grande maço de dinheiro.



– Aqui tem cerca de cinco mil dólares, deve dar para pagar por danos morais e tudo mais.



Ele depositou o bolo de notas na mão do guarda e se virou com Karin o ajudando na direção de um taxi, aliais o único que não havia fugido.



– Ei, pera ai, hã? – O pobre guarda estava em desespero com aquele bolo de dinheiro na mão procurando algum sentido par aquilo tudo, olhou para trás na direção de seus colegas e todos deram de ombros, ninguém ali sabia direito o que fazer ou como reagir a tudo aquilo.



Karin colocou sua mala no porta malas e logo depois os dois estavam dentro do taxi indo embora dali, deixando para trás muita gente com cara de tacho.



*****



O motorista do taxi era um senhorzinho de idade ainda mais baixinho do que o policial, vestia um moletom completado por um camisa xadrez, o bom velhinho dirigiu em silêncio sem incomodar seus passageiros com perguntas indiscretas.



Sasuke estava encostado na janela e Karin apoiada em seu ombro tão quieta quanto ele, demorou um pouco até a ruiva reunir coragem para falar.



– Ei, o que foi tudo aquilo?



– Aquilo foi o que foi, eu disse claramente não?



– Não disse não! Disse um bando de coisas confusas e sem nexo que me deixaram ainda mais confusa, se quer dizer alguma coisa então diga diretamente para mim e –



Antes que a ruiva pudesse continuar sentiu sua cabeça ser erguida pelas mãos do Uchiha e seus lábios serem selados nos deles, era um tipo de beijo que ela não conhecia, um beijo cálido e sem segundas intenções, era suave como um selinho, mas transmitia algo mais.



– Então, vou falar de jeito que você entenda – Disse ele com a voz baixa olhando para ela, enquanto ainda segurava seu rosto com as mãos – eu te amo Karin.



– ...o que –



– Desculpe ter demorado tanto para entender.



Tentar controlar os sentimentos agora era impossível, as lagrimas simplesmente teimavam em cair, a dor que antes esmagava seu peito evaporou como água num dia quente de verão e um sentimento quente preencheu todo seu ser.



Sasuke por outro lado estava assustado por vela chorar novamente, teria feito algo de errado? Será que essa não era a hora certa de dizer?



– Baka! – Gritou ela.



– Hã?



– Baka baka baka baka baka baka baka baka! – Continuou ela enquanto batia no peito dele.



– Ai ai, Karin para, o que foi?



– SEU IDIOTA! – Com isso ele se calou de vez – Porque não me disse isso naquele dia? Porque teve que gritar comigo e me dizer tudo aquilo? Tem ideia do quanto eu me magoei com aquilo? Durante a semana toda eu esperei por uma ligação sua, um e-mail que fosse pra me pedir desculpas, mas você não fez nada!



Ao tocar nesse assunto o moreno se lembrou do motivo de não ter ligado para Karin, havia ficado a semana inteira correndo atrás de Sakura só para se desiludir depois, agora com Karin lhe jogando, mesmo que inconscientemente, tudo isso na cara e aos prantos, fez o Uchiha se sentir o homem mais burro na face da terra.



– Me perdoe, eu sinto muito, eu sinto muito mesmo, mas eu peço que você também entenda o meu lado.



– Qual dos lados? O lado galinha ou lado covarde?



Sasuke respirou fundo antes de continuar, estava cansado devido a pancada e a falta de sangue, mas se tinha um momento para falar teria de ser agora, ele não culpava Karin por essa reação, até porque a ruiva não sabia de nada.



– No passado, eu o Naruto tivemos algumas experiências meio que traumáticas envolvendo mulheres, o relacionamento entre nós e bem...vocês era muito superficial e no fim nós acabamos nos magoando, só que de maneiras diferentes.



– Eu, não estou entendendo.



– Resumindo tudo, o seu primo deixou de acreditar que exista algo de muito descente no sexo feminino, isso não deve ser novidade para você, mas ele vê todas as mulheres do mesmo jeito, traiçoeiras, enganadores, uma espécie pervertida que sente prazer em se aproveitar dos homens com seus truques “Pelo menos até uma semana atrás era assim”.



–...eu sabia que o meu primo tinha uma certa antipatia pelas mulheres em geral, mas eu não achei fosse até esse nível.



– Eu por outro lado passei a enxergar vocês como algo prazeroso, literalmente eu tenho a imagem de que todas as mulheres só servem para entreter e que sempre existiria alguma “variedade” disponível e pronta para empinar o rabo, – Karin já estava louca de vontade de voltar a esmurra-lo quando ele completou – até eu conhecer você.



– Hã?



– Você é tudo que eu acreditava que uma mulher não poderia ser, é bonita e não vaidosa, é ambiciosa ao invés de ganânciosa, gosta de carinho ao invés de luxuria, quando fazíamos sexo eu sentia que você tentava e muito me agradar, mas mesmo assim não se rebaixava aos meus caprichos e até gosta de dominar, você tem atitude e me cativou com isso, ao longo desse ano, eu comecei a ver você não como mais uma na minha cama, mas como minha amante, e isso me apavorou.



Vendo que ela iria esperar ele continuar ele assim o fez.



– Eu tive medo, medo de que essa não fosse você de verdade, que eu estivesse sendo iludido de novo e fosse me machucar no final disso tudo, tentei desesperadamente continuar com a minha vida do jeito que ela estava, mas eu logo vi que nenhuma outra mulher conseguia me satisfazer como você, eu não sentia mais só falta de você em minha cama, eu sentia falta de estar com você no trabalho, no café da manhã, almoço e jantar.



– Então, foi por isso que fez de mim sua secretaria?



– Assim eu poderia estar mais perto de você e talvez aquela carência toda fosse embora, mas não foi, na verdade ela só aumentou logo nenhuma outra mulher me interessava, e eu só queria estar com você, o melhor de tudo é que você não me cobrava nada, mas naquela noite quando você disse que era minha namorada, só de pensar que eu havia formado algum tipo de vinculo especial com você, eu me desesperei e gritei a maior merda que veio na minha cabeça.



– Depois de tudo isso você me mandou aquela mensagem e a saudade bateu muito mais forte do que eu queria admitir, e quando me deu aquele ultimato no aeroporto e eu não soube responder na hora, senti-me como o maior canalha do mundo por te fazer chorar – Sasuke estava botando tudo para fora de tal maneira que o moreno não era capaz nem perceber suas próprias lagrimas – quando você passou por mim eu senti uma parte de mim sendo levada embora junto contigo, eu pensei que ugh, se deixasse você cruzar aquela porta eu nunca mais fosse te alcançar de novo, então me atirei com tudo naquela parede esperando encontrar você, eu encontrei, agora você esta aqui e eu ugh, uggggh snif, por favor, me perdoe ugh, me perdoe.



Ele fez um grande esforço, nunca em toda sua vida Uchiha Sasuke havia sido tão sincero, haviam tantas coisas que perturbavam sua mente, e seu coração sempre esteve muito mais machucado do que ele admitia, eram tantas lembranças horríveis, tantos pesares desde os seus dez anos, e ele nunca pôde dividir isso com alguém, nem mesmo com seu melhor amigo que passou pela mesma coisa, abusado e viciado em sexo, magoado e enganado, sofreu tanto para chegar onde estava e conseguiu dar a volta por cima, mas nunca conseguiu desabafar com alguém, nunca teve alguém para lhe oferecer o ombro e chorar, nem mesmo Itachi, pois ele se fazia de forte até mesmo na presença do irmão, mas agora era diferente.



– Esta bem – Disse Karin puxando o rosto do mesmo contra seu peito e o abraçando – esta tudo bem agora, eu não entendo completamente o que você passou, mas eu estou aqui, estou aqui para você, deixe tudo isso para trás, todas as coisas tristes para trás, e vamos começar de novo, dessa vez, do jeito certo.



Embalado por suas palavras Sasuke se deixou levar, em seus seios e carinho tão confortáveis o Uchiha logo adormeceu, deixando para trás o seu rosto sofrido.



Aquela era sem duvida uma nova face de Sasuke para a ruiva, jamais imaginou que o Uchiha algum dia fosse abrir tão sinceramente o seu coração para ela, e esses sentimentos Karin guardaria com o maior carinho, ainda não conseguia acreditar que ele a amava, esperou tanto tempo para ouvir estas palavras que agora elas pareciam um sonho, mas toda vez que olhava para o moreno esse sonho se tornava realidade.



– Já estamos chegando ao hospital senhorita. – Avisou o taxista.



– Ah, o senhor se importa de dar algumas voltas? Ele acabou de dormir e eu não quero acorda-lo.



– Sem problemas, por quanto tempo?



– Hum, só mais uma meia horinha.



Entendido.



Dito isso Karin se ajeitou um pouco mais no banco com Sasuke em seus braços e velou seu sono durante todo o tempo, como se o protegesse de qualquer mau.



É irônico e triste de se dizer, mas a vida traz muitas surpresas inesperadas e algumas delas acabam por cair sobre os ombros de deus, pois quando as coisas começam a se ajeitar e o homem se vê em seu momento mais feliz, a tragédia os abate com força, abalando suas crenças e colocando a humanidade de joelhos, implorando, para que ele cesse com seu castigo divino.



Continua...



Notas finais
...
...
oi ( Fans de SasuSaku junto com a armada de Senhor dos Aneis e Star Wars )
PERA PERA PERA PERA PERA, não atirem, NÃO ATIREM! Pelo amor de deus calma, calma gente calma, eu ja disse e repito, minha história é de romance construido, a vida é foda e nem sempre um campo de flores, e eu tenho certeza de que esse capitulo pros fans de SasuSaku foi tudo, menos flores.
Mas ainda tem muita, vish, muuuuita água pra rolar nessa história, falem a verdade, eu surpreendo não surpreendo? Então, tenham fé em Gustrubio, ele dá um jeito :), e detalhe, alguém que não estivesse cego de furia, leu com atenção o ultimo paragrafo do capitulo, pois é, num ta pra adivinha o futuro de jeito nenhum né? Hehehe só me aguardem.
PS1: Saya eu dediquei o capitulo a você, então se por acaso for uma fã de SasuSaku, foi mal, mas esse capitulo era nescessário.
PS2: Jenny, eu não tive coragem de responder o seu comentário no capitulo 21 depois de lançar esse aqui T-T, por favor respire fundo antes de comentar nesse aqui, porque eu sei que a sua vontade agora é de me arrancar os dois figados com as mãos O-O ( treme treme treme treme).