Tease
6 Determination
Notas iniciais
Capítulo 5
♥ Determination ♥
Jer
É muito difícil se manter longe de uma pessoa quando ela está a duas portas de distância de você. É pior ainda quando tudo dentro de você diz que deveria estar com aquela pessoa, toma-la, reclama-la, reivindica-la como sua.
Pela milésima vez no dia, esfrego as mãos no rosto e lembro de todos os motivos pelos quais eu não posso alcançar Josie.
Ela está se escondendo de mim. E eu entendo, de verdade. Entendo que ela queira proteger seu coração, de uma forma que eu deveria ter feito, mas fui estupido e descuidado. Tudo que eu queria era ela. Infernos, tudo que eu quero é Josie. Eu me envolvi na bolha de felicidade que era ter ela em meus braços e confortavelmente esqueci todo o resto, porque tudo fica pálido perto dela, porque eu tinha tudo o que mais desejava. Eu deveria ter cuidado com mais zelo, pois se eu tivesse, Josie ainda estaria em meus braços e eu acordaria com seu perverso sorriso sexy toda manhã.
Dizer que eu me culpo é o eufemismo do século.
Mas essa não é exatamente a melhor hora para o meu martírio, não quando o meu treinador está gritando no meu ouvido.
Estamos na terceira partida da temporada e já temos dois jogadores contundidos. Hoje vai ser um jogo complicado, não só porque estamos sem nosso Running Back titular e sem o reserva, mas porque vamos ter que jogar com um novato, e, também, por que o time adversário é considerado nosso pior inimigo.
— GIBSON! — Meu treinador grita. — ONDE QUER QUE TENHA IDO É MELHOR VOLTAR PARA O JOGO!
— Sim, senhor. — Eu aceno.
E passo o resto da manhã treinando jogadas padrão com o novato da Califórnia. O cara é bom, possivelmente melhor do que os nossos jogadores titulares, mas mesmo assim ainda dá muito trabalho fazer jogadas com um desconhecido.
Eu estou indo para o vestiário quando o treinador me chama.
— Gibson, na minha sala depois que se livrar desse fedor de bicho morto.
Eu rio, e aceno para que ele saiba que eu entendi.
20 minutos depois e de banho tomado, bato uma vez, antes de entrar na sala do treinador Collins.
— O senhor queria me ver, treinador?
— Entre filho. — Ele manda. Eu me sento em uma das cadeiras a sua frente. — Qual o problema com você hoje? — Pergunta me olhando quase paternalmente. — Recebemos um prémio com esse garoto novo, o Reynolds. Detesto admitir, mas ele é melhor do que o que tínhamos antes.
O treinador passa as mãos pelo cabelo grisalho, como se estivesse desconfortável com a situação.
Entenda, lealdade de time faz você aceitar a equipe inteira, apesar dos defeitos, defende-los apesar disso, mas para o inferno com isso, goste ou não, Jamie J. Reynolds faz parte da equipe agora. E ele é fantasticamente bom, devemos admitir.
— Sim, ele é.
— Então, garoto, vai me dizer qual o problema em sua mente? Seja o que for, temos que resolver antes do jogo. Esta é uma bela oportunidade de ganhar daqueles filhos da puta dos Bears! Nem eu, nem ninguém quer perder para eles novamente.
Imediatamente eu quero derramar minhas tripas para ele. Bill Collins tem esse efeito em mim, diabos, no time inteiro. Ele é como um segundo pai para todos nós, e é uma vergonha, mas o considero mais que meu próprio pai. Victor Gibson nunca fez nada para merecer meu respeito, diferente do treinador Collins, que me ensina uma lição valiosa a cada dia.
— Josie está de volta. — Deixo escapar.
O treinador Collins se mexe na cadeira. — Porra, eu sentia falta da garota. — Ele sorri. — Seus melhores dias foram quando ela estava sentada na arquibancada com o seu número na camisa e gritando a plenos pulmões.
Sim, eles foram os melhores dias da minha vida. Minha muito bonita, e simpática namorada líder de torcida não faz uma merda pelo meu humor, não porque ela não tente, mas porque apenas Josie me ilumina, me faz querer prosperar.
Só ela consegue.
Bill Collins olha para mim em expectativa, estreitando os olhos. — Isso é bom, certo?
— Não vejo como, treinador. Ela passou dois anos longe de mim. — Eu suspiro. — Dois anos em que eu fui um covarde e não a procurei. — Levanto minha cabeça e olho para ele. — Ela voltou ontem, e Dana estava lá... — O treinador faz uma careta ao som do nome de minha recém noiva. — Não foi bonito de ver. Josie murchou quando Susan disse as palavras “noiva do Jeremy”, e todo mundo que conhece Josie sabe que a presença dela é forte e altiva, enche qualquer espaço. — Esfrego as mãos no meu cabelo curto, em um sinal de frustração. — Mas ontem eu vi ela se encolher. Pela primeira vez na vida eu vi Josie ser esmagada por alguém. E. FOI. POR. MINHA. CAUSA! — Bato as mãos com força na mesa.
— Acalme-se garoto! — O treinador repreende. — O que você pretende fazer, Jeremy?
— Eu... eu não sei. — Respiro fundo, buscando algum controle. — Ontem, tudo o que eu queria era tirar Josie daquele lugar, segura-la e protege-la de tudo e todos. Eu estava a um passo de jogar tudo para cima em levar ela embora. Eu a amo, treinador. Com tudo dentro de mim, eu amo a minha irmã. Ela é a única com quem eu quero me casar, não com a bonita, loira e rica, líder de torcida. EU. QUERO. JOSIE! — Eu esbravejo. — E o fato de eu usar ‘irmã’ ‘amor’ e ‘casamento’ na mesma frase está fodendo minha mente.
— É de foder a mente de qualquer um, garoto. — O treinador resmunga. — Mas se é isso que você quer, Jeremy, está mais que na hora de você traçar planos em busca deste objetivo. — Ele me olha sério. — Pense no que te impede de estar com ela, trace o que você precisa para tornar estas impossibilidades mais viáveis. Trabalhe por isso, meu filho. Já está passando da hora de você seguir seu próprio caminho e parar de se submeter a vontade de terceiros. Detesto ser eu a dizer, mas, Josie não estará lá para sempre.
Apenas o pensamento faz meu estomago se apertar com medo.
— Eu não sei o que fazer. — Imploro, apoiando minha cabeça em mãos.
— Comece por sua carreira. — Ele aponta. — Futebol, é o que você quer fazer para a vida?
— Não me vejo como mais nada, treinador.
— Então, foco Jeremy. — Ele me fita com um olhar determinado. — Está é sua última temporada, sua última oportunidade, precisamos conseguir alguns contratos para você ao final disso. Liga nacional. Garantir algum futuro a mulher que você ama. Parar de depender do seu pai. Soa como um plano para você?
— Soa como O plano para mim, treinador. — Respondo com uma nova determinação crescente. Levanto da cadeira e aperto a mão dele. — Obrigado.
— De nada garoto. A equipe e eu estamos sempre aqui para você!
Talvez eles sejam os únicos.
— Te vejo no jogo mais tarde, Treinador!
— Vejo você, garoto.
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