Notas iniciais
De volta. Cap gigantesco para compensar o tempo de espera. Agora, finalmente, vamos a festa... :)

Capítulo 10

♥ Clashes ♥

Josie

Gastei tanto do meu tempo lamentando o que aconteceu entre mim e o Jeremy, que realmente esqueci sobre o que mais eu sentia falta em Seattle, além dele. Para iniciar uma pequena lista, vou começar falando do tempo. Passei o último ano quase inteiro em LA, então eu sentia falta do clima fresco e nublado da minha cidade natal. A Califórnia era sempre fodidamente quente pra caralho.

Então, eu sentia falta de ir aos jogos dos Huskies¹. Sentia falta da torcida organizada, e de todos os planejamentos em que as comemorações de grandes jogos nos envolviam.

[ NA: 1- Washington Huskies— Time de futebol americano da Universidade de Washington, cuja a sede é na cidade de Seattle. ]

Sentia falta das garotas da minha antiga equipe de dança, e sentia falta de passar por todas as esnobes filhas da puta trajando roupas de líder de torcida, e apreciar as caretas amarradas delas enquanto nos apresentávamos no intervalo. Oh, sim... fiz todas aquelas vadias pagarem pelos dias que empinaram seus narizinhos, arrebitados com plástica, achando que eram melhores do que as outras pessoas apenas porque podiam dar cambalhotas e formarem estupidas pirâmides humanas.

Como se fosse algum esforço empilhar um bando de garotas de meio quilo uma em cima da outra...

Sentia falta, também, do barulho dos caras nos vestiários, suas trocas de socos e ofensas, que, para qualquer bom amigo, era apenas uma espécie bem fodida de carinho. Sentia falta até mesmo da bagunça que eles faziam, e das confusões que são capazes de armar. Sentia falta dos caras do time, de um modo geral.

E, por último, mas não menos importante, sentia falta do meu lar de irmandade, e de ser a única garota no Hall de membros de uma fraternidade de garotos. Eu era bastante orgulhosa da minha vagina soberana no meio de tantos pênis.

A sensação de estar de volta era tão incrivelmente esmagadora. E, ao mesmo tempo em que eu senti falta de muita coisa em casa no tempo em que estive fora — como as festas do time de futebol, por exemplo —, estar de volta me fez lembrar pesarosamente de velhos tempos que não voltarão, além de trazer dois anos de coisa para assimilar.

Quantas malditas pessoas novas tinham entrado nessa Universidade? Pelo amor de Deus! Pensei, enquanto encarava um mar de gente desconhecida ao entrar na casa Kappa².

[ NA: 2- Kappa— Nome da fraternidade que Josie e Jer faziam parte. ]

Pelo menos eu não parecia tão deslocada quanto Jesse, o que realmente me fez rir, porque essa era a primeira vez que eu via meu amigo deslocado em um lugar. Jamie era a personalidade efusiva do nosso grupo de renegados, Jill era a porra louca, eu era... bem, não sei ao certo, mas Jesse? Definitivamente era o nosso bad boy, e ser deslocado nunca fez parte de quem ele é. O garoto não tem um pingo de vergonha naquela cara bonita dele.

Algo em seu sorriso torto, e sua fala mansa com sotaque sulista agradável fazia com que as pessoas tivessem vontade de se aproximar dele, como atraídos por um maldito imã. A menos, é claro, que ele estivesse chateado, aí você ia querer ficar bem, bem longe. Ele até mesmo quase conseguia superar uma Jill chateada, e bom, eu diria que era pelos dezessete centímetros de altura e trinta quilos de musculo mortais que ele tinha a mais, porém, a minha melhor amiga não precisava deles para ser assustadora. Sua melhor arma era a língua afiada, não seus punhos.

Porra, eu sentia falta dela.

Jesse olhou para multidão dentro da casa com um olhar abismado e nada impressionado, antes de levantar a mão e passar pelo rosto, num gesto que ele sempre repetia quando era confrontado com alguma coisa que não entendia.

— Foi apenas um maldito joguinho de futebol, qual, porra, é o motivo desse alarde? Olhe para tudo isso. — Ele falou, e fez um amplo gesto apontando a decoração com frases de incentivo para o time. Para o grande brasão pendurado na parede principal da sala, e por último, para o banner que ostentava a foto dos jogadores. Ele estava pendurado do mezanino, no primeiro andar, até o térreo, e trazia os principais jogadores em tamanho real. — Seus malditos fanáticos loucos!

Eu me perdi por um momento ao analisar os rostos dos meninos.

Reconheci o sempre zombeteiro sorriso do Zack, e o de menino bonito do Grant. Matt não estava sorriso, mas no lugar tinha uma sobrancelha ligeiramente levantada e olhava como quem sabia que todas as garotas derrubariam suas calcinhas por ele. Ao seu lado estava o Jer.

Como Matt, o sorriso dele não estava presente, no entanto, não precisava estar. Sendo o capitão, ele era o jogador no centro do banner, entre Carter, que antes tinha a vaga do Jamie, e Matt. Estava de frente, em linha reta para câmera, segurando a bola de futebol americano com um braço, e no lado oposto tinha a mão de seu melhor amigo em seu ombro, numa demonstração mais que óbvia do quanto o apoiava.

Jeremy somente encarava, desafiando qualquer um a ir de encontro a ele. Já havia testemunhado homens, realmente grandes, tremendo por causa do efeito disso. Eu, no entanto, amava a porra daquele olhar.

Era o mesmo tipo que ele me dava quando eu fazia algo que o deixava louco, exceto que o efeito era oposto em mim. Eu não o temia quando ele me olhava daquela forma. Realmente, eu praticamente esperava ansiosa pelo resultado, e ele sabia disso. Aquele olhar me desafiando nuca me intimidou, assim como nunca falhou em deixar minha calcinha encharcada, nem mesmo agora, quando eu sabia que o que eu estava olhando era apenas a porra de uma foto.

Me forcei a expressar uma reação para o meu melhor amigo. Eu estava momentaneamente arrebatada pela foto, mas eu não ia deixa-lo perceber. Dei um tapinha em seu braço e abri um sorriso brincalhão.

— Seu primo, Dean, não é o Linebacker³ do Crimson Tide? — Digo em dúvida. Ele balança a cabeça afirmando. — Então você não tem que dizer porra alguma do nosso fanatismo, garoto de Bama. Os torcedores dos times da SEC6 são infinitamente piores que nós.

[ NA: 3- Linebacker— Posição da linha defensiva no futebol americano. 4- Alabama Crimson Tide— Time de futebol americano da Universidade do Alabama. 5- Bama— Diminutivo de ‘Alabama’, estado norte americano situado no sul do país. 6- SEC— Southeastern Conference- É uma conferência atlética universitária, cujos membros estão situados, em sua maioria, no sul do país. ]

Jesse sorri sacana.

— Sim, bem, isso porque a gente joga futebol de verdade.

Maldito.

>>>

Foram quarenta minutos longos até que a festa deixasse de ser uma porcaria. Durante esse tempo tivemos que aguentar música vinda do sistema de som. Nada do DJ, somente a velha — e ruim — seleção do iPod do Grant.

Cara, eu adoro o Grant, mas seu gosto musical é uma porcaria.

Normalmente, em um tempo distante, eu mesma viria preparada para substituir o iPod do Grant pelo meu, mas eu diria que tinha coisas mais importantes rolando na minha vida, para eu sequer me lembrar desse pequeno detalhe. Grant, esperto, e ainda me conhecendo, não ficou lá dentro tempo o suficiente para me ouvir reclamar infinitamente. Foi entrar, colocar a seleção de merda, piscar para mim e sair pela porta com um sorriso de comedor de merda para esperar pela entrada do time, que, aliás, demorou pra caralho.

O DJ só tocaria quando eles entrassem.

As líderes de torcida estavam correndo em volta para se certificar de que tudo estava perfeito, o que também me irritava além da vida. Eu odeio as líderes de torcida, sempre fiz, porque o Jeremy sempre foi um jogador, e aquelas garotas sempre se acharam na necessidade de dar em cima dele por isso. E, se você acha que as líderes de torcida da escola são ruins, é porque você nunca conheceu as da faculdade.

Para a minha falta de sorte, a capitã delas ainda era a mesma de quando eu entrei, e ela ainda me odiava tanto quanto da primeira vez que me viu. Ao menos foi o que eu consegui captar da rápida olhada que ela me deu. Hostil não chegava sequer perto de descrever.

Quando eu informei a Susan que iria para a faculdade aqui em Seattle mesmo, quase quatro anos atrás, foi um dos raros momentos da minha vida em que eu pude ter um pouco do seu entusiasmo dirigido a mim.

Ela veio com toda aquela baboseira sem fim de que eu poderia me candidatar a fraternidade de garotas da qual ela mesma fez parte e tinha sido presidente em sua época, argumentando que todas as filhas de suas amigas, fizeram, ou iriam fazer, isso e seguir o legado das mães em Gama Gama. Em minha defesa, eu cheguei a aceitar fazer o tour que era oferecido as garotas legados, que era como chamavam as meninas cujas mães foram membros daquela fraternidade.

Não foi o que eu posso chamar de bem-sucedido. Mas então, dizer que eu não sou muito boa em agradar meus pais é o eufemismo do século.

Já ouviu falar em ódio à primeira vista? Foi exatamente o que eu vi nos olhos da então presidente da Gama Gama, Glinda Hilton, quando ela me recebeu na porta da enorme mansão. E, eu preciso dizer, o sentimento era mútuo.

Eu levei apenas cinco minutos para entender que ela me via como uma ameaça.

Acontece que, além de eu ser uma garota legado, o que Glinda não era, a minha mãe era uma ex-presidente, e isso me conferia uma enorme influência.

[ NA: 7- Legado— Em inglês ‘Legacy’. Refere-se a um filho/filha, irmã/irmão de algum membro iniciado, ou ex-membro, numa organização. ]

Não esqueçamos também, que o fato de eu ter personalidade própria a insultou.

Eu não seguiria suas ordens ou a teria como inspiração. Eu não iria ser nada além de problemas para ela, e ela sabia disso.

Nos despedimos tão educadamente quanto dois líderes de chapas extremamente contrárias poderiam fazer. Um sorriso largo e falso no rosto, e cumprimentos vazios, que simplesmente eram nossa forma indireta de dizer que odiamos uma a outra.

Exatamente como agora.

Logo a baixo de Glinda, e na sequência da minha lista de líderes de torcida odiadas, estava Dana Donavan. Ah, sim, e eu tinha muitas coisas negativas para adicionar a minha lista. Começando pelo fato de que ela pensa que eu sou sua amiga, o que é ridículo, visto que ela somente me viu uma vez antes de hoje.

Josie! — Ela gritou, estendendo o ‘O’ no meu nome mais do que o aceitável para um cumprimento, e veio toda cabelos loiros e pompons saltitantes na minha direção assim que cheguei, e ela me abraçou quando me alcançou. Me abraçou.

Jesse, que estava ao meu lado, me deu uma cotovelada quando Dana se desvencilhou de mim.

— Não vai me apresentar sua amiga, Jojo?

O olhar de claro interesse não foi perdido.

Essa —, eu disse incisivamente —, é a noiva do Jeremy, Dana. — Informei, carregando as entrelinhas. — Dana, esse babaca é o Jesse.

Ele murmurou um “merda” sob sua respiração, mas sorriu e então estendeu a mão para ela.

— Prazer em conhece-la, Dana.

Ela estava um pouco embasbacada quando olhou para o Jesse. Não sei se porque ele é dono de uma beleza que é infalível em deslumbrar garotas, ou se porque, assim como fez comigo, ela reconheceu o Jesse como sendo um dos FourJays. Qualquer que fosse, me fez rolar os olhos.

— Uh, sim. Você também. — Ela gaguejou de volta. — Bom, bem-vindos. Fiquem à vontade por aí. Eu tenho que ir.

Eu apenas acenei, porque não tive tempo de abrir a boca antes que ela corresse como se perseguida pelo próprio diabo. Eu, no entanto, não me ative ao fato de que ela saiu correndo, corando com uma virgem num prostibulo, depois de um simples oi do meu melhor amigo. Eu simplesmente não consegui passar por cima de seu “Bem-vindos. Fiquem à vontade.”, porque, realmente?

Essa é a porra da minha fraternidade.

>>>

Jer foi sempre o primeiro do time a entrar na casa, e ignorava qualquer pessoa que entrasse na sua frente, apenas para me alcançar. Ele costumava dizer que a primeira pessoa que ele iria querer em seus braços era, e sempre seria, eu.

Foi uma tradição que o time inteiro passou a adotar. Eles me respeitavam, como irmã de seu capitão, como fã e, principalmente como amiga. Todos os meninos esperavam para falar comigo primeiro, antes de atender a quaisquer outras pessoas, antes mesmo de suas líderes de torcida atribuídas, não importava o quão quente elas estavam para eles.

[ NA: 8- Líderes de torcida atribuídas­— Nesse caso, é porque cada líder de torcida é associada a um jogador especifico. Como, por exemplo: Dana-Jeremy, Matt-Glinda.]

Era um gesto espetacular? Não. Mas eu gostava do simples, e do significado de cada abraço.

Eu também adorava a visão das outras garotas na festa, principalmente as do time de animação. Elas me encaravam como se eu fosse cada pedaço de problema em suas vidas, com ódio, mas também com inveja, porque eu sabia, e elas também, que eu tinha algo que elas nunca viriam a ter: respeito.

Finalmente, quando a música horrível do Grant foi desligada e as luzes acenderam, eu soube que era hora do show.

Me certifiquei de estar no centro e na frente da multidão. Amava essa parte, porque eu sempre fui muito orgulhosa dos meus meninos, todos eles. Assistia eles entrarem com seus sorrisos enormes, que sequer eram tão grandes como o meu. Nunca escondi de ninguém o quanto era fanática pelo futebol deles.

Eu era a porra da fã número um, e eles sabiam disso. Eu vibrava junto com eles durante a salva de palmas que a multidão produzia para recebe-los.

Jeremy veio caminhando pela porta com um sorriso arrogante no rosto, pisando como se fosse o dono da porra do lugar. Alguém ao meu lado soltou um suspiro tremulo, e eu concordei em silêncio. Ele era absolutamente sexy em uma simples calça jeans e sua jaqueta do time. Suspiros eram esperados.

Seus olhos incendiaram quando me avistaram parada na primeira linha da multidão. Ele ignorou todo o resto, e, assim como em cada uma das outras vezes, seu olhar estava diretamente preso no meu, predatórios e com fome.

Dois anos desapareceram com um piscar.

Éramos somente Jer e eu, sozinhos no meio de uma multidão, e ele me queria. E, porra, eu não era ninguém para nega-lo.

Por isso, no momento em que suas grandes mãos alcançaram minha cintura, eu me deixei ir. Joguei os braços em volta dele e deixei ele me levantar a toda sua altura, num abraço carnal. Sua respiração, quente e familiar, soprava no meu pescoço e trazia arrepios profundos a minha pele.

Meu corpo iniciou sua reação natural ao Jer, meus mamilos endureceram sob o sutiã, meus seios pareciam pesados de desejo. O calor latente entre minhas pernas se inundou, me deixando pronta para ele, e, também, para uma iminente decepção.

Eu não poderia tê-lo.

— Caralho, bebê. É tão bom ter você em casa de volta. — Ele sussurrou no meu ouvido, um sussurro rouco e carregado de desejo. Eu conhecia bem esse tom, e ele ainda mexia comigo, como mexeu no passado.

Eu estava completamente desarmada por sua escolha de palavras, e pela sobrecarga que era ter ele me envolvendo, com seus braços, com seu cheiro. Ele sempre me chamou de bebê, a vida toda, assim como, ele sempre foi a minha casa a vida toda.

— Jer... — Eu sussurrei de volta em um gemido tremulo.

Me sentia completamente pronta para ceder e declarar todo o meu amor por ele, nesse momento. Isso era o quanto ele me afetava. Lágrimas de saudade brotavam nos meus olhos...

E foi quando a voz dela interrompeu o momento.

— Jeremy —, Dana chamou, de onde estava agora, ao nosso lado.

Não sabia quanto tempo Jeremy tinha me segurado, mas ele levou longos momentos antes de me deixar deslizar por seu corpo duro e delicioso a caminho do chão. Lenta e relutantemente, ele desenrolou os braços de mim, mas seu olhar continuou preso ao meu, tão, tão intenso.

— Jeremy! — Dana chamou novamente.

Jer tinha dificuldade de desviar o olhar do meu, e eu estava presa como um cervo diante dos faróis. Dana quebrou a conexão que tínhamos colocando seu corpo entre nós, alcançando o pescoço do Jer num abraço e me empurrando para longe.

Com ela na minha frente, eu não tinha mais motivadores, coragem ou força o suficiente para continuar olhando na direção do Jer. Eu praticamente podia sentir seus olhos acariciando minha pele, onde ele estavam me observando por cima do ombro de Dana, mas eu desviei e observei o Matt, que veio em segundo lugar atrás dele.

Ao que parece, eu e Jer não tínhamos estado grudados por muito tempo, pois ao mirrar Matt, ainda consegui ver o momento em que ele desviou de uma muito irritada Glinda, e veio diretamente para mim.

Matt me abraçou, quase tão apertado quando o Jer, um braço envolveu minha cintura, e outro subiu, sua mão enterrando no meu cabelo, me segurando protetoramente contra seu peito largo. No entanto, com ironia e tudo, o seu abraço era completamente fraternal. Quente e caloroso, mas fraternal.

Ele cochichou — Sinto muito, menina — no meu ouvido, e então me deixou ir.

Lágrimas brotaram nos meus olhos, mas eu forcei um sorriso os deixando acreditar que era por causa da antiga recepção. Um a um os meninos do time me abraçaram, beijaram minha bochecha, minha cabeça, me levantaram e cumprimentaram.

Grant gritou: — E a rainha retorna, pessoal! — O que me fez soltar uma risadinha, quando ele me triou do chão.

Percebendo o ritmo, até mesmo os novatos do time, que não me conheciam, vieram e falaram comigo, e eu me deixei acolher por eles. Mas, por mais feliz que eu quisesse ou devesse estar por este momento, meu coração se sentia pesado e ardia com a ferida crua de dor que era a realização.

Eu não podia mais tê-lo.

Jeremy pertencia a Dana agora. E, em breve, isso seria sacramentado.

Jamie foi o último par de braços que me envolveu, e eu, de bom grado, me derreti neles. Eu sabia que o meu amigo entenderia minha dor.

Me permitir consolar por alguns segundos, mas me recompus com um suspiro.

Era tudo sobre eles essa noite, não sobre mim.

Eu me soltei dos braços de Jamie, e levantei a mão para um High Five.

— Você arrasa pra caralho, cara!

Jamie analisou atentamente meu rosto, mas decidiu não comentar nada e se juntar a minha explosão de troca de assunto não declarada.

— Sempre, querida.

Eu ri. Uma risada verdadeira, porque eu podia ver o quanto feliz estava o meu amigo.

Jesse abraçou nos dois ao mesmo tempo em sua congratulação, e nos manteve assim.

Então algo apenas clicou na minha mente conturbada, e eu apenas pus para fora sem filtrar.

— Porque porra você era o último da fila, JJ?

Ele foi bom demais para ser o último. Na tradição, se ele era destaque de partida, ele seria destaque da comemoração também.

Isso me ocorreu, porque, bem, depois dele, o único a me apertar foi o Jesse, e não faltava ninguém mais do time. O que quer dizer que, até mesmo os reservas passaram na frente dele. Timidez não abalava o meu amigo, então tinha que ser outra coisa.

Eu olhei para ele, mas ele não encontrou meus olhos, antes, deu de ombros em réplica.

Minha resposta automática a seu silencio fora de comum foi buscar ao redor da sala. Meu olhar alcançou primeiro o Matt, que conversava com alguns caras do time e ostentava seu sorriso de comedor de merda; e em segundo lugar ele bateu diretamente no par de ombros largos e costas musculosas do Jer. Com engrenagens praticamente girando na minha mente, eu deixei para trás todo o ocorrido de cinco minutos atrás, e fui direto para ele.

Se desviar meus olhos dele, eu pedi a Jesse e Jamie: — Com licença meninos, eu volto em um instante.

Não que eu tenha ido muito longe antes de uma mão grande se envolver no meu pulso e me parar. Eu ergui uma sobrancelha em questionamento para o Jamie.

— O quê?

Ele suspirou. — Deixa pra lá, Jojo.

— De jeito nenhum, camarada.

Sem dar a ele tempo para mais alguma objeção, me viro em direção aos meus alvos.

O sorriso de Matt se desfaz depois que ele me avista chegando. Tenho a maldita certeza de que não há coisa nenhuma amigável em minhas feições. Eu não digo nada para as pessoas ao redor dele, apenas alcanço seu braço, giro e saio puxando Matt do meio deles e atrás de mim. O próximo com que eu faço isso é o Jer, que parece altamente abismado quando eu o toco. Mas, tão rápido quanto veio, a surpresa em seus olhos se desfaz para uma poker face, bem digna da Lady Gaga.

Caminho com os dois até o canto mais vazio que consigo encontrar.

Quando eu os solto, Jer para ao lado de Matt, e os dois trocam um olhar enigmático antes de virar para mim com receio estampo em suas feições. Eles são como duas crianças que aprontaram e agora foram pegos.

— Não hostilizem o meu amigo. — Digo, indo direto ao ponto e não escondendo nem um pouco o quão chateada eu estou.

Observo suas reações de perto. Matt sussurra um ‘merda’ enquanto Jeremy permanece impassível.

Ele levanta a sobrancelha para mim. — Que amigo?

— Jamie. — Eu cuspo.

— Eu sou inocente. — Matt afirma levantado as mãos em sinal de rendição, e dando um passo para trás, querendo claramente fugir da situação.

E eu sou Maria Madalena.

Olho para ele incisivamente, até que ele para no lugar com um bufo de derrota. De jeito nenhum ele está escapando dessa. Ele e Jeremy são quase a mesma pessoa de tanto que andam juntos. Se ele não efetivamente fez nada, ele também não se deu ao trabalho de impedir.

Voltando meu olhar para Jer, espero até que ele solte um mal-humorado: — Não fiz nada para o seu amiguinho, Josie. — Seguido por um dar de ombros. Eu não perco cada pitada acida de deboche colorindo a palavra amiguinho. — Não sei do que você está falando.

— Sim, porra, claro. Vá em frente e se faça de desentendido. — Ironizo, antes apontar um dedo acusador em seu peito. — Ou tente. Seja o que for, eu ainda te conheço, Jer.

A última parte da minha fala sai tão carregada com dor, que até mesmo para mim é audível. E Jeremy também não perde. Eu sei que o atingi com minha escolha de palavras quando vejo uma sombra de culpa passar por seu rosto bonito, mas tão rápido como veio, ele a mascara com deboche.

Eu continuo. — Deixe ele em paz. Vocês têm uma fodia sorte de merda que ele continue a jogar, e sabem disso.

— Claro que sim, querida. Nós temos, não temos, Matt?

Mais uma vez eu olho incisivamente para o Matt, o desafiando a responder a retórica cética do Jer. Ele não faz.

— Corta essa merda, Jer. — Demando. — Sim, ele é bom pra caralho, e sim, vocês sabem disso. Perderam para ele na última temporada, se lembram?

Oh, sim. Baixem a bola, camaradas...

Os dois se tornam carrancudos como num passe de mágica. Diga aos maiores competitivos do mundo que eles perderam, e você vai, rapidamente, poder ver os danos morais refletidos em seus rostos.

Abro um sorriso satisfeito.

— Ah, sim, eu me lembro, muito bem, na verdade. Ele é muito melhor do que o que tinham. — Aponto. E, mesmo que ele não vá ouvir, logo acrescento um: — desculpe, Carter. E não ousem achar que eu falo isso só porque ele é meu amigo, vocês me conhecem melhor que isso.

Matt suspira em derrota. — Okay, você está certa, Jo. Mas, como assim temos sorte dele continuar? Ele ia desistir por acaso?

Bem, merda. Não era minha intenção, mas, aparentemente eu deixei escapar esse pequeno lapso de informação que não deveria.

Porra. Foi mal, Jamie!

Encarando os olhos curiosos de Matt, eu respondo, sem dar mais nada:

— Não é a minha história para contar. Eu não fofoco.

— Mas Jamie faz, aparentemente. — Jeremy rebate.

É, na verdade, um resmungo para si mesmo, mas ele falou mais alto do que aparentemente pretendia, e percebeu isso quando minha cabeça chicoteou na sua direção.

Oh. Culpado e confesso, irmão.

— Então, você presumiu que Jamie me contou qualquer coisa que você diz não ter feito? — Digo e contemplo sua cara surpresa. — Errado. Ele não veio me contar. Ele não precisou. Não sou idiota, Jer, e eu ainda te conheço.

É o fim da pose forte que ele estava mantendo. Eu assisto em primeira mão quando seus ombros caem, e ele suspira em pesar. Essa única afirmação pontuada é cheia de insinuações não ditas, como: eu não te esqueci; ou: eu não fui quem seguiu em frente.

Jeremy exibe um semblante triste, quando olha para mim. — Josie..

— Não, Jer. — Corto-o. Eu não quero ouvir qualquer que seja a desculpa que ele vai me dar. Lhe dou um último olhar, e peço: — Apenas, não mexa com ele, por favor.

Com isso, eu me viro para ir bem longe dele.

Eu preciso de uma bebida...

Ou dez.

Continua.

Notas finais
Hei, me deixe saber o que achou, e o que espera de babado no próximo cap... porque vai ter babado, sim! kkkkk Beijinhos, até o próximo! P.s.: Capa nova, o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.