Teach Me to Love You
12 Cinema
Notas iniciais
Naquela manhã de sábado Regina acordou com um humor incrível, era o dia que sairia com Emma. Claro que eram só amigas, mas a morena estava começando a nutrir por ela um carinho muito especial. Sentia que a loira era alguém diferente, mas não sabia qual era essa diferença que via nela.
Preparou um café e tomava tranquila quando ouviu seu celular apitar. Ao olhar o aparelho sentiu seu coração bater mais forte.
“Bom dia, ainda está cedo eu sei. É que não aguentei ficar muito tempo na cama e já levantei. Eita que isso rimou kkkk mas enfim, queria te lembrar que vamos sair hoje. Cineminha, alguma ideia de que filme vamos ver? Mais uma coisa, qual seu endereço? porque vou ai te buscar. Tem preconceito em andar de fusca? u.u”
Ela ria lendo a mensagem, como aquela menina podia ser tão boba. Leu a mensagem umas 10 vezes antes de responder.
Emma sorriu ao ler a resposta de Regina falando seu endereço e que não tinha nenhum problema com fuscas, ela estava ansiosa demais por aquele momento. Queria estar com Regina nem que fosse por um instante. Sabia que eram apenas amigas e aquele encontro serviria para estreitar mais os laços entre elas.
—
O dia passou se arrastando para as duas, parecia que quanto mais elas queriam que a noite chegasse, mais a noite demorava a chegar. Tinham trocado mais algumas mensagens, combinando horário e falando bobagens, claro que Emma que falava as bobagens fazendo Regina rir de tudo.
Era sete da noite quando Emma desceu as escadas apressada, os pais estavam na sala vendo TV e viram a filha toda arrumada. Não que estivesse vestida para uma festa, mas estava pronta para sair, o que os assustava era que Emma geralmente não saia, preferia ficar em casa. Mas ficaram contentes de ver aquilo.
— Mãe, Pai to saindo – pegando a chave do fusca
— Onde você vai? – a mãe perguntava curiosa
— Vou no cinema com uma amiga da faculdade e depois vamos jantar – sorrindo
— Tem dinheiro? – o pai perguntou
— Tenho uns 50 reais na carteira, eu acho – pegando a carteira pra ver se ainda tinha aquele dinheiro
— Espera – se levantando e pegando sua carteira na estante – leva mais isso aqui pra não passar vergonha – entregando uma nota de cem reais
— Obrigada paizinho lindo – beijando o pai
— Se cuida viu filha – a mãe falava – está levando sua chave?
— Estou sim – mostrando a chave
— Aproveite sua noite, juízo e não faça nada que eu não faria – o pai falava piscando
— Pode deixar – mandando beijos pros dois – Não esperem por mim
Saiu cantarolando feliz da vida, entrou no fusca e partiu rumo ao endereço de Regina.
Regina estava andando de um lado para o outro na sala, estava se sentindo uma adolescente, sentia seu estomago revirar e estava nervosa. Na verdade estava se sentindo boba por aquilo, era apenas um cinema com uma amiga, nada demais. Foi quando ouviu o som do fusca estacionando, sentiu o coração bater mais forte e esperou a campainha.
Segundos que pareciam demorar horas e logo a campainha tocou, ela respirou fundo e foi até a porta e abriu, viu Emma sorrindo ali e sentiu seu coração bater forte.
— Olá, entre – dando passagem pra loira
— Com licença – entrando
— Espere um minuto que vou buscar minha bolsa
— Tudo bem – vendo Regina se afastar, começou a reparar na casa, era grande e muito bonita, era moderna e tinha uma decoração de muito bom gosto. Algumas paredes eram pintadas de cinza escuro, dando um ar mais especial ao ambiente, tinha gostado dali.
— Pronto – voltando – vamos?
— Claro – sorrindo – sua casa é muito linda
— Obrigada, fui eu mesma quem decorei tudo
— Muito bom gosto, parabéns – saindo da casa
Foram andando até o fusca, Emma abriu a porta do passageiro dando passagem para a morena entrar. Regina achou aquele gesto encantador, a cada segundo se encantava mais pela loira. Emma deu a volta no carro e entrou, ao dar a partida foi em direção ao shopping, onde ficava o cinema. Foram conversando tranquilamente durante o caminho. Ao chegar no local foram escolher o filme que veriam. Acabaram optando por um filme de romance. Emma fez questão de pagar as entradas do cinema o que fez Regina sorrir. Ela sentia que Emma queria lhe agradar de todas as formas.
Quando entraram na sala, ainda estava com as luzes acesas, Emma foi na frente e subiu até a última fileira, disse que gostava de assistir lá do alto. Regina sabia que a última fileira as poltronas eram duplas, mas nada disse em protesto, apenas a seguiu sorrindo. Mais algumas pessoas iam entrando na sala, mas mesmo assim a sessão não ia lotar, na realidade estava bem vazia. Logo as luzes se apagaram e lá estavam elas, sentadas em poltronas duplas e no escuro. Ambas sentiam os corações bater mais forte, mas nada falavam.
A sala parecia que tinha esfriado bruscamente de um minuto para o outro, as duas que prestavam atenção no filme sentiram a queda de temperatura. Regina estava com uma blusinha de alças que deixava seus ombros a mostra, estava começando a tremer de frio. Emma usava uma camiseta ¾ nada muito luxuoso, mas também não era feia, era apenas uma camiseta com manga já que imaginava que o cinema esfriaria. Ela viu Regina tremendo e instintivamente colocou seu braço envolta da morena tentando lhe proteger. Regina sentiu seu corpo se arrepiar com aquele toque.
— Está melhor assim? – Emma perguntava baixinho
— Sim, obrigada – sorria se acomodando naquele abraço
Ficaram assim, abraçadas o resto do filme. As vezes em algumas cenas mais românticas Emma sentia vontade de beijar Regina, mas se segurava. Foi tão difícil uma aproximação, não queria estragar nada agora. Regina pensava a mesma coisa, queria beijar Emma e se assustava com aqueles pensamentos, mas segurava a vontade. Emma passava a mão em forma de carinho no braço de Regina sem as vezes se dar conta daquilo, e a cada vez que os movimentos se repetiam, Regina sentia como se borboletas habitassem seu estomago.
Uma cena do filme chamou a atenção das duas, na verdade uma fala no filme. O personagem não queria admitir que estava apaixonado pela amiga, e ela fazia de tudo para ele ver o quanto ela o amava. Foi quando a personagem do filme soltou a seguinte frase que fez as duas sentirem uma grande indireta lhes atingir.
“Você se diz tão forte, se diz tão seguro de si e tão inteligente e não enxerga o que está bem embaixo dos seus olhos. Não enxerga o quanto eu te amo e o quanto preciso estar com você. Me dá uma chance, me deixa te amar, me deixa te ensinar como amar...”
Aquelas palavras no filme era tudo que Emma queria dizer para Regina, ela era dura, e não se abria, não a deixaria entrar tão fácil assim na sua vida. Regina se sentia como aquele personagem, sentia medo de admitir que estava apaixonada, tinha medo de deixar a barreira de seu coração ser quebrada.
Fale com o autor