Teach Me to Love You
10 Amigas
Notas iniciais
Regina chegou em casa arrasada, queria gritar, queria socar alguma coisa. Como assim Emma foi mal na prova porque ficava pensando nela? Emma também pensava tanto assim nela? Sua cabeça estava fervendo, um milhão de coisas na cabeça, muitos pensamentos envolvendo a loira. Porque tinha admitido pra ela que sentia medo dela mesma? Porque havia admitido que a achava linda?
Regina não entendia o porquê de tudo aquilo, ela não era assim, ela não se envolvia com ninguém, não seria agora que se envolveria com uma aluna. Ela não conseguia raciocinar direito, e ao se lembrar daqueles olhos verdes se enchendo de lagrimas na sua frente, Regina caiu no sofá aos prantos. Ela estava morrendo de medo daqueles pensamentos.
Na manhã seguinte ela resolveu correr, precisava extravasar tudo aquilo que tinha em sua cabeça, antes que explodisse. Correu muito, tentando por pra fora todos seus pensamentos. Quando deu por si já estava na mesma praça de sempre. De longe viu Emma sentada no banco de sempre. Não sabia se aproximava ou não.
Involuntariamente Regina foi andando com calma até a loira. Emma estava sentada no banco como sempre fazia, de olhos fechados e respirando fundo. Regina se sentou ao seu lado e ficou em silencio.
Emma sentiu que tinha alguém por perto e ao abrir os olhos levou o maior susto.
— Puta que pariu Regina – colocando a mão no peito – já falei que você vai me matar desse jeito? Porque me assusta tanto?
— Eu te assusto? – falava em tom calmo
— Sua pessoa não, mas a forma como aparece sempre aqui, sim – tentando se acalmar
— Desculpa, é que te vi e não queria atrapalhar seu momento.
— Tudo bem, você não atrapalha.
— Quer tomar um café comigo? – falava apontando para a padaria que tinha ali perto, não entendia porque fazia aquilo
— Não vai sair correndo hoje e me deixar falando sozinha?
— Não , queria compensar por ter feito você ir tão mal na minha prova, me senti culpada – seu olhar era triste
— Você não tem culpa nenhuma, não tem culpa se penso em você
— Tenho sim, te tratei de uma forma infantil durante todos esses dias
— Tudo bem Regina, não precisa se desculpar e nem se culpar por nada, mas vamos então?
As duas foram andando lado a lado em silencio até a padaria, onde Regina pediu dois cafés. Se sentaram em uma mesinha e ficaram esperando o pedido. O silencio era constrangedor entre elas, até que Emma resolveu quebrar o gelo.
— Então sou sua aluna preferida?
— Digamos que sim...
— Huuum só porque presto atenção...
— Correto.
— E você vê algum problema em ser amiga de sua aluna favorita?
— Não sei, nunca fui amiga de nenhum aluno ou aluna, não sei te dizer.
— E se alguém da faculdade nos visse aqui agora, ficaria chateada?
— Não, acho que nunca tinha me aproximado de nenhum aluno porque não tinha motivos, mas sei lá, você é diferente Emma.
— Diferente como?
— Não sei, acho que foi o seu jeito, você viu que não sou um monstro como acreditam...
— Você definitivamente não é um monstro Regina, eu vejo que por trás de toda aquela autoridade, você é uma pessoa boa.
— Obrigada por ver isso – sorrindo sincera
Os cafés chegaram e elas esperaram o garçom se afastar para continuar a conversa.
— Porque parou de correr?
— Não sei, acho que alguma besteira minha.
— Entendo, eu continuei e acho que estou entrando em forma – sorrindo
— Isso é muito bom, cuidar da mente e do corpo
— E você Regina, além de cuidar da mente e do corpo, o que mais faz?
— Como assim?
— Você faz o que pra se divertir? Sai com os amigos, ou algum namorado? – dando um gole no café tentando não dar entender que aquela pergunta era muito direta
— Não tenho muitos amigos, acho que já percebeu que meus alunos não gostam muito de mim – rindo – você foi a única louca que se aproximou. E eu não tenho namorado nenhum, sou sozinha, geralmente eu fico em casa ouvindo música e bebendo um bom vinho, essa é minha diversão.
— Só isso? Ah Regina deixa disso, aposto que deve ter milhares de pessoas aos seus pés...
— Pode apostar que não tem, to falando você é a única doida tentando ser amiga da coração de pedra
— Primeiro eu não sou doida e segundo você não tem coração de pedra.
— Você não me conhece Emma Swan
— Mas estou louca para conhecer – a encarando
— Não sabe a roubada que está se metendo menina – devolvendo o olhar
— Você não é uma má pessoa Regina, só é solitária, deixe eu ser sua amiga, prometo que não quero atrapalhar sua vida, apenas ser sua amiga.
— Deixo com uma condição.
— Qual?
— Recupere aquela nota pelo amor de Deus – rindo – não faz ideia de como me fez mal corrigir aquela prova
— Vou recuperar, eu prometo – estendendo a mão – amigas?
— Amigas – apertando sua mão e sorrindo, as duas sentiram como se uma corrente elétrica atravessasse ambos os corpos durante aquele contato e logo trataram de separar as mãos.
Regina se deu conta do horário e disse que precisava ir, tinha que trabalhar. Emma não protestou, se despediram e cada uma seguiu seu caminho, ambas com os corações mais leves depois daquela conversa.
—
Emma chegou em casa cantarolando feliz da vida, e logo a mãe quis saber o que tinha a deixado daquele jeito.
— Ah mãe o tempo, o tempo é o senhor de tudo né.
— Sim, e o que o senhor tempo fez?
— Fui notada, apenas isso.
— Ah ta entendi, fico feliz. Quando quiser conversar mais a respeito só me chamar.
— Sim senhora
Emma subiu pro seu quarto feliz da vida, nada lhe faria mal, Regina tinha aceitado ser sua amiga, isso era ótimo.
Tomou um banho rápido e tratou de estudar, queria recuperar aquela nota ruim.
Regina também estava se sentindo feliz, sentia que aquela conversa tinha derrubado um muro que havia criado. Sabia que Emma era uma pessoa boa, e saber que ela queria ser sua amiga fez seu coração se alegrar. Ela não tinha amigos. Foi trabalhar até sorrindo, o que foi percebido por muitos ali na faculdade, mas logo ela tratou de fechar a cara novamente e focar no trabalho. Não daria abertura para nenhuma gracinha.
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