Te vejo amanhã

3 Capítulo III


Notas iniciais
Oi, gente? Tudo beleza? Quero agradecer demais pelos comentários no último capítulo, me deixaram super feliz. Vou continuar com a história sim, para a alegria de todos. 'Hehe Boa leitura, darlings =)

“Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.”

Annabeth Chase

Eu estava nervosa com aquele encontro. Não me pergunte por quais motivos eu estava, mas eu apenas me sentia assim. No dia em que Percy havia me chamado pra sair, fora uma segunda-feira. Hoje era manhã de sexta, o dia que havíamos combinado. Desde o convite, nós temos conversado quando nos vemos no corredor do prédio. Contudo as nossas conversas giram em torno das séries de TV que gostamos e sobre o clima — está quente hoje, não é?- E coisas assim.

Eu perguntei a ele onde ele pretendia me levar. Ele apenas sorriu e disse que era surpresa. Então, de certa forma, eu esperava ser surpreendida. E em umas das noites um pequeno bilhete escrito em um pedaço de folha de caderno foi deixado pela brecha da minha porta. A letra era um garrancho, mas ainda assim era legível.

“Oi! Olha, eu só escrevi isso para você saber que vou te levar em um lugar top de linha. Vista uma roupa bem bonita, tá? Eu vou estar apresentável também... Eu acho.”

Atrás do bilhete estava escrito o nome do remetente. E, é obvio, era de Percy. Aquilo me deixou preocupada, afinal eu não tinha nenhuma roupa de gala dentro do guarda-roupa. Então decidi revirar aquele treco. E até que encontrei algo legal. Era o vestido preto que ganhei de presente de aniversário de 18 anos. Era um presente doloroso para mim, foi antes de eu sair de casa e foi dado pela minha mãe.

Mas eu tinha um bom pressentimento de que aquela seria uma ótima noite, então acho que deveria esquecer os fantasmas do passado e usar o vestido. E faltando menos de uma hora para Percy bater na porta do meu apartamento, eu vesti o vestido. Decidi deixar meus cabelos soltos e juro que fiquei com uma dúvida mortal entre usar salto ou sapatilhas. Escolhi o salto, a muito contragosto. Passei uma maquiagem leve e um batom de cor vinho nos lábios. Olhei-me no espelho, não tinha nada exagerado ali.

Era apenas eu. E isso me deixou feliz, porque lá no fundo eu queria que o Percy gostasse de mim como eu sou. Não pela beleza ou pela inteligência. Apenas pelo o quê eu sou.

Passei tanto tempo pensando nessas coisas que nem percebi que já eram oito da noite. A campanhia soou e eu fui até a porta abrir. Dei uma última ajeitada no cabelo e ajeitei a postura. Eu não sei dizer sinceramente o quê senti quando vi Percy parada na minha porta, mas acho que foi uma mistura de excitação e uma felicidade que era incomum para mim.

–E então, eu estou apresentável? –ele me perguntou sorrindo de lado. E eu fechei a minha boca, que nem havia percebido que estava aberta.

–Você está muito elegante. –eu me refreei para não dizer lindo.

Percy estava vestindo terno, apesar de estar aberto e a gravata um pouco frouxa, ele estava socialmente apresentável, como ele mesmo classificaria. Pela primeira vez desde que o conheci, seu cabelo estava penteado e ele tinha feito a barba. E ele ficava ainda mais bonito assim, já que com a ausência da barba dava pra ver pequenas pintinhas no seu pescoço e em alguns lugares do rosto. Ele estava deslumbrantemente bonito e eu fiquei feliz de imaginar que ele estava assim só para sair comigo, ou seja, por mim.

Percebi que suas mãos estavam para trás, como se ele escondesse alguma coisa. Eu inclinei a cabeça para olhar e ele pareceu sair do transe que estava, afinal, assim como eu ele estava observando cada detalhe da pessoa com quem sairia naquela noite.

–Você esta elegante também. E muito bonita, muito mesmo. –ele disse para mim e tirou um buquê de flores azuis de trás de si. –Perdão se isso é algum exagero, mas me disseram que é legal dar flores a uma garota num encontro com ela.

–São lindas, Percy. –elas eram mesmo. Tulipas azuis, combinavam com ele. Mas eu me sentia na obrigação de dizer a verdade. –Mas posso ser sincera com você?

–Eu espero que sempre seja. –ele respondeu.

–É que eu não curto muito flores e nem algo muito clichê. Se você viesse aqui com um pacote de batas da Elma chips, eu ainda sim ficaria feliz. –eu disse com medo da reação dele. –Mas vou ficar com as flores mesmo assim, as achei muito lindas.

–Bem, já que você não gosta de coisas tradicionais. –ele parecia desapontado, mas logo deu um sorriso travesso, tirando algo do bolso. –Eu tenho chicletes aqui.

Dei um tapa de leve no braço dele e ele sorriu para mim. Guardei as flores numa vasilha de doces que eu encontrei — qual é? Eu não tinha vaso para flores e nem esperava ganhar algumas. Pegamos o elevador em silêncio. Até que eu, como a grande curiosa que sou, perguntei:

–Acho que agora você pode me contar aonde vamos, não é? –fiz a minha melhor cara de pidona.

–Ok. –Percy bufou, ele não resistia ao meu charme. –Vamos no restaurante La Parmet, na Times Square.

Eu o fite. Aquele restaurante era caro pra caramba. Ele realmente deveria gostar mesmo de mim, nenhum cara gastaria uma fortuna em um jantar somente para levar uma garota pra cama.

–Que é? –ele perguntou sorrindo. –Eu posso pagar, eu sou rico.

–Sério? –perguntei surpresa.

–Não. –ele disse. –Mas guardo dinheiro há muito tempo e achei uma boa ocasião para gastá-lo. E aliás... Eu roubo bancos. –ele piscou um olho pra mim e saiu do elevador.

Quando chegamos à rua, Percy chamou um táxi. Ele disse o endereço ao motorista. Eu disse a ele que não conhecia muito bem a cidade, ele sorriu e começou a me apresentar. Ele apontava para os lugares e me dizia o que eles eram. Passamos pela ponte do Brooklyn, chegamos à Times Square. Percy me mostrou onde ficava a principal bolsa de valores do país e o prédio da ONU. Mostrou-me também onde eram os estúdios da ABC, MTV e onde eram estúdios de gravações cinematográficas da cidade. Meus olhos brilharam quando ele me mostrou a Rua da Broodway. Logo em seguida a 42 street West.

Percy era um bom guia turístico e me entrerteu tanto durante o caminho, que parecia que em menos de segundos tínhamos chegado ao local. E lá estava o lindo e luxuoso La Parmet, era um restaurante italiano, mas que fazia comidas de todos os lugares do mundo. A fachada era belíssima, com direito a ouro até nas dobradiças da porta. Percy deu o nome para o recepcionista do local. O homem o olhou de cima a baixo como se ele fosse um perrapado e isso me incomodou. Ele tinha bastante classe aos meus olhos, mas não era o tipo de “classe A” que a sociedade esperava.

–Vamos? –ele sorriu para mim e estendeu a mão para que eu a segurasse e eu segurei.

–Claro. –sorri para ele, tentando lhe passar confiança e tranqüilidade. Afinal, percebi que ele também se ofendeu e muito com o olhar julgador do recepcionista.

Nos sentamos um uma mesa afastada das outras, não sei se era porque era a mais barata ou a mais cara, mas decidi não perguntar. Percy pegou o cardápio em cima da mesa e juntou as sombracelhas enquanto o lia. Eu abri um sorriso mínimo, ele não estava entendendo nada do que estava escrito. Ele levantou os olhos e pediu ajuda com eles.

–Você não entende de culinária, não é? –perguntei.

–Nem faço ideia. –ele respondeu sorrindo. –Mas eu espero que uma certa alma caridosa com uma cabeleira loira, possa me ajudar.

–Deixe-me ver o cardápio. –Pedi estendendo a mão e ele me entregou.

Eu dei uma olhada e achei o prato perfeito. Tudo bem que pra mim era um prato qualquer já que eu o cozinhava muito, mas acho que pra ele seria uma novidade. Sem falar que era o prato mais barato.

–Que tal Fricassê? –perguntei a ele.

–Considerando o fato de que a maioria das minhas refeições são os sanduíches do Subway... Eu não o que é isso. –ele disse e eu não consegui evitar a gargalhada.

–É um prato francês, com frango,mais alguns ingredientes e queijo. –expliquei a ele.

–Bastante queijo? –ele perguntou animado.

–Bastante queijo. –retruquei.

–Então, a gente está em um restaurante italiano, que fica em Nova York, comendo comida francesa. –ele comentou. –Interessante.

Fizemos nossos pedidos ao garçom. Percy pediu arroz e um pouco de salada, mas logo disse que não poderia se esquecer de algo: o suflê de bacalhau. Ele disse para mim que era o prato que sua mãe sempre fazia. O garçom se foi e ficamos ali esperando.

–E então, você é muito apegado com a sua mãe? –eu perguntei para puxar assunto. Percy deu um sorriso triste.

–Eu não tenho mãe. Não mãe de verdade. –o olhei confusa e ele logo explicou: -Eu fui criado em um orfanato, acho que a minha família verdadeira... Não me quis. –ele coçou a nuca e deu de ombros. –Mas eu conheci uma mulher no orfanato que era responsável pela gente, ficamos muito próximos e ela me deixou chamá-la de mãe e eu deixei ela me chamar de filho. Como ela não podia ter filhos, mas não tinha condições de me criar, acabou cuidando de mim indiretamente enquanto trabalhava no orfanato. Ela me trazia suflê de bacalhau e eu dava pra ela balas de menta, que era a única coisa que eu podia comprar. Contudo depois de um tempo, Deus decidiu abençoá-la e lhe deu um filho chamado Tyson. Ainda somos próximos, mas não como antigamente.

–Você... É órfão? –eu perguntei mesmo sabendo que ele era sim.

–Bom é assim que chamam pessoas que não tem os pais. –ele sorriu brincalhão. –Apesar da minha família não ter me querido, eu não fiquei com nenhum trauma. Claro que quando eu era mais novo, eu me achava um bosta por isso, mas passei a entender que sou eu que preciso me aceitar. E aí eu superei.

–Não sei se eu teria a mesma determinação. –eu confessei. Então eu continuei com a garganta queimando e as lagrimas ameaçando a cair: –Tive alguns problemas familiares também.

–Ei. –ele chamou a minha atenção e segurou a minha mão por cima da mesa. –Não precisa falar sobre isso. Nós viemos aqui para nos divertir e gastar todo o meu dinheiro, certo? Não vamos falar de problemas e cosias que nos entristecem.

–Por falar em dinheiro. –eu dei um sorrisinho esquecendo um pouco os problemas. –Você não precisava ter me trazido em um restaurante tão caro.

–Ah fala sério! Lembra de “Como eu conheci sua mãe”? Então, imagina se um dia eu contar pro meus filhos que eu levei uma garota espetacular como você, pra comer cachorro-quente? –ele balança a cabeça negando. –Não é nenhum sacrifício pra mim te trazer aqui, eu não ia gastar o dinheiro com nada importante mesmo. E, aliás, esse cardápio que eu escolhi era o dos pratos mais baratos.

Dei um tapa na mão dele e não pude evitar acompanhá-lo nas gargalhadas. Eu me dei por vencida e continuamos a conversar normalmente. Eu descobri que Percy só tinha 25 anos, apesar de já ter vivido muitas coisas. Ele falou que viu muito dos seus amigos e amigas do orfanato irem por caminhos ruins. As maiorias dos rapazes se envolveram com drogas e as meninas acabaram grávidas. Percy era o contrário de tudo aquilo, ele havia estudado e ido para a faculdade. Ele sempre foi o melhor nos tempos da universidade e acabou se tornando o professor de educação física mais procurado do Brooklyn, ele aconselhava as crianças e ajudava os adolescentes. Ele não queria que o futuro deles fosse igual ao de muitos que já passaram pela sua vida. E quando recebeu a proposta do mestrado em Cambridge, ele não pensou duas vezes na hora de recusar.

Cada coisa que eu descobria sobre a personalidade dele me deixava mais fascinada. Onde esse cara lindo e de bom caráter esteve toda a minha vida? Sim, em Nova York, eu sei , mas o destino poderia ter sido mais bondoso em tê-lo me apresentado antes.

Nossa comida chegou e eu me lembrei de uma dúvida que sempre me acompanhava desde que o conheci.

–E a teoria da mulher certa? –perguntei enquanto comia o pedaço do fricassê.

–Teoria complicada criada por mim. Confesso. –ele disse. –Quer mesmo ouvir? Mesmo que você seja a resposta pra ela ou um objeto de pesquisa para mim?

–Sim. –eu sou curiosa demais para dizer não.

Percy deixou o garfo em cima da mesa e ficou me encarando, acho que ele estava decidindo se contava ou não.

–Eu nunca tive família, Annabeth. E eu sempre carreguei uma ferida no coração por não ter uma. –ele mexia na comida enquanto falava. Aquilo não estava muito nas regras de etiqueta para um restaurante chique, mas eu não estava me importando. –E eu sempre achei que a única forma de fechar essa ferida é achando uma mulher com quem eu dividiria a minha vida comigo, que tivéssemos filhos juntos e que eu pudesse amar incondicionalmente. Eu nunca disse essas coisas exatamente nessas palavras para nenhuma garota com a qual eu saí. Não me parecia certo compartilhar isso com todo mundo.

–Então, você é um garanhão que acredita que vai encontrar a mulher certa para se casar. –eu refleti, dizendo as palavras mais para mim do que para ele.

–É, acho que é isso. –ele engoliu em seco depois disse em um tom brincalhão: — E juro que sou hétero.

–Com certeza é. Mas também é um cafajeste fajuto.

–Gostei dessa definição. –ele deu um sorriso bobo. –Imagina na lápide do cemitério que eu for enterrado: aqui jaz Perseu Jackson, o cafajeste fajuto. Ficaria perfeito!

Sabe qual é o pior? É que ele estava falando sério. E sabe qual é o melhor? É que eu estava gostando dele. Não por ele ser bonito, atraente, sexy, gostoso... ops, perdi o foco. Mas acho que dá pra entender. Eu estava gostando do verdadeiro Percy. E pela primeira vez na vida eu não tinha medo de me magoar. Porque eu ficaria grata se pudesse compartilhar alguns momentos da minha vida com alguém tão legal quanto ele.

Terminamos o nosso jantar. Percy ficou com cara de que viu alguém muito querido morrendo quando viu a conta. Eu cheguei a pensar que ele fosse chorar. Mas então ele fez algo que me surpreender: ele olhou para mim e depois para a conta e deu um sorriso. Acho que ele não quis que eu percebesse, mas com esse gesto eu entendi o que ele queria dizer: “por você, vale a pena”. Posso começar a tirar a roupa pra nossa noite de amor?

–Quer ir num lugar especial? –ele perguntou quando estávamos na frente do restaurante, prontos para ir embora.

–Quero sim. –respondi.

–Não e um lugar que você diria “nossa, que lugar novo, aposto que ninguém nunca veio aqui”, mas é um lugar especial para mim. –ele disse e deu de ombros.

–Percy, não precisa explicar nada, apenas me leve lá. –eu segurei a mão dele e sorri.

°°°°°

–O topo do Empire State Building ás 00:00a.m?-eu olhei para a cidade que se movimentava com pequenas luzes lá em baixo. –Para alguém que acabou de vir de São Francisco e não conhece um palmo a frente de Nova York, esse lugar aqui é uma grande novidade, sim.

–Fico feliz que gostou. Na verdade fico surpreso. –Percy deu uma risada baixa. Ele apontou para uma fileira de prédios a nossa frente. –É sempre dali de algum daqueles prédios que eles descem a bola do tempo na noite de ano novo. É lindo.

–Em São Francisco eles soltam fogos na baía e iluminam toda a ponte Golden Gate de cores diferentes. –eu me lembrei do ano novo na minha cidade natal. –Não preciso nem dizer que também é lindo.

–Sabe uma coisa que é realmente lindo? –ele perguntou com os olhos voltados para o céu.

–O quê?

–Você.

–Sinceramente, Percy, Você tem umas cantadas muito furadas. –eu revirei os olhos e não pude evitar sorrir.

–Pelo menos estou tentando. –ele rebateu, rindo também.

E foi aí que eu não sei o que aconteceu. Ele olhou para mim e eu olhei para ele. E de repente nossos lábios estavam um no outro. Eu sentia um de seus braços fortes abraçando o meu corpo e uma de suas mãos no meu rosto, acariciando a pele dali com o polegar. Minhas mãos foram para o seu cabelo bagunçando-os, e me senti culpada por isso, já que estavam meticulosamente arrumados. Eu senti a língua atrevida dele invadir a minha boca e juro que eu estremeci com tamanha desenvoltura. Sem falar que a minha língua tinha uma sincronia incrível com a dele.

Quando os meus pulmões ardiam por falta de ar e a minha boca já estava doendo de tanto beijá-lo, eu abri os olhos. Minha testa estava colada na de Percy e ele ainda tinha os olhos fechados. Não sei dar nome ao o que senti com aquele beijo, mas sei que foi algo que nunca experimente na vida. Ele parecia não querer abrir os olhos e eu dei um pequeno sorriso. Lhe dei um selinho e depois um beijo no rosto.

Talvez eu gostasse de ser a mulher que ele e as teorias dele sempre procuraram.

°°°°°

Percy Jackson.

Eu não queria abrir os olhos. Qual é, porque eu os abriria? Eu queria aproveitar mais um pouco da sensação de ter experimentado o paraíso. Mas eu entendi que tinha que parar imediatamente de ser gay. Abri os olhos e me deparei com um par de olhos cinza inteligentes e intrigantes me fitando.

Mano, ferrou. Ferrou, ferrou, ferrou. Era ela, ela era a mulher certa. Como eu sei? Simples, eu nem precisei beijá-la para estar apaixonado. E nem precisei levá-la para cama para saber que aquele foi o melhor beijo da minha vida. Ela levantou uma sombracelha loira pra mim.

–Eu tenho pressão baixa. –menti descaradamente. Sim, sou desses. –Só fiquei um pouco tonto, por isso os olhos fechados.

–Ainda bem, não é? –ele tentava segurar o riso. –Pra mim você estava tendo um orgasmo.

A peguei nos braços e baguncei o cabelo dela enquanto ela ria de mim. Não pude evitar sorrir também e dei um beijo no pescoço dela. Ela era incrível. Linda, inteligente, divertida e loira. Já mencionei que eu tenho um fetiche por loiras? Então, a verdade é que eu piro em uma. E eu estava gamado nela, amarrado, apaixonado, ferrado e todas essas coisas relacionados a gostar de alguém.

Trocamos mais alguns beijos, mas eu, infelizmente, me liguei que já estava tarde e que a nossa noite havia acabado. Uma pena, porque eu queria fazer durar para sempre.

–Queria poder ficar mais tempo com você. –eu disse. –Mas como sou um rapaz direito, tenho que devolver a linda garota antes da madrugada em casa.

–E considerando o fato de que moramos um de frente para o outro, você faz duas cosias de vez só. –ela completou.

–Correto, senhorita.

Segurei a mão dela enquanto nos encaminhávamos para o elevador. Tinha apenas mais umas quatro pessoas conosco no elevador, tinha bastante espaço ali, mas mesmo assim eu abracei Annabeth. A puxei para mim e apoiei o queixo na sua cabeça. Eu esperava que ela não ficasse assustada com a demonstração de carinho. Pelo visto não ficou, já que me abraçou colando-me mais a ela e escondendo o rosto no meu pescoço. Eu não queria que seja lá o que iniciamos hoje acabasse tão depressa, não queria que se limitasse apenas a aquela noite. As portas do elevador se abriram e nós nos separamos. Senti vontade de xingar o elevador –mesmo sabendo que ele não tem vida própria- por ter sido tão rápido. Mas acho que não seria legar falar palavrão na frente da menina que se quer impressionar. Na verdade eu não acho nem legal falar palavrão, mas eu falo porque eu não tenho coerência com as coisas que penso.

E essa frase ficou confusa. E é melhor voltar pra história.

Enfim, saímos do Empire State ainda de mãos dadas. O cabelo loiro dela brilhava sob as luzes da cidade e eu estava hipnotizado pela beleza dela. Tanto que quando coloquei a mão no bolso, percebi que meu dinheiro havia acabado. O que significava que nada de táxi. E como moramos no Brooklyn não podíamos ir a pé.

–Sabe, Annabeth, eu não estou tão empenhado em te impressionar tanto assim. –eu fiz bico e balancei a cabeça negativamente.

–Não, é? –ela perguntou com aquela sombracelha loira arqueada olhando para mim.

–Não. –respondi. –E quer saber mais, estou tão empenhado em parecer um cara normal que nós vamos de ônibus pra casa. Porque eu não quero te impressionar tanto assim.

Ela ficou me olhando por uns três segundos e depois deu uma gargalhada baixa. Ela enlaçou o seu braço no meu e disse:

–Você gastou o dinheiro todo no restaurante, não é?

Eu assenti.

–E por isso não sobrou dinheiro pro táxi e temos que ir de ônibus, não é?

Assenti de novo.

–Quer saber de uma coisa, Percy? –ela me deu um beijo no pescoço que me fez arrepiar. –Eu é que estou tentando te impressionar. Vamos, eu pago as nossas passagens no ônibus.

Eu quis protestar e até tentei, mas ela era a única pessoa que conheci que era mais teimosa que eu. Então ela pagou nossas passagens e nos sentamos nos bancos de trás, perto da porta. Eu fiquei no banco do corredor e ela na janela. Segurei a mão dela de novo e ela entrelaçou nossos dedos. Acho que ela queria carinho. E eu, como sempre transava com as garotas e nunca tinha nenhuma demonstração de sentimentos além dos carnais, também precisava de um pouco de afeto. Eu estava carente e ela também. Perfeito! Dois encalhados felizes!

–Você tem que me contar o seu maior sonho, Annabeth. –eu disse. –Eu te contei o meu, que por sinal é bem de mulherzinha, e segundo as regras você tem que me contar o seu agora.

–Que essas são essas, Percy? –ela retrucou.

–As regras que eu inventei, ora. –eu dei de ombros. –Vamos, me conte. Eu quero saber.

Ela suspirou e apertou um pouquinho a minha mão. A feição dela era determinada, com aquele nariz levemente arrebitado e aquela pose autoritária. De repente aquilo me fez acreditar que todos os sonhos que ela tivesse poderiam se tornar realidade.

–Quero ser escritora. Quero tocar as pessoas com as minhas palavras. Quero que meus escritos rompam fronteiras. Não quero fama, eu quero reconhecimento. –ela dizia cada frase com um sorriso ambicioso no rosto. Mas logo depois um relance de derrota desfigurou um pouco a expressão confiante. –Mas até agora todas as editoras que viram o que eu escrevi, me rejeitaram.

–Ei, você se acha boa? –perguntei.

–Acho. E acho que eles não me aceitam porque não escrevo modinhas, escrevo histórias novas, originais, sem nenhuma ligação com os best-sellers atuais. Porque como eu disse, não faço histórias para vender, as faço para tocar pessoas. –ela suspirou novamente.

– Se você se acha boa, então eu também te acho. Se você acredita em você, então eu também acredito. –disse olhando nos olhos dela.

–Você nem leu a minha história, como sabe se é boa?

–Sei porque a escritora dela é maravilhosa. E em toda história o autor coloca um pouco de si, mesmo que seja pouca coisa. E eu tenho certeza, que se a história tiver um pouquinho só de você, ela já é incrível. –eu finalizei.

Ela pareceu gostar das minhas palavras, tanto que me deu um beijo de tirar o fôlego. Era perigoso aqueles beijos tão bons assim, pois eu ficava cada vez mais apaixonado e bobão do que já sou. Continuamos nos beijando até que chegamos ao nosso prédio.

°°°°°

–Está entregue sã e salva, senhorita. –eu disse a ela.

–Muito obrigada, senhor. –ela fez uma pequena reverencia. E ficou na ponta dos pés com o rosto muito próximo ao meu. –Não vai me dar um beijo de boa noite, senhor?

–Seja feita a sua vontade, senhorita.

E eu a beijei. Cara, que língua maravilhosa a dela! Eu não queria soltá-la, não queria parar de beijá-la. E eu nem precisava tanto de ar assim pra interromper o beijo pra respirar. Talvez eu precise. Ok, eu preciso.

Separei-me dela relutante.

–Tchau, Percy. –ela se despediu.

–Tchau, Annabeth. –eu cumprimentei de volta e sorri.

Quando eu entrei em casa, senti a sensação de que tinha falhado gravemente naquela noite. Eu só não sabia qual era o problema. Fui tomar banho pra espairecer a mente. Deixei a água cair no meu corpo e fiquei olhando pensativo para o teto. Tá’ tudo errado, mano. Eu fiz algo errado que estragou tudo.

Contudo, ela parecia tão feliz quando nos despedimos. E eu aqui insatisfeito.

Fui pra cozinha ver se tinha algo pra comer. Meu estômago era outro insatisfeito da vida, não importa o quanto eu coma, eu sempre continuo com fome. Fiz um sanduíche reforçado. E mais uma vez fiquei pensativo enquanto mastigava. Então eu percebi o que era: ela não era minha.

Aquela loira gostosa, inteligente, futura escritora e possivelmente a mulher certa pra mim, não era minha. Não podia, cara. Não podia deixar as coisas assim. Eu tinha que pedir ela em namoro. Louco? Sim e muito. O Máximo que eu pedia para as mulheres quando saia com elas era: “mostra os peitos?” Mas ela era diferente, eu não relutei em pagar um restaurante caro para levá-la.

Levantei decidido. Eu estava só de pijama, mas eu não tava’ nem aí, baby. Abri a porta da minha casa e bati na porta de Annabeth. Ela atendeu com os olhos semicerrados e o cabelo bagunçado. Ela estava só de camisola. Eu tive que limpar a baba escorrendo pela minha boca por contemplar aquele corpo maravilhoso.

–Você me acordou. Ao menos que tenha um bom motivo, se retire antes que eu te mate. –ela disse.

–Quer namorar comigo? –eu perguntei decidido na cara dura.

–Você bebeu, foi? –ela estava com a boca em um perfeito “O”.

–Só refrigerante. –respondi. –Olha, você é diferente. É a primeira mulher que eu não quero só levar pra cama. Aceite namorar comigo.

–A gente nem se conhece direito! –ela exclamou.

–Podemos nos conhecer ao passar do tempo. –eu segurei as mãos dela e levantei o queixo dela para que aqueles olhos cinza agitados. –Eu tô’ apaixonado por você desde a primeira vez que te vi. Vamos nos conhecer, sim. Mas eu quero que você seja minha.

Ela sorriu, um sorriso doce e desconfiado. Seus olhos assumiram um brilho diferente.

–Você promete não interromper mais o meu sono?

–Prometo, loirinha.

–Então, eu aceito.

Eu fiquei com cara de bocó. Muita cara de bocó. Como aquele pedido rápido e simples de namoro havia dado certo? Annabeth me deu um beijo no pescoço e bagunçou meus cabelos pra chamar minha atenção.

–Você aceita mesmo? –perguntei.

–Não, só queria zoar com você. –Ela disse e eu quase chorei. Ela revirou os olhos. – Eu quero namorar com você, seu cafajeste fajuto.

–Então, é oficial: Annabeth Chase é minha namorada. –ficou perfeita a pronuncia delas na minha boca.

–Percy Jackson, o meu namorado chato que vai sair agora e me deixar dormir. –ela disse.

A beijei de novo, ela estava com aquele hálito desagradável de quem acabou de acordar. Mas eu não tava’ nem aí, ela era minha namorada, eu podia. A levantei um pouco pra beijá-la com mais afinco e ela correspondeu. Depois eu a coloquei no chão.

–Tchau, namorada. –eu me despedi.

–Tchau, namorado. –ela retrucou.

–Te vejo amanhã. –eu disse e ela fechou a porta.

Quando deitei no meu sofá, eu finalmente estava satisfeito. Eu não sei como havia dado certo, não sei como ela tinha desenvolvido tamanha confiança pra dizer sim. Tudo foi tão rápido, tão fácil e tão divertido. Eu queria conhecê-la mais e com certeza vou. Eu tô’ namorando ela, cara. Isso é incrível.

E, então, algo finalmente me ocorreu: a noite finalmente tinha valido a pena.

Notas finais
Desculpem qualquer erro. É aquele lance: eu dou uma revisada, mas as vezes não percebo algumas coisas. Comentem aqui em baixo e continuem dando vida a história. Beijos e até o próximo!