Te vejo amanhã
1 Capítulo I
Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura!
“Aprendi que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.” –Eu aprendi, autor desconhecido.
Annabeth Chase
Era um dia calmo e eu estava animada. Nova York: a selva de pedra onde os sonhos se realizam. Ali era a minha nova cidade, apesar de em São Francisco as oportunidades também serem grandes. O corretor de imóveis falava pelos cotovelos sobre o apartamento que agora estava sob minha posse. Ele falou sobre a vizinhança e disse que eu tinha sorte de conseguir alugar um apartamento no Brooklyn e ainda em uma região calma. A verdade é que eu parei de ouvir com menos de cinco minutos de conversa. A única coisa na que eu pensava era em realizar o meu sonho e parar de encarar aquele velho chato e barrigudo.
-E então, senhorita Chase, como vê, você com certeza acabou de fechar um grande negocio. –disse Dionísio.
-Ah, obrigada, Sr D. –ela o chamou pelo apelido e sorriu pegando as chaves do novo apartamento. –Pode deixar que qualquer coisa eu entro em contato com o senhor.
Eu quase gritei de alívio quando me livrei daquele cara. Peguei um ônibus até o endereço do meu apartamento. Eu ainda estava com minha mala contendo os pertences pessoais mais importantes para mim; segundo o Sr.D, as minhas coisas estariam bem instaladas no meu novo apartamento.
Eu olhava para a janela e pensava na vida. Viera até aquela cidade para começar um sonho antigo, que começou com um texto de um autor desconhecido, intitulado “Eu aprendi”. E aquilo, para uma garota de 13 anos como eu na época, foi um novo mundo que se abria diante dos meus olhos. Era tão perfeita a forma como as palavras se encaixavam, que tudo parecia magia. E então, eu decidi de todo o meu ser, virar escritora. Claro que a verdade era que eu sempre fui um grande fracasso. Tirando os concursos de redação na época da escola, eu fora rejeitada por todas as editoras que tratavam do assunto.
Mas eu estava ali, no coração do mundo, a poucos quilômetros da Broadway, lugar onde eu sonhava ver uma das minhas histórias representadas. Porém era sempre a mesma história relacionada à minha escrita: eu enrolava demais, eu colocava drama demais, eu fugia da realidade demais. Eu sabia que essa porcaria toda se dava por eu não seguir modinhas ou tendências atuais. Meu texto era original, com uma história original, com tudo original. E as editoras queriam as mesmas histórias, que apenas diferenciam apenas o nome dos personagens ou o local onde se ocorria a trama. E eu não iria fazer isso, claro que não. Não iria mudar a essência do que eu sou ou escrevo apenas por dinheiro ou reconhecimento mundial.
Eu iria continuar trabalhando como jornalista –que de jornalista não tinha nada- em um jornal. Mesmo que eu não escrevesse reportagens e me limite somente às crônicas diárias. Eu não ia mudar o quê sou ou a pessoa que almejo ser, apenas por coisas banais. Fiquei com tanta raiva que nem percebi o trajeto que estava fazendo. Apenas desci do ônibus, perguntei ao porteiro do prédio qual era o número do meu apartamento e apertei o botão do elevador; tudo no automático. Voltei a pensar nessas coisas, até que a raiva subiu por completo a minha cabeça e eu murmurei:
-Pro inferno essa porcaria toda.
-O quê? –perguntou uma morena que estava do meu lado no elevador.
-Ah, me desculpe pelo palavreado, eu não percebi que você estava aí. –eu a olhei envergonhada. -Caramba, eu não tinha percebido ela mesmo lá. –Meu nome é Annabeth Chase. –disse estendendo a mão.
-Thalia Grace. –ela apertou minha mão e sorriu.
Eu estava constrangida, era uma mania minha ficar absorta nos próprios pensamentos e acabar falando sozinha. Acontece que em público isso não é nada legal, as pessoas te tacham como louca e pela minha experiência de vida, a maioria das pessoas que eu conhecia me achavam realmente louca. Não que eu não fosse, mas nem todo mundo precisava saber disso.
-Você vai morar aqui ou está apenas visitando alguém? –Thalia perguntou.
-Eu vou morar aqui. –eu respondi perdendo o nervosismo e sorrindo um pouco. –Sou do último andar. Se não me engano, o sexto.
-Sim, eu também moro no sexto andar. Fazia tempo que o apartamento 608 estava vazio. –Ela finalizou quando as portas do elevador se abriram. A morena sorriu uma última vez, saudosa. –Seja bem vinda, Annabeth e tenha cuidado com o papa mulheres do seu vizinho do apartamento à frente.
Eu fiquei sem entender nada, é claro. Sorri de volta para a mulher e observei-a caminhar até a última porta do sexto andar. Thalia era um pouco mais baixa que eu, tinha cabelos negros repicados e olhos azuis eletrizantes, hipnotizantes. Ela era linda.
Eu arrastei a minha mala e fui olhando de porta me porta, até que finalmente achei o número 608. Por azar, eu tinha me recordado que minhas chaves estavam guardadas na bolsa, ou seja, eu teria que revirar todo aquele mundo selvagem onde se encontravam minhas coisas em busca das malditas e, ao mesmo tempo, preciosas chaves.
Enquanto procurava aqueles objetos malignos que sempre se escondiam de mim nos confins de minha bolsa, eu ouvi uma pequena discussão que vinha de dentro do apartamento da frente. Não demorou muito para que as pessoas envolvidas comprovassem a minha mais renomada teoria pessoal: a de que os seres humanos são carentes por atenção e por isso gostam de fazer seus shows em público e para todos verem. Inclusive, acho que é por esse motivo que as pessoas se expõem tanto no Facebook e em outras redes sociais.
A porta do outro apartamento se abriu, revelando um homem alto e muito bonito e uma mulher esguia e asiática. Ela falava alto com ele e o chamava de nomes impossíveis de se repetir por causa dos limites da censura. Eu fiquei com pena do rapaz, ele estava cabisbaixo e parecia cansado de brigar. A mulher apontava um dedo pra ele e depois de algumas palavras ela começou a cutucá-lo com o dedo em seu peito. O homem continuava calado.
-Você é um inconseqüente, seu idiota. Eu pensei que você queria mais do que algumas noites comigo. Mas você se provou como todos os outros homens: insensível e desprezível. –mulher disse amargurada para ele.
-Mas, Drew, eu disse a você desde que começamos a sair que eu não queria nenhum relacionamento sério. Você mesma que insistiu em passar essas últimas semanas comigo. –o rapaz segurou as mãos dela, como se estivesse explicando uma resolução matemática a uma criancinha. –Acabou, Drew. Eu não te enganei em nenhum momento. Fui sincero como sempre sou com as mulheres. Você que entendeu tudo errado.
-Entendi tudo errado nada, seu babaca. Eu pensei que podia te mudar. –A asiática começou a chorar, fazendo seus olhos puxados ficarem, se possível, menor ainda. Era um choro forçado, é claro, mas ela era uma boa atriz. –Você vive com essa sua conversa fiada de que está esperando a mulher certa. Você é um idiota e um enganador de mulheres, isso sim.
-Olha, Drew. Não me ofenda mais desse jeito. Eu deixei bem claro minhas intenções e idéias no inicio. –ele largou as mãos delas e cruzou os braços. –Eu não tive culpa se você saiu se esfregando em mim em uma balada e enfiou nessa sua mente limitada que eu queria ter algo com você!
A tal da Drew deu um tapa com tanta força no rosto do coitado, que ele chegou a se desequilibrar para trás e se segurar nas vigas da porta. Ele balançou a cabeça e voltou a se levantar. O que ocasionou em mais um tapa na outra bochecha que ainda não tinha sido atingida. A mulher saiu com uma expressão raivosa no rosto e quando estava dentro do elevador, gritou de lá:
-Enfia essa teoria de mulher certa no seu... –e suas palavras foram interrompidas pelas portas do elevador se fechando.
Eu fiquei olhando a cena estupefata. Não tinha minha opinião totalmente formada sobre a situação, mas se um homem deixa bem claro que quer apenas sexo e você se ilude pensando que ele vai querer mais do que isso, a errada é você, certo? E outro ponto interessante era que o rapaz não tinha a enganado e pelo o que deu pra entender ele a relembrava a todo instante disso e ela que tinha dado em cima dele.
O cara esfregava o rosto coberto com uma barba bem curta, com as mãos. Ele fazia uma careta engraçada. E eu, que já estava constrangida ainda pelo encontro com Thalia, fiquei mais ainda quando ele me olhou. Ele tinha os cabelos negros e bagunçados, pele clara, olhos verdes e feições másculas. Era muito bonito e seus músculos – definidos e nada exagerados – eram visíveis por sua camisa ser apertada. Ele parecia um bad boy, daqueles que você corre quando chega perto do seu carro em uma rodovia escura pedindo dinheiro. Mas ele também parece aquele bad boy que atrai as mulheres e as faz ficar de joelhos implorando por um pouco de atenção.
A questão é que o cara sorriu e a única coisa que eu pensei era que não iria ser mais uma na cama dele. Finalmente achei as chaves demoníacas e comecei a abrir a porta do meu apartamento. Eu virei para pegar a minha mala, mas lá estava o rapaz bonitão a segurando.
-Deixa que eu te ajudo, moça. –ele disse e pegou a minha mala, a colocando rapidamente no meu apartamento. –Você com certeza é nova aqui, então acho melhor eu me apresentar. Meu nome é Percy Jackson. –Ele estendeu a mão para mim e abriu um sorriso cativante.
-Obrigada. Meu nome é Annabeth Chase. Muito prazer em conhecê-lo. –eu falei um pouco seca e apertei rapidamente a mão dele.
-Olhe, me desculpe por essa pequena discussão que você presenciou. Sei que não é uma boa maneira de dar boas vindas a um vizinho. Prometo que isso não irá acontecer novamente. –ele coçou a cabeça e arrastou as palavras as falando devagar.
-Sim, foi estranho. –eu admiti e sorri de lado, só para não deixá-lo constrangido.
-Bem, se precisar de qualquer coisa, eu moro aqui na frente e é só chamar. –ele retrucou, me deu um último sorriso e entrou dentro de seu apartamento.
Eu entrei e tranquei a porta atrás de mim. Bem que na Califórnia diziam que os nova iorquinos eram esquisitos mesmo. Primeiro um corretor de imóveis imbecil, depois uma menina misteriosa no elevador e para finalizar uma asiática que parecia ter contraído raiva e um pegador dando as boas vindas.
Eu visualizei o meu apartamento. Estava tudo em ordem como eu pedi. Eu pensei no meu novo vizinho chamado Percy Jackson. Ele parecia um cara legal, mas também parecia um destruidor de corações femininos profissional. Eu me lembrei das palavras dele dizendo a Drew que nunca quis iludi-la. E ela disse que ele tinha uma teoria da “mulher certa”. Eu sei lá que merda era essa, só sei que não estava a fim de descobrir.
Tantos homens já provaram a mim que não valia à pena se entregar de corpo e alma. E eu, sinceramente não me importava com o fato de ter vinte e um anos e ainda assim só ter transado com um cara na vida. Não me arrependo das minhas decisões, não mesmo. Eu queria realmente que se danasse o meu vizinho, ou qualquer outra cara que me tirasse o foco. Claro, ele é bonito e gostoso, mas isso não tem nada a ver com caráter, que é o que eu realmente preso.
Comecei a desempacotar as minhas coisas das caixas deixadas ali pelos empregados do Sr D. Eu tinha muito trabalho pela frente ao tentar transformar aquele apartamento pequeno e sem graça no meu novo lar.
°°°°°
Percy Jackson
Eu estava cansado de tudo aquilo. A única coisa que eu queria era realizar o meu maior sonho: tornar-me um pai de família. Sim, parece esquisito, mas era o único objetivo que eu realmente almejava.
Veja bem, as circunstâncias na minha vida que moldaram essa ideologia. Eu nunca soube quem foram meus pais. Fui criado em um orfanato ali mesmo, no Brooklyn. A mulher do orfanato que me criou se chamava Sally e ela era tão parecida comigo que as pessoas diziam que nós éramos mãe e filho. Sally me ensinou uma coisa preciosa: eu poderia aprender com os erros dos meus pais, ou seja, poderia não cometê-los e ser um cara exemplar ou cometê-los e ser um babaca. Eu escolhi ser o cara exemplar. Nunca tive uma família, nunca soube o que era segurar na mão de um filho e ensiná-lo o básico da vida. E principalmente: eu nunca soube o que é amar de verdade uma mulher.
Mano, não estou dizendo que sou um cara clichê e com crises de mulherzinha, ok? Eu estou dizendo que sempre tive a curiosidade de saber como é confiar seu coração a uma pessoa e em troca receber o coração dela pra tomar conta. Eu estou me referindo ao fato de que eu sempre quis ter uma casa bonita ou um apartamento legal e, depois de ter um dia cansativo de trabalho, chegar nele e ter uma pessoa me esperando. E essa pessoa sorrir para mim. E me abraçar. E me dar um beijo e dizer que estava com saudades. E eu sentir que aquela é a melhor parte do meu dia.
Ok, talvez eu seja clichê. Está bem, talvez um pouco mulherzinha também. Mas eu nunca contei isso pra ninguém e as únicas coisas que eu dizia para as meninas que insistiam em me namorar era que eu não podia, pois eu estava esperando a mulher certa.
Então eu fiz os meus tão sonhados 18 anos, saí daquele hospício... ops, orfanato. Enquanto estive lá, eu beijei várias meninas. Não me entenda mal, eu nunca quis a fama de galinha. Mas beijava todas as que queriam algo comigo porque eu queria saber se algum daqueles beijos seriam o beijo. Ou seja, o beijo da mulher especial pra quem eu daria meu coração.
Como eu sempre fui bonito e tal, chovia de garotas na minha horta. Saiam até dos bueiros essas minas. E eu aproveitei toda a minha beleza pra beijar quantas fosse até descobrir a certa. Não me leve a mal, eu não sou narcisista. Ok, talvez eu seja um pouco.
Aí com 18 anos na cara, eu descobri uma parada louca: sexo. Então eu fiz com algumas garotas para saber se seria ela a especial. Acabei gostando da coisa e perdendo o foco por um tempo. Depois a luz da lucidez voltou a minha mente desgovernada e eu parei de sair com qualquer uma. Eu passei a ser seletivo. O problema é que as mulheres praticamente se atiravam em mim. E eu sou homem, caramba. Quando elas tiravam a blusa eu esquecia totalmente de minhas teorias.
Porém eu estava cansado. Drew foi a última. E a próxima também seria, mas seria a última porque eu estava determinado a me envolver somente com aquele que fosse a mulher da minha vida. Eu sempre fui carente de amor mesmo, devido aos meus problemas de infância; então, acho que não fazia mal começar a procurar o amor verdadeiro.
Acontece que o danado bateu na minha porta, ou melhor, ele se materializou em forma de uma linda mulher loira e foi morar –veja bem, morar- em frente a minha porta. Pensei que era sorte no inicio, mas nos dias que se seguiram tive certeza que era azar. Eu conheci a tal da Annabeth Chase, menina centrada, inteligente, muito bonita e demasiadamente gostosa. Eu fiquei apaixonado de primeira, parceiro. Então, decidi ir com calma, ela estava morando em frente a meu apartamento e eu tinha todo o tempo do mundo para conquistá-la.
Fazia uma semana que ela morava no prédio. E fazia um mês que eu não ia ao mercado. Resultado: fiquei sem açúcar. E eu não podia fazer café sem açúcar. E os outros vizinhos me achavam um delinqüente por eu andar com os moleques do bairro, tinham medo de abrir as portas pra mim. A Thalia, que era minha amiga de verdade, tinha parado de falar comigo por causa do trabalho corrido e eu tinha medo dela, sei lá, o olhar dela era aterrorizante.
Só restava a Chase. E então eu fui a até a porta dela. De bermuda e sem camisa mesmo, na cara de pau. Bati na porta dela e quando ela abriu, eu estendi a minha xícara de café fumegante e disse:
-Eu não fui ao mercado esse mês. Tô sem açúcar. Pode colocar no meu café pra mim?
Ela me olhou de desconfiada.
-Primeiro: não estou a fim de conversar e você não vai entrar no meu apartamento. Segundo: você é retardado? São dez da noite, ninguém toma café há essa hora. –ela falou aos sussurros. Era educada e provavelmente não queria acordar os vizinhos. Só tinha velho ranzinza naquele andar, brother.
-Olhe, Sra. Chase, eu não vim conversar e nem quero entrar no seu lar, quero realmente o açúcar. Por que pensou que eu queria entrar? –eu perguntei incrédulo. Afinal, ela estava me acusando de assédio sexual... Eu acho.
-Quando se quer conhecer um vizinho novo que você considera uma possível possibilidade de transa, você inventa uma desculpa de que quer algo que está faltando em sua casa e vai até a pessoa pedido um pouco. –ela deu de ombros.
-Uau, não sei de onde você tirou essa idéia.
-Você aprende vendo uns filmes e morando a vida toda em um prédio.
-Bem, eu não quero isso, é sério. Eu dou aula para as crianças do bairro a noite e só consigo ficar acordado com café. –me expliquei e ela assentiu. –E eu até quero te conhecer, só que não seria tão inteligente ao ponto de inventar uma desculpa tão bem planejada.
Ela soltou uma risadinha baixa. E pegou a minha xícara.
-Vou colocar açúcar no seu café pra você. –ela disse e entrou.
Eu fiquei esperando com a minha cara de bocó ali no batente da porta. Ela voltou com o café e eu dei um pequeno gole.
-Colocou açúcar no ponto certo! –eu sorri pra ela e pisquei um olho.
-Eu costumo ser boa com medidas exatas. –ela me devolveu o sorriso. –Boa noite, Sr. Jackson.
-Boa noite.
Eu voltei pro meu apartamento e assisti televisão enquanto terminava de me arrumar para ir dar aula de basquete pros moleques. Coloquei uma camiseta normal e já que estava com a bermuda, apenas coloquei um par de tênis de corrida. Quando eu sai do apartamento e estava trancando a porta, uma voz inigualável me chama.
-Sr. Jackson?
-Eu. Hã, oi, Sra. Chase. –eu a cumprimento.
Ela bufou e pareceu engolir o orgulho para dizer as palavras.
-Quando você foi até o meu apartamento com a xícara de café, eu acabei me lembrando que estava sem. Então você poderia fazer o favor me dar um pouco?
-Você não está me visualizando como uma possível transa, não é? –perguntei brincalhão.
-Claro que não, Sr. Jackson! –ela ficou um pouco irritada, mas bufou novamente e disse: — E que eu não consigo trabalhar sem tomar café.
Eu sorri e peguei a xícara vazia dela.
-Vou colocar um pouco de café na sua xícara pra você.
Fui até o meu lar bagunçado e peguei um pouco de pó de café. Enchi o copo inteiro, só para ela ter a certeza de que eu não tinha ido lá para tentar fazer sexo com ela. Voltei com a xícara dela e a entreguei.
-Prontinho. –eu disse.
-Espera – ela me olhou parecendo não compreender algo. –Você vai mesmo dar aula para as crianças do bairro?
-Eu não sou um cara que conta mentiras, Sra. Chase. –eu gargalhei um pouco. –Viu? Eu não sou um predador procurando carne nova.
-Ah, me desculpe por pensar isso de você. –ela se desculpou, parecendo mesmo arrependida. –Bem, boa noite novamente, Sr. Jackson.
-Boa noite, Sra. Chase. –e então eu soltei as palavras de uma promessa que mudaria minha vida: — Te vejo amanhã.
Ela assentiu e entrou no seu apartamento.
Enquanto eu fazia uma corrida até a quadra de basquete, pensava naquela mulher. Eu tinha prometido a mim mesmo que apenas se envolveria com a minha futura esposa. Mas aquela loira me atraia, e ela poderia ser a mulher da minha vida, não é? Eu me contentei com aquela pequena conversa e troca de favores e me agarrei à esperança de que a veria no dia seguinte.
Notas finais
Comente aqui em baixo, é pra comentar mesmo, viu? Beijos e até o próximo =D
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