Te vejo amanhã
5 Capítulo V
Notas iniciais
“Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.”
Percy Jackson
Era uma sexta comum e com muita neve lá fora. O que ocasionou com que as escolas fechassem por precaução, para que nenhuma criança sofresse a uma nevada a caminho da escola, e para que as pessoas não ficassem nas ruas se sentindo atores do filme Um dia depois de amanhã. Não ocorreu nenhuma nevada e a neve cobria NY como em qualquer outro dia do começo de dezembro, sem nenhuma quantidade exagerada.
Annabeth fora trabalhar, o que eu admito ter me deixado muito decepcionado. Eu queria ficar com ela ali nos meus braços, enquanto dividíamos o nosso precioso café e sorriamos uma para o outro entre conversas entoadas em sussurros. Mas, como em todo o momento da minha vida, as coisas decidiram não cooperar. Ela foi trabalhar e eu fiquei em casa.
Ainda bem que o Jeremy tava’ comigo. Ia ser muito solitário ficar sem ele. Só pra explicar: o Jeremy foi, é e não sei por quanto tempo será, o meu primeiro, mas único violão. Era um Fender preto, com as cordas de aço mais bonitas que eu já tive o prazer de achar. Ele estava um pouco empenhado e as tarraxas para afinar já mostravam problemas pelo tempo de uso, mas eu não me importava e o som que saia dele continuava bonito.
–Take me down to the paradise city, where the grass is green and the girls are pretty. Oh, won’t to please take me home. –eu cantava baixinho a música do Guns N’ Roses, enquanto meus dedos deslizavam sobre as casas do violão.
Tenho que admitir, eu ficava empolgadão com o Jeremy. Esquecia da vida, do tempo, do espaço. Era uma sensação boa, que só perdia pra sensação que era estar com Annabeth, mas de resto nada superava. Continuei deitado no sofá, com os olhos fechados e batendo a cabeça como um doido no ritmo da música.
–Uau. –ouvi alguém dizer da porta. –Não sabia que meu namorado era um astro de rock quando eu não estava.
Abri os olhos e olhei para a porta. E lá estava ela, aquele ser peculiar que fazia meu coração palpitar com a mesma força que uma descarga elétrica de um raio. Ela sorria com aqueles lábios lindos naturalmente sempre tingidos levemente de vermelho. Ela estava com uma blusa social e saia preta. Parecia uma executiva, só que a mais sexy do mundo. E como essa linda beldade já tinha uma cópia da chave do meu apartamento, ela entrou de surpresa me pegando no flagra.
–Bem, você tem o seu ursinho de pelúcia, o Ted, e eu tenho o Jeremy. –disse olhando pro meu velho amigo.
–Você tem que dar nome pra tudo mesmo, Percy? –ela perguntou enquanto jogava a bolsa no sofá em frente a mim e se sentava ao meu lado.
–Esse é o espírito da coisa.
–É como é que você me chama, hein?
–Você eu chamo de amor. –tirei o Jeremy do meu colo o colocando no suporte dele ao lado do sofá, e a trouxe para ali. Soltei o cabelo dela, que estava preso em um coque, e lhe dei um beijo apaixonado. Quando terminei, eu disse: — Foi uma ótima declaração. Eu ganho direito a você fazer o jantar pra mim?
Balancei as sombracelhas e ouvi-a gargalhar, o que era um som maravilhoso já que pelo o que eu havia percebido, ela estava com um olhar triste. Ela passou a mão pela minha barba — que ela havia permitido que ficasse ali, desde que estivesse bastante curta e que não a incomodasse -, e sorriu um pouco triste logo em seguida. Aquilo doeu, como sempre doía quando ela estava pra baixo.
–Só depois que você cantar pra mim, rockstar. –ela disse rente ao meu ouvido. De uma forma sensual.
–Não vai ser rock, loira. Vai ser reggae. Pra eu te deixar leve como a muito tempo quero te deixar. –eu respondi no mesmo tom sensual.
A verdade é que nos sentíamos mais próximos um do outro. Seis meses juntos e nenhuma intimidade além dos beijos estavam me deixando louco e ela percebia. Mas o que me deixa feliz era que ela também queria. Ela me queria, cara.
–Essa é pra você guardar no coração. –eu disse enquanto pegava o violão e ela saía do meu colo e se sentava ao meu lado, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, tímida. –I wanna love you...
Os olhos dela brilharam e sua boca se abriu em um perfeito “O” quando me ouviu cantar. Eu era amador, sei nem que merda estava fazendo. Só deixei meus sentimentos na voz que nem achava tão boa assim, apesar de todos dizerem que é.
–... and treat you right. I wanna love you, every and every night. We’ll be together with a roof right over our hands. –eu continuei cantando.
Acontece que Is this love era uma música bonitinha, com uma letra romântica e fácil de tocar. Apenas cinco acordes, mas que naquele momento exibiam vários significados. Eu continuei cantando e ela continuou me olhando surpresa. Quando está perto de terminar, fiz um dedilhado final. Terminei e me inclinei tomando os lábios dela em um selinho.
–Mereço um jantar agora? –indaguei piscando um olho.
–Merece o jantar. –ela tirou o violão do meu colo e se sentou ali de frente pra mim. –Merece um beijo. –ela me beijou arrancando o meu fôlego. Se separou de mim me deixando ofegante e disse: –Você merece tudo.
–Eu quero esse tudo. –eu respondi a aquela indireta não tão indireta assim. –Mas eu quero de uma forma especial.
Ela sorriu de uma forma singela e contida pra mim. Acho que ela apreciou as minhas palavras. Annabeth encostou nossas testas e ficamos ouvindo o som das nossas respirações descompensadas por causa do beijo. Ela fechou os olhos e quando os abriu ele estavam voltados para baixo.
–Eu tenho que te contar uma coisa. –ela anunciou.
–Você pode me contar o que quiser. –respondi.
Ela deu um suspiro profundo.
–Não sei como ela arranjou o meu número, mas a minha mãe me ligou. –ela disse ainda olhando pra baixo. Sei que não deveria pensar besteira num momento delicado, mas ela estava olhando bem pro meu pau. E eu também não deveria dizer uma palavra feia dessas, por isso vou voltar pra história, olhando para os olhos dela e fingindo que não estava pensando essas coisas. –Ela me pediu perdão, Percy. Disse que foi tola em viver daquele modo e me sujeitar a aquilo. E até arranjou outro namorado.
Ela apoiava as mãos no meu ombro e batia ali de vez em quando. Eu sentia que realmente ela estava muito triste.
–E o que você disse?
–Não disse nada, Percy. O que eu iria dizer? –ela piscou afastando as lágrimas. –Eu a amo, com alguns ressentimentos, mas a amo. Ela me deu o telefone do meu pai, disse pra eu ligar pra ele. Ele quer me pedir perdão.
Eu a observei bufar e limpar as lágrimas com força sob os olhos. Eu dei um pequeno sorriso e segurei o rosto dela entre as mãos.
–Perdão não se nega, meu amor. E como eu já te disse várias vezes: magoas só faz mal pra quem guarda. –eu lhe dei um beijo na testa. –Se ele está arrependido, com toda a certeza vai fazer as coisas diferentes, afinal, isso sim significa arrependimento.
–Perseu Jackson e seus momentos de filosofia. –ela sorriu de lado. –Como não amar você?
–Eu também me amo.
Ela pareceu ofendida e me deu aquele costumeiro tapa no braço. A mão da mulher parece de aço, cara. Doida muito, mas eu sempre ria pra disfarçar a dor. Ela se levantou do meu colo e eu resmunguei, desgostoso. Ela foi em direção a porta e saiu provavelmente indo para o apartamento dela. Mas eu não me importei, ela estava pegando o costume de fazer isso todos os dias. Chegado do trabalho, tomava um banho em casa e depois vinha fazer o jantar junto comigo. E enquanto ela estava tomando o seu banho, eu guardei o Jeremy e peguei as panelas.
Ela voltou com um short de laica e uma regata azul. Ficou tão bonita que eu tive que controlar a vontade de pedir pra ela fazer sexo comigo. Às vezes eu me odeio por ser tão romântico com ela. Eu não era assim, gente. Jamais diria que “tinha que ser especial” quando a mulher tá’ praticamente suplicando sexo.
Balancei a cabeça pra espairecer os pensamentos. Estavam muito maliciosos naquele dia.
–Vai querer fazer o que? –perguntei a ela quando já estávamos na minha cozinha.
Ela sorriu pra mim. Estava com as mãos pra trás das costas desde que entrou no apartamento. Carregava traços de travessura no olhar. Ela tirou o que tinha de atrás das costas e eu quase chorei de emoção.
–Sanduiches do Subway? –perguntei extasiado, ela assentiu ainda sorrindo.
–E batatas do Mc’ Donald, que sei que você gosta, e daqui a pouco a pizza chega junto com o refrigerante que o entregador vai trazer. –ela emendou.
–O que aconteceu com o “você é professor de educação física e tem que dar o exemplo comendo coisas saudáveis”?
–Morreu quando o colesterol no meu corpo começou a implorar.
A abracei e lhe deu um beijo carinhoso na bochecha agradecendo.
°°°°°
O rosto de Annabeth estava tão cheio de maionese que parecia que ela havia se jogado em cima de fezes de pombo. Mas ela não se importava, e pra falar a verdade, eu também não. Gostava de vê-la sendo ela mesma, sem se importar com a aparência ou qualquer coisa do tipo.
Ela estava rindo do que eu falava. Era sobre a minha primeira surra no orfanato.
–Então, a velha que tomava conta dos pré-adolescentes, era um porre. Ninguém gostava dela. Então, um belo dia ela obrigou um garoto a limpar todo o refeitório com um esfregão porque, veja só, ele era um “neguinho favelado, que nem a família e nem a sociedade queria”. Aí eu fiquei bolado, só por causa da cor o cara tinha que ser humilhado? Eu me levantei, tirei os meus sapatos e taquei um na cabeça e outro nas costas da mulher. Disse pra ela que ela deveria parar de ser tão burra e ler sobre Martin Luter King Jr, pra saber o quanto é honrado ser de cor. E disse que era ela, com aquele bigode de Stalin e aquela barriga que deve ter mais bacon que porco preparado pra abate, que era quem a sociedade não aturava!
Annabeth gargalhou mais um pouco e eu pensei no efeito que fazia a ela. Ela havia chegado toda triste lá, e agora estava sorrindo e parecia feliz. E aquilo me deixava radiante também.
–Naquele época você já lia Martin Luter King, Percy? –ela perguntou limpando a maionese do rosto com as costas das mãos.
–Amor, as únicas coisas que li foram os livros da faculdade e os que li pra tentar te impressionar. –eu havia revelado a ela a bastante tempo que só fiz aquilo (ler tudo o que ela gostava) pra ela me achar legal. Ela sorriu quando soube e disse que foi fofo. –O que sabia sobre ele foi o que Sally me contou depois que terminamos de ver um filme.
–Você realmente a ama como mãe, não é? –ela perguntou fazendo carinho do meu cabelo enquanto eu me deitava no colo dela e dava a última mordida restante no meu sanduiche. –Você fala dela com tanto cainho.
–Ela não se importou se eu era um órfão problemático. Se eu era uma criança chutada e ignorada por qualquer outro adulto. Ela sempre trazia doces pra mim e eu às vezes cantava pra ela. Sally sempre dizia que não era pra mim se importar com o que eu diziam ou pensavam de mim, eu sempre iria muito mais longe que aquilo. –eu tive um flash nostálgico me lembrando de tudo. –Ela foi a única pessoa que me amou de verdade.
–Ela e eu. –Annabeth acrescentou rapidamente, como uma criança tentando competir com os colegas de turma para responder primeiro ao professor. –Não se esqueça de mim, Jackson.
Eu dei uma risadinha abafada pelo abraço apertado dela, que logo depois se transformou em um beijo.
–Eu não vou me esquecer. Nunca. –eu disse a ela.
De repente ela desviou o olhar. Eu não gostava quando ela fazia isso, nosso contato visual era quebrado e eu me sentia como se ela escondesse algo de mim. Mas na verdade ela sempre escondia algo mesmo quando fazia isso. O meu alívio era que ela sempre contava o que era depois.
–Eu preciso te contar uma coisa, Percy. –não falei? Ela sempre tinha algo a me dizer. –Eu acho que estou pronta.
–Pronta para o quê? –eu perguntei me levantando do colo dela e me sentando ao seu lado a encarando. Eu não gostava de tons dramáticos, sempre esperava o pior deles. –Você vai se matar?
Ela estapeou a testa e deu um grande suspirou. Eu não acho que falei besteira, gente. E se falei vocês têm que entender que ela usou o tom dramático.
–Não, cabeça de algas. Eu estou pronta pra outra coisa. –Ela disse a ultima frase um pouco mais baixo.
E tentei pensar em quê e de repente meu cérebro se ativou com a resposta: sexo. Ela confiava em mim o suficiente pra querer se entregar pra mim. E quando me toquei, eu sorri de uma forma contida, ainda absorvendo a ideia. Eu estava feliz pra caramba e não tinha nada a ver com saciar o meu prazer – tudo bem, não posso eliminar o prazer da felicidade. Porque só se aliviar no banheiro toda noite não estava dando conta-, mas a felicidade só era verdadeira por eu saber que ela me achava o cara.
Annabeth continuava com a cabeça baixa, os cabelos como uma cortina loira cobrindo o seu rosto e as bochechas coradas de vergonha, apesar de eu achar que não havia motivos pra isso.
–Você tem certeza? –eu segurei o rosto dela entre as mãos e a fiz olhar nos meus olhos.
–Como nunca tive na minha vida. –ela respondeu de forma firme.
E a beijei. Ela se deixou levar pelo beijo e eu a abracei como se não houvesse um amanhã para se viver, como se a minha vida dependesse daquele momento, aqui e agora. Acho que nenhum de nós dois percebeu que ela já estava sentada no meu colo, com as pernas uma de cada lado do meu corpo e com as minhas costas escoradas no sofá. Eu segurei o cabelo dela com força, mas com todo o cuidado pra não machucar, e apertava a cintura dela para grudar mais nossos corpos. Aquilo tudo era uma fusão deliciosa e, de repende, tudo ficou quente, mais quente que o fogo dos dragões.
Fui eu que interrompi o beijo. Mas não interrompi a nossa aproximação. Uma de minhas mãos ainda segurava os cabelos da nuca dela e a outra ainda envolvia sua cintura a trazendo mais pra mim.
–Eu vou fazer de tudo para você ter a melhor noite da sua vida. –eu sussurrei.
°°°°°
Annabeth Chase
Às vezes eu queria saber por que diabos o Percy tinha que ser tão romântico comigo. Depois do nosso momento agarração, ele disse aquela frase maravilhosa que fez meu corpo saltitar de excitação. Só que ele não pretendia fazer sexo comigo aquela noite, afinal, como ele mesmo disse, “tinha que ser tudo especial”. Eu sei que ele não quer ser como todos os outros homens ogros que eu tive na vida, mas ficar enrolando não era bom pros meus hormônios.
Ele disse pra mim voltar no dia seguinte, colocar uma camisola bem bonita e trazer os objetos de higiene pessoal, por que eu iria dormir lá naquela noite. Eu estava nervosa é claro, mas a palavra mais correta seria ansiosa. Se apenas um beijo daquele cara me fazia se sentir no céu, imagina a sensação de tê-lo dentro de mim, de sermos um só? Sem falar que eu o amava demais e aquilo deixava tudo mais excitante.
Eu toquei a campanhia do apartamento dele, torcendo para que nenhum dos velhos do corredor acordasse para me ver só de camisola. Percy abriu a porta uns segundos depois. Nem dei tempo dele processar quem era e já fui entrando.
–Uau. –ele disse com a boca aberta e me olhando dos pés a cabeça quando entrei no apartamento dele. –Eu sei que isso não é uma parada muito romântica de se dizer, mas você está gostosa pra caralho nisso aí.
–Sem palavrões. –eu o reprendi sorrindo logo em seguida. Fiquei na ponta dos pés para lhe dar um selinho. Eu o observei também. Ele estava simples como sempre, apenas de bermuda e chinelos, não tinha nem se preocupado em colocar uma camisa, o que me dava à visão do seu corpo definido pelo trabalho. –Você também não esta nada mal.
–Ah isso. –ele riu olhando para o próprio corpo. –Eu estava caçando uma blusa pra colocar, mas você chegou antes de eu a encontrar.
–Desculpa barata, Percy.
–Não, não é. –ele disse segurando a minha mão e me puxando para a sala. –Depois de eu acidentalmente ter dormido a tarde toda, tive que arrumar isso aqui às pressas e depois me enfiar no banho. Já que o meu quarto é pequeno pra nós dois.
Confesso que eu perdi o fôlego quando vi o chão da sala. Primeiro deixe-me detalhar a vista do apartamento dele: era linda, a mais linda do nosso prédio, já que na sala havia um grande vidro fume que dava pra se ver toda NY. Agora vamos ao chão da sala: eu nunca vi algo improvisado se sair tão bonito. Percy havia colocado o colchão de casal, que pertencia a sua cama muito espaçosa para um quarto tão pequeno como o dele, ali no chão. Junto com alguns travesseiros e edredons. Preciso dizer que era tudo azul? Sim, era tudo azul, com tons intercalados entre o claro e o escuro.
–São os 50 tons de azul. –Percy sussurrou no meu ouvido quando percebeu que eu olhava para os lençóis.
Foi uma piada muito ruim, mas eu gargalhei mesmo assim. Não sei se era por estar nervosa ou se era por aquela sensação boa de se sentir amada.
–Senta aí. Eu buscar algo no meu quarto e já volto. –ele disse já desaparecendo pelo corredor.
Eu me sentei naquele mar de cobertores azuis e o esperei voltar. Minhas mãos trêmulas não paravam quietas. Não sabia o por que do nervosismo, já que eu nem era mais virgem. Porém isso devia ser algo natural de toda mulher, então não dei muita atenção a minha estranheza.
Percy voltou com uma caixa preta média e me entregou.
–O que é isso? –eu perguntei já abrindo a caixa e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
–Isso é o nosso livro. –ele respondeu.
Quando finalmente abri a caixa, vi que lá dentro tinha um diário. A capa era preta e de couro e ao lado dela havia uma caneta com tinta autentica preta. Parecia uma daquelas de escritos medievais.
–Como assim “nosso livro”, Percy?
–Simples, Annabeth. O seu sonho é escrever um livro, não é? E já tem até os escritos deles. Mas esse aqui seria algo nosso, confidencial, um livro que só eu e você iremos ler. –Percy pegou o diário das minhas mãos e escreveu nele com a caneta preta com a tinta reluzente.
–E o que vamos escrever nele? –eu indaguei, curiosa.
–Frases de superação, baseadas nas situações que tivemos na vida. Mostrar com nossas palavras o quanto superamos tudo com esperança e o quanto sempre arranjamos força para nós levantar quando a vida nos dava uma rasteira. –ele respondeu dando de ombros, como se aquelas lindas palavras fossem coisas insignificantes.
Eu olhei o que ele havia escrito na primeira folha do diário. E com sua letra de maquina, que por incrível que pareça havia saído bonita.
As palavras eram: “Por”, espaço para a minha assinatura e a assinatura dela.
Eu assinei o meu nome acima do nome de Percy.
–O que sugere ser escrito na primeira página, senhor filosofo? –eu perguntei em um tom brincalhão.
–Que tal falarmos sobre amor, hein? O quanto o amor pode fazer a nossa vida mudar da água para o vinho.
–Sobre o quanto nossos sorrisos, até mesmo os contidos, são os mais verdadeiros possíveis. –eu acrescentei.
–Sobre o quanto o abraço de quem a gente ama pode curar qualquer dilema interno dentro de nós. –Percy completou.
Sorrimos um para o outro e eu consegui encontrar as palavras certas para escrever na primeira página.
“Problemas de um possível retardamento mental, suspiros dados sem motivo algum e sorrisos capazes de aquecer até as montanhas frias do Tibé? Cuidado! Isso pode ser amor! Mas não se assuste, o amor é assim mesmo. Torna o mais forte fraco e o mais fraco forte. Preenche os buracos da alma, mas quando desperta a saudade, deixa um abismo no peito. Faz você sorrir e permite que algumas lágrimas caiam do seu rosto ao mesmo tempo. Cura só com um abraço e deixa enfermo somente com um beijo. Ele é contraditório, irônico, mas acima de tudo, necessário. E quando você pensar que ainda não alcançou loucura suficiente, não se engane. Afinal, a maior loucura que o ser humano comete todo ano, é confessar em voz alta um simples ‘Eu te amo’”
Quando terminei de escrever, Percy já estava perto o suficiente de mim. Um de seus braços envolvia-me em um abraço de lado e seu nariz sentia o cheiro dos meus cabelos. Ele sorria a cada palavra que eu ia ditando e depois escrevendo. Ele sussurrou até que eu realmente tinha o dom. E talvez eu tivesse mesmo, porém, para escrever palavras tão bonitas como aquela, somente com um namorado como aquele.
–Chega de escrever por hoje. –eu anunciei e ele soltou uma risadinha rouca.
–Sim. Chega. –ele me virou para ele, jogou o diário e a caneta no sofá e segurou meu rosto entre as mãos. –Eu ainda quero te dar a melhor noite da sua vida.
Meu coração palpitou forte e minha respiração ficou entrecortada.
–E eu ainda quero que você me proporcione isso. –retruquei.
Os olhos dele sorriram pra mim e sua boca se juntou a minha em apenas alguns segundos depois. Os seus braços fortes ao meu redor, foram me deitando na cama lentamente enquanto sua língua ainda fazia mágica em contato com a minha.
Quando minhas costas tocaram o colchão macio, minhas pernas involuntariamente se enroscaram na cintura dele. Eu mesma o trouxe para perto de mim, sentindo sua ainda eminente ereção. Ele desceu os beijos para o meu pescoço, depositando tudo o que sentia na minha pele exposta. Sua língua fez um caminho subindo do colo do meu peito até o meu queixo, onde ele finalizou com um beijo molhado.
–Falar isso é loucura mesmo, porque eu nunca me senti tão vulnerável na minha vida... –ele disse baixinho enquanto sua testa estava apoiada no vale entre os meus seios. –Mas eu te amo. E eu te amo mesmo, de uma forma que eu nem tento explicar.
–Então não tente, Percy. Apenas mostre. – eu disse a ele e me livrei das alças da minha camisola. –E você tem uma boa oportunidade aqui.
Ele sorriu e todo o atrevimento que eu sei que ele estava contendo, veio à tona. Suas mãos apertaram as minhas coxas e ele dava leve mordidas no meu pescoço. Percy encontrou a barra da minha camisola e a puxou para cima, afoito. Eu o ajudei a tirar e ele rosnou aprovando o fato de eu não estar usando sutiã. Suas mãos foram para os meus seios, os apertando com firmeza,mas com cuidado para não me machucar. Aquele toque... ah, aquele toque era algo único. Eu gemi por causa das caricias.
Sua língua encontrou o bico do meu seio esquerdo e sua boca o engoliu e chupou tudo o que conseguia. De uma forma lenta, torturante e completamente sensual. Quando se deu por satisfeito, ele sorriu e assoprou, fazendo ficar mais rígido ainda e então foi fazer o mesmo com o outro. O meu corpo se contorcia de prazer debaixo dele e as minhas coxas se esfregavam em uma das coxas dele posicionada no meio das minhas pernas, buscando algum atrito. Ele estava excitadíssimo, de onde eu estava dava pra ver a sua enorme ereção.
Quando ele acabou com os meus seios, foi descendo os seus beijos para o meu ventre até chegar a barra da calcinha. Assustando-me logo em seguida, já que ele rasgou o tecido como se fosse papel. Ele levantou um pouco o tronco para me obsevar. Ele não me olhou por muito tempo, confesso, mas foi por tempo suficiente para eu corar de vergonha por estar tão exposta.
–Tão linda, tão quente, tão doce... E ainda assim fica com vergonha? –ele disse, praticamente lendo os meus pensamentos.
–Você não está me olhando de uma forma que ajude muito. –eu disse baixinho o fazendo rir.
–É por que eu te desejo muito mais do que já desejei outra mulher e muito mais do que algum dia eu vá desejar. –ele introduziu um dedo em mim. –E porque, finalmente, você é minha.
Ele desceu seu rosto pra entre as minhas pernas e eu gemi muito alto quando senti que ele estava chupando o meu clitóris. Agarrei os cabelos dele e o empurrei mais para ali. Como ele podia ser tão bom? Maldição! Do jeito que eu gritava iria acordar todos os vizinhos.
Sua língua substituiu os seus dedos e me penetrou arduamente. Quer saber? Que se dane os vizinhos. Aquilo era bom demais para ser contido. Eu cheguei ao meu ápice com um grito estupidamente alto, perdendo o meu fôlego e deixando Percy com um ego inflamado pela performance. Aquele tinha sido um orgasmo tão bom, que a minha excitação escoria pelas minhas coxas e ele como um namorado atencioso me limpou... Com a língua, devo acrescentar.
Eu tentava controlar a respiração enquanto ele se livrava do short e da cueca ao mesmo tempo. Eu me apoiei nos cotovelos para observa-lo e ele me olhou de volta com um sorriso. Puxou-me e me abraçou enquanto me beijava e colocava uma de minhas pernas em volta da sua cintura, fazendo com que seu membro roçasse minha intimidade, me excitando novamente e me preparando para um segundo orgasmo. Eu podia sentir minhas bochechas corarem novamente, mas dessa vez não era por causa da vergonha, era por causa do calor que eu sentia com o corpo dele junto ao meu.
Percy estendeu uma mão e pegou algo que estava no sofá. Eu nem tinha reparado, mas ele tinha deixado uma camisinha ali. Eu a peguei das mãos dele e me afastei um pouco para colocá-la em seu membro. Quando os meus dedos tocaram a região, os olhos dele se fecharam e um suspirou escapou de seus lábios enquanto eu terminava de colocar a camisinha.
Depois que terminei, ele me deitou novamente do colchão e abriu as minhas pernas se posicionando entre mim. Percy me penetrou lentamente, afinal fazia muito tempo que eu não tinha relações sexuais e era um pouco incomodo pra mim, ainda mais por estar fazendo com alguém com o tamanho dele. Quando me acostumei com a sensação, eu joguei meu quadril contra o dele e ele começou a estocar. Fundo, rápido e forte, com toda sensualidade e o amor selvagem que o sexo permite.
Os cabelos bagunçados dele ficaram molhados de suor em poucos minutos e os grunhidos altos denunciavam que ele estava bem próximo. E não demorou muito para que chegássemos ao ápice juntos e aquilo me surpreendeu, nunca havia acontecido aquilo com o Crag, possivelmente porque ele só pensava no próprio prazer.
Percy rolou para o lado reclamando do calor e se levantou indo até o banheiro jogar a camisinha fora. Eu fiquei ali, deitada e enrolada nos cobertores até o pescoço, sorrindo como uma idiota. Ele voltou na mesma velocidade com que tinha ido e também se enroscou nos cobertores deitando-se ao meu lado.
–Deve estar fazendo 10° negativos lá fora e aqui parece que está mais quente que o inferno. –eu comentei.
–Só que eu acho que o inferno não é tão divertido. –ele disse sorrindo.
–Não, não é.
Ele estendeu um dos braços pra mim e eu entendi o recado. Apoiei minha cabeça no peito dele, depositando um beijo ali. Meu quadril estava um pouco dolorido pela força do amor, mas era uma dor boa e eu nunca me senti tão feliz na minha vida. O sorriso bobo parecia não querer deixar os meus lábios.
–Eu tinha razão em te achar especial. –disse a ele.
–E eu nunca me senti tão feliz por acreditar em algo. –eu não sei que tipo de paixão ele nutria pelos os meus cabelos, mas ele os acariciou e os cheirou, como tinha feito milhares de vezes no tempo que estávamos juntos. –Eu amo você.
Eu não tive forças pra responder, estava cansada demais. E quando me dei conta, meus olhos pesados já tinham se fechado e minha respiração se acalmado. Percy me abraçou com firmeza e seu rosto de segundos em segundos se encostava ao meu. Sua barba curta fazia minha pele se arrepiar por aquela sensação de estar pinicando. Eu gostava daquilo, apesar de tudo.
Quando eu senti que o sono já estava me levando para longe dali, permiti que umas últimas palavras saíssem da minha boca.
–Percy... –o chamei e senti ele beijar a minha testa mostrando que estava ouvindo. –Acho que eu já sei o que vou escrever no nosso livro amanhã.
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