Te quero
29 Pegos no flagra!
Notas iniciais
– Mas então Ju, vai fazer mesmo o ensino médio lá nosso colégio? – indagou Pata animada. Por mas que a mesma amasse o namoro de seu irmão com Mili, nunca teve diferenças com Julia.
– Séria ótimo, mas uma para o grupo. – disse Bia, simpaticamente.
– Não sei ainda cunhada, sabe como minha mãe é, ela prefere um colégio próximo de casa e aqui, para ela, é o fim do mundo. – respondeu ela. – Mas vou fazer de tudo para vir, eu vou adorar ficar perto dos amigos do Mosca. – completou ela.
– Sonsa. – disse Vivi num tão baixo, que apenas Pata havia escutado. – Diga para a gente... você e o Mosca já transaram? – perguntou Vivi descaradamente.
– Vivi!!! – exclamaram as meninas juntas.
– Sem noção. Isso é coisa que se pergunte para uma pessoa que acabou de conhecer? – indagou Bel, rindo.
– Ah gente, colaborem, eu só perguntei o que todas vocês querem saber e, nem adianta negar. Eu sei. – respondeu Vivi naturalmente.
– A única compulsiva em sexo aqui Viviane, é você. – retrucou Bia. A conversa foi interrompida por um som que sinalizou que havia chegado mensagem para alguém.
– Foi o meu. – comunicou Julia. – É mensagem de texto do Mosca.
Mensagem On:
Olá amor, estou com um pouco de dor de cabeça. Vim aqui no pátio pegar um ar. Estou te esperando.
Beijos, Mosca.
Mensagem Off:
– Ele não disse que ia ao banheiro? – questionou Pata.
– Disse sim. Bem, vou lá ver se ele está bem. Pode me levar até lá Patrícia? – pediu gentilmente.
– Claro. Já voltamos meninas. – comunicou Pata, antes de se retirarem.
– Meu deus Vivi, onde estava com a cabeça? Deve ter assustado a menina. – reprendeu Bia.
– O que tem de tão escandaloso nisso gente? Eu fiz uma pergunta comum e, também ela tem uma cara de puta, já deve der dado muito na vida dela. – rebateu Vivi.
– Dá licença. – falou Bia, impressionada com as palavras de Vivi. A mesma, havia se tornado rebelde depois que seu pai casou com Shirley, pois dizia que ele não se se importava mas com ela e com a Tati. Ela mudou o seu estilo menina para uma coisa meio gótica, meio rockeira misturado com umas peças curtas e provocantes. Ela já não se via como uma menina de 14 anos, mas sim, uma mulher com vida própria e no direito de tomar suas próprias decisões. Com tão pouca idade ela já bebia, sai pela madrugada sem o consentimento de seu pai e já não encarava o sexo como algo especial e responsável.
No banheiro...
– Puta que pariu Samuca, quase me matou do coração. – gritou Cris, ao vê-lo parado em sua frente. Em questão de segundos, sua expressão assustada mudou e agora assumia a vergonha, deixando a completamente corada. – Ai caralho... você escutou toda a conversa, não escutou? – concluiu ela envergonhada.
– Sem querer, mas escutei. – respondeu ele, indo até a pia lavar suas mãos.
– Por favor, não fale a ninguém, é algo pessoal. – pediu ela.
– E eu tenho alguém para falar? – perguntou ele. – Pode ficar tranquila, eu não fofoqueiro, seu segredo está seguro comigo. – completou ele terminando de lavar as mãos.
– Obrigada. – agradeceu com um sorriso. Algo nos braços de Samuca chamou a atenção de Cris: marcas de cortes, por todo o seu antebraço. Por se branco, as marcas estavam gritantes e, também havia algumas mais avermelhadas, o que dava a entender que foram feitas a pouco tempo. – Não, eu não estou acreditando... Samuca do céu. – disse ela pegando seu braço e puxando seu casaco até o cotovelo, revelando mais marcas.
*******
– Nossa Patrícia, bem que o Mosca me contou, o Orfanato é gigantesco e, muito bem cuidado. – elogiou Julia.
– Realmente, a nossa diretora da um duro para manter tudo sempre confortável para nós, digo, para os moradores. – respondeu ela.
– Você sente muita falta daqui mesmo, da para ver em seus olhos. – afirmou Julia. — Seu irmão diz como é difícil a convivência com a tia de vocês.
– A nossa tia não tem estruturas para cuidar de dois adolescentes, ela só deve esse interesse repentino por causa dos benefícios que ela teria. – disse Pata inconformada.
– Deveriam conversar com a diretora daqui, talvez ela poderia ajudar vocês... – opinou Julia.
– Já pensamos nisso, só que a Carol – a diretora – é bastante ocupada e, tem muitos problemas do Orfanato para resolver e um problema de fora, só vai piorar as coisas. – afirmou ela. – Bom, agora mudando de assunto, gostou de conhecer o pessoal daqui? – concluiu Pata.
– Adorei! Eles são uns amores e me receberam muito bem, só a Vivi que eu sinto que não foi muito com a minha cara. – respondeu ela rindo. – E a Mili, bem que vocês falaram, ela é uma... descarada. – gritou Julia ao ver o seu namorado aos beijos com a mesma.
– Puta merda Mosca. – falou Pata, chamando a atenção dele e de Mili, que se separaram imediatamente ao ver as duas presentes.
– Eu não posso acreditar nisso... eu não pensava que fosse capaz disso Mosca. – decepcionou-se Julia. – Achei que fosse um bom rapaz, mas, me provou ao contrario. – concluiu ela.
– Amor, me desculpa, não é o que estar pensando...quer dizer, é, mas... – falou, tentando se explicar porém ele só estava complicando mas o seu lado.
– E você, Milena, é uma ótima atriz, sabia? Se fez de boa moça, uma pessoa sensata... eu realmente acreditei no seu teatrinho. – falava a garota com a voz firme, mas seus olhos estavam cheios de água e estavam tristes. – Não se passa de uma fingida e biscateira, em outra linguagem... uma Puta! – nesse momento, quando as lagrimas passaram a escorrer, ela partiu com tudo para cima de Mili.
******
– Meu deus, que gritaria é essa? – indagou uma menina.
– Não sei... parece que está vindo dali. – apontou um menino, em direção ao pátio.
– Cris. – chamou uma outra menina. – Pode ficar aqui um instante?
– Precisa de alguma coisa Carla? – perguntou se aproximando.
– Não, obrigada. E que estamos estudando uma gritaria vindo dali... – disse apontando para o pátio. – Acho que pode estar rolando uma briga. – concluiu, deixando Cris tensa.
– Ah sim, obrigada por me avisar. Vou conferir. – falou ela, saindo dali e indo ao pátio. – Ai meu pai do céu, que não seja uma... Briga. – concluiu ela, arregalando os olhos, se deparou com Mili e Julia no chão, se estapeando, enquanto Pata e Mosca tentavam separar. – O que está acontecendo aqui?
– Longa historia amiga, longa historia... – disse Pata. – Ajude o Mosca, vou chamar alguém capaz de separar elas. – comunicou ela, saindo correndo após.
******
– Ei, Bia. – chamou alguém. A mesma virou para trás e viu que não havia ninguém. Achou estranho porém, voltou a caminhar até o quarto das meninas. – Bia! –chamou novamente a voz dessa vez num tom baixo. Ela conhecia a voz mas não conseguia identificar a quem pertencia.
– Quem é? Apareça logo, não estou para brincadeiras. – gritou ela tentando ser firme.
– Calma, sou só eu. – respondeu a pessoa, a puxando pelo pulso para dentro do quarto das meninas, totalmente escuro. – Olá.
– Me larga. – ordenou ela irritada. – Você tem algum problema? Isso é brincadeira que se faça, Binho?
– Foi mal... eu só estava me divertindo. – falou ele entre risos.
– Ah é? Divertido vai ser quando eu dar um tapa na sua cara. – retrucou ela irritada.
– Eita, calma, já parei. – disse ele sentando-se na cama de Vivi. – Precisamos conversar... e dessa vez não vai fugir. – concluiu ele, deixando Bia tensa.
Pov autora:
As meninas continuavam se estapeando no chão, só que agora o pátio estava lotado. Cris e Mosca não estavam conseguindo separa-las, a coisa estava feia.
– Dá licença... – pediu Pata, tentando chegar ao local da briga com ajuda. – Caralho, sai da minha frente. – disse perdendo a paciência.
– Mili, larga o cabelo dela... – pedia Cris enquanto tentava a soltar.
– Vai Rafa, ajuda o Mosca porque, a Cris e nada é a mesma coisa. – falou Pata.
– Ei, me respeita, hoje é meu aniversario e ainda estou tendo que separar uma briga. – retrucou ela.
– Vai pra lá Cris, deixa comigo. – pediu Rafa.
– Gente, o que houve? Porque elas estão brigando? – perguntou Bel chagando junto de Vivi e Janu.
– Para de ser burra Bel, claro que é por causa do Mosca. – respondeu Vivi.
– Cala a boca Vivi, não estava falando com você. – retrucou Bel, deixando a mesma com cara de tacho. – Então Pata, o que rolou?
– Gente, parem de ser fofoqueiras, o que aconteceu não é da conta de vocês... Agora, me deem licença. – falou irritada.
– Sua vagabunda, fura-olho... – gritou Julia quando Rafa e Mosca, finalmente, conseguiram separa-las.
– Maluca, bruta, favelada... – retrucou Mili, que estava bastante vermelha e com alguns arranhões no rosto.
– Julia, por favor, vem comigo. – pediu Mosca na tentativa de tira-la dali.
–Tira a mão de mim. Eu não vou a lugar nenhum com você, vá ficar com a sua amantezinha de bosta, eu não quero que você olhe mais na minha cara, eu não quero que me procure nunca mais, entendeu Mosca? Está tudo acabado. Eu te odeio. – falou ela, antes de deixar o pátio correndo, chorando.
– Parabéns Mosca, meus parabéns. Conseguiu o que queira, me fazer sentir culpada, por seus erros, por sua cabeça dura. Covarde é isso o que é, por não encarar seus sentimentos e seus problemas de frente. Agora, graças a sua atitude, me fez passar por uma briga desnecessária e ainda perdeu uma das pessoas que mais te amavam. Me da licença. – Mili cuspiu as palavras na cara de Mosca e, depois se retirou. Sendo seguida por Pata.
*****
– Nós não temos nada para conversar Binho, quantas vezes vou ter que repetir isso... – afirmou Bia.
– Como não temos? Depois do que nós aconteceu não olhamos um na cara do outro e, infelizmente, essa memoria não me deixa em paz. – disse ele.
– Aquilo foi uma bobagem e, já deveria ter esquecido. Deveria estar preocupada com seu namoro com a Ana, isso sim é importante. – retrucou Bia firme.
– Eu zelo pelo meu namoro com ela, eu gosto muito da Ana, só que... depois do que aconteceu as coisas mudaram e eu acho que o nosso namoro, bem, não esteja me fazendo mas tão bem. – afirmou Binho.
– Não brinca comigo, vocês se amam e formam um casal tão lindo. Sofreram tanto para acabarem juntos e agora vem com essa para cima de mim? Sai dessa.
– Eu não quero iludir a Ana, eu não brincaria com algo tão serio como os sentimentos de alguém. Eu já aguentei o máximo que eu podia, me desculpa. – falou ele, baixando o rosto.
– Não deve pedir desculpas a mim, mas sim a Ana. Por favor Binho, pense mas um pouco... não quero ser o motivo do fim de relacionamento de alguém, ainda mas quando essa alguém é a minha melhor amiga. – pediu Bia, se ajoelhando a sua frente. – Olha para mim, o que aconteceu entre a gente foi uma aposta, sabe disso. Não devia ter levado a serio.
– Eu também não esperava que sentiria algo por você Bia, logo você... – dizia ele enquanto coçava a nuca. – e, eu sei que também sentiu alguma coisa se não, não teria me ignorado tanto tempo.
– Já deu pra mim, eu vou descer para a festa, o Marcelo deve estar sentindo minha falta. – disse ela. – Você vem?
– Vou, mas antes, me respondeu uma ultima coisa? – perguntou ele. Bia revirou os olhos. – Qual é a sua com esse Marcelo?
– A minha com “esse Marcelo” não é da sua conta, como o seu namoro com a Ana não é da minha, ok? Beijos de luz. – respondeu ela, antes de se retirar.
Algumas horas mais tarde...
A festa havia terminado. Bem, depois da briga, tudo voltou ao “normal”. O clima ainda estava estranho e o assunto ainda era o mais comentado. O Mosca havia ido embora, ido atrás de Julia, que saiu transtornada por ai e Mili foi para sua casa, acompanhada de Pata.
No orfanato...
– A Mili envolvida numa briga foi inédito. – disse Teca rindo. – Pena que eu não consegui ver a briga, gente baixa é foda.
– Olha a boca garota, você ainda nem menstruou direito. – provocou Rafa, fazendo todos rirem.
– Ai que engraçado, estou morrendo de rir. – falou Teca irônica. – Vou ir para o meu quarto, que é melhor do que olhar para essa sua cara de boco.
– Oh Tati, liga ai para o papai e avisa que a gente vai dormir aqui. – pediu Vivi.
– Bonitinha, você tem dois braços e duas mãos graças a deus, pode muito bem ligar você. – disse Tati mexendo no celular.
– Larga de ser imprestável, está com o celular na mão e eu estou com uma voz de bêbada do caralho, acho que pode ser capaz dele sentir o meu bafo pelo telefone, do jeito que são os pais são. – afirmou Vivi.
– Vem cá, quem convidou vocês para dormirem aqui? – perguntou Thiago. – É que eu não me lembro de ninguém aqui ter convidado.
– Você quer que suas amigas vão embora a essa hora correndo o risco de ser assalta...da? Que horror thiaguinho. – respondeu Vivi jogada no sofá, totalmente bêbada.
– É, também não me recordo de ser amigo de vocês. – disse Thiago.
– Acho que não tem problema da gente ficar também né Bia? – questionou Pedro. – Bia? – cutucou ele. Ela estava aparentemente confusa, estava pensativa com algo.
– Gente, eu estava pensando numa coisa... – disse Bia, voltando a orbita e, ignorando seu primo. – Antes da Julia ir lá pra fora e flagrar os dois ela recebeu uma mensagem... do Mosca, falando que ela para ir encontra-lo no pátio. Ele não ia cavar a própria cova, seria muita burrice... – concluiu ela confusa.
– Então, está querendo dizer que não foi ele que enviou a mensagem? – questionou Cris.
– Exatamente. – afirmou Bia. – Só pode ter sido isso gente... armação. Alguém armou para cima dele e da Mili, alguém queria que a Julia pegasse eles juntos. – concluiu Bia, deixando todos intrigados.
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