Te dou o meu amor, mas você não se importa
1 No próximo verão ele não estará lá
Notas iniciais
"No próximo verão ele não estará lá"
— Isso basta para mim. – Admitiu, enquanto apertava firmemente a cintura de Tsukishima em um abraço. — Eu não estarei aqui na próxima vez, Kei.
Sim, ele sabia. Kuroo não precisava lembrá-lo, todos os outros pareciam fazer isso incontáveis vezes, como se tudo estivesse acabando, todos iriam morrer naquela noite, por acaso?
— Você fica fofo assim, – Disse Kuroo, atraindo seu olhar. Logo atrás dos dois podia-se ouvir a algazarra que uma pequena festinha que alguns dos clubes de vôlei tinham preparado para despedida deles, os veteranos. — Ei! Não fique me olhando assim, eu fico com vontade de tocá-lo, sabia?
Tsukishima não queria respondê-lo. O silêncio parecia a melhor resposta para tudo. Já não tinham ido longe demais? Parecia tão errado, ele deveria estar longe de Kuroo, evitá-lo, entretanto estava ali, desejando que ele o tocasse. Quase chorando por algo que não compreendia direito, “quase chorando” por razões estúpidas.
— Só agora, eu não quero esconder o que parece tão errado para nós – Ele disse. — E depois eu irei embora. Tudo voltará ao normal, Kei.
A mão dele estava em seus cabelos louros, brincando com os fios curtos. Aonde aquela mão tocava ele se sentia cheio de vida, esquentando, uma sensação agradável. E ele não deveria gostar.
— Nós.. – Sua voz pareceu absurdamente fraca naquele momento. — Não podemos ficar juntos?
— Ah.. Kei – Sentiu os lábios dele próximos de sua bochecha. — Não temos jeito, não temos solução.
Ele sabia disso também, e sabia que não tinham mais que uma ou duas páginas juntos, meros rascunhos malfeitos. Não havia final para aquilo, sequer tinha um início, a estupidez dos dois criou tudo aquilo e agora teriam que demolir tudo.
— Me desculpe. – Ele pediu. — Eu não voltarei para sua vida depois disso, esse momento é o suficiente para mim. Não precisamos de muito mais que isso.
E Tsukishima aceitou.
No dia seguinte, Kuroo despediu-se apenas com um “estou indo”, e com toda a certeza nunca mais iria vê-lo. Não chorou, ou correu atrás do outro garoto. Aceitou, sentado e com os pés firmes no chão.
Quando voltou para casa, agindo como sempre. Escondendo tudo aquilo só para si, trancado em seu quarto, permitiu-se finalmente desabar.
“Isso que sentia era o tal de amor? Todos aqueles sentimentos iriam embora algum dia? Ele iria esquecer Kuroo com o tempo? Assim como os raríssimos momentos que estiveram juntos, à sós e fingindo que nada daquilo os afetava?”
Ele lembraria sim, “estou indo”, Kuroo despediu-se dele daquela forma. Tsukishima despediu-se com um “eu te amo, Kuroo”.
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