Notas iniciais
Obrigada a todos que estão lendo essa história, é uma história curto, então acredito que só terão mais 2 caps. Espero que gostem e aproveitem

Adrien voltava para casa depois de uma viagem mais longa que o esperado, seu corpo ainda doía um pouco, mas isso não importava mais, seus olhos verdes brilhavam de ansiedade, ele estava louco para contar ao seu pai não só sobre as vendas de tecidos e roupas, como também tudo que tinha aprendido com Plagg. Paris era uma cidade bonita e de se admirar, mas Adrien procurou passar o mais rápido possível pelo centro para não chegar em casa o mais atrasado do que já estava. E quando chegou houve agitação por parte dos empregados, foi recebido por Gorila, o tratador de cavalos e, normalmente, condutor das carruagens. Entrou na casa, encontrou Nathalie, assistente de seu pai.

— Adrien! – Disse preocupada. – Onde você esteve? Seu pai está louco procurando você em cada canto da cidade, como pode sumir desse jeito?

— Desculpe... Eu sofri um acidente no caminho de volta para casa...

— Acidente!? – A mulher se preocupou mais.

— ADRIEN! – Gabriel viu o filho do topo da escada e desceu correndo para vê-lo. – Onde você esteve? O que aconteceu para ter demorado tanto?

— Eu sofri um acidente no caminho voltando para a casa, me machuquei, mas um bom homem cuidou de mim. – Adrien estava com um grande sorriso na boca ao mencionar Plagg.

— Que bom que está bem agora. – Disse rápido, colocou a mão envolta do ombro do filho. – Vamos, tem muitas coisas que quero discutir com você, estava pensando em um novo tipo de mercadoria...

Enquanto o pai falava de as suas ideias, Adrien só conseguia ter saudades de Plagg, da casa dele, dos animais dele, e daquela sala cheia de estantes. E quanto mais pensava nisso e mais o pai falava de negócios mais Adrien ficava confuso ele tinha dúvidas, sabia que o pai não gostava de perguntas, mas, porque ele não tinha demonstrado qualquer tipo de felicidade ao saber que seu filho estava vivo? Adrien sabia que seu pai era frio. Nathalie havia dito que Gabriel havia lhe procurado em todo lugar, bom não era a primeira vez que ela mentia para encobrir o pai. Adrien tinha diversas questões, teve de controlar sua língua, fazendo isso, lembrou que Plagg respondia suas questões, algumas bem disposto, outras meio entediado, mas ainda assim respondia.

— Adrien... Filho. – Gabriel chamou a atenção. – Está distraído. – Disse com o olhar de sempre, sério e rígido.

— Ah! Desculpe, eu apenas estava apenas pensando... – Falou ainda distraído.

— Tudo bem, mas preste atenção quando eu estiver falando, não se esqueça filho, tudo que digo, mostro e ensino é para o futuro, para o seu futuro.

Mas você nem perguntou o que eu quero para o meu futuro, Adrien pensou.

— Lembre-se que tudo, que fiz em vida ficará para você, estou te ensinando para que não estrague tudo quando sua hora de assumir tudo chegar.

— Pai eu estou um pouco cansado, pela viagem. – Deu uma desculpa, só para sair um pouco da companhia de Gabriel.

— Oh! Sim, vá para o seu quarto, hoje teremos um jantar de negócios, o rei se interessou pelos nossos tecidos e irá trazer a filha dele para provar algumas roupas também, então descanse bem.

Adrien assentiu e foi para o seu quarto, batendo a porta atrás dele, deitou na cama e ficou olhando para o teto, pensando em várias coisas, mas principalmente pensava o porquê estava tão triste, seu pai sempre fora assim com ele, exigente, controlador, e ele deveria saber que seria assim. Porém Gabriel não quis saber de como fui a viagem, nem o quanto ele conseguiu vender, não perguntou sobre o acidente ou sobre o machucado, nem com quem ou aonde ele ficou todos os dias. Afinal seu pai se preocupava com ele, não é? Agora não sabia dizer. Isso o deixava não só triste, mas frustrado por não ter percebido isso antes.

Uma hora se passou e Adrien decidiu tomar um banho, para poder relaxar um pouco, estava pensativo, exausto fisicamente e psicologicamente, sua vida inteira ele tinha certeza de que seu pai se preocupava, se importava, o amava, mas agora não tinha tanta certeza assim. O rapaz adormeceu em meio a sua confusão, por cansaço, mas logo foi acordado por um chacoalhar em seu ombro. Era a Nathalie

—Está na hora de se arrumar para a chegada do rei. – Disse em um tom calmo, não querendo acorda-lo completamente.

— Tá, obrigado por me acordar, já desço – Disse com voz rouca.

Adrien ainda ficou longos minutos olhando pra o teto, repensando em suas conclusões anteriores e como seria dali para frente, agora que ele tinha percebido tantas coisas sobre seu pai, respirou fundo e levantou da cama. Logo começou a se arrumar para o encontro com o rei e a princesa. Colocando uma de suas roupas mais elegantes, algo que realçava sua cara de “bom menino” e os olhos verdes. Quando terminou foi para a sala de jantar, que estava mais bem decorada que o normal, claro por causa da chegada do rei.

— Se comporte. – Gabriel apareceu do lado do filho, estava o alertado.

— O que importa? – Falou olhando e mexendo no anel que Plagg deu, quase como um sussurro, mas o pai ouviu.

— O que disse? – Perguntou como se Adrien o tivesse ofendido.

— Nada. – Deu de ombros, não estava com animo para falar ou para escutar.

— Adrien não se atreva. – Gabriel mais uma vez alertou.

— Não me atrever a que pai? – O rapaz não iria aguentar aquela vida, a vida que o pai queria para ela. – A ser eu mesmo? A perguntar sobre algo? A não aceitar tudo que o senhor diz para mim?

— O que aconteceu com você? – O Agreste mais velho estava surpreendido e o mais novo só se irritava cada vez mais.

— Tem razão, o que aconteceu comigo? – Respirou fundo. – Eu nem sei mais o que ainda estou fazendo aqui... Esse lugar já não é mais o mesmo.

— Filho, o que aconteceu? Se me disser... – Gabriel encostou no ombro de Adrien que rapidamente tirou.

— Qualquer coisa que eu diga não vai importar para você. Afinal nada pode fugir do seu controle. – Adrien se virou e começo a caminhar rápido para a saída.

— Aonde pensa que vai? – Gabriel esbravejou o seguindo com passos fortes.

— Vou para longe de você.

Adrien abriu a porta de sua casa, indo até os estábulos, com o pai gritando atrás dele, isso não o incomodou nem o parou, sabia que Gabriel logo desistiria, afinal um possível comprador importante estava prestes a chegar. Nenhum dos empregados tentou pará-lo, estavam ocupados demais preparando os últimos retoques para a chegada do rei e isso só deu mais tempo para o rapaz colocar a sela no seu cavalo e sair da sua casa. Correu para fora da cidade, cavalgava por entre as ruas de Paris, minutos depois estava nos campos, duas horas depois já tinha saído do território parisiense.

O rapaz não tinha pensado muito nessa fuga, só sabia que estava fazendo seu cavalo correr por aí sem rumo, horas se passaram e Adrien ainda estava na estrada, será que seria melhor voltar? Seu pai ficaria preocupado com a fuga dele? O que ele faria? Adrien sacudiu forte a cabeça, já desacelerando as galopadas, se sentindo um tolo, afinal já não era mais uma criança para ter aquele tipo de atitude. Quando olhou para frente Adrien se sentiu perdido e sozinho, onde estava?

Parou o cavalo imediatamente, não sabia em que direção seguir. Uma ponta de desespero apertou o coração de Adrien, girou a cabeça, olhando para todos os lados, era noite, e naquela escuridão qualquer coisa podia acontecer, ladrões, sequestradores, animais selvagens, eram tantas as possibilidades ruins de se encontrar. E em meio ao seu conflito Adrien olhou para o Anel e rezou: Por favor, eu não tenho mais para onde ir, só quero um lugar para ficar em paz.

Pediu com todas as forças que podia, e seu anel brilhou verde, uma cor coberta de esperança, o que lhe deu alguma paz e um pequeno sorriso nos lábios. Agora Adrien sabia para onde deveria ir, e por estar sem a carroça o não demoraria muito para chegar até onde queria. Voltando ao galope o rapaz refletiu um pouco e achou engraçado, inconscientemente já estava indo para aquela cabana simples, aconchegante e curiosa, pois não demorou para que Adrien visse a Floresta Joie, eram tantas árvores, todas iguais, o que fez seu coração apertar, como ele encontraria a casas de Plagg? Era uma casa que se mesclava muito bem com a floresta! Ou melhor era uma casa protegida por magia, que não deixava ninguém de fora dela saber que estava lá.

Então o brilho do anel de Adrien se intensificou, e de repente seu cavalo começou a correr, sem dar espaço para reação, o rapaz apenas segurou o pescoço do animal, o mais forte que podia, sem espaço para refletir o que havia acontecido, quando seu cavalo parou Adrien estava lá. Ele estava de frente a cabana, com um Plagg olhando de forma gentil e feliz.

— Sabia que não iria conseguir ficar muito tempo sem mim, garoto – Disse sorrindo.

Plagg sabia sobre o pai de Adrien, sabia que esse menino não conseguiria ficar muito mais tempo com o pai, o homem ficou feliz ao perceber que o mais novo tinha escolhido voltar para aquela casa, mas ficava triste ao perceber que o filho não queria mais saber de Gabriel. Mas Adrien não sentia esse remorso, não naquele momento. O rapaz pulou de seu cavalo e correu até ficar frente a frente com Plagg, o encarou, queria abraça-lo, mas não sabia se podia, até que o homem acariciou de forma fraternal a cabeça do rapaz, que percebeu que podia abraça-lo, e assim o fez.

— Eu, não quero, não quero voltar para casa. – Disse como uma criança chorosa. – Não quero mais ficar preso daquele jeito.

— Eu sei que não... – Plagg sorriu, desfez o abraço. – O que você quer fazer?

Aquela pergunta o espantou um pouco, era a primeira vez que alguém perguntava e que queria realmente saber o que ele desejava fazer. Adrien pensou um pouco, tinha vontade de ser livre, sabia que queria ser mais que um comerciante de tecidos e roupas, poder fazer algo realmente diferente, e sabia que só teria isso com a ajuda de Plagg.

— Quero que me ensine. – Disse com convicção.

— Ensinar?

— Me ensine magia. – Disse com mais convicção.

— Você está louco garoto? Você não estará livre aprendendo magia, as pessoas não compreendem o que essa ciência faz! A igreja e a coroa nos perseguem como se fossemos pragas.

— Mas com a magia, terei como me defender, me proteger. – Insistiu.

— NÃO PARA SEMPRE ADRIEN! – Plagg gritou assustando o rapaz, quando percebeu o que fez respirou fundo. – Entre, tenho uma história para contar.

E assim os dois entrar na casa, o loiro ainda estava chocado, Plagg nunca foi de gritar, era cansativo demais. Adrien reparou que a lareira estava acessa e que tinha leite esquentando no fogo.

— Sabia que eu viria? – Perguntou Adrien ao reparar na casa.

— Sim. – Disse brevemente.

— Como?

Plagg apontou para o anel no dedo de Adrien.

— Essa joia emana um sinal de magia próprio, forte o suficiente para qualquer mágico perceber. Não é uma joia comum, algo que um mago faz para quem ele se importa, para quem ele quer proteger.

Adrien olhou para o anel e ficou feliz, ele não poderia ter recebido um presente melhor de alguém. Plagg separou duas canecas, colocou leite quente nas duas e um pouco de mel, deu uma para o rapaz e o convidou a sentar em uma das cadeiras, ele sentou e o homem sentou ao seu lado.

— Ah muito tempo atrás. – Plagg começou a história. – Quando eu ainda era um jovem feiticeiro, tinha acabado se despertar o meu animal interior e estava avido, querendo ter mais conhecimento sobre magia, não era o único, eu estava acompanhado de cinco amigos e de Tikki. – Plagg parou a história, foi para os fundos da casa, e voltou com um desenho na mão, entregando para Adrien, era de uma mulher linda. – Todos nós éramos jovens, e nosso mestre, Mestre Fu, era um velhinho simpático e sábio ele tinha nos ensinado tudo, durante anos. Quando não tinha mais nada para ser aprendido nos separamos, cada um foi para um canto, menos eu e Tikki, nós ficamos juntos.

Ela era a única que aturava o meu jeito, não reclamava do meu Camembert, a única que me completava. Construímos essa casa, e lançamos um feitiço para esconde-la, eu era tão feliz, a vida era calma. Existia uma pequena vila não muito distante daqui e Tikki se aproximou dessa vila, e algo ou alguém naquele lugar a encantou, no começo eu fiquei desconfiado, com ciúmes, mas logo comecei a frequentar a vila com ela, por anos, levávamos remédios, éramos muito próximos de uma família de padeiros de lá, os Dupain-Cheng, Tom, Sabine e a Pequena Noite, e como Tikki era encantada por aquela menininha. Um dia não pude ir com minha amada para a vila.

Horas se passaram e eu comecei a achar estranho, minha amada não tinha voltado, fui para a vila, preocupado. Chegando lá, não tenho palavras para descrever o que senti, mas o que vi, vi Tikki amarrada em uma fogueira completamente consumida pelas chamas. – Plagg contava com os punhos cerrados, com muita raiva e tristeza, como se ainda estivesse no momento. – Enquanto homens de batina rezavam para “salvar a alma” de uma mulher que tinha se vendido para o diabo, minha raiva me consumiu, pensei “Temem o diabo, mas sou eu que lhes mostrarei o próprio inferno” Então, sem que pudessem me perceber ali, queimei aqueles malditos homens de batina e aquela igreja.

Foi só quanto tudo já estava em chamas pude perceber a minha atitude estúpida, minha grande atitude estúpida e irracional, contribui para a péssima reputação dos mágicos e senti a reprovação de Tikki nas minhas costas. Voltei para casa e fiquei isolado esse tempo, até você chegar e bem... Aqui estamos... – Terminou com os olhos vermelhos, que seguravam o choro, e uma expressão que ia além da tristeza.

— Ah...

No fim da história Adrien não tinha palavras, estava reação, olhava espantado, nunca imaginou que Plagg, um homem que parecia não se importar com muita coisa, e que não era de ficar se incomodando, era capaz disso. Plagg é um homem bom, Adrien sabia disso, mas ele não sabia que o amor era capaz de fazer, afinal, nunca tinha experimentado o amor verdadeiro. Já Plagg amou tão intensamente que, após a morte de Tikki, perdeu a razão e isso acabou fazendo ele ser um monstro para as pessoas daquela vila.

— Há quanto tempo isso aconteceu? – Adrien perguntou.

— Alguns anos, na verdade, não faz tanto tempo. Talvez cinco anos. – Adrien pensou um pouco, se levantou e colocou a mão no ombro de Plagg.

— Que tal? Vamos recomeçar? – Disse sincero, Plagg sorriu.

— É o que estou tentando há anos.

— Plagg, entendo sua preocupação, entendo o que aconteceu com você, mas eu quero aprender magia. Quero me livrar do meu pai, e com magia, penso que isso será mais fácil. – Sorriu. – E mais legal. Mas não apenas isso, quero ser como você!

— Não cometa os mesmos erros que eu rapaz... – Plagg suspirou.

— Não vou! – Adrien deu certeza. – Aprenderei com os erros e me tornarei uma pessoa melhor! – Estava determinado, não valia a pena discutir, Plagg bofou.

— Está com energia garoto?

— Cheio. – Animou-se.

O homem voltou para dentro da casa, levando o desenho de Tikki e voltou com o livro fino que Adrien tinha pego da primeira vez que esteve aqui. Foleou um pouco o livro e olhou sério para o rapaz.

— Para começar a aprender magia você deve descobrir e libertar seu “animal interior”, sua alma irá se dividir, e garoto, isso dói mais do que imagina.

— Estou preparado para isso.

Não falaram mais, Plagg levou Adrien para fora da casa, desenhou um pequeno círculo no chão, pediu para o rapaz entrar nele, abriu o livro em uma das últimas páginas, entregou para o loiro.

— Ensaie, não deve ter nenhum erro quando você falar.

Enquanto o homem voltava para dentro da casa, Adrien lia o texto na sua frente, não era muito comprido, mas estava escrito em uma língua estranha para ele, mesmo assim conseguiu ler e ensaiar. Plagg voltou trazendo um frasco com um líquido transparente e começou a derramar em cima do desenho de círculo que havia feito.

— O que é isso? Que língua é essa?

— Esse líquido é um produto mágico, feito de um conjunto de ervas, sua diferença é que qualquer pessoa pode fabricá-lo. Para realizar a magia de divisão de alma é necessária uma língua antiga e morta, no caso, latim, sendo único feitiço que precisa disso. As palavras escritas aí não vão só separar sua alma, vão mistura-la com a essência da terra. O líquido é necessário para fazer o processo, responsável pela conexão magica que haverá.

— Qual será o meu animal?

— Nunca se sabe, até vê-lo formado, seu animal é invisível para quem não tem magia, quando você se torna uma pessoa mágica ele sempre estará do seu lado, a verdade é que no mundo da magia existem dois mistérios, o animal é um.

— Qual é o outro? – Plagg apontou para o anel de Adrien.

— As joias, sabemos como fabrica-las, como colocar magia nelas, mas não sabemos todas as suas funções. Alguns dizem que quanto maior o afeto da pessoa que fez a joia para com a pessoa que recebeu a joia, mais forte a proteção e a magia serão, mesmo depois da morte da pessoa que fabricou. Conto sobre isso mais tarde.

— Posso começar? – Perguntou ansioso.

— Deve. Se concentre, tente perceber a energia de cada coisa que o cerca, sinta. E depois pense no seu desejo mais forte. A dor que irá sentir será, não só sua alma se dividindo como um teste, desvie sua atenção dela. Não se preocupe nem todos conseguem uma primeira vez, aliás são poucos que conseguem.

— Quantas vezes você tentou?

— Eu consegui a primeira vez. – Se gabou.

Adrien, só respirou fundo, e lembrou de cada palavra de Plagg, fechou os olhos e se concentrou, aos poucos consegui sentir, percebeu o chão sobre seus pés e o quão imenso ele podia se estender, as árvores ao seu redor e a altura que elas podiam ter, o homem que estava a sua frente, a grande energia que emanava dele. Pode sentiu que tudo ali, ao redor deles, tinha energia, que tudo era vivo e que estavam aprendendo a respeitar tudo, entendendo que cada elemento tinha sua função.

—Diga as palavras. – Plagg o avisou com um tom suave.

Suas palavras eram:

Et participes animam meam. / Da minha alma partilho.

Participes mea essentia mihi. / Da minha essência partilho.

Ego frui volunt terrae. / Quero da Terra desfrutar.

Usus illorum donum. / Das suas dádivas usar

Gaia cum magica petere ut benedicat mihi. / Peço a Gaia, me abençoe com sua magia.

Conforme dizia Adrien sentia uma dor lacerante no peito, como se uma mão estivesse dentro de seu peito esmagando seu coração, agulhas estivessem perfurando seu pulmão, como se fogo estivesse queimando sua garganta, pensou em desistir, até lembrar que tudo era um teste. Parou um pouco suas palavras e continuou pensando em sua liberdade, pensando no que aprenderia, pensando que finalmente faria algo que gostasse. Até que acabou.

Quando abriu os olhos viu um gato preto de olhos verdes faiscantes na sua frente, flutuando, estava ligado ao coração de Adrien por uma espécie de fio branco, o rapaz tentou tocar mais não conseguiu, com sua mão atravessando o gato, mas sentiu algo embrulhar no seu estomago.

— Eles são feitos de energia, não dá para tocar, só para senti-los. – Explicou Plagg. – Vamos, você ainda tem muito caminha pela frente. – Se virou para entrar na casa.

Quando Adrien começou a segui-lo, ainda impressionado, melhor, maravilhado com seu animal, olhou para Plagg, que como ele, tinha um gato o acompanhando. Adrien sorriu.