Te Vivo

43 12. A Dor É Real - 3 fase


Bella POV:

Meus medos se tornaram nulos quando eu vi o sorriso no rosto de Edward. Ele estava feliz. E amava nosso filho. Alice teve um surto quando soube que Rosalie escondia tudo. E quase me matou. Nossos pais ficaram felizes. Era o primeiro neto. Obvio que Charlie quis matar Edward, éramos muito jovens e ainda estávamos na faculdade.

Emmett ficou pasmo ao saber que engravidei na lua de mel. Digamos que não fizemos amor uma única vez. Ele deveria saber disso. Isso era constrangedor.

Eu não pude mais fazer a fisioterapia. Por recomendação de Claire. Meu estado era bem critico.

Apesar de Edward ser super protetor ele não estava mais me pressionando tanto o que eu agradecia. Ele estava preocupado dava para perceber.

Mas de uns tempos para cá ele começou a agir de maneira indiferente.

As coisas ficaram... Estranhas

[...]

Eu estava naquela cama fria com a camisola de hospital. Claire passava aquela gosma transparente e melada. E logo eu podia ver o meu bebê.

Olhei sorridente para Claire ao ouvir o coração de “Anthony”. Mas ela não sorriu. Fiquei preocupada.

–Claire? Está tudo bem com meu filho? – Perguntei. Ela suspirou e desligou o aparelho.

–Se vista Bella, queria conversar com você. – Murmurou e eu assenti.

Limpei minha barriga com cuidado, eu era extremamente delicada nessas horas, e me vesti. E minutos depois eu já estava de frente a Claire.

–Bella eu não sei como te dizer isso... Acho que seria melhor contar ao Edward primeiro. – Disse tristemente. A olhei nervosa.

–O que? Por favor, não me esconda nada. – Pedi suplicante.

–Ao que parece o cordão umbilical do bebê está enrolado em seu pescoço. Eu não havia visto isso antes, mas agora está muito claro. Isso pode matá-lo. – Disse e eu engoli a seco e continuei ouvindo. – Corre o risco de ele nascer prematuro e pode haver complicações no parto... Eu sinto muito.

–Não há como resolver isso, não é?

–Apenas tome bastante cuidado. Os que eu recomendei, siga eles sempre a risca. Não podemos fazer intervenções radicais, entende? Só... Eu fico bem abalada quando pego alguns desses caso por que...

–Por quê? O que Claire?

–Bella, serei sincera com você. Você pode morrer no parto. – Disse e eu arfei.

–Pode me explicar direito o que aconteceu? – pedi em um sussurro.

–A presença de circulares cervicais de cordão varia de acordo com a idade gestacional, sendo muito mais comumente encontrado em gestações mais avançadas, principalmente naquelas com mais de 32 semanas de evolução. – Ela disse e mordi os lábios. -A presença de circulares de cordão umbilical é um desses assuntos que muitas gestantes compreendem pouco e causam mais ansiedade. – Fez uma pausa. -Porém já está bem evidenciado que não trazem maiores prejuízos ao recém-nascido, inclusive, muitos médicos não aconselham a pesquisa da presença de circulares de cordão durante o exame ultrassonográfico de rotina, já que isto não irá modificar a conduta obstétrica. – Explicou. – No seu caso é mais complicado por que além da gravidez ser de risco por ser muito nova, aconteceu isso. – Disse.

–Não há como pelo menos salvar ele? – Perguntei.

–Teríamos que escolher entre você e ele, Bella. Na verdade a escolha é somente sua e de Edward. Eu sinto muito. – Disse e eu suspirei. Passei as mãos pelo cabelo.

(James Vincent McMorrow — Ghosts)


Como diria isso a Edward?

Dirigia com extremo cuidado até o prédio do nosso apartamento. Sempre me perguntando como isso pode acontecer. De fato eu nunca pensei que iria ser mãe, mas agora tudo me pareceu tão certo. Eu já o amava tanto, ele era um pedaço de Edward dentro de mim. E por mais que eu quisesse negar isso a mim, jamais veria seu rosto.

Nasci para morrer. Eu duvidei disso por muito tempo. Eu superei alguns desafios que o destino me propôs. Eu aceitei a morte depois de um longo tempo, Edward interferiu e me salvou. Mas agora estava tudo nas mãos de Deus.

Eu só queria que ele enviasse alguém para cuidar dos meus garotos quando eu fosse embora. Alguém que amasse e cuidasse de Anthony e que me substituísse no coração de Edward.

Meus pais, meus sogros, meus amigos, meu marido e meu filho. As pessoas mais importantes da minha vida. Eu iria perder tudo. Eu iria salvar Anthony. Jamais ficaria viva sabendo que deixei meu filho morrer. Era melhor Edward tê-lo consigo uma parte de mim, do que eu viva. Pois tenho certeza que seria como se eu não estivesse.

Nunca superaria a perda. E provavelmente morreria de angustia e ficaria louca.


Talvez do lugar para o qual eu for quando morresse poderia ver os dois e velar sua felicidade. Talvez eles pudessem sentir que eu estou presente. Só espero que Edward aceite minha decisão.

Ninguém iria passar por cima de mim. Meu filho ficaria e eu iria.

Cheguei em casa as quatro da tarde. Fui direto para o banheiro e tomei um banho para amenizar minha tensão. Não conseguia raciocinar direito.

Arrastei-me até a cama, e me encolhi. Abraçada aos meus joelhos, fiquei olhando para o lençol da cama e sentindo as lagrimas escorrerem de meus olhos.

As tentativas de conseguir me mexer foram totalmente frustradas. Eu não sentia nada abaixo ou acima de mim. Era como se a qualquer momento fossem o arrancar de mim.

Terceira chance é pedir demais? Eu não queria morrer sem ver o rosto dele. Se eu o visse antes de ir seria perfeito. E bastaria.

Aceitar.

Alice não iria mais me levar ao shopping e reclamar de meu senso horrível para moda. Rosalie não seria mais minha confidente. Emmett não faria piadinhas sobre minha vida sexual. Jasper não me acalmaria. Meus pais não teriam mais única filha. Edward teria um motivo para continuar mesmo que eu fosse. Confuso? Exatamente assim que eu me sentia.

Antes eu queria morrer... Agora eu queria sobreviver a isso, eu tinha algo por que lutar agora. Uma família. E eu lutaria por ela até meu coração parar de bater. Porque é isso que se faz quando ama, faz sacrifícios. Mas se eu tivesse que escolher entre viver e salvar meu filho... Eu não pensaria duas vezes.

Toquei minha barriga.

–Você vai ficar bem... Você irá ser feliz com seu pai. –Sussurrei esperando pelas lagrimas grossas que vieram sem hesitar.

Corri para o banheiro e coloquei tudo que eu havia comido e não comido hoje para fora. Respirei fundo, me direcionando a pia para lavar a boca.

Acabei por me despir e entrar no Box. A água morna do chuveiro me fez estremecer, afinal eu estava com a temperatura baixa.

Entrar para Harvard sempre foi um sonho inalcançável para mim. Afinal, eu não tinha esperanças para a cura, eu nunca acreditei que eu teria um doador.

Mas eu estou aqui; casada, fazendo Direito e grávida. O destino pode ser tão irônico, ao mesmo tempo em que ele lhe dá o que (você) quer, ele tira o que você tem de mais precioso, isso quando não lhe dá escolhas que podem ser realmente dolorosas.

Apoiando-me a parede, fechei meus olhos e tentei não pensar no que aconteceria daqui a quatro meses.

Eu venci o bullying, me curei da leucemia, voltei a andar, mas ao que parece a morte ainda me persegue. Ao me secar vi uma imagem minha diante ao espelho, tão espantosa quanto quando eu estava com leucemia e meus cabelos caiam ao escová-los.

Vesti a lingerie e coloquei o roupão por cima para depois analisar-me, a palidez e o cansaço visível em meu corpo. Os seios e ventre que antes eram pequenos agora estavam avantajados devido aos quatro meses de gravidez. Com os dedos trêmulos toquei minha barriga.

Fechei meus olhos e senti dois braços me envolvendo, quente e macio. Relaxei os músculos ao perceber que era Edward, mas a vergonha ainda era presente, mesmo depois de termos feito tantas coisas um tanto... Intimas. Respirei fundo e me virei de frente para ele que sorriu. Seria uma pena se eu não pudesse retribuir esse sorriso.

–Precisamos conversar. – Disse olhando em seus olhos verdes, que ficaram tristes ao perceber meu tom de voz.

Arfei.

–Aconteceu algo com o bebê? – Perguntou preocupado. Eu olhei para o lado fechando os olhos, pensando em uma maneira de contar a ele que de agora em diante estava sozinho.

–Sim... Edward hoje eu fui à minha obstetra e não recebi noticias boas. O cordão umbilical está enroscado no pescoço de Anthony... – Disse aos sussurros, ele arregalou os olhos. – Claire disse que ele pode nascer prematuro devido às complicações... E mesmo que ele sobreviva, eu terei de morrer para que isso aconteça.

–Por favor, Bella. Diz que isso é mentira. – Há essa hora eu o via chorando e cada vez mais o aperto em meu peito aumentava.

–Eu sinto muito. – Edward me abraçou gentilmente e eu desfaleci nos seus braços.

A dor que antes tivera sido abafada por ele, voltou com o dobro de força e agora me matava por dentro e por fora. Pedia a Deus que me enviasse um sinal de que eu só estava sonhando e que no final veria minha família completa perto de mim.

Desculpe Edward...

Notas finais
Eu acho que esse foi o capítulo mais triste da fic e eu não quero falar muito sobre ele. Partiu meu coração ao escrevê-lo e lê-lo. Eu não sei... é complicado demais para falar.

Bom, eu vou ter que escrever os outros capítulos... Faltam uns 6 caps para a fic terminar, vocês vão adorar o finalzinho. Eu sei que vão. Me doí muito ter que me despedir de TV... Foi minha xodozinha ... Mas tenho uma noticia para vocês. Irei reescrever a fic. Não sei quando, mas eu vou. Espero vocês a lendo novamente ein?

Beijo

Julie