Te Encontrei
8 Outra vez
Notas iniciais
Estou na minha cama. Olha para o relógio, são 8 horas da manhã. Ainda estou com sono. Afundo a minha cara no travesseiro na tentativa de conseguir dormir novamente.
Você prometeu ir ao jogo, agora irá. Meu subconsciente lembra.
Sim, puta merda. Me levanto e vou para o banheiro tomar uma ducha rápida. Assim que saio do banheiro, vejo uma nova mensagem no celular. É a Luana.
– Estou pronta. Chego ai em 10 minutos.
– Ok.– Respondo a mensagem e guardo meu celular no bolso da calça.
Desço as escadas em direção a cozinha. Todos estão reunidos na mesa: Meus pais, Adam, Ash e tio Luke. Minha mãe está fazendo panquecas enquanto meu pai está tomando seu café. Adam está com seu mini game, e tio Luke lendo jornal. Ash esta sentado na mesa apenas comendo algumas torradas.
Gente de mais nessa casa, digo em meus pensamentos. Entro na cozinha.
– Bom dia, Eric. — Minha mãe diz assim que me vê. — O que faz acordado a essa hora?
– Vou para a escola. — Respondo me sentando para tomar meu café.
– Pensei que não teria aula. — Meu pai entra na conversa.
– E não tenho. Só vou para ver o jogo de futebol que haverá lá.
Meu pai me olha um pouco surpreso.
– Desde quando você gosta de assistir futebol?
– Não gosto. Só to indo acompanhar a Luana.
– Está explicado. — Meu pai olha para Adam que está concentrado no mini game. — Adam, largue esse mini game e tome seu café da manhã, ou irá se atrasar para o colégio.
Adam solta um suspiro e larga o mini game.
– Luana é aquela que veio aqui ontem? — Ash pergunta.
– Não interessa a você.
– Eric! — Minha mãe se intromete.
– Oi. — Respondo a ela.
– Me conte mais sobre esse jogo, Eric. — Meu pai come um pedaço de torrada. — Me passa a manteiga
– É uma competição entre as cinco escolas daqui da região: Ariann, Coates, Heisei, Matitano, Pedro III, e o nosso, Feliciano. — Passo a manteiga a ele.
– É tipo uma copa — Agora tio Luke entra no assunto.
– Mais ou menos. — Falei.
– Eu também quero. — Adam diz a meu pai. Ele passa a manteiga para Adam.
– Nosso colégio que vai sediar o jogo. — Continuei. — Pois é a única escola da região que tem espaço suficiente para receber bastante alunos.
– Já aconteceu algo parecido na minha época de escola. — Ele e a minha mãe já estudaram no colégio onde eu estudo. — Eu era do time do colégio.
– Sério? — Adam pergunta com brilho nos olhos.
– Uhum. — Meu pai responde a ele, sorrindo.
– Jogava em qual posição? — Ash pergunta a meu pai.
– Eu não era um jogador. — Meu pai fala.
– Goleiro? — Perguntei.
– Mascote. — Ele fala. Todos começam a rir. — Não entendi a graça. Sem um mascote, o time não é nada.
– Claro. — Tio Luke diz. Meu pai lança um olhar para ele, e tio Luke segura o riso. — Desculpa.
– Tudo bem. — Meu pai fala. Minha mãe leva algumas panquecas para a mesa — Sua mãe também era do time.
– Líder de torcida. — Ela fala.
– Ui. — brinquei.
– Como a líder de torcida se apaixonou por um mascote? — Tio Luke pergunta, debochando.
– Da mesma maneira que Elena se apaixonou por você. — 1X0 Meu pai.
– Essa doeu. — Falei.
A campainha toca.
– É a Luana. — Me levanto da cadeira e vou atender a porta.
Luana está toda gata, mas nada exagerado: Uma jaqueta xadrez preta e vermelha, com uma blusa do AC/DC, calça jeans azul escura e um all star preto. Seu cabelo está perfeito. Sempre liso, com suas mechas roxas. Como ela faz isso? Mesmo cedo ela está linda. Sempre está.
– Como estou? — Ela ainda pergunta.
– Ta linda. — Ash responde, de surpresa. — Oi Luana.
– Oi. — Luana responde a ele, sorrindo.
Ash está mesmo afim da Luana ou é brincadeira?
– Ash, cai fora. Luana está namorando. — Falei.
– Estou? — Luana me olha sem entender
– Sim. — Falei, olhando para ela. Dance conforme a musica.
– Não tem problema. Não tenho ciúmes. — Ash fala, sorrindo
Aff...
Luana sorri para ele. Ele sorri para ela. Ela se vira para mim.
– E ai, vamos?
– Vamos. — Falei. — Estou saindo! — Gritei para meus pais ouvirem.
– Tchau Lu. — Ash se despede de Luana, com um sorriso ridículo no rosto.
– Tchau. — Ela reponde a ele. E então, nós saímos.
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Minha mãe engravidou de mim quando ainda era jovem. Não na adolescência, mas era jovem e havia casado com meu pai a pouco tempo.
Quem olha para meu pai, um cara de aparecia séria, com uma barba bem feita, de terno e gravata, nunca imaginaria que ele já foi um adolescente magro, com o rosto repleto de espinhas e com roupas muito estranhas (Embora na época, o pessoal se vestia um pouco estranho mesmo).
Meu pai e minha mãe se conheceram no meu colégio, na época de colegial deles. Meu pai diz que foi amor a primeira vista. Mas, tinha medo de dizer o que sentia por ela. Medo de ser rejeitado por ela.
Minha mãe disse que, desde o começo, já sabia que meu pai estava afim dela. Ele vivia encarando-a.
– As vezes sentia até medo. — Disse ela. — Embora soubesse que ele era tímido de mais para me fazer algum mal.
Três anos depois da escola, meus pais se encontraram novamente. Na época, meu pai trabalhava como garçom.
Foi a minha mãe que tomou iniciativa.
Ela disse que ia sempre no restaurante só para vê-lo. Até que um dia ela o convidou para sair.
– Não sei o que ela viu em mim. — Disse meu pai. — Eu era um cara magro e estranho.
Minha mãe não liga para a aparência de uma pessoa, e sim pelo que ela é (Mesmo ela tendo as suas paranóias de parecer jovem). Acho que esse pensamento eu herdei dela. Sempre tento conhecer melhor uma pessoa, como ela é por dentro, e não por fora.
Meu pai pediu minha mãe em namoro no momento em que o resto dos seus amigos só queriam apenas ficar com garotas por uma noite. Depois de alguns anos Bum! Eles se casaram, de depois de um mês Bum! Eu nasci.
Meus pais nunca disseram para mim e nem para Adam que nascemos por acidente. Mas nenhum de nós foi planejado.
Nenhum dos dois estavam prontos para ter um filho. Achavam que era muita responsabilidade para eles. Mas, eles decidiram que me teriam.
– Lembro que seu pai passou mal quando viu você saindo dentro de mim — Minha mãe falou.
– Eu não me lembro disso. — Meu pai tentou se defender.
– Então você não passou mal? — Minha mãe perguntou com sarcasmo.
– Eu apenas comi uma coisa que não me fez bem naquele dia. Só isso.
Lá para os meus 5 anos, meus pais se deram conta de que ter um filho não é tão trabalhoso. Nós não somos ricos nem nada, tínhamos uma casa própria, tínhamos o que comer, o que vestir, e eu estava crescendo saudável e feliz. Então, eles decidiram ter outro bebê.
Os amigos do meu já achavam loucura meu pai ter um filho naquele momento, mas quando souberam da noticia de que a minha mãe estava grávida novamente foi a prova viva de que meu pai era pirado.
– Você foi como um experimento, Eric. — Disse meu pai a mim. — Um experimento bem sucedido. Você nos mostrou que o acaso pode nos proporcionar uma coisa boa.
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A escola estava mais cheia que o normal. Algumas pessoas se encontravam no pátio, outras já estavam indo para a quadra. Encontramos o Pedro em uma roda com os amigos. Ele já estava vestido com o uniforme do time de sua escola.
– Oi Pe — Luana o abraça.
– Pensei que não viria. — Pedro diz a ela.
– Claro que viria. — Ela sorri, e ele sorri para ela. — Ah, esse é o Eric. Você já o viu, na festa, lembra?
– Claro. — Ele estende a mão. — Como vai?
– To legal. — Aperto a mão dele.
– Muito bem. — Ele sorri. — O jogo já vai começar, é melhor vocês irem logo para arquibancada antes os lugares acabem.
Luana concorda com a cabeça.
– Te vejo depois do jogo. — Ele diz a ela, pegando em sua mão. Ela sorri, toda boba.
– Ok. — Ela responde.
Vamos em direção a quadra.
– E ainda diz que não está apaixonada. — Falei.
Ela sorri, ainda enfeitiçada pelo amor.
Sentamos na arquibancada, que já se encontrava um pouco cheia. Todos estavam esperando o jogo começar. O tempo estava nublado, mas mesmo assim estava lindo.
Sinto vontade de comer algo.
– Acho que vou na cantina comprar alguma. Estou com fome. — Me levanto calmamente.
– Tudo bem. Mas não demora, o jogo já vai começar.
Saio indo em direção a cantina.
...
A fila estava enorme. Fico por ali uns 15 minutos até ser atendido. Compro um refrigerante e um pacote de salgadinho. Observo que todos já estão indo em direção a quadra. É melhor eu correr, ou perco meu lugar. Acelero meus passos. Viro o corredor e...
– Droga! — Esbarro em alguém, e acabo derrubando meu refrigerante. Não só isso, mas acabo derramando um pouco de refrigerante na minha blusa. — Muito obrigado hein. — Disse, observando a mancha na minha blusa.
– Desculpa. — A pessoa diz.
Essa voz...Ergo minha cabeça...Você...
– Opa. — Gustavo me olha levanta a sobrancelha, surpreso. Um sorriso toca seus lábios e seus dentes brancos e perfeitos aparecem. — É, parece que o nosso destino é nos esbarrar por ai — Ele brinca.
Estou corado. Porque estou corado? Ele é apenas mais um idiota.
– Você ta legal? — Ele pergunta, me observando com seus brilhantes olhos castanhos claros
– To... — Respondo. — To legal.
– Eric... Certo? — Ele pergunta.
– Sim. — Uau...Ele ainda lembra do meu nome.– Tem uma boa memória.
– Que nada. Sou péssimo em gravar nomes. — Passo pelo mesmo problema...
– Entendo. — Deixo escapar um sorriso. Para de sorrir, idiota!
– Desculpa por ter derrubado seu refrigerante. — Ele coça a cabeça, sorrindo envergonhado. — Se você quiser, eu te pago outro.
– Não precisa. Está tudo bem — Não está tudo bem, mas deixo isso passar porque eu sou legal. — Não estava com muita cede.
Ele sorri, um pequeno sorriso de lado. Ele fixa seu olhar claro em mim. Quero desviar o olhar, mas estou preso.
– O que faz aqui? — Ele pergunta inesperadamente. — Pensei que não gostasse de futebol. — Não é possível que ele lembra até disso.
– Não gosto. — Falei. — Mas estou... — Ele não espera eu completar minha resposta.
–...Acompanhando sua amiga? — Ele sorri.
– Exatamente — Dou um pequeno sorriso. Observo que ele está uniformizado para jogar. — Não sabia que jogava no time da sua escola. — Sabia sim, porem não sei mais o que dizer.
– Sim. Sou o capitão do time.
– Ah. — Agora sim, não sei mais o que dizer. — Legal. — Legal?
Ele continua a o manter o olhar em mim, com aquele sorriso idiota mas ao mesmo tempo encantador. O que estou dizendo?
– Então — Seu rosto fica sério — Preciso ir, Eric. O pessoal já está no campo, provavelmente se perguntando onde eu estou.
– Tudo bem. — Digo a ele.
Ele me da as costas e corre em direção a quadra, de repente ele para no meio do caminho e se vira para mim.
– Gostei de te ver de novo. — Ele sorri, acena, e sai.
Estou paralisado. Meu coração está disparado. Ele... Sinto que estou corado. Ele me faz parecer um idiota. Assim que percebo que Gustavo já deve estar bem longe, caminho em passos largos em direção a quadra. Calma. Respiro profundamente, tentando manter meu equilíbrio. Nenhum garoto me deixou assim, tão... tão estranho. Não consigo entender o porquê. Calma, ele já se foi...
Chego na arquibancada. Meu coração já se estabilizou, voltando ao seu ritmo normal. Avisto Luana na arquibancada. Me dirijo até ela passando entre o pessoal pedindo "Licença". Assim que consigo chegar até ela, sento ao seu lado, calado.
– Demorou. — Ela diz, assim que eu sento. — Pensei que tivesse ido para casa.
– A fila estava enorme. — Isso não é mentira. Abro meu pacote de salgadinho. — Quer? — Ofereço a ela. Ela não recusa e enfia a mão no pacote de salgadinho.
– Deveria ter comprado algo para beber. Salgadinhos dão muita sede. — Ela diz, colocando salgadinhos na boca.
É... Eu comprei, porem o chão bebeu.
– Acabei esquecendo. — Minto.
– Talvez a sua blusa tenha tomado todo o refrigerante. — Ela sorri.
Fecho os olhos sorrindo.
– É... Longa história, depois eu explico. — Falo a ela. — Olha. — Aponto para o campo. — O jogo já vai começar.
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