Te Amo
1 Capítulo Único: Te amo
Notas iniciais
Te Amo
Ele olhou para cima, sentindo-se nostálgico. Fazia quanto tempo desde que ele tinha começado a pensar naquilo mesmo? Parecia um tempo distante desde que finalmente se dera conta de seus sentimentos, e um tempo maior ainda, desde que Mira havia dito que seria melhor se ele esclarecesse tudo de uma vez por todas. E depois Elza dissera a mesma coisa, apesar de ela estar se referindo a Juvia, no final, tratava-se de seus sentimentos de qualquer forma.
Depois de muito tempo, Gray Fullbuster tomou coragem de dizer aquelas duas palavras para a maga estelar, acompanhado de uma decisão difícil, da qual passou noites dedicando apenas àquilo. Seus olhos se voltaram para a janela do apartamento dela e depois de um longo suspiro, decidiu que era a hora.
Estava cansado da própria covardia.
Bateu na porta devagar, uma expressão decidida em seu rosto. Não demorou mais do que um minuto para que Lucy abrisse a porta e uma expressão surpresa tomasse conta de seu rosto.
— Gray? — murmurou, olhando para ele atentamente, e depois sua expressão se suavizou, um sorriso iluminando seus lábios carnudos. — Ao menos você bate na porta.
Gray segurou um sorriso, sabia que por trás dessas palavras, havia o pensamento carregado de Natsu’s. E isso doía em seu coração. Apesar de já estar disposto a aceitar que não tinha chances, aquilo ainda o machucava.
Como não machucar quando sabia que a mulher que amava, simplesmente amava seu melhor amigo?
— Eu posso entrar? — pediu educadamente, os olhos negros fixos nos dela, encarando-a com seriedade.
— C-claro — gaguejou por algum motivo que não entendia, a única coisa que sabia, era que tinha algo errado com Gray. — Não ligue para a bagunça, o Natsu esteve aqui e você sabe como ele é, faz o que quer, quando quer. E...
— Tudo bem — interrompeu-a com a voz grave.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou curiosa. — Digo. Você não me visita com frequência...
— Não, não se preocupe. Não aconteceu nada — tranquilizou-a. — Eu só queria conversar com você, tem algo que eu preciso te dizer.
Lucy ficou nervosa de repente, sentindo-se pressionada por algum motivo desconhecido. Tinha um pressentimento que aquela conversa tomaria um rumo que não desejava.
— O que é? — Lucy engoliu em seco, apertando as mãos nervosamente na barra de sua saia.
— Já faz um tempo que eu percebi isso e é algo que depois de muito tempo eu finalmente tomei coragem para dizer — começou, evitando olhar nos olhos dela. Ele tinha tantas dificuldades em falar sobre o que sentia, e quando estava finalmente disposto a fazê-lo... Estava sendo muito mais difícil do que esperava. — Eu te amo — declarou solenemente.
A boca de Lucy se abriu em um perfeito “o” e ela corou um pouco, mas Gray sabia que aquilo fora mais pela surpresa do que por qualquer outro motivo. Lucy estava paralisada, não sabia o que dizer. O que tinha sido aquilo tão de repente? Como deveria reagir? O que deveria falar?
Não tinha a resposta para nenhuma dessas perguntas.
Ela abriu a boca para tentar falar algo, mas tudo que saiu foi uma espécie de barulho estrangulado, a maga forçou o som a sair de sua boca, um brilho aflito pairando sobre seus olhos cor de chocolate.
— Oh, eu-eu — começou de forma confusa. — Bem, não sei o que dizer — admitiu, mostrando como estava balançada com aquela declaração. — Eu acho que não posso...
— Eu sei — interrompeu-a educadamente, dessa vez a encarando de forma profunda. — Eu não espero que você me corresponda, é claro para mim que seu coração pertence a outra pessoa, uma pessoa idiota. — Ele não pôde evitar de observar o modo como Lucy corou com aquela declaração, mais forte do que tinha corado quando tinha dito que a amava. E isso o machucou profundamente, mas ignorou a dor lacerante que tomava conta de seu peito e continuou: — Era só algo que eu precisava te dizer, eu já desisti de você.
— Eu sinto muito, Gray — sussurrou, sem realmente saber o que dizer. Aquelas palavras não pareciam adequadas, mas foi tudo que conseguiu falar.
Sentiu vontade de chorar, de dizer que um dia, tinha sido apaixonada por ele, que havia o desejado. Mas do que valeria? Isso não iria apenas machucar Gray ainda mais? Era tudo que ela não queria. Amava-o, mesmo que fosse como um grande e querido amigo, mas ainda o amava.
— Eu sei que sente — disse, olhando para o chão com as mãos encaixadas no bolso da calça folgada. — Era só isso, eu vou embora agora.
O mago deu as costas para ela e caminhou vagarosamente em direção a porta, sentindo como se uma bola estivesse entalada no meio de sua garganta. Engoliu em seco e segurou aquele sentimento amargo, como se pudesse segurá-lo entre seus dedos. Mesmo que não tivesse sido diretamente rejeitado, os olhos dela, sim, os olhos dela foram o suficiente para que ele entendesse:
“Eu amo você, mas como meu amigo.”
Lucy esticou a mão na direção dele, um desespero a invadindo. Precisava dizer alguma coisa, tinha que dizer alguma coisa.
— Não precisa se sentir culpada. Não há nada que possamos fazer, ninguém pode mandar no coração.
E saiu, crendo que a partir dali, ele estaria livre para seguir em frente, mesmo que seu coração em pedaços ainda estivesse nas mãos dela. Gray tinha a certeza que tinha feito o certo e agora se sentia mais aliviado quanto a isso.
No final, Mira tinha razão.
Era muito melhor a sensação de ter tentado até o fim, do que recolher os próprios sentimentos e mentir para si mesmo.
Antes de finalmente partir, ainda conseguiu ver Lucy o olhando através da janela, os olhos repletos de lágrimas e palavras indecifráveis através de um movimento de lábios que ele não conseguiu compreender.
“Eu amei você.”
“Me observe a noite toda
Vou me mexer sob a luz
Porque eu entendo
Que todos nós precisamos de amor
E eu não tenho medo
Eu sinto amor
Mas eu não sinto desta maneira
Então ela diz: 'Te Amo'”
Te amo — Rihanna
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