Valeria narrando:

Eu tenho que parar com isso. Está se tornando um hábito. Não, hábito não, está mais pra vício.

E por fim, eu acabei acordando ao lado dele. DE NOVO. Não que isso fosse ruim. É bom. Muito bom... MAS TEM QUE PARAR DE ACONTECER.

Grunhi tentando me soltar do braço dele. Inútil.

Paauulo! – Berrei á plenos pulmões.

Droga, de novo não. – Pensei, enquanto Paulo caía no chão duro como da primeira vez.

–Valeria, é serio você tem que parar de me acordar desse jeito. – Murmurou, deitando-se outra vez do meu lado. Foi inevitável rir.

–Des... Descul... Desculpa. – Disse eu entre risos. Ele apenas resmungou alguma coisa e tentou voltar á dormir. Tentou.

Paulo!Levanta!Já está tarde. – Resmunguei o balançando como um pequeno bebezinho. O meu bebezinho.

–Minha doce queen bee, deixe-me dormir, sim? – Sussurrou um pouco abafado pelo travesseiro. Queen bee... Ele acha isso engraçado?Não que abelha rainha seja um apelido feio, é muito fofo, mas eu não sei se era pra ser fofo.

–Suas demonstrações de língua estrangeira não vão ajudar em nada. Levante logo daí.

–Não, não e não. – Riu e me agarrou em um meio abraço, como o de quando acordei. Seus olhos escuros e brilhantes pareciam rir de mim em uma piada interna. –Eu mereço dormir, sabe?Você me deixou bem cansado.

Corei violentamente com a afirmação. Quando percebeu isso sorriu. Não um sorriso fofo, ingênuo e infantil, mas sim o sorriso safado, malicioso e com segundas, terceiras e quartas intenções.

Nos olhamos, apenas esperando um de nós quebrar o maldito silêncio.

Bem, não foi preciso. Dei um pulo quando ouvi o som altíssimo do meu telefone tocando.

Paulo o pegou de cima da cômoda e me entregou. A palavra sogra brilhava irritantemente na tela. O que só poderia significar uma coisa: Davi voltará de sei lá onde e pedira a querida mamãe para ligar por ele.

Bufei e desliguei o telefone.

–Quem era?

–Ninguém Paulo, ninguém. – Eu disse gesticulando com as mãos demonstrando toda a minha irritação.

–Esse ninguém deve ser muito irritante então.

O olhei como se eu dissesse: Jura querido?Eu desliguei na cara da pessoa, tem alguma possibilidade do indivíduo em questão não ser irritante?

–Hum, sim, muito irritante. – Revirei os olhos enquanto dizia.

–Então, comida? – Perguntou ansioso. Ri com repentina mudança de assunto.

–Claro! – Gritei animada. Tão animada que peguei um travesseiro e o arremessei contra Paulo.

–Há!Então é assim não é? – Assenti para a pergunta. – Então é guerra!

Corri enquanto ele vinha com um travesseiro em minha direção.

Não sei como, mas paramos no sofá. Ele por cima de mim, me segurando no lugar e em suas mãos estava estava o travesseiro.

–Valeria, sei que não é muito romântico e muito fora de hora, mas quer ser minha namorada?

Choque. Meus lábios se abriram e tenho certeza de que se eu estivesse em pé meu queixo estaria no chão.

–Tem razão, é muito fora de hora.

Ele bufou, com certeza não era a resposta que esperava. Ele ia dizer algo á mais, mas o calei com um beijo. Não era um dos “pra lá de calientes”, mas sim um romântico de tirar o fôlego.

–Sim, quero ser sua namorada. – Afirmei quando o ar faltou.

–Valeria?...- Uma voz soou atrás de nós. E, na porta, tinha tantas pessoas que eu não sabia como era possível. Entre elas, estava o meu ex-noivo patife.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.