Notas iniciais
Olá pessoal! Tenho duas notícias, que só vou dizer no final no capítulo, então não se esqueçam de ler as notas finais, por favor. Eu terminei este capítulo faz um tempo, não terminei toda a história e nem pretendia postar nada antes disso, mas hoje é um dia especial. Hoje, dia 15/02/17, nossa querida história Te Amar ou Te Odiar faz exatos quatro anos, para comemorar este aniversário resolvi postar um capítulo como comemoração. Espero que gostem. Boa leitura. ;)

Pov. Autora

Uma agradável manhã começava, daquelas em que você olha pela janela, contempla a natureza e se pergunta como pode existir algo tão perfeito. O céu azul com poucas nuvens, o sol brilhante e quente, e o verde, resplandecente. Pois era assim que as colinas, campinas e florestas pareciam. Não muito longe da civilização, um simpático casal jovem, acompanhados de seu único filho, se aproximava pela estrada de terra.

O garotinho de pouco mais de seis anos estava ansioso, fazia tempo que não passeava com seus pais e adorava o ar livre. Olhando a paisagem passar rapidamente pela janela do carro, ele já havia identificado o lugar, estavam quase chegando.

A família tinha uma casa na cidade e os pais trabalhavam muito, por isso nem sempre podiam fazer esse passeio, mas quando o faziam, aproveitavam muito bem. Brincavam o dia todo, faziam piquenique, cochilavam, era uma maravilha. Assim que o pai saiu da estrada e estacionou o carro em baixo da sombra de uma árvore, o garotinho não conseguiu se conter, saiu do carro que nem uma bala.

— Dylan! Cuidado. – Exclamou a mãe quando o menino quase a atropelou.

— Desculpe mamãe. – Desculpou-se o menino, que logo começou a correr pela grama.

— Devemos tirar as coisas do porta-malas? – Perguntou o pai à mulher.

— Apenas a cesta e a toalha por enquanto. – Ela disse.

Eles pegaram as coisas e foram arrumar um bom lugar para estender a toalha quadricular vermelha e branca. Assim que encontraram, a mãe se sentou para apreciar a paisagem e tomar um pouco de água. O pai pegou uma bola e começou a jogar com seu filho. O garotinho se divertia a valer.

— Mais forte! – Exclamou o menino. – Chute mais forte!

— Não sei não. Você dá conta? – Perguntou, desafiando-o. O garotinho acenou a cabeça e sorriu. – Tudo bem... Lá vai! – O homem chutou a bola, que pra ele não era muito forte, mas o vento estava a seu favor, o objeto acabou indo mais longe do que esperava, quase chegando ao rio. – Ops!

— Deixa que eu pego! – E lá se foi o garoto, que nem um foguete.

Com as pernas pequenas ele não conseguiu velocidade suficiente para ver aonde a bola caiu. Num primeiro instante vasculhou os arbustos, mas não encontrou nada. Andou mais um pouco e passando por uma árvore, encontrou a bola quase na beirada do rio, mais um pouco e teria sido levada pela correnteza.

— Achei você! – Ele disse. Pegou a bola e olhou para o rio. De repente, viu uma coisa na outra margem que o espantou. Era uma pessoa, estava deitada com meio corpo na água e a outra parte na terra.

Ele deixou a bola no chão, em um lugar para que ela não rolasse e atravessou o rio com cuidado. Por sorte, a correnteza não era forte e nem o rio fundo, batia em seus joelhos. Tomou cuidado para não escorregar nas pedras escorregadias. Assim que conseguiu chegar até a pessoa deitada, reparou que era uma moça. Era Mônica, ela estava com os braços estendidos e a cabeça sobre o chão. O menino chacoalhou-a um pouco, tentando despertá-la de algum modo, mas não conseguiu.

— Dylan! – Seu pai o chamou, se aproximando. – Por que está demorando tanto? – O pai apareceu e viu o filho na outra margem do rio. Tomou um baita susto quando viu a garota. – Mas o quê?...

— Papai! Me ajude. Ela não está acordando. – O menino falou.

— Elisa! Venha aqui! Rápido! – O homem gritou para a esposa e correu para perto de seu filho. Afastou um pouco o pequeno da menina e a tirou do rio, deitando-a de uma forma mais confortável.

— O que houve? – Chegou Elisa aflita, pensando que algo havia acontecido com seu filho, mas o resultado foi outro. – Oh meu Deus. – Correu para perto dos dois e se ajoelhou ao lado de Mônica. Ela checou duas coisas ao mesmo tempo o pulso e a respiração. Tinha medo que a garota tivesse se afogado. Felizmente, ela estava respirando, o pulso um pouco fraco, mas nada muito grave.

— Ela está bem? – Perguntou o homem. Este dava graças por que sua mulher era enfermeira e podia lidar melhor do que ele numa situação como esta.

— Sim. – Elisa analisou Mônica. Seu tornozelo estava enfaixado com um curativo improvisado e inchado. Tinha arranhões e roxos por todo o corpo, suas roupas estavam rasgadas, o que a fez deduzir com o que ela conseguiu fazer aquele curativo. – Mas precisamos levá-la ao hospital agora.

— Filho, fique aqui com sua mãe. Eu vou guardar nossas coisas e trazer o carro para mais perto. – O pai avisou. Atravessou o rio e correu pelo gramado.

— Ela vai ficar bem, mamãe? – Perguntou o garotinho inocente, totalmente preocupado. A mãe sorriu para ele e o beijou na testa.

— Vai sim meu querido, não se preocupe. – Ela disse e olhou para o rosto de Mônica.

“O que uma linda menina como você estaria fazendo aqui neste lugar deserto?” – Pensou.

...

Larry estava em seu escritório revendo alguns vídeos da mansão. Ele via e ouvia tudo repetidas vezes, mas não conseguia acreditar naquela história maluca. Henry era maluco, não sabia como Mônica conseguiu suportar àquilo, é uma menina forte, sem dúvidas, até mesmo quando Henry ultrapassou o limite da decência.

Não se sentiu culpado por omitir para Cebola e a Carla que Henry havia tocado em Mônica, esse problema deveria ser esquecido, principalmente por Mônica. Ninguém precisava saber. Isso é problema dela, não deles. Mas se sentia mal por ela, aquele desgraçado não tinha o direito...

— Toc, toc. – Disse Pedro abrindo a porta do escritório. – Posso entrar?

— Claro, entre. – Permitiu Larry. Pedro se sentou em uma cadeira à sua frente. – Descobriu alguma coisa?

— Sim. – Entregou a ele uma pasta. – O paradeiro dos nossos suspeitos. – Larry deu uma olhada no documento. – Encontramos o lugar que enterraram os corpos de Tadeu e Pink, pouco mais de um quilômetro descendo a montanha.

— Queria poder ter impedido isso. – Larry suspirou, ao ver as fotos. – Essa garota era uma agente.

— Sim, eu a reconheci. É a Cascuda? – Perguntou e viu seu chefe balançar a cabeça em sinal positivo. – Me perguntava onde ela estaria depois de tanto tempo, mas perdemos o contato.

— Ela foi corajosa. Pena que seu plano de fugir com Mônica não deu certo. – Disse.

— Ela tinha família? – Perguntou.

— O pai vivo, a mãe eu não sei. – Falou. – Vamos entrar em contato com ele e dar a notícia.

— Sim senhor. – Pedro concordou.

— O que é isto? – Perguntou Larry. Vendo umas fotos de um desabamento de terra e mostrando para Pedro.

— Apenas continue. – Pediu. Larry virou a página e encontrou mais fotos, uma delas poderia entrar na lista de imagens que ficaria marcada para sempre em sua mente. – Eu sei... Não é uma imagem bonita, mas este é Bóreas. – Falou Pedro.

— Bóreas? – Disse surpreso.

— Sim. Ele foi esmagado pela pedra, apenas seu braço esquerdo e a arma que segurava saíram ilesos. O resto... Foi literalmente esmagado. Não é nem um pouco parecido com os desenhos do Coiote e Papa-Léguas. – Ironizou.

— De fato. – Larry fechou a pasta, sem vontade de voltar a olhar aquilo de novo.

— Acho que fechamos o caso. – Comentou Pedro. – Todos os suspeitos estão mortos, inclusive o responsável por tudo. O pessoal do laboratório ainda vai mandar um relatório, mas é evidente que Henry foi envenenado. Era só olhar para a estante dele, afinal de contas, que maluco coleciona venenos?!

— Pelo jeito, ele colecionava. – Larry falou. – Sim, encontramos os culpados, mas ainda falta uma coisa: Mônica. Ela continua desaparecida.

— Entrei em contato com o pessoal de buscas mais cedo, está sendo difícil com a floresta fechada. – Disse.

— Eu sei. Já fiz missões de campo como essas. Não é fácil. – Falou. – Eu também tomei providências, liguei para as delegacias das cidades próximas e pedi que ficassem atentos, mandei o perfil de Mônica. Fiz o mesmo com vários hospitais e prontos-socorros. Só espero não receber nenhuma má notícia.

— Não se preocupe, ela vai aparecer. – Garantiu Pedro. Assim que disse isso o telefone de Larry tocou, ele atendeu.

— FBI, Larry Martinez falando. – Atendeu. Pedro se recostou na cadeira, esperando o amigo terminar a ligação. – Você tem certeza? – Ele falou. – Onde? – Pegou um pequeno bloco de papel e uma caneta, começando a anotar alguma coisa. – Eu chego aí daqui a pouco, muito obrigado. Até logo.

— O que foi? – Perguntou Pedro quando viu Larry se levantar.

— Acho que a encontraram. – Ele disse animado. – Um delegado de uma cidade pequena ligou para mim, estava fazendo uma visita no hospital quando chegou uma garota desconhecida. Ele não tem certeza, por isso preciso ir até lá para fazer um reconhecimento. – Falou. – Preciso me precaver, mande preparar o helicóptero e mais dois homens, se for a Mônica vamos trazê-la para a cidade.

— Sim senhor. – Dizendo isso os dois saíram juntos do escritório.

...

—... E foi isso, delegado. A encontramos no rio, sozinha, com as roupas rasgadas e toda machucada. – Disse o pai da família anteriormente citado, contando novamente o que aconteceu. Eles foram os responsáveis por trazê-la e avisarem o delegado assim que o encontraram por coincidência nos hospital.

— Ela não tinha nenhum documento? – Perguntou.

— Não, infelizmente.

— Hum... Espero que eu não tenha errado. Tem gente procurando essa menina, vamos ver se é a certa. – Falou. – Tomara que seja.

— Mamãe! Olhe! – Exclamou o pequeno Dylan olhando pela janela e apontando alguma coisa lá fora.

Era um helicóptero. Para uma cidade pequena, aquilo era meio que novidade. O piloto pousou no estacionamento vazio, sorte que era grande o bastante para a manobra. Assim que o fez, um homem saiu do transporte acompanhado de mais três, um era Pedro, os outros dois trabalhavam com ele também e traziam uma maca.

Não demorou para que todos entrassem no prédio. Larry vinha na frente, ele cumprimentou o delegado e a família, logo em seguida chegou o médico responsável.

— Posso ver a garota? – Pediu Larry, mesmo que aquilo para ele não importasse. Veria Mônica de qualquer jeito.

— Íamos transportá-la para a sala de exames. – Disse o médico. – Mas a ocasião é urgente. Sigam-me. – O homem os levou para uma sala no final do corredor, abriu a porta e deu passagem para as outras pessoas. – É ela?

Larry nunca sentiu tanto alívio em sua vida. Ali estava Mônica, finalmente. Ele chegou perto dela e a analisou, parecia estar tudo bem.

— Agradecemos por cuidar dela, mas se não se importa, vamos transportá-la para Miami. Ela estava desaparecida há quase três semanas. Sua família está pra lá de preocupada. – Informou ao médico.

— Ah, sim. Claro. – Falou o médico. – Eu vou ajudá-los.

O médico ajudou os homens de Larry a colocar Mônica no helicóptero. Foram todos para fora, até mesmo a família que encontrou Mônica. Eles tiveram a chance de ter uma conversa rápida com Larry e lhe dizer como a encontraram naquela manhã. Dylan observava tudo, fascinado.

— Muito obrigado pela ajuda de vocês. Não sei o que teria acontecido se Mônica passasse mais uma noite sozinha. – Larry falou.

— Senhor. – Disse o pequeno Dylan, um pouco tímido. – Você anda nisso todos os dias? – Perguntou, se referindo ao helicóptero.

— Não todos os dias, mas ás vezes sim, principalmente quando precisamos chegar a um lugar bem rápido, como aconteceu hoje. – Ele disse gentil olhando para o pequeno.

— O senhor é policial? – Perguntou com os olhinhos brilhantes.

— Sou sim. – Respondeu.

— Um dia vou querer ser policial também! Só para andar em um desses... Ahn... Qual é o nome disso, papai?

— Helicóptero. – Respondeu o pai, achando graça do menino.

— Heli... O quê? – Perguntou o menino confuso.

— Hahaha. – Larry se agachou. – Ser um policial é mais que ter de andar num desses, mas até que você daria um ótimo policial afinal, pelo o que seus pais disseram, foi você quem encontrou a Mônica. Salvou a vida dela, isso mostra que você tem a primeira coisa que é preciso ter para ser a carreira de policial.

— É? E o que é? – Perguntou o menino, curioso.

— Zelar pelo bem de todos. Proteger, cuidar, salvar as pessoas, esse é um legado que todos os policiais, bombeiros e militares carregam. – Ele passou a mão na cabeça do menino. – Continue estudando e te garanto que um dia, vai se tornar o melhor policial de todos. – Viu os olhos do menino brilharem e se levantou quando escutou o motor do helicóptero ligar. – Obrigado mais uma vez pela ajuda. Adeus. – Disse e correu até o transporte, que sem demora levantou vôo.

...

Larry se sentou na sala de espera depois que Mônica foi levada. Havia ligado para Cebola durante a viagem de volta, ele chegaria a qualquer momento. Os médicos fariam os exames padrão e ver se há alguma coisa de preocupante no estado de Mônica, não sabiam por que ela não acordou depois de todo esse tempo, cogitou ser cansaço. Afinal, pelas suas contas, ela fugiu havia dois dias. Para uma garota que talvez não tenha vivido muitas experiências ao ar livre, estar perdida na floresta durante a noite deve ter sido um verdadeiro desafio.

Pedro voltou para a agência junto com seus homens a pedido de Larry, não havia motivo para eles ficarem ali, assim, ficou apenas ele esperando a família chegar. Vinte minutos depois ouviu passos rápidos no corredor. Cebola, acompanhado de Carla, apareceu, sua ansiedade era mais que evidente. Largou a revista que folheava para passar o tempo e se levantou para tentar acalmá-lo.

— Onde ela está? – Perguntou Cebola primeiro, esbaforido.

— Cebola, acalme-se. Ela está bem, estão fazendo alguns exames para ver se não tem nada de errado. – Falou.

— Como ela está? Parecia muito ferida? – Perguntou Carla também, nenhum pouco calma.

— Tirando o ferimento de bala no tornozelo, ela está bem. – Deixou escapar Larry.

— Ela levou um tiro?! – Exclamou Cebola.

— Fale baixo! Estamos em um hospital. – Censurou Larry, mesmo que também falando um pouco alto demais. – Sim, mas não é nada. Ela está bem. A meu ver ela não tinha nenhum outro ferimento mais grave.

— Ah! Graças a Deus. – Disse Carla, com as mãos sobre o peito.

— Preciso vê-la! – Falou Cebola, mas suas intenções foram barradas por Larry.

— Tudo a seu tempo, Cebola. – Disse. – Devemos esperar até que terminem de examiná-la.

— Ele tem razão, querido. – Falou Carla, colocando uma mão em seu ombro. – Vamos nos sentar e esperar.

A contra gosto, Cebola obedeceu, mas depois de dez minutos não aguentou mais ficar sentado. Andou de um lado para o outro na sala, se recostou à parede, voltou a se sentar, mas nada diminuía a sua tensão. Larry parecia o mais tranquilo dos três, motivo por já ter visto Mônica. Carla permaneceu sentada, mas foi ao banheiro e bebeu água uma vez. Quarenta minutos depois, quando Cebola estava mais do que cansado de esperar, um senhor de jaleco branco apareceu.

— Quem está responsável por Mônica Sousa? – Perguntou.

— Eu. – Disseram todos os três e o médico se viu rodeado por aquelas pessoas. – Como ela está doutor? – Perguntou Larry.

— Ela está bem. – Disse. – Conseguimos tirar a bala que estava alojada no tornozelo, havia arranhões e cortes em algumas partes do corpo, roxos, as mãos também um pouco feias com cortes, parece que ela fez algum esforço brusco ou algo assim. Constatamos que ela não come nada há um tempo, mas por sorte não estava desidratada. – Informou. – Agora ela está em repouso no soro sob observação, daqui a pouco vamos levá-la para o quarto e poderão vê-la.

— Muito obrigada doutor. – Disse Carla. Assim que ele deu as costas ela abraçou Cebola, aliviada. Cebola retribuiu ao abraço, sentindo o mesmo. Larry também foi abraçado por Carla, que quase chorou. – Muito abrigada Larry! Você a salvou. Devemos-lhe tanto...

— Obrigado, mas não sou eu que devo ganhar o maior crédito. – Disse. – Foi Mônica que conseguiu. Sozinha. Se ela não tivesse sido forte e tido tanta coragem, talvez a coisa tivesse terminado muito diferente. Ela mesma se salvou.

— Tem razão. – Concordou Cebola. – Mas você também teve um papel muito importante nisso tudo. – Ele abraçou Larry. – Obrigado.

— Disponha. – Sorriu. – Infelizmente, eu tenho que ir. Sugiro que vocês façam uma horinha na lanchonete daqui, Mônica deve ficar sob observação por mais uma hora. Apareço amanhã para uma visita, prometo.

— Tudo bem, obrigada mais uma vez Larry. – Disse Carla. Larry saiu do hospital e ficaram apenas os dois. Nem Cebola ou Carla estavam com fome, mas decidiram pelo menos tomar alguma coisa. Cebola aproveitou o momento e ligou para os amigos para dar a notícia, todos ficaram muito felizes e animados por saber que Mônica estava bem, sã e salva. Mesmo que a alegria seja grande, Cebola pediu para que viessem visitá-la apenas no dia seguinte, se ela tiver acordado, pois duvidava que os médicos deixassem que um bando de jovens invadisse o quarto de uma paciente recém chegada.

...

Quase uma hora depois, já dando cinco da tarde, o médico foi chamar Cebola e Carla, dizer que poderiam ir até o quarto de Mônica. Aquela foi a caminhada mais longa da vida, na opinião de Cebola, mesmo que o quarto não ficasse tão longe, só dois andares acima do que estavam.

Uma enfermeira os conduziu até o quarto certo. Cebola queria muito ver Mônica, mas estava muito nervoso e ansioso, por isso deixou Carla tomar a dianteira na caminhada ao lado da moça que os acompanhou. Não sabia se era por causa do tempo que ficaram separados, mas aquela sensação forte veio com tudo e não conseguiu se controlar. Quando chegaram perto do quarto, seu coração disparou, seu corpo tremeu e sentiu uma sensação esquisita no estômago.

Mas depois que cruzou a porta e a viu, quase não sentiu nenhuma batida e sim uma pontada forte no coração, perdeu o ar. Era ela, Mônica estava ali, cheia de cabos e fios em volta, mas estava ali. A enfermeira disse alguma coisa e saiu, deixando-os a sós. Carla não perdeu tempo, puxou uma cadeira para se sentar bem perto da cama, chorou, beijou as mãos e o rosto de Mônica.

— Oh, minha menina... – Disse carinhosa, beijando a mão dela delicadamente mais uma vez. – Que bom que você está aqui. – Mônica ainda estava desacordada.

Cebola não escutou, mas por causa de um medicamento que tiveram de usar, ela dormiria mais algumas horas, se não talvez já tivesse acordado. Ele a analisou, seu rosto continuava perfeito, com exceção de alguns cortes aqui e ali, seus braços estavam expostos e pôde ver várias marcas, tanto de arranhões e roxos. Seu tornozelo esquerdo estava descoberto pelo cobertor que a cobria, ali estava muito bem enfaixado, pelo jeito, era o local atingido pelo do tiro. Quando ela acordasse não saberia por onde começar a perguntar como conseguiu se machucar toda ou como conseguiu escapar, mas tudo tem seu tempo.

— Mônica. – Cebola disse depois que se aproximou, ficando ao lado da cama. – O que aconteceu com você? – Acariciou o rosto dela e a observou, prazer este que não tinha há quase três semanas.

— Vai ficar tudo bem agora. – Falou Carla, segurando a mão dela. – Nós estamos aqui, você está segura. – Disse lacrimejando um pouco, sorrindo feliz. Cebola também sorriu, circulou a cama e beijou Carla na cabeça.

Eles ficaram ali, observando e conversando com Mônica, mesmo que ela não escutasse, era bom para matar a saudade. Quase três horas depois Cebola pediu pra Carla voltar para casa, estava ficando tarde e não queria que ela dormisse no hospital.

— E enquanto a você? – Perguntou Carla.

— Eu vou ficar. Alguém precisa estar aqui quando ela acordar. – Falou. – Você pode voltar amanhã de manhã cedo, talvez ela tenha acordado até lá.

— Gostaria de ficar também, mas acho você tem razão. – Ela disse, pegou sua bolsa. – Eu vou... Mas não deixe de me manter informada, qualquer coisa que acontecer me ligue. – Avisou e o abraçou logo em seguida. – Vou trazer roupas para os dois.

— Tudo bem, obrigado. – Ele falou. Antes de Carla sair, deu um último beijo na testa de Mônica e saiu.

...

Dor, sono e maciez. Essas são três palavras que definem o que Mônica sentiu assim que começou a recobrar a consciência. Aos poucos abriu os olhos, mesmo que estivesse em um lugar escuro iluminado parcialmente por um abajur, supôs. Não definiu exatamente onde estava, mas não tinha dúvidas que era em um quarto de hospital.

Observou-se e viu que tinha um fio estranho em seu dedo indicador direito e outros em seu peito. Ouviu aquele “Pi-Pi-Pi” muito conhecido. À sua esquerda não havia nada além de uma planta sobre uma mesa média e os equipamentos que estavam monitorando-a. À sua direita tinha um armário, um sofá, uma poltrona e uma Tv pendurada à parede. Tudo muito limpo e branco.

Estava escuro, por isso precisou de dez segundos para perceber que não estava sozinha no quarto. Alguém estava dormindo ao seu lado, meio que de mau jeito, em uma poltrona que parecia ser muito confortável. Prendeu a respiração e sentiu seu peito doer quando constatou que era Cebola. Não acreditava em seus olhos, mas continuou a observá-lo dormir tranquilamente. Assim que assimilou tudo, não conseguiu parar de sorrir. Resolveu acordá-lo.

—... – A primeira tentativa de usar a voz não deu certo. – Ce... – Um pouco melhor, mas não o bastante. – Cebola. – Agora sim, mas ele não pareceu escutar. Mônica então mexeu seu braço, sentiu um pouco de dor, mas não ligou muito. Conseguiu pegar a mão de Cebola, quase chorou de felicidade ao fazer isso. – Ce... Acorda. – Chamou enquanto acariciava a mão dele. Cebola demorou um minuto para abrir os olhos, ele estava cansado, não dormiu bem na noite passada, mas assim que se deu conta do que estava acontecendo, quase deu um pulo de susto.

— Mônica?... – Ele falou sonolento, Mônica sorriu pra ele.

— Oi. – Ela disse. Quase num sussurro.

— Mônica! – Agora, quase totalmente acordado, Cebola explodiu de felicidade.

Segurou o rosto dela com as duas mãos e olhou para os olhos que tanto sentiu saudade de ver. Tentou abraçá-la com cuidado, Mônica queria apertá-lo, mas não tinha forças. Sentiu tanta falta de Cebola, principalmente da sensação de segurança, agora sabia que tudo ia ficar bem de novo. O pesadelo havia acabado.

— Meu amor. – Cebola disse antes de beijá-la. Não dava pra saber quem era o mais emocionado, pois os dois começaram a chorar juntos durante o beijo. Cebola encostou sua testa na dela após o beijo, totalmente extasiado. Não poderia estar mais feliz do que estava naquele momento. – Não sabe o quanto eu fiquei preocupado... – Olhou pra ela, sem tirar as mãos do rosto dela. Mônica não parava de sorrir e olhar para Cebola. Segurava a mão dele com medo de que ele fosse embora e que tudo aquilo fosse um sonho, felizmente, não era.

— Não mais do que eu. – Disse Mônica e sentiu Cebola beijar sua testa. – Você está bem?

— Agora, melhor do que nunca. – Ele respondeu e voltou a se sentar na cadeira, aproximando-a ao máximo da cama. Os dois ainda choravam e sorriam com cara de bobos. Demorou um pouco, mas conseguiram conter um pouco a emoção e se acalmaram, podendo conversar melhor agora. – Como está se sentindo?

— Estou bem, mas com um pouco de dor de cabeça. – Disse. – Onde estou?

— Em Miami, no Hospital Central. – Ele respondeu.

— Como vim parar aqui? – Ela perguntou.

— Você foi encontrada por uma família à beira de um rio numa floresta de uma cidade pequena a alguns quilômetros daqui. Eles a levaram imediatamente para o hospital e acabaram encontrando por coincidência o delegado da cidade, ele entrou em contato com Larry. – Contou Cebola. Viu Mônica botar a mão na cabeça e fazer uma careta de dor. – O que foi?

— Nada demais. É apenas um galo. – Ela disse e sorriu. – Nem me lembro como consegui isto. – Voltou a olhar para Cebola. – Tem alguma coisa pra comer? Estou faminta.

— Desculpe, mas você ainda não pode comer nada, exigência dos médicos. – Falou e sorriu ao ver a cara de desgosto dela. – Aceita pelo menos um pouco de água?

— Por favor.

Cebola se levantou e foi pegar água em um pequeno bebedouro que havia no canto do quarto. Nesse meio tempo Mônica tentou se ajeitar melhor na cama, mas o maldito travesseiro atrapalhou tudo e quase teve que usar seu pé enfaixado para conseguir uma posição melhor.

— Ei, calma aí mocinha, o que está fazendo? – Disse Cebola, deixando o copo de água em cima de uma mesa próxima. – Aqui, deixe eu te ajudar. – Cebola ajeitou os travesseiros para Mônica, assim ela pôde ficar mais confortável. Depois lhe entregou o copo de água. – Melhor?

— Muito. Obrigada. – Agradeceu Mônica. Ela não sentia sede, mas tomou a bebida num gole só. Cebola ofereceu mais, mas ela negou, então voltou a se sentar na cadeira e segurou a mão dela. – Está aqui há muito tempo?

— Hum... – Cebola olhou o relógio, eram quase onze da noite. – Algumas horas. Você chegou aqui hoje à tarde. – Falou. – Se lembra de alguma coisa?

— Mais ou menos. Não me lembro de nada sobre hoje, apenas que ontem à noite eu estava caminhando perto do rio e resolvi para descansar um pouco. – Mônica fez uma cara esquisita, Cebola percebeu.

— O que foi?

— Nada não. – Ela falou, depois olhou para Cebola. – Só esqueci que não posso mexer meu pé. – Disse se referindo ao tornozelo ferido. – Por que não se deita aqui comigo? – Cebola arregalou os olhos.

— Ficou doida? Você está toda machucada. E se alguma coisa acontecer e você piorar? – Ele disse, Mônica apenas sorriu.

— Eu estou bem. Não vai acontecer nada. – Disse. – Vem logo. – Mandou.

Cebola dando-se por vencido se levantou e deu a volta na cama, não queria se arriscar com a perna enfaixada de Mônica. Ele afastou um pouco os equipamentos médicos para conseguir subir na cama alta, tomando cuidado com os fios que monitoravam Mônica e tirou os sapatos. Mônica se sentou devagar e se afastou um pouco, deixou Cebola encostar as costas nos travesseiros e tentou se acomodar nos braços dele.

Cebola tentava a todo custo não apertá-la durante o abraço, mas a saudade era tanta que quase foi impossível. Mônica não podia mentir para si mesma, sentiu sim as dores no corpo durante a transação, mas nada que não pudesse aguentar. E assim ficou, Mônica com a cabeça deitada no pescoço de Cebola, enquanto este a abraçava, lhe dando apoio. Os dois entrelaçaram os dedos um no outro e ficaram ali, apenas curtindo o momento. Mônica poderia ter dormido se Cebola não tivesse iniciado mais uma conversa.

— Por onde você andou? – Perguntou ele, mas a resposta não veio de imediato. – Mônica?

— Eu... Nem sei por onde começar. – Ela falou, brincando com seus dedos com os dele. – É uma longa história, mas... Não sei se é uma boa ideia tocar nela agora. – Ouviu Cebola respirar fundo.

— Eu sei. – Disse ele. – Eu sei sobre Henry. – Dizer isso soou como um choque para Mônica. Ela parou o que estava fazendo e olhou para ele, espantada.

— Como você?... – Ele sorriu triste pra ela. Cebola então contou sua versão da história, desde a festa, o dia da perseguição, os dias que ficou em depressão, o dia anterior, onde Larry contou toda a história, até o dia de hoje, quando a encontraram.

—... E aqui estamos. – Terminou ele. – Agora, a única coisa que continua um mistério é o que aconteceu depois que a energia da mansão acabou e você fugiu. – Agora foi a vez de Mônica. Ela contou do que se lembrava, sem muitos detalhes a princípio. Falou como levou aquele tiro e como prosseguiu depois da pequena batalha com Bóreas.

— Não foi nem um pouco fácil, caí muitas vezes naquela noite, por isso estou cheia de arranhões e roxos, mas eu consegui descer a montanha. – Ela disse. – Parei poucas vezes para descansar por causa do meu ferimento, mas eu andei muito. Procurando qualquer sinal de vida. Agradeço por ter perdido meu tempo vendo aqueles seriados de sobrevivência, não consegui fazer fogo, mas eu segui sempre rio abaixo assim que o encontrei. O difícil foi a segunda noite, estava muito escuro por causa do tempo nublado, tive medo que chovesse, então construí um abrigo pra lá de improvisado. – Falou. – Só não consegui dormir por causa dos mosquitos que me devoraram, antes mesmo do sol nascer eu comecei a caminhar de novo. Devo ter desmaiado pouco antes de a tal família me encontrar. – Terminou e sentiu Cebola beijar sua bochecha.

— Você foi muito corajosa, duvido que no seu lugar eu tivesse tido forças para fazer o que você fez. – Ele disse. – Agora está tudo bem, não precisa fazer mais nada. – Beijou o ombro dela. – Apenas descansar.

— Não sabe como é bom ouvir isso... – Ela disse e inclinou o rosto para olhá-lo. -... Mas me promete uma coisa? – Perguntou ela, ele apenas assentiu. – Chega de festas. — Ele sorriu e a beijou na testa.

— Pode deixar. – Disse.

Apesar do tempo longe e das várias outras coisas que ainda tinham que conversar, os dois resolveram dar um tempo e se aconchegaram um o outro, apenas curtindo o momento. No meio de brincadeiras bobas e de palavras doces proferidas por Cebola é que Mônica adormeceu. Cebola se calou assim que reparou que ela tinha pegado no sono. Inclinou-se mais na cama para conseguir uma posição mais confortável e não tardou a adormecer também. Essa foi a primeira vez em semanas que os dois tiveram uma ótima noite de sono.

Notas finais
Um final feliz e sem suspense, finalmente! Cebola e Mônica estão juntos novamente. :D Agora, vamos ao assunto. Aconteceu uma coisa ruim, a mesma coisa que aconteceu no final da minha outra história: O Lago do Futuro. O computador deu ruim e a CPU pifou. Agora, acho que o problema foi que não levamos a caixa pra limpar e o motor superaqueceu. Enfim, o computador não liga e graças a Deus, e ao meu querido sexto sentido, eu fui precavida e salvei este capítulo e o próximo no meu Email. Se não tivesse feito isso antes de desligar o computador, provavelmente teria perdido tudo. Enfim, eu estou sem computador. Posso usar meu notebook pra escrever, mas ele também não é confiável, nem mesmo liga em certos dias. Vou tentar terminar por aqui mesmo, dependendo do problema, a CPU só vai voltar daqui um mês. Estou avisando pois posso demorar a postar o próximo capítulo, por causa desse problema e também por causa da faculdade, vou começar a estudar amanhã, se Deus quiser. Eu agradeço a todos que estão acompanhando a história. Me desculpem por demorar a responder aos comentários, foi desatenção minha. Espero que tenham gostado e aproveitado este capítulo, pois ele é o penúltimo. Não estou mentindo, teremos apenas mais dois capítulos daqui em diante, o último capítulo e o epílogo. Estou muito feliz por estar terminando a história, demorou quatro anos, mas finalmente vai ter um final. Obrigada pessoal, por tudo, agradeço muito pelo apoio de vocês. Té+!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.