Taste the Feeling
13 Iceberg.
Notas iniciais
Respirar estava se tornando difícil, não no sentido físico, mas respirar com toda a pressão de sua vida o sufocava. Desde que sua vida escolar se tornara um inferno as coisas só viam piorando mais e mais e pior não tinha mais um amigo a quem contar. Não podia correr a Sakura, pois ela o estava evitando, não podia recorrer a Sasuke por não ter coragem de encara-lo e dizer que sentia muito por todas as merdas. Ino e Gaara não entenderiam nem metade do caos que sua vida havia se tornado no último mês. Só podia ser castigo por todas as coisas ruins que fez e que dissera ou pensara das pessoas. Hinata era só a ponta do iceberg que flutuava no oceano de sua vida, desejava que esse inferno logo terminasse ou não aguentaria nem mais um segundo.
Hinata por mais que o tivesse desafiado a uma semana atrás enquanto ele comia sua maça no refeitório, ela estava silenciosa demais, hoje seria o terceiro dia de ensaio para a peça que tinha sido adiada outra vez, por motivos das quais a professora Sophia não quis revelar a sala e teriam apenas duas semanas para ensaiar e apresentar a peça a escola, e exatamente hoje Hinata e Naruto atuariam juntos em uma cena de romântica, pelo menos durante o ensaio que estava acontecendo e Naruto nem se quer prestava atenção.
— Você sabe ler não sabe? – Hinata disse olhando o com deboche o despertando de um transe, a face de Naruto se enrubesceu de raiva.
— Óbvio que eu sei ler, diferente de você que não sabe falar.
— Sério? Porque não lê então, o texto está em suas mãos e é a sua vez de falar. – Naruto abriu a boca, passou a mão pelo rosto e leu o texto, não fazia ideia de qual parte estava, havia se perdido em pensamentos.
— Sophia me desculpe, mas eu não prestei atenção em que cena estamos? – Sophia suspirou frustrada.
— Que és tu, escondido assim na noite? — Hinata disse sua frase e ele procurou em seu texto e encontrou. – Rápido Naruto... – Hinata bateu o pé impaciente o irritando mais e o deixando mais acelerado do que já estava, não conseguia encontrar a fala de Hinata em seu texto. Ela batia o pé sem parar um minuto.
— Pelo amor de Deus para com isso garota, fica quieta...
— Cala a boca e procurar sua fala.
— Vá a merda Hinata... – ele não a encarava enquanto falava, ela batia o pé.
— Pelo nome, não sei dizer-te quem eu sou. Meu nome, querida, é odioso para mim. Pois ele é teu inimigo.
— Muito lento... – Hinata debochou. – Um ator não fica desesperado assim no palco, Sophia tem certeza de que o Naruto era o melhor?
— Hinata não importa quem era melhor, você está bem?
— Estou bem. – Naruto afirmou sem certeza nenhuma. – Mas eu me pergunto a mesma coisa que você Hinata, não tem alguém melhor? Por que contracenar com a Hinata é pior do que ir para o inferno.
— Talvez seja seu pagamento. – Hinata disse.
— Olha se você morasse no inferno o diabo te devolveria para a Terra.
— O que?
— É surda?
— Olha Naruto, você é um idiota sabia?
— Sinto te desapontar, mas você não é a primeira pessoa a me dizer isso.
— Nem serei a última, é insuportável ficar ao seu lado. – cruzou os braços indo para longe dele.
— Isso assim que eu gosto bem longe de mim. – Naruto disse mexendo o papeis em sua mãos como se a mandasse se afastar.
— Chega vocês dois. – Sophia esbravejou. — Não é possível que vocês dois não consigam se entender. – Sophia bufou olhando seriamente para Naruto e Hinata que trocavam farpas com os olhares. – Não vamos conseguir ensaiar todas as cenas com vocês desse jeito... – ela suspirou tristemente se sentando na poltrona com o roteiro em mãos.
O silêncio reinou no palco principal onde todos os alunos estavam ensaiando, as cenas estavam perfeitas exceto as de Romeu e Julieta o que era um fracasso para Sophia, não era possível que dois jovens não pudessem se tolerar por alguns poucos minutos apenas para interpretar algumas cenas de amor, onde estava o profissionalismo que demonstraram nos testes.
— Eu disse que não era uma boa ideia, a Hinata não suporta ficar no mesmo ambiente que eu.
— Por mim, você poderia parar de respirar agora mesmo... não faria falta. – Naruto a encarou com os olhos estreitos. Sophia olhando para os dois intercaladamente, suspirou se levantando.
— Todos os alunos estão dispensados, fique no palco apenas Naruto e Hinata. – os alunos as poucos foram partindo deixando somente os dois ao centro do palco. – Aproximem-se um do outro. – eles caminharam e ficaram lado a lado a contra gosto. – Bom eu não quero saber o porquê vocês se odeiam tanto, mas pensem em uma coisa, essa é última lembrança que terão juntos, a única coisa que farão juntos além de brigar, vocês tem menos de um ano e depois cada um vai seguir seu caminho, provavelmente nunca mais irão se falar. Então eu não quero saber como, mas vocês só saíram desse teatro depois que começarem a se suportar pelo menos durante a minha peça, caso contrario nenhum dos dois interpretara Romeu e Julieta e se isso acontecer considere-se reprovados em minha matéria.
— Você não pode fazer isso com a gente?
— Quero ver quem vai me impedir senhorita Hinata. – Sophia começou a caminhar para longe, mas antes disse. – Fiquem um de frente para o outro e se entendam. – saiu do teatro. Naruto encarou Hinata, ela bufava e olhava para os lados.
— É tão difícil me olhar nos olhos?
— Sem que eu queira vomitar? É sim. – ele sorriu de canto de lábios e olhou para os pés. Ficaram em silêncio.
— Eu não quero reprovar... então a gente podia pelo menos fingir que nada aconteceu e fingir que se entende para fazer a peça.
— Para você é fácil falar, não dói em você... – Hinata disse e arregalou os olhos e voltou a olhar para os lados, havia dito o que não devia. Naruto não disse mais nada, o que poderia dizer, que tudo que sentia nos últimos dias era apenas dor? Não podia fazer isso, Hinata usaria isso contra ele mesmo conhecia bem a garota que estava em sua frente evitando a todo custo lhe encarar nos olhos.
— Então se é tão difícil para você quanto é para mim, vamos desistir. Você tem influencia suficiente para não ser reprovada... desiste logo dessa merda. – Naruto disse caminhando e se sentando na beirada do palco. Hinata encarou a nuca dele.
— Desiste você... por que eu tenho que desistir, aah claro, eu desistindo minha família é influente eu poderia fazer com que a escola me passe enquanto você é apenas um zero a esquerda não é mesmo?
— Do que ta falando?
— Fala sério Naruto, você se acha o maioral só por que é popular... mas vamos combinar você não passa de um zero a esquerda...
— Está louca Hinata? – Naruto não entendia aonde ela queria chegar com aquela conversa.
— Olha Naruto eu sei seu segredinho... eu sei que seus pais não estão... digamos que bem de vida, quem paga seus estudos são seus avôs e seu pai passa por dificuldades na empresa da sua família que convenhamos está quase falindo, o lucro não da nem para suprir as necessidades de sua família, imagino o quanto é difícil para seu pai manter os seus luxos.
— Você não sabe do que está falando. – a voz saiu baixa e rouca, ele não a encarava, mas estava com os punhos fechados.
— O que seus amigos irão pensar de você? Oh meu Deus, o que a escola vai pensar de você quando todo mundo souber. – Hinata riu, ele se levantou ficando de costa para ela. – O que você acho que vão dizer heim Naruto Uzumaki?
— Você não sabe o que está falando. – ele a encarou apontando o dedo em seu rosto.
— Me responde? – esbravejou Hinata olhando nos olhos de Naruto.
— Eu não sei o que eles falariam ou o que fariam, okay e eu realmente não me importo...
— Eu sei o que eles iriam fazer...
— Eles não sabem o que está acontecendo... e nem você. – os olhos dele marejaram.
— Sabe o que eles fariam Naruto? – ele negou limpando as lágrimas que teimavam em sair. – Diferente de você, eles iriam te apoiar e querer entender o seu motivo, por que é isso que amigos verdadeiros fazem. Eles não apontariam o dedo na sua cara te julgando por que você é pobre ou por que você não tem condições de ter uma qualidade de vida tão alta quanto os jovens daqui. – Naruto a encarou confuso, Hinata estava o reconfortando depois de tudo que ele disse? Depois de tudo que ele fez? Mesmo depois de ela ter presenciado ele julgar tantas pessoas por ser pobres inclusive ela, antes que ele soubesse o quão poderoso era o sobrenome Hyuuga, não compreendia.
— Por que está fazendo isso? Você não vai contar a ninguém? – perguntou confuso.
— Isso não é problema meu Naruto, eu só quero te mostrar que todo mundo tem segredos, e nem sempre as pessoas querem ser expostas como mercadorias... e eu não vou te julgar porque eu não sei o que realmente está acontecendo em sua casa... e sinceramente eu não quero saber.
Naruto deixou que as lágrimas molhassem seu rosto, ela estava ali diante dele com uma bomba na mão, bomba essa que ela não iria detonar.
— Eu sinto muito. – disse em meio ao choro que não conseguia mais segurar.
— O-o qu-quê? – gaguejou olhando o tão fragilizado, o rosto bronzeado ganharam uma coloração cor de rosa e os olhos cheios de lágrimas vermelhos pelo choro, os lábios tremiam na tentativa falha de conter o choro, Naruto desviou os olhos do dela tampando o rosto com uma das mãos, tentando esconder sua dor.
— Sinto muito por tudo... tudo que eu disse, tudo que eu fiz, por toda dor que te causei, sinto muito Hinata... e... sinto muito pela minha família... – Hianta estava paralisada sem conseguir desviar os olhos dos dele. – Um mês e tudo ruiu, minha mãe descobriu que está doente... meu pai acabou com todo nosso dinheiro buscando a cura, mas não tem cura... – ele riu seco, Hinata sentiu o ar falhar, precisava respirar de novo, ele não a encarava. – Eu nem devia ta contando isso a você, mas eu não consigo mais fingir que está tudo bem e que meu único problema é você... eu iria explodir se não contasse a alguém... – ele precisava de ar, suspirou e foi para o fundo do palco. Hinata ficou parada no mesmo lugar sem conseguir desviar os olhos dele, Naruto apoiou um braço na parede e a cabeça encostada no braço apoiado ainda chorando, pela primeira vez durante aquele mês ele estava demonstrando para alguém o que se passava em seu coração além do que acontecia entre ele e Hinata, pela primeira vez estava sentido o impacto de saber que a mãe estava morrendo, contar a Hinata tornou a coisa mais real a ponto de não conseguir suprimir a dor.
Hinata não sabia o que falar ou o que fazer, havia algo que pudesse dizer? Não sabia, apenas caminhou até ele e o abraçou por trás, não eram amigos nem nada parecido, mas a dor que ele estava sentindo era tão próxima a sua que não podia em hipótese alguma lhe dar a costa, não hoje e não agora.
Alguns minutos depois as lágrimas cessaram e ele se moveu fazendo Hinata o soltar, ele se virou e encostou se na parede frente a ela.
— Isso não nos torna amigos! – ela sorriu de leve.
— Tudo bem... eu não quero ser sua amiga mesmo. – ele sorriu. – Naruto eu sinto muito por sua mãe, mas você não precisa passar por isso sozinho... Sasuke é seu melhor amigo, você precisa dele e da Sakura...
— Eu sei, mas eu não quero contar... dividir isso com alguém torna a doença real e isso me assusta... – ele olhava para o chão, Hinata acariciou seu cabelo e seu rosto, ele fechou os olhos.
— Me desculpe pelo que vou falar, mas a doença de sua mãe é real você aceitando ou não, a única coisa que pode fazer é buscar apoio em quem você ama e apoia lá junto de seu pai. – ele a fitou com os olhos marejados.
— Eu sei... – sussurrou a puxando para um abraço, era só o que precisava de um abraço, mesmo que não viesse de um amigo.
Alguém entrou batendo palmas no teatro fazendo os dois olharem para as fileiras de cadeira.
— Vejo que vocês se entenderam. – Naruto e Hinata voltaram para o centro do palco olhando Sophia que sorria. – Olha eu não ouvi a conversa de vocês, acabei de chegar e vi vocês abraçados. Seja lá o que foi que vocês disseram um ao outro funcionou, agora estou vendo duas almas ligadas por um sentimento... só não sei dizer qual é...
— A dor... – sussurrou somente para que Hinata ouvisse, ela sorriu.
— Estão preparados para interpretar Romeu e Julieta verdadeiramente? Sem brigas, sem insinuações? – Naruto e Hinata concordaram. – Então vamos ao ensaio.
... – Serei teu à tua ordem. Apenas chama-me de amor e terei novo nome; então, jamais serei Romeu.
— Que és tu, escondido assim na noite?
— Pelo nome, não sei dizer-te quem eu sou. Meu nome, querida, é odioso para mim. Pois ele é teu inimigo.
— Não és tu, Romeu, és um Montéquio?
— Nem um nem outro, minha donzela, se ambos te desagradam.
— Parabéns. – Sophia aplaudia do final no palco de onde observava o casal atuar. – Por hoje é só, vocês foram perfeitos, será a melhor peça do ano.
...
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