Notas iniciais
Bem... Esse foi um pontapé inicial pra minha história. Ainda estou formulando muitas coisas, mas achei bom postar para ter um feedback. O capítulo vai mostrar um pouco do drama que alguns Tarmeks vivem.

O som de cadeiras e garrafas se quebrando podia ser ouvido de fora da taberna. Não era necessário ser muito inteligente ou pagar qualquer quantia que fosse para adivinhar o que estava acontecendo no seu interior.

— Morra, seu camponês de merda!

— Estão vendo? Típico de um Tarmek! Como estaremos salvos com fedelhos arrogantes como ess? — Vários outras vozes eram ouvidas, todos envolvendo a falta de confiança que as pessoas tinham para com o grupo em questão.

Stephan esperou o tempo necessário até entrar na taberna. A porta de entrada rangeu e bateu contra a parede de forma audível. A gritaria cessou e o taberneiro que limpava um copo com um pano fez uma reverência exagerada, quase desajeitada. Muitos seguiram sua atitude, alguns por medo, outros por respeito, mas boa parte dos arruaceiros não encararam o rapaz com cara de poucos amigos.

O silêncio pairou no ar por alguns instantes. Estático, pesado, quase tangível até que a voz do recém-chegado preencheu o ar.

— Eu pagarei os custos, Foster. Desculpe o transtorno.

Levantando a mão num gesto apaziguador, todos voltaram a se sentar, inclusive os envolvidos na bagunça.

Ele cruzou os braços e analisou o local. Bebida descia das paredes acabando num monte de vidro no chão, partes de cadeira jaziam por toda parte do bar e Angela, que saiu de fininho por uma porta atrás do balcão começou a varrer as partes dos destroços.

— Saúdem Stephan! — Anunciou o Taberneiro, levemente desconcertado e sem tentar esconder a bajulação presente no cumprimento. — Rei das terras do norte! Senhor de Alkiron!

Stephan tinha apenas 25 anos e, de fato, era o dono do título usado por Foster. Possuía um porte de um cavaleiro experiente e cicatrizes e hematomas escondidos pelas partes de sua túnica real — não que ele gostasse de usar aquelas roupas, mas não podia deixar as tradições e deveres de lado — provavam isso. Seus trajes verdes contrastavam com a pedra dourada que pendia do seu colar. Ele tinha passos rápidos, impacientes, pois já não sabia mais o que fazer quanto aquela situação. O destino de todo continente estava em suas mãos e tudo poderia ir de água abaixo se ele tomasse uma pequena decisão errada.

Foster era um gordo barbudo. Vestia um suspensório por cima da blusa listrada e as maçãs do seu rosto eram bem vermelhas. Não existia maldade em seu rosto, mas sim uma feição amigável e um bigode que guardava histórias de metade dos habitantes de Alkiron (ou pelo menos daqueles que se embebedavam para desabafar).

— Não se preocupe, Stephan. Eu só quero que você dê um jeito nele. Infelizmente a clientela não está feliz com tudo o que está acontecendo, e se os seus iguais não forem controlados, a situação só tende a piorar.

Stephan entendia bem o lado da população. Não podia repreender ninguém severamente, mas tinha que usar uma tática muito boa para mudar a personalidade forte de outros Tarmeks. Ele olhou por cima do ombro encarando Lucius. Stephan pegou duas garrafas de cerveja no balcão e foi até a mesa que o conhecido estava sentado, ficando frente a frente com ele.

— Tyrell já tentou fazer isso, reizinho. — Ele tinha um ar de deboche.

— Não vim aqui convencer você a voltar pro castelo. Vim pelo bem maior de nossa raça. — Ele deslizou a garrafa para Lucius que segurou antes que esta pudesse passar dos limites da mesa.

Lucius era um jovem de 18 anos. Era magro e alto. Tinha uma musculatura típica de um Tarmek. Seus olhos esmeralda faziam inveja a qualquer. Trajava uma túnica roxa com detalhes vermelhos que estava manchada de vinho.

— Não adianta, Stephan. Eu não ligo. Já cansei de todos aqueles treinamentos, todas aquelas regras. — Ele levantou e bateu a mão na mesa. — Somos escravos da magia antiga e você ainda não entende isso?

— Acalme-se, Lucius! — Stephan levantou. — Se acha que você é tão bom para se virar sozinho, então lute comigo ou encare o fato de que você tem responsabilidades!

— Lutar com você?! Não… Seu dragão não se compara a outras criaturas! Você nasceu num berço de ouro, por isso não sabe o que é liberdade!

De fato, Lucius tinha um passado ruim. Ele não queria viver preso no castelo por decreto do rei e muito menos seguir ordens que não aceitava. Gostava de viver livre, explorar as terras e seguir o próprio caminho sozinho.

Stephan sentou novamente, deu dois goles da bebida e encarou o garoto, finalmente deixando um suspiro escapar.

— Um dia você vai entender… O seu pai era um homem honrado, Lucius. Ele teria me seguido e lutado bravamente contra o mal que assola nosso mundo.

— Não fale do meu pai. — Rosnou Luciu. Ele segurou a garrafa e tentou acertar Stephan.

Stephan segurou o braço do garoto, levantou num salto e o empurrou na parede segurando a gola de sua túnica.

— Não se altere aqui, garoto! — Stephan encarava com fervor os olhos de Lucius, o verde-esmeralda ardia em ódio, ele respirava forte e tentava se livrar do rei. — Eu tenho propostas melhores pra você! Só estou pedindo um acordo temporário, depois que o cumprir, sinta-se livre para fazer o que quiser! — Ele forçou mais o garoto contra a parede.

— Não obedecerei rei algum! — Ele empurrou Stephan com uma força fora do normal.

Nesse momento, alguns homens levantaram da cadeira. Stephan tinha a mão no cabo da sua espada, mas não usaria se não fosse necessário.

— Lucius, encare a realidade! Precisamos de todos reunidos para acabar com tudo isso! Pense na sua mãe!

Nesse momento o rosto de Lucius escureceu. Ele abaixou a cabeça e bufou. Seus punhos fecharam e ele deu passos pesados até que empurrou Stephan pro lado e foi até a saída da Taverna. Stephan percebeu segundos depois o erro drástico que cometera. Ele correu até a saída.

— Lucius, espere!

Lucius já estava a alguns metros da taberna. Ele se virou e o encarou com um olhar gélido.

— Me deixe sozinho, Stephan. — Ele falou, controlando a raiva. — Eu sei me virar muito bem e não preciso de sua ajuda para traçar meu destino. Pare de insistir, volte pro seu castelo, e viva sua vida. — Ele pôs o capuz da túnica e seguiu seu caminho.

Stephan ficou preocupado, não tinha mais opções com Lucius, teria que voltar e traçar outros planos e, ao menos, não desistir até resolver tudo.

...

O Castelo de luz era a coisa mais bela em toda Alkiron. Pedras preciosas enfeitavam todos os salões. Os muros e torres eram feitos de pedra reforçadas com ferro branco. O grande portão reluzia ao sol. Os jardins eram ornamentados com lindas árvores de frutos.

Stephan estava sentado no seu trono. Meditava sobre a situação que passara naquela manhã. O barulho da porta se batendo o fez acordar de seus pensamentos.

— Você não pode me tratar assim, Stephan!

Astrid ardia em raiva, não aceitava mais ser tratada como uma criança, já tinha seus 23 anos e sabia que podia se cuidar.

— ­Astrid... Eu faço isso pelo bem de Alkiron! Você sabe que que as coisas andam perigosas demais para deixar você andando sozinha pela Floresta dos Sonhos!

A garota tentou protestar, mas a decisão do rei era definitiva.

— Escute bem, Astrid. Você sabe que amo você... — Aquela pequena pausa fez ele refletir, realmente a amava como uma irmã mais nova. — Sei que você pode se cuidar e é uma das melhores, mas não sabemos contra o que estamos lutando, seja paciente e poderemos enfrentar esse mal juntos! Não arrisque sair por aí sozinha. Os tempos estão horríveis para nós.

A grande porta da sala do trono rangeu alto interrompendo Stephan.

— Meu senhor.

Um jovem de mais ou menos um metro e setenta entrou na sala do trono, ele tinha uma aparência simpática, porém dura, daquelas que você respeita mesmo sabendo que não apresenta ameaça, mas que se estiver contra você irá se tornar o semblante mais assustador de todos. Ele estava revestido com parte de uma armadura de prata, tinha uma capa vermelha presa ao pescoço por uma pedra branca. Aproximou-se dos jovens e se ajoelhou.

Desconfiado, Stephan levantou e fez uma reverência como forma de respeito.

— Astrid. — O olhar de Tyrell para a garota não mostrou tanta expressão, mas também fez uma leve reverência após se levantar. Olhou preocupado para Stephan.

— Pode falar, Tyrell.

— Tenho péssimas notícias vindas da Ponte do Basilísco. Melhor você vir.

Stephan ficou tenso.

— Me conte no caminho. — Ambos caminharam até a saída.

...

No castelo, ambos guerreiros tinham um passo apertado até o portão principal que se abriu num estrondo.

— Eu estava passando pela ponte quando um de seus guardas avistou algo no mar, bem longe, uma nuvem negra se aproximava com velocidade. Os presságios são mais reais do que imaginávamos.

Stephan ficou com uma expressão muito mais séria, o que quer que fosse não podia ignorar. Precisava reunir todos antes que as coisas piorassem.

— Temos que ir... — Falou Tyrell, o guerreiro deu dois passos à frente e deu um fino assobio que encheu o ar inteiro ao redor.

Um grande rosnado tomou o lugar do assobio, um latido estranho foi escutado e uma besta veio correndo da parte leste do castelo. Um grande cão de três cabeças vinha como um cãozinho atrás da carne que seu dono oferecia. Sua pele era completamente branca e seus olhos brilhavam num azul brilhante. Seus passos pesados ribombavam cada vez que suas patas batiam na grama esverdeada que rodeava o castelo de luz.

— Cérbero... — Murmurou Tyrell abraçando a gigante perna do cão.

A criatura com qual ele chamou de Cérbero tinha cinco vezes seu tamanho, e babava em cada boca com grandes dentes à mostra.

Stephan sorriu analisando o monstro, fazia tempo que ele não via aquela criatura.

— Supernova!!!

O rugido de uma fera, sem dúvidas, dez vezes mais monstruosa que o Cérbero invadiu os ouvidos de qualquer habitante daquelas terras, quilômetros dali. O bater de asas foi ouvido ao longe e um dragão cortou o ar acima do castelo.

Stephan abriu um sorriso maior e levantou o braço com o punho fechado.

— Desça, garota!

O dragão obedeceu, deu dois loopings e desceu num rasante batendo as asas antes de pousar. Creio que não preciso descrever um dragão com detalhes. Criaturas majestosas, com grandes garras, dentes afiados, asas enormes e espinhos do longo pescoço até a ponta da cauda.

Supernova tinha escamas douradas e olhos vermelhos como sangue.

Stephan apoiou-se na perna dianteira dela e com dois saltos chegou à sela nas costas do dragão.

— Stephan! — Astrid vinha correndo de dentro do castelo. — Deixe-me ir!

— Não! — Bradou Stephan olhando por cima do ombro. — Fique aqui e tome conta dele!

Astrid bateu o pé e virou-se.

Supernova deu um impulso com as patas traseiras, bateu as asas e partiu numa velocidade imensa. No solo, Tyrell era levado na mesma velocidade no dorso do Cérbero.

...

— Senhor, não sabemos ao certo. — Falou o general. — Tenho um mal pressentimento.

— Eu também, Ragnar., mas temos que ter cautela, não queremos que o povoado entre em desespero. — Desceu a torre acompanhado de seu amigo. — Tenho uma tarefa pra você, Ty. Preciso que reúna o máximo possível de nós, o mais rápido possível. Ragnar, contate os magos, temos que parar de ignorar os presságios.

— Aonde você vai? — Perguntou o comandante.

— Irei para o leste. procurarei mais dos nossos. Todos nós temos que nos reunir. Não vai ser fácil.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem no que devo melhorar, principalmente na gramática. E digam se devo continuar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.