Tarefas Diárias
1 Capítulo Único
Notas iniciais
7 ótimas ideias vieram à sua mente enquanto retirava a luva preta melada de sangue, sentindo um imenso nojo por elas, e guardando bem as 7 opções na sua mente.
Trabalhar na área de interrogações não era lá sua parte favorita, o prisioneiro abriria o bico só de perder uma ou duas unhas, eram poucos aos que resistiam e era aí que ficava mais interessante, porém, também mais nojento. Começava com o básico, arrancar as unhas, cortar alguns dedos, tirar os dentes e dar alguns choques leves junto, se ele resistisse à isso, começava o que Kouyou gostava de chamar de “Tortura Livre” – ela falava como se aquilo pudesse ser comparado com redações escolares –, e você escolhia o que fazer a seguir. Dazai sempre escolhia o que fizesse o prisioneiro falar mais rápido, logo, cortava partes do corpo da pessoa, começando por partes irrelevantes, que não o fariam morrer, só sentir dor, assim como parte da orelha e o pênis, ou alguns furos nos braços e antebraços. Afogamento também era bem efetivo e quando a pessoa desse com a língua nos dentes, era só sair da sala e liberar o gás tóxico, antes de descartar o corpo, arrancariam alguns órgãos que fossem importantes e valessem uma nota alta no mercado negro, outros, talvez, iria para a coleção pessoal de Mori. Mas aquela parte não lhe dizia respeito. Para seu desgosto, o prisioneiro em questão escondia coisas importantes e fora bem duro na queda, fazendo Osamu optar pelas piores escolhas.
Dazai odiava aquela área de trabalho. Que nunca virasse a mesa e fosse ele sentado naquela cadeira. Não negava que era hábil naquele trabalho, assim como qualquer outro, mas não era nada comparado com Kouyou, quem lhe ensinou tudo. Tinha calafrios só de pensar.
Pediu aos guardas que jogassem o corpo fora depois de retirarem o que importava.
Pegou a ficha com as respostas dadas pelo falecido na maca da sala de tortura e seguiu para os últimos andares do prédio. Seu relatório para Mori fora rápido e logo, estava dispensado.
A caminho do escritório do seu alvo, recordou das 7 ideias que tivera. Prendê-lo à bexigas seria trabalhoso demais, não teria fôlego para encher tantos, nem sabia onde vendiam já cheios e para pronta entrega, deixaria isso para outro dia, talvez até enchesse o apartamento dele com elas. A bomba debaixo do tapete do seu apartamento era arriscado demais, poderia machucar civis. Remover todas as coisas do seu escritório iria requer tempo, então seria melhor quando ele estivesse fora. Acabou ignorando duas outras que também colocariam civis em risco e as outras duas que necessitavam de tempo para serem executadas. Queimar suas roupas e deixar os caranguejos vivos no escritório dele deveriam bastar pelo dia, junto à, claro, sua provocação diária.
Virou o corredor e sorriu abertamente encarando sua maravilhosa presa de cabelo ruivo no fim do corredor.
Chuuya conversava com Tachihara e nenhum dos dois notou a presença do moreno, seguindo de guarda baixa para o elevador. Tachihara entrou no elevador e se virou ao mesmo momento que Dazai estava bem atrás de Chuuya. Antes que o garoto pudesse avisar Chuuya, o moreno pegou o chapéu dele e jogou seu casaco na cabeça do ruivo.
“Quem diria que havia um porta-casacos bem aqui. Quanta sorte a minha.”
A porta do elevador fechou e Tachihara se foi, temeroso do que poderia acontecer naquele corredor.
“Quem você está chamando de porta-casaco, bandagem ambulante?” Chuuya gritou jogando o casaco de volta no dono.
“Ooh~ Chuuya, era você? Eu não percebi, talvez se você ficasse um pouco mais alto.” Provocou, sorrindo cada vez mais. “Mas tão pequeno assim, só pude ver seu chapéu ridículo.”
Dazai desviou de um chute e dois socos que vieram em sua direção. Se tivesse o acertado, iria parar uns 9 passos atrás, o que Chuuya não tinha de altura, tinha de força, mas isso nunca o impediu de irritar o ruivo.
“Eu te mataria aqui e agora se não estivesse te fazendo um favor.” Ralhou irritado, tentado miseravelmente pegar seu chapéu de volta, porém, Dazai continuava desviando com aquele sorriso provocativo irritante nos lábios.
Chuya desferiu outro chute na direção de Dazai, mas só conseguiu quebrar a parede do escritório de alguém, que ele esperava não ser de Kouyou ou Mori, pois não acabaria bem para eles depois.
“Acredito já ter dito que não tenho intenção algum de morrer pelas suas mãos nessas luvas horríveis, Chuuya.” Grande mentira, as luvas e o choker eram o que Dazai mais gostava de todo aquele figurino do ruivo, ainda faria Chuuya ficar amarrado à uma cama usando apenas eles.
“Fala o cara que usa bandagens sem precisar. Passe logo da sua fase emo, seu imprestável. Aliás, arrume algo para fazer e suma da minha frente, de preferência, para sempre.” Osamu parou de desviar e recuar. Quando Chuuya levantou a perna para lhe dar um chute, puxou-a e prendeu-o contra a parede com um braço em seu pescoço, a outra mão segurando uma das mãos do ruivo atrás do seu corpo. Mas não ignorou a mão livre que poderia lhe dar um soco a qualquer segundo.
“Que tsundere, Chuuya. Sabemos bem o quanto você ama me ver só com eles. Ah! você já até disse que acha sexy, certo?” Infelizmente, Nakahara não retirou a expressão irritada do rosto, mas aquele vermelho nas bochechas era uma obra prima.
“Morra.” Seu braço livre foi na direção da cabeça de Dazai e ele esperou por um soco, mas o ruivo apenas pegou seu chapéu de volta.
Osamu soltou o aperto nos seus braços e deixou que Chuuya se afastasse. Só então notou que Akutagawa permanecia inexpressível na frente do elevador, esperando por, sabe lá o que. Em passos largos e rápido, Dazai se aproximou do seu aprendiz.
“Akutagawa, como está? Tem trabalhado duro? Bom garoto.” Disparou as perguntas e respostas, sem preocupar em dar tempo para o garoto responder. Levou a mão para os poucos cabelos que cobriam a testa sua testa e começou a afagá-los. O que começou com um carinho, virou um forte puxão, quase arrancando os cabelos do garoto.
Sua ação maldosa foi interrompida por um chute nas costas.
Akutagawa encarou assustado o seu tutor no chão que reclamava do quão forte Nakahara havia o chutado.
“Não maltrate o garoto, além do mais, ele não é um cachorro.” Dazai já estava em pé e Chuuya segurava sua camisa, aproximando seus rostos.
“Que hostil, Chuchu.” Em resposta ao apelido ridículo, Chuuya lhe deu um belo chute no joelho.
“Desapareça.”
“Eu sei que me ama.” Continuou Dazai.
“Espero que morra logo.” Chuuya rebateu.
“Eu sabia! Você até espera que eu suceda na minha meta.” Osamu se fez de emocionado, fazendo Nakahara revirar os olhos.
O ruivo puxou Akutagawa pelo corredor, se afastando de Dazai o mais rápido possível. Estavam quase virando o corredor quando gritou.
“Eu lhe esperarei em casa, querida.” Se Chuuya ainda tinha algum pouco de paciência, ela se esvaiu por completo e o ruivo estava dando meia volta para bater em Dazai até que ele ficasse parecido com o Dazai dos desenhos de Elise.
As portas do elevador se fecharam e Dazai suspirou satisfeito. Tentativa de suicídio, feita, porém falha, de novo; Ttrabalho feito; provocação à Chuuya e Akutagawa também feita. Seu dia estava completo.
Seguiu para seu carro, decidido a descansar o resto da noite lendo algum dos seus maravilhosos livros sobre suicídio. Deu ré para sair da garagem, não esquecendo de antes bater no carro de Chuuya.
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