Tanzaku

12 A Décima Primeira Noite


Notas iniciais
HOHOHOH WE'RE BACK, BITCHES! *leva soco* ... Boa leitura? Pelo amor de Deus, leiam as notas finais.

O dia na ordem começara como a maioria dos dias na ordem começam: mal.

Verdade seja dita, eles não começavam mal. Mas é fato sabido e comprovado que, entre o café da manhã e o almoço alguma coisa há de acontecer. Robôs gigantes, invasões, retornos mal-sucedidos, essas coisas.

Normalmente espera-se que a culpa seja da divisão de ciências — e normalmente se tem razão... Mas naquele dia pelo menos, todos sabiam que Jhonny não era – exatamente — o responsável pela enfermaria onde três exorcistas repousavam. Um com um terceiro braço que tentava lhe arrumar o tapa-olho, uma com um rabo estranho saindo por baixo da saia e outro com dezenas de golens apaixonados o rodeando. A Mugen havia lhe sido confiscada depois dele destruir o sétimo.

Afinal, Jhonny não seria nem doido de colocar essas poções, ainda em teste, no café da manhã dos três. Ninguém seria.

Ok, talvez o Komui, mas o ponto é que o culpado também vestia o manto negro com a Rose Crux.

Bom. Há dois dias, mas vestia.

Na sala do Supervisor, Anny fazia bico, cheia de pouco caso.

Atrás dela estava o encarregado Reeveer, mais para proteger a vida daquela-menina-que-não-é-só-porque-é-uma-compatível-que-pode-por-um-rabo-de-crocodilo-na-minha-preciosa-Lenalee, do que tudo.

– Olha, Anny, nós precisamos defender e cuidar dos nossos companheiros. Não tentar envenená-los.

– Eles não são meus companheiros e eu odeio essa blusa! — Repuxava o manto novo em folha — Eu odeio preto.

– Todos aqui somos companheiros, lutamos juntos! — Komui respondeu, rápido, as blasfêmias proferidas. Juntos! Claro, com muito amor e carinho!

– É, alguns até juntos demais... Aliás, cadê o cara do cabelo branco? — Reever piscou, assimilando as frases da menina. Talvez fosse bom que ela convivesse com Allen...

– Não tente mudar de assunto! Você precisa ter noção dos seus deveres na guerra santa! — E a conversa entre supervisores e garotinhas prosseguia como todos acharam que prosseguiria. Ai ai.

– Blá blá blá. Posso ir agora? — Tá vendo?

Um sorriso se abriu por trás das mãos entrecruzadas de Komui. Ele puxou uma gaveta de sua mesa, de onde tirou um spray e o entregou a Anny.

– Por favor, entregue isso ao Kanda e avise-o de que está encarregado de treinar você até o General Tiedoll voltar. — E Komui ganha novamente. Anotem: certos homens ficam sádicos quando se mexe com o que lhes é precioso...

– O QUÊ!? Eu não quero treinar com aquele viadinho!

– Bom, ele é o ÚNICO EXORCISTA DISPONÍVEL já que ALGUÉM ficou brincando no armário do Jhonny! — esbravejou, em toda sua pompa — Mas se você não quiser, eu mesmo posso pegar um dos Komulins para treinar contigo. — Reever sorriu miúdo, com a feição cansada. Nem um terço dos exorcistas estavam indisponíveis, já que a menina só afetara três. Era apenas Komui fazendo-lhe o que era característico.

Anny, porém, saiu contrariada. Estava lá só há quatro dias, mas já tinha ouvido várias histórias de Lenalee. Kanda lhe assustava menos que a criação doentia do Supervisor.

Na verdade, ela tinha esperancas de fugir do treino usando a pura má-vontade de Kanda.

Mal sabia ela que junto do Spray havia uma carta escrita por um dos poucos homens que ainda tinham alguma autoridade sobre Kanda.

– Mas ela tem um ponto, Komui. O Allen não está demorando demais, não?

– Hahaha, ele deve ter se perdido no caminho. Agora, se me dá licença... — O cheiro de carne queimada se fez sentir quando Reever acionou o golem que havia programado para se grudar aos cabelos do SupervisorChefe.

– Não pense que vai fugir da papelada...

Com o corpo tremendo em espasmos pela descarga recebida, Komui Lee nem sabia o quanto estava certo sobre Allen...

–--//---

Uma coisa é estar perdido.

Outra, é estar perdido há três dias.

No subsolo.

Sem comida.

No escuro.

Allen já havia considerado acionar a innocence e sair daquele buraco molhado cavando direto para cima mas, ao contrario da maioria dos membros da Ordem, Allen Walker se preocupava com o bem estar e segurança das pessoas a sua volta. Segundo esses mesmos membros, tratava-se de seu pior defeito.

Por outro lado, o som de seu estômago estava começando a incomodar quando reverberava pelas paredes daquele túnel estranho...

Odiava ter que usar as palavras de Kanda mas aquilo era serviço de Finder.

Não dava pra ver o sorriso no rosto dele, desperto por um par de lembranças — até porque sumiu bem rápido devido a uma dúzia de outras — mas não deixava de ser interessante pensar sobre aquilo.

Sobre Kanda.

Se for lembrar, a primeira missão deles fora bem parecida com essa: buscando por uma lenda que ninguém sabia se era verdade, tateando por um lugar deserto e se perdendo pelo subterrâneo, caçando e protegendo Lala.

Ainda não havia superado a morte da boneca, mas... talvez tivesse se acostumado à Guerra Santa, onde aquele com que se luta num dia, aqueles a quem sequer se tem a chance de proteger, somem para sempre diante de seus olhos...

Pôs o braço esquerdo sobre a parede, voltando a andar.

Queria voltar logo para a Ordem... Queria poder vê-los novamente...

Queria poder vê-lo. Talvez, admitir para si um absurdo desses doía mais do que apenas pensar. Naquele lugar sem início ou fim, sua maior vontade era ter certeza – era ausentar-se da dúvida, do torto e errôneo. Ele tentou por um longo tempo, enquanto caminhava sem rumo pelos buracos subterrâneos ao menos organizar os pensamentos, organizar as roupas ou, sei lá, organizar qualquer coisa – em vão.

De alguma forma, a confusão soava como parte de si. Allen ignorava, como podia, seguindo as vontades da Ordem sem fôlego para questionar...

Mesmo sabendo que, em certo momento, teria que enfrentar-se.

Em certo momento, seu interior fugiria da prisão que era o próprio corpo e bailaria, pelos quatro cantos, mostrando suas fraquezas na forma de força. Força inimiga, falsária, que só serviria para propósitos estranhos...

Propósitos que, no futuro, descobriria obedecer as vontades do Conde. Sorriu fraco, sentindo-se tão estranho quanto os pensamentos que tivera. Ao fundo, no horizonte perdido pelo negro, a conhecida máquina despertou seu amaldiçoado e abençoado olho esquerdo.

A visão tingiu-se de particularidades características, cheia de vermelho e podridão.

–--//---

– PEGA ELA YUU, PEGA, PEGA!

– Lavi!

– Lenalee, dessa vez até eu queria ver o Kanda ganhar!

Os ânimos estavam exaltados em uma das áreas da treinamento da Ordem.

Anny corria de um lado para o outro, tentando se defender dos ataques de um Kanda armado com uma espada de bambu e fedendo ao spray-anti-golem. Vez ou outra ela ativava a innocence e alguém que estivesse passando por ali acabava se interpondo entre eles para defender o que achavam ser a namorada, filha, amiga, cachorrinha – ou o que fosse mais efetivo – do exorcista.

A verdade é que ela tentara criar uma ilusão para Kanda, mas isso só pareceu o irritar mais. Também era verdade que Kanda, ainda irritado, se controlava da maneira que seu temperamento permitia. Ele acreditava que treinar Anny era coisa de Finder, já que seria estupidamente fácil capturá-la.

Haviam cada vez menos leitos livres na enfermaria.

– SOCOOOORROOOOOOOOOO MAAANAAA MIIIKAAAAAAAA... — a guria berrava, em plenos pulmões, em um mix entre se descabelar e fugir com todas as forças que tinha. Que viadinho endemoniado!

– VEM CÁ QUE EU VOU CORTAR ESSA SUA GARGANTA!

– Haha, fazia tempo que eu não via o Yuu tão empolgado assim. Normalmente ele só fica assim com o Allen. — Lavi pensou, divertindo-se com a cena.

– É verdade... Mas foi por isso que eles foram proibidos de treinar... — na mente de Lenalee, um desastroso flashback de constante destruição veio, lembrando-a como o treino deles ficavam na época dos “tempos difíceis para a estabilidade da Ordem Negra”.

– Aliás, cadê ele? A missão não era literalmente no vizinho? — o Coelho questionou, repentinamente preocupado.

– E ele nem tem reportado nada... Daqui a pouco vamos ter que mandar um Finder pra achar ele...

– Não dá. O último Finder que foi lá morreu. Parece que o túnel é bem instável e escuro. Qualquer luz apaga. Por isso mandaram o Allen... Apesar daquilo ser um labirinto, ele tem o tim e... E o olho...

Um silêncio caiu sobre eles. Alguém que poderia ver o perigo mesmo que não pudesse ver nada. Alguém que pudesse enxergar um Akuma no meio da escuridão. O rabo escamoso de Lenalee se mexeu desconfortável.

– Mana Lenaaaaleeeee! — Anny escondeu-se atrás da exorcista, suada, descabelada e apavorada. O peito pulava.

Ao seu redor, todos que não eram compatíveis estavam imersos em sonhos desesperados, onde eram heróis corajosos e impotentes, tentando salvar aqueles a quem dedicavam seus corações.

A innocence de Anny estava descontrolada.

– Eu não vou mais fazer nada de errado! Não vou mais mexer nas gavetas do quatro olhos! Vou devolver a bolinha dourada!

– Que bolinha dourada? — Lenalee e Lavi perguntaram, praticamente, sincronizados.

– A bolinha dourada do namorado dele! — No fim do dedo de Anny, Kanda.

Os olhos de Lenalee e Lavi se arregalaram, antes de correrem — Kanda foi arrastado — para onde TimCampy estava, voando frenético dentro de um pote cheio de furos.

Naquele instante Lenalee realmente pensou que nunca mais fosse ver Allen.

–--//---

Para ser um exorcista basta ter uma innocence que goste de você. Simples assim. Um pedaço qualquer de matéria branca te escolhe, decide que você é o único pra ela e pronto. Acabou, uma passagem só de ida para a Ordem Negra.

Mas aquele que estava diante de si... Tinha algo de errado nele.

Estava escuro demais para que um humano de merda pudesse enxergar, mas estão porque aquele bostinha parecia olhar diretamente para si? O Nível Três rangia os dentes, incomodado.

Não gostava daquele olhar.

Odiava aquele sorriso.

O túnel tremeu quando os corpos se chocaram. As garras se enfiaram pelo tórax onde engrenagens rangiam e fios se enrolavam. Ele pode sentir a innocence alcançar seu esqueleto sem dificuldade, o cerne de sua matéria negra, feita com carinho pelo Fabricante.

Tentou enfiar os dentes, mas um manto branco cobria todo o corpo do compatível, o protegendo. Pode ouvir a voz do exorcista, suas peças se espalharam pelo chão, caindo da boca esgarçada numa gargalhada que punha a estrutura do túnel em risco. Sentiu seu corpo se vaporizar, rancoroso de saber que o maldito, com a innocence enfiada em seu corpo acompanhando as batidas de seu coração, mal sentiria o veneno que os akumas soltam ao morrer.

Vai ficar tudo bem, repetia a alma que se desprendia, conhecendo pela primeira vez o sentimento de pena naquele peito de máquina. Sentia pena do menino que sorria sozinho, na escuridão subterrânea.

Riu fraco, levemente sarcástico. Talvez estivesse convivendo demais com Anny e Kanda... Apoiou o braço na parede de terra, descansando a testa. Dos lábios, o sorriso murchou aos poucos.

Novamente, outra missão de pouca relevância. Já matara o Akuma e vasculhara a área, os boatos só foram espalhados por mera perda de tempo. Ao menos, a alma aprisionada encontrara a paz merecida.

Estava na hora de voltar para a Ordem.

Notas finais
Kalhens: A Konan/Amarulla tinha me mandado escrever uma nota. Eu escrevi uma nota. E aí eu entrei no Nyah! pra ver quando tínhamos atualizado pela última vez... FAZEM DOIS ANOS. MEUS DEUSES. DOIS FODENDO ANOS. EU ESTAVA NO SEGUNDO SEMESTRE DA FACULDADE, AINDA NÃO CONHECIA FREE! NEM DMMD NEM NEM NEM NADA! Caham, muitas coisas mudaram. Só queria dizer que o desenvolvimento esse capítulo foi 50% Konan falando de EunHae, 10% Kalhens relamando de não conseguir comprar coisas, 20% Yullen e 10% esquecendo da fic e indo fazer outras coisas, tipo por a Kalhens pra caçar imagem no Deviant. Os outros 10% foram eu dizendo ''podemos postar assim?'' ''podemos postar hoje''? ''podemos postar só esse pedaço?' Amarulla: Kalhens, como sempre, motivando os leitores. Ela está certíssima. Joguem pedras, amamos vocês. Bjs.