Tanya Denali

3 Capítulo 2. Segredo


Notas iniciais
Oiê! Cheguei!
Trago hoje nosso segundo capítulo! A segunda parte dele é pouquinho narrativa, mas é mto importante para se compreender um monte de coisas que vão acontecer mais na frente!
Espero que gostem! ;*

2. SEGREDO

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Vaguei lentamente até o chalé alimentando essa fúria, traçando pequenos planos.

Precisava conversar com Eleazar antes de qualquer coisa. Um ponto fraco de Caius era sabido e notório em nosso mundo: lobisomens. Não os metamorfos de La Push, mas os verdadeiros, os Filhos da Lua. Apesar de terem sido caçados por ele e praticamente extintos, acredito que ainda seja possível encontrar algum. Só preciso descobrir onde procurar.

Viajaria em breve, varreria cada quilômetro quadrado de onde quer que fosse. Eleazar só precisava me dar uma direção. Além disso, ele também poderia ter alguma ideia de outras fraquezas de Caius...

Quando cheguei ao chalé reconheci imediatamente as vozes de Carmen e Eleazar conversando na varanda da frente; entrei ansiosa pelos fundos e marchei decididamente ao encontro deles. Mesmo assim, Carmen chamou por mim, talvez achando que eu fosse evitá-los e me isolar novamente.

– Sim, Carmen, preciso falar com vocês. – respondi imediatamente.

Encontrei ambos sentados lado a lado no confortável divã de nossa ampla varanda, mãos entrelaçadas e me observando cuidadosamente. Sentei no chão próximo a eles. Carmen levou a mão direita ao peito em um gesto muito peculiar de preocupação. Como será que meu rosto está transparecendo todas essas emoções violentas dos últimos dias?Eu não sei. Se a ruga na testa de Eleazar é qualquer indicativo disso, então, parece que meu rosto não deve estar muito bem composto, afinal!...

– Quero as cinzas de Caius Volturi. – disse sem rodeios, cuspindo o nome dele.

– Tanya, mi querida, seja razoável. Você sabe tão bem quanto eu que nosso clã não tem condições de buscar uma vingança dos Volturi agora. Outra reunião de clãs contra eles, neste momento, com tudo tão recente, também não seria aconselhável...

– Não é disso que estou falando, Eleazar. – eu o interrompi rapidamente. – Eu quero somente Caius. A cabeça dele já é suficiente para aplacar o meu ódio. Além disso, não estou falando em um confronto impensado. Vim falar com você para refinar meus planos, quero planejar tudo meticulosamente. – ele ponderou minhas palavras por alguns segundos e perguntou:

– Diga, o quê você tem em mente?

Eu rapidamente lhe falei sobre minha intenção de caçar um lobisomem, um verdadeiro Filho da Lua, que pudesse se tornar um aliado em um possível plano... Que eu ainda não tinha... Mas o primeiro passo, era encontrar essa criatura, ganhar sua confiança e conseguir que ele aceite se aliar a nós. Isso me tomaria alguns meses de busca, de qualquer forma, e eu poderia amadurecer algumas ideias. Eu acreditava que termos um lobisomem, Filho da Lua, ao nosso lado desestabilizaria Caius.

– Sim. De fato, esse pavor dos Filhos da Lua é a fraqueza mais conhecida de Caius, mas não é a única. Sua outra fraqueza é a esposa, Athenodora. A única criatura que ele amou e ama em séculos e séculos de existência.

– Bom, Eleazar, era esse tipo de informação da qual eu estava precisando. Fale mais. – respondi animada. Notei o lampejo de algo mais em seu olhar, que ele imediatamente disfarçou. Não quis pressioná-lo. Carmen, que nos observava em silêncio, neste momento, disse preocupada:

– Tanya, por favor, diga que você não está pensando em entrar na torre de Volterra e...

– Não, Carmen! – eu a interrompi imediatamente. – Não sou suicida! Como eu disse, ainda não sei exatamente como fazer isso. Sei que tanto Caius, quanto Athenodora são guardados a sete chaves. Eventualmente terei que ir a Volterra para conseguir mais informações, mas já estou decidida, meu primeiro passo é encontrar um lobisomem, um Filho da Lua. Nem que eu leve anos nisso...

Ambos me avaliaram por um minuto e Eleazar por fim assinalou:

– Bom. Atualmente, isso pode ser mais fácil, afinal! Venha, mi querida, vamos checar algo na internet... – ele se levantou em um átimo e Carmen e eu o seguimos imediatamente. Fomos para o escritório. Eleazar sentou-se a mesa de um de nossos computadores e nos falou enquanto a máquina era ligada. – Pensei em verificarmos nos sites de noticiários pelo mundo, algum relato sensacionalista de pessoas que contam algo suspeito. A maior parte dos humanos não dá muito crédito para este tipo de notícia, mas nós que sabemos o quanto os mitos são realidade, sem que a humanidade se dê conta disso; podemos ter alguma pista, para você começar a procurar.

Eu assenti e corri até meu quarto para pegar meu netbook. No momento em que saí, eles falaram muitíssimo baixo e rápido:

– Não pensei que você concordaria e incentivaria isso? – Carmen perguntou ansiosa a Eleazar.

– Você não acha que eu deixaria barato o que eles fizeram com Irina, não é? Não depois de confiar tanto nas leis e na liderança deles. Não depois de me dedicar por tanto tempo a causa deles, para descobrir que só o que importa é o poder e que eles usam este poder de forma tão arbitrária.

No minuto seguinte, eu já estava de volta ao escritório, onde Carmen também já tinha seu laptop ligado. Parei na porta do escritório e disse diretamente para ela:

– Sei que você se preocupa, minha querida, mas não vamos tolerar tamanha afronta. Todos viram e se chocaram com a injustiça do que fizeram com Irina, até as testemunhas que eles mesmos levaram. Isso não pode ficar assim, Carmen, não pode. – ela assentiu e se concentrou em nossa tarefa ao computador.

Gastamos todo o restante daquela madrugada e a manhã seguinte em nossas pesquisas. No início da tarde, já tínhamos os seguintes planos: eu partiria para a Antártida, para checar o relato de um lobo enorme que atacou uma base do exército Argentino por lá; depois seguiria para o Brasil, para verificar alguns mitos populares na região central, um lugar chamado Chapada dos Guimarães, e por fim viajaria para Volterra para uma pequena pesquisa, alguma brecha na segurança da guarda Volturi. Eleazar e Carmen checariam uma reportagem sobre pessoas que andaram vendo um lobo incomum nas proximidades de uma cidadezinha na Sibéria, depois desceriam até o Himalaia, parece que em uma região por lá havia lendas de um “homem-lobo sagrado”.

Com estas tarefas distribuídas eu mesma fui providenciar as passagens aéreas, os documentos falsos, o dinheiro necessário e as bagagens para nossas viagens, mas, principalmente para a minha, pois eu iria para os lugares mais distantes e levaria alguns meses ausente de casa. Para Eleazar e Carmen seria mais rápido, pois eles só precisariam atravessar o Mar de Bering e, logo, estariam na Ásia. Esses preparativos me tomaram uma semana.

Julgamos importante sair para uma pequena viagem de caça, antes de partir na viagem mais longa. Caçaríamos aqui no Alasca mesmo, em Wilderness. Neste momento, Kate e Garret voltaram. Já haviam caçado. Kate tinha seus olhos em um âmbar aconchegante, com um brilho de felicidade, que ela tentava, solidariamente, disfarçar, mas sem muito sucesso. Garret já exibia uma mudança muito discreta em suas íris, o escarlate já não era dominante após a caçada experimental em Forks e essa recente com Kate. Seus olhos começavam a esfriar.

Eles prontamente se dispuseram a ajudar também, mas decidimos que seria melhor que eles ficassem aqui. Poderíamos necessitar de informações mais precisas da internet e eles teriam condições, aqui, de pesquisar e nos orientar melhor. Além disso, Carlisle poderia precisar fazer contato conosco.

Na manhã em que partimos em nossas viagens, Kate e Garret nos deixaram em Anchorage e imediatamente voltaram para casa.

Conversamos enquanto aguardávamos o horário dos vôos. Eleazar parecia hesitante em me contar algo desde que lhes falei sobre meus planos de vingança. Aproveitei para pressioná-lo:

– Sim, Tanya, você tem razão, há mais uma informação que tenho guardado por muitos anos, sim! – disse ele. Os olhos de Carmem lampejaram surpresos para ele. O que indicava que nem mesmo ela sabia do que ele estava falando.

Ele fez uma pausa ponderando gravemente ou, simplesmente, decidindo se nos contava algo ou não. Nós aguardamos paralisadas, em um súbito estresse.

– É algo muito grave, de fato, que abalaria e muito os três pilares Volturi – Aro, Caius e Marcus. – ele falou pausadamente, como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra. – Por isso, preciso pensar melhor, antes de revelar isso. Preciso entender como este segredo pode nos ser útil e o tempo certo para usá-lo. De qualquer forma, encontrar o Filho da Lua ainda me parece o primeiro passo.

Um segredo? Então os Volturi tinham um segredo muito grave, que Eleazar sabia? Como ele pôde guardar isso por tantos anos? Pensei na fidelidade de Eleazar à liderança do clã de vampiros italianos e imaginei sua decepção com tudo o que aconteceu; então, respeitei sua decisão e assenti, dizendo-lhe com os olhos que aguardaria até quando ele estivesse preparado para contar o que quer que ele saiba de tão grave.

Assim, nos despedimos no aeroporto de Anchorage. Carmen e Eleazar embarcaram primeiro para Moscou e eu para Buenos Aires, onde buscaria mais informações locais sobre a base atacada pelo tal lobo na Antártida.

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Cheguei a Buenos Aires no início de uma manhã nublada e imediatamente busquei um lugar para hospedar minha bagagem, embora não fosse muita coisa, seria volume demais para uma viagem de rastreamento pela Antártida. Pude me lavar e trocar a roupa no hotel, para melhor me fazer passar por uma jornalista estrangeira investigando o caso do ataque do animal na base militar. Gastei alguns dias e dinheiro em subornos coletando as informações e concluí que valia a pena, de fato, seguir para o sul, as possibilidades eram muito boas. Não deveria haver lobos nesta região, seja lá o que atacou aquela base poderia ser realmente o lobisomem que eu procurava.

Resolvi que o melhor seria viajar para a Antártida como clandestina. Um enorme cargueiro brasileiro que estava atracado no porto de Buenos Aires partiria em cinco dias para a Antártida em expedição. Vi aí uma boa oportunidade. Além disso, cinco dias seria tempo suficiente para caçar antes do embarque. Assim, rumei para o sudoeste da Argentina, pois de acordo com meus GPS e mapas haveria alguma vida selvagem na região de Lanin, para uma boa refeição antes da viagem. A corrida era agradável, apesar de ser verão no hemisfério sul, o tempo continuava nublado e, uma vez que eu não conhecia especificamente esta região do país, me surpreendi com as possibilidades de caça na fauna, e divertimento, com os belos espécimes humanos; mas eu não podia perder o foco...

A viagem para a Antártida foi muito longa, mas seguiu sem intercorrências. O navio era muito grande, com várias alternativas de esconderijo e aproveitei o tempo para meditar e planejar tudo com mais calma e frieza. Utilizei muito da capacidade que nossa espécie tem de ficar paralisada, como uma perfeita estátua. Muito embora, minha mente estivesse em atividade frenética, focada no objetivo que me trouxe até aqui.

Na verdade, agora, me preocupava um pouco em encontrá-lo. Não que eu não fosse autoconfiante em relação a minha capacidade de lutar com ele e vencê-lo. O fato é que não era meu objetivo destruí-lo, mas sim, convencê-lo a se tornar um aliado e isso seria um problema.

A receptividade de uma criatura dessa natureza não seria muito boa com uma vampira. Pelo que Eleazar e eu conversamos, eu deveria encontrá-lo, observá-lo de longe e aguardar para abordá-lo no momento certo; nunca numa noite de lua cheia. Ele deveria ser diferente dos lobisomens de La Push. Estes podem se transformar quando querem, na medida em que conseguem controlar isso. O que estamos procurando depende da lua cheia. Porém, uma vez transformado seria arredio e muito, muito perigoso; principalmente para nós, vampiros, que somos seus inimigos naturais e mortais. Além disso, não parecem ter o mesmo apreço pela vida humana que os metamorfos de La Push, por isso vagam por regiões quase desertas, isoladas; pois hoje, ao contrário de outros tempos em que não éramos somente mitos, a humanidade tem meios de aniquilá-los.

E assim, imaginando este confronto segui em minha viagem até o continente antártico. O cheiro de sangue humano, que já não me incomodava há alguns séculos, tornou-se um problema ao final. Quando faltavam em torno cinquenta horas para chegarmos, a sede começou a incomodar.

Uma vez lá, corri da área de pesquisas brasileiras para a base militar argentina. Em dez séculos, esta era minha primeira vez neste continente. O lugar era inóspito, mas bonito. O céu de um azul intenso contrasta com o tapete branco que agora continha os rastros suaves da minha corrida. Levei cerca de um dia para chegar à área militar de domínio argentino, o único inconveniente foi ter de caçar alguns pinguins... Paladar nada agradável. Vestia roupas práticas o bastante para uma viagem de rastreamento, mas leves em comparação com os abrigos para o frio que os humanos costumavam usar por aqui, por isso, e porque realmente não há movimentação de habitantes por aqui, evitaria contato com as pessoas na base militar para não chamar a atenção. Levava uma mochila com mais uma muda de roupas leves, um celular com GPS carregado – e desligado, para usar somente em caso de emergência – e nada mais.

De fato, consegui pegar um rastro muito peculiar na neve. Não era humano e nem animal. Não era nada do que já tivesse visto antes. Definitivamente, não era de um vampiro também. Lembrava um pouco o fedor dos metamorfos de La Push, mas conseguia ser ainda pior. Muito pior. O que quer que tenha deixado o rastro havia se afastado da área militar argentina há, pelo menos, dez dias e quinze dias após o incidente da invasão. Não me seria útil conversar com ninguém, pois segundo me foi informado em Buenos Aires, logo após o contato pedindo ajuda, houve troca das equipes, dessa forma, os humanos que agora estavam aqui na base não foram testemunhas. Só me restou seguir o rastro, o que não levou muitas horas, para verificar que terminava ao final de uma geleira enorme, nas águas gélidas do oceano e desaparecia.

Voltei para a base militar e tive de aguardar uma semana e embarcar clandestinamente em um cargueiro inglês, que partia em direção à Falklands. Nesse tempo refiz o trajeto do rastro metodicamente; mas, de fato, quem o deixou já não estava mais lá. O cheiro já estava desaparecendo. Já não suportava mais a ideia de caçar pinguins, mas não captei nenhum outro rastro suspeito. O que quer que tenha atacado a base militar e deixado aquele rastro muito peculiar não estava mais aqui.

Isso não abalou minha determinação. Eu ainda via tudo vermelho somente com a recordação da imagem odiosa de Caius sobre os despojos em pedaços de Irina, braço direito erguido ao alto, e a labareda de fogo, que saía de sua mão, a lambendo e produzindo uma grande fogueira aos pés de seu manto negro. Ainda ouvia os gritos dela quando a guarda a partiu em pedaços e o meu próprio grito desesperado...

Revoltava-me a injustiça e o sentimento frustrante de impotência. Quando Sasha cometeu aquela loucura por causa de Vasilii, e foi punida pelos Volturi com a morte; eu e minhas irmãs adquirimos um respeito muito grande às leis e à liderança Volturi. Respeito este, que inclusive, levou Irina a trair Edward e Carlisle daquele jeito, e denunciá-los aos Volturi, só por ter visto Nessie de longe e cogitado que ela pudesse ser uma criança vampira. Mas com Irina foi diferente, eles queriam acender o estopim para uma batalha. Eles queriam manter seu poder intacto. Foi injusto e cruel... E foi ideia dele... Caius.

Notas finais
Me contem por review o que acharam! ;)
Amanhã posto outro, assim como prometi!
bjokas!