Tanya Denali
14 Capítulo 13. Predestinada
Notas iniciais
Vejam o que acham deste capítulo! *-*
13. PREDESTINADA
Percebemos que o misterioso forasteiro reduziu sua corrida por uma caminhada muito rápida, e formamos um semicírculo enquanto aguardávamos que ele viesse até nós. Edward mantinha-se concentrado e eu não fazia ideia se ele já havia percebido minha desconfiança a respeito de quem poderia ser o nosso visitante. Nesse instante, Edward olhou para mim e assentiu. Mas isso queria dizer o quê? Que eu estava certa? Era o lobisomem que eu aguardava?
Edward assentiu novamente. Carlisle perguntou rapidamente, sob a respiração:
– O quê Edward? – ele não respondeu apenas sinalizou para que Carlisle aguardasse.
Em alguns segundos um vulto ganhou forma na nossa frente, cada vez mais próximo. Até que parou a cinco metros de nós. Parecia tão seguro de que não íamos atacá-lo... Isso nos confundia. Um Filho da Lua já estaria hostil... Ou talvez... Não. Se ele está aqui é porque esteve na Itália primeiro.
– Por favor, acalmem-se. Não ataquem. – disse ele pausadamente. Surpreendi-me com o veludo agradável de sua voz. – Venho em paz.
Edward e eu relaxamos, os outros se mantiveram prontos para o ataque. Carlisle analisando a minha calma e a confiança de Edward levantou o corpo e deu um passo à frente para saudar o recém-chegado.
– Meu nome é Carlisle Cullen. A família de minha amiga mantém moradia fixa aqui perto. – disse Carlisle cautelosamente, e dando um passo calculado à frente, acrescentou. – Sabemos que você não é humano, embora aparente ser. Mas também não reconhecemos sua fragrância. Por favor, diga-nos. O que você é? Quem você é?
– Meu nome é Lucca. – disse ele. – E na verdade pensei ter sido convidado para vir até aqui. Procuro por Tanya, ela esteve com meu filho Marconi na Itália. – como Carlisle falou em inglês, Lucca respondeu no mesmo idioma, mas o sotaque italiano era marcante.
Agora foi a minha vez de dar alguns passos à frente para receber o pai de Marconi Simeonini, o verdadeiro lobisomem, o Filho da Lua pelo qual passei quase um ano procurando:
– Sim. Sou eu. – ouvi minha voz de sino de vento repicar resoluta e ele se sobressaltou me olhando imediatamente. – Eu sou Tanya, eu sou a vampira que procurava por você e esteve com seu filho na Itália.
Lucca então caminhou para o meu lado, lentamente. Eleazar venceu a pouca distância entre nós, como um raio e colocou a mão protetora em meu ombro direito. Enquanto Lucca se aproximava, olhei para ele, por sobre o meu ombro, tentando acalmá-lo, dizendo com os olhos que estava tudo bem.
Depois voltei meu olhar, lentamente, para Lucca e pude analisá-lo com mais calma. O pai do velho Marconi, não tinha mais do que vinte e cinco anos. Era alto, forte e... Lindo! Parecia a personificação da estátua de Apolo. Os traços eram másculos e fortes, a boca parece ter sido desenhada à mão. O rosto perfeito era emoldurado por cabelos curtos e bem escuros, da mesma cor das sobrancelhas, ressaltando a pele clara. Distraída contemplando a elegância de seu andar e o seu peitoral definido, que se destacava na camisa colada ao corpo, levei um minuto para perceber o quão perto de mim ele já estava. Levantei minha cabeça lentamente, – pois embora eu nunca tenha sido o tipo mignon, ele ainda era bem mais alto que eu – e me deparei com intensos olhos de ônix me fitando. A proximidade era suficiente para que eu sentisse o calor absurdo que emanava de seu corpo e desfrutasse do perfume muito peculiar, idêntico ao da flor rara e perfeita dos Alpes. Mas, esses detalhes não tiveram tanta relevância; uma vez que fiquei presa e perdida no olhar dele, que por sua vez, continuava fixo no meu.
Seus olhos eram... Hipnotizantes. Sensuais. Intensos. E me fitavam com uma emoção que eu nunca, em dez séculos de segunda vida, jamais vi em nenhum olhar. Na verdade, pareciam imersos nos meus próprios olhos. Por fim, ele disse:
– Encontrei você, enfim... – esta simples declaração de um fato veio carregada de ambiguidade e significados incompreensíveis.
E nós ficamos assim, nos olhando por alguns segundos intermináveis até que me dei conta de que não estávamos sozinhos ali. Eleazar apertou um pouco meu ombro e eu, a contragosto, me virei para surpreendentemente, ver o meu grupo de amigos totalmente paralisados entre a tensão, a preocupação e a hostilidade. Garret e Emmett estavam agachados, prontos para atacar ao menor sinal de que Lucca pudesse tentar algo contra mim. Jasper e Edward estavam extremamente concentrados nos sondando e analisando, Carlisle olhava para seus dois filhos tentando compreender o se passava aqui. Alice estava confusa e irritada, olhar perdido e vidrado. O que será que ela via? Carmem e Eleazar, bem próximos de mim, tensos e preocupados. Tratei de explicar a todos:
– Bom, todos você leram os documentos manuscritos que eu roubei em Volterra e já conhecem a história da carta que Gianna pediu que eu entregasse ao seu irmão e como isso fez com que eu encontrasse o filho do lobisomem que venho procurado. – e me virando de volta à Lucca, perguntei. – Você esteve com Marconi?
– Sim. Foi ele que me disse onde eu poderia encontrá-la, – então ele abriu um sorriso que fez com minhas pernas tremessem por um segundo e completou – acho que você ganhou um admirador no norte da Itália! – eu sorri em tanto constrangida.
Notei que Lucca tinha em suas costas uma grande mochila de alpinista, que parecia estar bem pesada, e o convidei então, para nos acompanhar até a casa.
E assim, voltamos ao chalé. Carlisle e Edward estavam ansiosos para acalmar Esme e Bella.
Percebi que todos tinham, no mínimo, uma atitude de cautela com relação à Lucca, inclusive Edward e Jasper que pareciam menos hostis, pois podiam ler os pensamentos dele e perceber suas emoções; também não lhe davam as costas e mantinham uma posição que facilitasse a defesa, sempre próximos de suas parceiras. Bella, por sua vez, se recusava a recolocar Nessie deitada no sofá, ou mesmo em uma das camas, no segundo andar. Preferiu continuar a embalando em seus braços. Olhos fixos em Lucca.
Então, me dei conta de que mesmo Lucca se declarando como um possível aliado nosso contra os Volturi, o instinto parecia falar mais alto. Afinal, ele era um lobisomem Filho da Lua. Os Cullen já haviam superado a aversão aos transmorfos de La Push, que agora eram na verdade, como amigos da família. Mesmo o meu clã – eu, Kate e Garret, Eleazar e Carmem – já estávamos familiarizados com as alcatéias quileutes. Mas uma nova espécie... Bom, ainda levaria um tempo para que eles se acostumassem com Lucca.
Então, por que eu me sentia tão à vontade perto dele? Meus instintos não gritavam...! Eu não via uma ameaça ali. Na verdade, para mim, bastava um só olhar no ônix dos olhos dele para eu esquecer todos os outros à nossa volta.
O que estava havendo aqui?
Bom, isso com certeza devia ser por causa da amizade fácil que fiz com seu filho Marconi, na Itália... Aliás, era tão estranho pensar em Marconi ou mesmo Gianna como filhos do jovem que estava, neste momento, na cozinha de minha casa comendo...
É claro que abastecemos a cozinha assim que os Cullen chegaram, por causa de Nessie, que também gostava de se alimentar de comida humana, apesar da caçada de ontem.
Quando ele acabou de comer, todos esperavam por nós na sala para a reunião que vínhamos adiando desde a chegada dos Cullen. O dia começava a amanhecer. Nessie ainda ressonava nos braços de sua mãe e Lucca ficou olhando para elas curioso. Edward calmamente esclareceu as dúvidas mentais de meu convidado:
– Não. Minha filha é metade vampira e metade humana. Minha esposa ainda era humana quando a concebeu e deu à luz. Ela dorme, seu coração bate e bombeia seu sangue quente por seu corpo. Ela possui este perfume peculiar que você está sentindo, alimenta-se tanto de comida humana quanto de sangue de animais, assim como todos nós, que somos vegetarianos. – Lucca ouviu a explicação de Edward um pouco confuso, o que fez com que Edward o respondesse novamente. – Não. Você não deu voz aos seus pensamentos sem perceber, Lucca. Eu os li em sua mente.
– Você... Pode... O quê? – perguntou ele, em choque.
– Alguns de nossa espécie possuem talentos, Lucca. Eu, por exemplo, posso ler todas as mentes nesta casa, com apenas uma exceção. – disse Edward virando para olhar amorosamente para Bella, e continuou. – Meu irmão Jasper, percebe e manipula emoções; minha irmã, Alice ali – apontou a baixinha com o queixo – pode prever o futuro...
– E você Lucca? Por que não conta para todos o que percebo que você pode fazer? – interrompeu Eleazar nos surpreendendo a todos, menos Edward, é claro.
Lucca hesitou assustado por um momento e Eleazar se explicou melhor:
– Posso perceber os talentos de vampiros e sentir o potencial de futuros talentos entre os humanos. Mas, como você é o primeiro de sua espécie que encontro, devo reconhecer que estou surpreso ao sentir que você não é um lobisomem comum. Por que você não nos conta?
– Sim. Você tem razão. Desenvolvi algo ao longo dos séculos em que vaguei solitário. Muito antes mesmo de encontrar as falecidas esposas que me dariam filhos. Posso causar confusão mental em uma ou mais pessoas ou... criaturas.
– Exatamente. – disse Eleazar satisfeito. – Tinha certeza de que se tratava de mais um dom mental ofensivo. Diga-me. Todos os lobisomens de sua espécie possuem dons?
– Isso eu não posso te responder, porque não sei. Sou o último de minha linhagem. Ao menos, o último que possui o Sinal da Lua Cheia. A tradição dos meus ancestrais diz que nem todos teriam “poderes”, somente aqueles que abdicassem à carne humana. Lobisomens das outras linhagens, então, não possuem estes dons, somente os da minha linhagem.
– A dieta de sua linhagem; isso explica o perfume? – foi a vez de Carlisle perguntar, visivelmente curioso como sempre.
– Sim. Parece que para o olfato de vocês, os lobisomens das outras linhagens deveriam ter um odor nauseante. Mas como minha linhagem não se alimenta de humanos, com o passar dos séculos, há milênios, quando éramos muitos e o império etrusco vivia seu apogeu, começamos a adquirir um perfume muito peculiar das flores raras que nos representam...
– Obsidiniuns! – eu gritei sem conseguir me conter. Nessie começou a se mexer no colo de Bella, provavelmente despertando com meu grito.
– Sim. – Lucca olhou para mim e sorriu, concordando. E continuou explicando. – Mas, acredito que vocês não apreciariam tanto meu cheiro acaso eu estivesse transformado, na fase da lua cheia.
– Mas... – continuou indagando Carlisle – Você transformado, durante a lua cheia, não seria hostil conosco? Quer dizer... Sempre ouvi falar que sua espécie, uma vez transformada, perde o controle sobre a hostilidade com a minha espécie.
– O dom mental que possuo me ajuda a me controlar, mas é verdade, lobisomens durante a fase da lua cheia ficam muito voláteis. Embora eu tenha motivos para acreditar que serei incapaz de atacar qualquer um de vocês.
– Ah é? E por quê? – foi a vez de Kate perguntar.
– Seus olhos dourados. – esclareceu ele categoricamente. – Reza as tradições dos antigos, que um Filho da Lua de minha linhagem haveria de vencer o nosso maior inimigo, quando se aliasse a uma vampira “dourada” com os cabelos da cor dos raios do crepúsculo. – explicou Lucca olhando para mim novamente e todos seguiram seu olhar. Fiquei inexplicavelmente constrangida. Ele prosseguiu. – Eu, assim como os outros de minha linhagem, meus ancestrais, temos então, procurado por esta vampira especial, desde... Bom, desde sempre...
– Bom, parece que foi ela que encontrou você... – completou Edward divertido.
Os olhos intensos e penetrantes de Lucca não saíram de mim. Assim, como todos os olhos dourados da sala. Um jato de gelo percorreu todo meu corpo quando percebi onde eles queriam chegar.
– Porque estão me olhando assim?! – perguntei paralisada pelo estresse. – Vocês não acham que eu... – Ah!... Por favor...! – Tem mais seis vampiras de olhos dourados nesta sala! – argumentei; minhas sobrancelhas arqueadas.
Lucca se aproximou lentamente de mim e olhando no fundo dos meus olhos, disse:
– Mas você é a única com esses cabelos da cor do crepúsculo... – quase um sussurro; a voz terna, macia. Aconchegante. O calor de seu corpo emanava no meu, relaxei imediatamente, mas comecei a ofegar.
Edward talvez percebendo meu constrangimento, especulou mais detalhes de Lucca:
– Só um instante, Lucca. Explique melhor. Você disse a tradição dos antigos, mas em sua cabeça há algo especificamente sobre uma profecia... Além disso, a tal “vampira dourada” deve se aliar ou se unir a um Filho da Lua de sua linhagem?
– Sim. Eu talvez tenha me expressado errado. – respondeu ele, agora olhando para Edward e para os outros. – É uma profecia e os antigos falavam especificamente em união. Não entendíamos como a vampira poderia ser dourada, mas agora os olhos de vocês deixaram tudo muito claro para mim. A profecia dizia que ela, de alguma forma, não teria olhos de monstro. Ela seria... Predestinada...
– Isso é ridículo! – interrompeu Kate ansiosa. – Minha irmã não está predestinada a nada!
Houve um minuto de constrangimento e tensão na sala. Lucca olhou tristemente de Kate para mim.
Até que, quebrando o silêncio e o clima desconfortável, Nessie acordou totalmente e sentou-se no colo de sua mãe, espreguiçando deliciosamente.
Lucca a fitou fascinado e, com os olhos, pediu permissão a Edward e Bella para se aproximar da pequena. Edward apenas assentiu e tranquilizou Bella. Lucca andou até o sofá, agachou-se na frente de Nessie e fitando seus lindos olhos cor de chocolate, sussurrou visivelmente emocionado:
– Então, em algum lugar de Volterra eu tenho um neto tão especial quanto você?
Nessie jogou sua cabecinha de lado e sorriu para ele, com toda a sua inocência.
Notas finais
Andreia, bjokas brasileiras bem estaladas em suas bochechas portuguesas, florzinha!!! ahsuahsuahsuahs
E minha chará, Ana Paula Souza! Vc é uma fofaaaaa!!! *.*
obrigada por ler, meninas! e me contem por review o que acharam do cap.!
Amanhã posto mais! Sem falta!!! ;D
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