Notas iniciais
Preocupada com o entusiasmo de Armando com a franquia da Venezuela e com sua suposta rejeição, Betty começa a experimentar o que dizem nas cartas que Mariana colocou:

Naquele dia, Seu Hermes não iria à Ecomoda, ao invés disso, iria ao escritório do Dr. Lopéz para enfim, fechar acordo com a empresa onde trabalhara, religiosamente por vinte anos. De modo que, Betty sentiu-se livre para pegar seu carro e ir à Ecomoda sozinha. Como saiu cedo não tinha pressa. Finalmente tinha condições de comprar seu carro e aprendeu a dirigir.

Gostava de dirigir tranquila pelas ruas de Bogotá, desviando dos pontos de conflito e trânsito, tão comuns ao horário. Quando mais jovem nunca pudera fazê-lo, sequer de táxi, vez que só tinha o suficiente para andar de ônibus e sempre o pegava pendurada do lado de fora. E agora que, tinha dinheiro e carro, sempre havia alguém disposto para dirigir para ela: Nicolás, seu pai e seu Armando. Todos queriam dirigir para ela. Então, sentiu-se, livre para pegar seu carro e ir no seu ritmo, naquela manhã.

Aura Maria desde que estava firme com Freddy e se tornou secretária da presidência estava levando o trabalho a sério. De modo que, estava devidamente assentada com seu visual novo adquirido desde o dia do desfile: blazer, saia um palmo antes do joelho e cabelos lisos sobre os ombros, conferindo-lhe um ar elegante, que concordava com sua posição de secretária da Presidência.

—Bom dia, Betty! -cumprimentou com largo sorriso

—Bom dia, Aura Maria! -um sorriso comum, sem dentes

—O que acontece?

—Nada. É que dormi de mal jeito, Aura María!

—Melhoras, Betty! Hoje iremos começar o treinamento?

—Sim.

—Estou animada!

—Mas mais tarde! Te aviso!

—Sim, Betty! “Ela está estranha.” -pensou

Betty entrou no escritório e seguiu trabalhando até a chegada de Armando

—Bom dia, mí amor!

—Bom dia! -sorriu-lhe. Ele, então, deu-lhe um beijo terno

—Hoje temos um almoço com um empresário de México para conversarmos a respeito da abertura de uma franquia!

—Bom...

—Pretendo convidá-lo para a inauguração na Venezuela para ele ver de perto como funciona nossa proposta. Que acha?

—Boa ideia! (Pensou “Ouvi: Venezuela?”)

—De modo, agora que tenho os nomes de nossa comitiva completos, irei pedir dois ingressos a mais para o senhor e algum convidado à Alejandra hoje mesmo!

—Sim, faça isso!

“Betty pensou: Por quê, mas por quê, tem que falar este nome Alejandra assim toda hora?”

—Algum problema, Betty?

—Não.

—Bem-beijo- vou fazer isto- Antes do almoço, falamos! Te amo!

Betty seguiu trabalhando.

—Incrível sempre... -pensou

Um pouco antes do almoço, Armando passou para avisar-lhe que o almoço com o empresário havia sido adiado para o dia seguinte, vez que teve um compromisso urgente que só lhe permitira estar em Bogotá no dia seguinte. Betty respirou aliviada, pois tinha algumas questões para resolver. E sobretudo treinar Aura María. Decidiu, então, pedir algo para o quartel no Correntazzo. Logo, Freddy chegou com um monte de marmitas e dirigiu-se à Sala da Presidência:

—Boa tarde, Bela presidente, chefe de minha rainha, aqui estão as comidas que pediram!

—Grata, Freddy!

—Minha rainha disse que nossa digníssima presidente irá levá-la para ver os pontos turísticos de Caracas. Ai, Caracas! É verdade?

—Não, Freddy! Não sei se teremos tempo para isso! Iremos a trabalho! Não creio que teremos tempo sequer de visitar uma praça.

—E não se vão de rumba? * (muito usada na novela, querendo dizer: ir dançar, ir à farra e para Aura María vai saber mais o quê!)

—Não, Freddy -riu-se-Será uma grande oportunidade para Aura María mostrar sua capacidade!

—Sim, é que ela está tão animada, só fala nisso!

—Mas pode ter certeza que é trabalho, Freddy! Bem, pode chamar as do quartel à sala de reuniões, sim? -pediu Betty

—O que me pedes sorrindo, eu lhe faço sorrindo -cantarolou Freddy -Que linda está a Presidente.

—Ai, Freddy!

À tarde, Betty chamou Aura María para explicar-lhe o que lhe caberia fazer no evento. Aura sentiu certa dificuldade no início, mas prometeu se esforçar.

Depois Betty seguiu trabalhando e Nicolás ajudou Armando no projeto para apresentar ao empresário do México. Como já estava tarde, Betty resolveu passar pela sala.

—Boa noite! Vão seguir trabalhando?

—Sim, um pouco mais! Já que vou na semana que vem encontrar-me com outros, então, pretendo deixá-los rascunhados. Se importa?

—Não. Mas estou cansada, vou para minha casa!

—Oh, mí amor! Não prefere esperar um pouco?

—Estou mesmo cansada! -Beijos

—Termino aqui, vou para meu apartamento e te chamo de lá!

—Está bem!

Ao descer, Betty encontra Aura Maria e Freddy:

—Boa noite, Betty! Já vai? E vai sozinha? -indagou Aura María, que estranhou, pois Betty há muito não saía desacompanhada de Armando, Hermes ou Nicolás

—Sim. Vou no meu carro!

—Ora, e o doutor?

—Está ajustando os projetos das franquias com o Nicolás, mas não quis esperar! Vou para casa!

—Mas o que passa? Está bem?

—Estou cansada só! E tenho que arrumar as coisas para a viagem.

—Mas onde que vai tão bonita, a presidente desta empresa -cantarolou Freddy- vai sozinha, tome cuidado, Seu Armando...

Betty virou as costas sem nada falar, mas Aura Maria repreendeu-o com um tapa

—Bobo! Não vê que Betty não está bem?

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Ao chegar na rua de casa, Betty estacionou o carro um pouco à frente de casa, onde teria espaço;

—Oi, como vai, Betty?

—Ai, Roman! Me deixe que não estou com tempo!

—Ah Betty! Mas por que faz assim, hein? Agora que está bonita...

—Não fala mais conosco?

—Onde está seu doutorzinho?

—Já o largou por coisa melhor, é?

—Quer bailar? Tomar umas cervejas?

—Não, deixe-me em paz!

—Betty!

—Miguel? Que fazes aqui? Não voltou para onde não deveria ter saído?

—Que foi, Betty? Te provoco arrepios?

—Arrepios? Vejo que os anos passaram, mas sua arrogância não diminuiu, continua o mesmo. Um idiota!

—E gosta assim?

—Não, Miguel! Não me entendeu! Você não me provoca nada mais, talvez pena. Pois uma pessoa assim não é capaz de conhecer outra, se apaixonar e ser feliz.

—Que papo é esse, Betty? Vai dizer que esqueceu de tudo? Que fui eu que te mostrei os prazeres da vida? Vai dizer que o engomadinho lá é que capaz disso de fazer você se esquecer de tudo?

—Sim! Quem é você, por acaso?

—Ah que isso, Betty! Dá um beijinho, vai? -ela a segura — Quero ir embora com uma recordação tua! -Ele a puxa, mas ela consegue desviar o rosto

—Largue-me, Miguel! -dá-lhe um tapa e o empurra -Por sua sorte que ele não está hoje comigo.

Seu Hermes já havia acendido a luz e abria a porta

—O que acontece aqui? Ah, os arruaceiros! Saem daqui!

—O que acontece, Seu Hermes?

—É que agora tem uma filha muito bonita, Seu Hermes!

Eles fogem, Seu Hermes entra puxando a filha para dentro.

—Está vendo? Por isto não gosto que fique pela rua! Onde está seu doutor que não te trouxe em casa hoje?

—Ah! É que ficou trabalhando.

—E por que não veio com o Nicolás?

É que ficou trabalhando com ele.

—E por que não os esperou, hein? Por que não os esperou?

—Ai, pai! É que estou cansada e queria chegar logo em casa!

—Viu? Quando te falo que o diabo é porco.

—Ai, Hermes! Deixa a menina! Deixa a menina!

E você, Julia! Vai para a cozinha que com esta menina me entendo!

Como ele está virado de costas, ela faz menção de jogar um pano em sua cabeça.

Betty tomou um banho relaxante e sem sono começou a separar algumas coisas para a viagem. Armando chamou-a um pouco depois de seu apartamento para avisar que havia chegado.

—Boa noite, meu amor!

—Boa noite, doutor!

-Te chamei antes, mas como não atendeu, fiquei preocupado.

—Estou bem!

—Estava dormindo?

—Não. Estou separando umas coisas para a viagem, Logo, farei isso.

—Pois descanse, Beatriz!

—Sim, pode deixar!

—Beijos! Sonhe comigo!

—Sim.

Ela ri-se, não tem feito outra coisa desde que começara a trabalhar na Ecomoda.

Desligou o telefone e continuou a separar tudo:

—Dois conjuntos de saia, dois de calça, uma roupa de passeio, dois vestidos de baile. Preciso ver com Dona Catalina o que precisarei, exatamente.

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Notas finais
Betty vai ficar um pouco desconfiada, mas nada que prejudique os negócios, tampouco sua relação, pois ela é muito discreta. O tal do Miguel é um folgado mesmo, ainda bem que a Betty assentou-lhe um tapa, finalmente...Ficou barato, o Armando faria bem pior! Rs. Se estão gostando, vamos lá comentem, deêm sugestões.