—Amor? Armando?

Quando viu aquela mulher esplendorosa. adentrando sua casa, vestindo terninho azul cobalto, camisa branca sapato channel salto 7 bico fino de verniz, cabelos soltos caídos nos ombros, sorriso de orelha a orelha e os olhos com um brilho especial, Armando sentiu seu coração oprimir. Como iria ter coragem de colocar Betty contra a parede para cobrar-lhe com ela chegando tão carinhosa assim? Amava esta mulher mais do que amava a si mesmo e ainda mais Camila estava ali e não podia fazer uma ceninha frente à sua filha.

—Oi, Betty! -tentando ser frio.

—Armando! -disse toda melosa.

Ao vê-la sorrindo indo em direção a ele para beijá-lo pensou em virar-lhe a cara. a rejeitar, mas não teve coragem. Betty veio até ele e lhe beijou, o que ele devolveu sentindo um sabor agridoce em seus lábios (Sabor amargo como a traição? -pensava)

Depois Betty beijou Camila que estava no colo de Armando.

—Mamãe estava com tanta saudade de minha preciosa.

—E de seu precioso, não estava?

—Como assim? Claro, meu amor! -disse, fazendo menção de beijá-lo, mas desta vez ele disfarçou e virou-se rapidamente.

—Fiz um café!

—Grata, um cafezinho faz sempre bem.

-Tem torradas, arepas, bolinho, sua mãe mandou para o lanche, deve estar com fome.

—Não estou. Acabei de jantar, não te disse?

—Ah sim com "minha mãe" -disse com tom irônico.

Betty não estava entendendo, ele parecia estranho, mas preferiu não perguntar-lhe, pois pensou que ele deveria estar cansado.

—Bem, eu estou com fome! -disse ele comendo o bolinho quase inteiro.

—Dá. --disse Camila.

—Sim, meu amor!

—Creio que a pequena tem que tomar um banho. -disse Armando, tomando-a em seu colo.

—Vai dar banho nela?

—Sim, você deve estar "cansada". Descanse, Betty! Tem trabalhado muito e ainda estudado. Eu cuido da monstrinha!

—Papá!

—Vem, preciosinha.

—Grata, meu amor!

—Estes sapatos estão me matando e olha que pareciam confortáveis. -disse Betty, a si mesma, livrando-se dos sapatos altíssimos

Enquanto isso, Armando comentava com Camila:

—Sua mamãe está cada dia mais bonita, mais arrumada e agora até de salto está. Ela não era assim. Não sei o que acontece! -se lembra do loiro alto que estava com ela no carro — Na verdade, eu sei,... que não seja, que não seja, Camila, o que penso. Sua mãe merece tudo de melhor, um tipo melhor que eu, mas a amo, a amo. Ela é minha!

Betty foi para o quarto, colocou a roupa de dormir, viu que Armando demorava muito, fazia frio e não queria que a menina se resfriasse.

—Armando, já terminou? Está frio, ela pode ficar resfriada.

—Estou tirando-a do banho.

Betty adentrou o banheiro, havia fralda, toalha e roupa suja pela chão. Se fosse a Betty de sempre teria, certamente, caído com tudo, como alertou Armando que, de olhos arregalados a imaginou escorregando, tropeçando na bagunça, mas que ele, como um super-herói, ainda segurando Camila em um braço, com o outro segurava-a e impedia que ela caísse.


Mas Betty soube desviar muito bem daqueles obstáculos e de braços abertos estendeu a toalha para sua pequena.

—Mamãe, eu estava fazendo farra com o papai! Não fica brava! -disse ela, imitando voz de criança.

—Não, meu amoreco, não fico, mas é que está frio e não quero que se resfrie. -respondeu a si mesma

Armando não sabia se ria ou ficava com raiva, pois ao que parece nem para isso, cuidar de sua filha, era bom. Não estava feliz, certamente. Na sua cabeça rodeavam muitas coisas, queria perguntar-lhe, cobrá-la, mas preferiu manter-se em silêncio. Logo, Camila adormeceu nos braços de Betty e os dois os colocaram na cama.

Armando voltou para o quarto e enquanto Betty desceu as escadas para tomar um copo d`água, ele se trocou, colocando um pijama completo e se enfiou nas cobertas. De modo que, quando ela chegou no quarto já o encontrou como se tivesse acabado de pegar no sono.

—Ah, meu doutor monstro está dormindo. Pensei que íamos brincar um pouquinho, estava com tanta saudade.

Armando continuava com seu fingimento. Betty, triste, deu-lhe dois beijos, com veneração e acomodou-se frente a ele, passando seu braço sobre ela, para senti-lo.

Para Armando, aquilo era uma tortura. Aquela mulher estava linda e cheirosa como sempre e ao que parecia queria seu carinho, assim, ele fingindo dormir, apertou-a contra ele e posicionou seu queixo na saboneteira dela, fazendo que Betty suspirasse.

—Não aguento!

Ele virou subitamente, ficando em cima dela para beijá-la com vontade.

—Ah! Acordou, meu amor?

—Me ama, Betty?

—O amo desde que o conheci e nunca deixarei de amá-lo.

Foi suficientemente para que a paixão desatasse entre eles. Armando invadiu a boca de Betty, beijando-a com paixão. E ao ouvi-la suspirando louquinho começou a despi-la. Descobriu que por baixo do roupão ela só vestia um pijama de seda e renda, macio como sua pele, mas ainda preferia aquela pele que o enlouquecia.

—Tudo aqui é meu! -disse, beijando e mordiscando seu pescoço e seus seios. -Ninguém pode tocar ou olhar! Só Armando Mendoza!

—Só Armando Mendoza! -dizia Betty, com dificuldade, devido à sensação que lhe provocava.

Após se despirem e sentindo-a pronta, ele a tomou com paixão.

—Diga que é minha!

—Sou sua, Armando, só sua!

—Vou te mostrar, Betty que só eu posso ser seu homem! Que só eu posso te amar como te amo!

—Só você, ARMANDOOOO!!!

—AI, BETTY!!!

Armando continuava tomando-a com paixão possessivo, como quando estava carente e ciumento.

Betty sabia que ele estava assim, pois o conhecia muito bem, mas depois perguntaria, agora deixaria que ele fizesse com ela o que queria.

Como um louco ensandecido, para descarregar toda a tensão, Armando fez amor como um ato de autoafirmação e desespero, querendo mostrar à Betty que era o melhor e único homem que ela poderia ter. Fizeram amor até a exaustão e dormiram abraçadinhos.

—______

Mas no dia seguinte, a cabeça de Armando ainda dava voltas.

—Hum, meu amor, ontem estava bem brincalhão. Nem me lembro, mas acho que dormimos de tanto brincar.

—Para te mostrar, dona espertona, como posso te dar amor e muito prazer.

—De isto não tenho dúvida! -beijo. -Algum problema?

—Não, nada.

—Não é o que parece.

—Este teu curso ainda vai demorar muito, pois você chega muito tarde e não gosto nada.

—Ojojo! Chego no máximo às 19:30horas. Te lembro, seu Armando, que quando trabalhava como assistente o senhor me fazia algumas vezes trabalha até mais tarde e meu pai reclamava, de modo que 19:30 não é tão tarde assim.

—Mas estávamos juntinhos. Não sente a minha falta?

—A todo momento, até quando estou em minha sala e o senhor na sala ao lado.

—Temos que mandar ligar esta sala novamente para que não tenhamos que nos encontrar sob o controle do quartel.

—Não é momento para obras, estamos reformando nosso futuro apartamento.

—Falou a economista. Ok. mas não sente falta de mim?

—Sim. E digo-lhe que amanhã é a última aula do curso.

Armando suspirou aliviado. Gostava de sair de Ecomoda com Betty no carro que haviam comprado para a família, que estava em nome dela. O seu ficava na garagem de Ecomoda quando precisavam sair separados, mas por muitos meses, estava parado, pois com exceção dos cursos de Betty, eles iam para todo lugar juntos. O carro estava abarrotado de pastas de Ecomoda no porta-malas e sobretudo, os jogos, mamadeiras e um monte de coisas de Camila. O seu, também não estava muito diferente.

—Quem te viu e quem te vê, Armando! -disse, ajeitando as coisas de Camila — Quem diria. Sempre fui ciumento com meu carro, de modo que, evitava chegar aos "finalmentes" com alguma mulher no carro, com exceção de Betty, no máximo uns amassos, para evitar que as mulheres deixassem rastros de momentos de paixão e peças íntimas, mas esta menininha senhorita Camila Mendoza deixa tudo pelo carro, dominando a situação.

—Armando, está convidado à formatura amanhã! -disse Betty, entrando no carro e ajustando o cinto.

—Formatura, que formatura?

—Do curso que estou fazendo.

—Jura?

—Sim. -Ele a beijou.

"Amanhã saberei que curso é esse que tanto faz!"

Assim, Betty piscou-lhe e ele piscou de volta. Ela estava com um vestido rosa de veludo bem próximo a seu corpo e um casaquinho.
—Tão linda, tão elegante e principalmente, deliciosa. E vai demorar para que eu possa jogar este roupa pelo chão e fazer-lhe amor. Por que não perguntou do curso? Ela te falaria. Calma que amanhã, você descobre na formatura.
Por que amanhã se pode ser hoje?
—__

Iria fazer uma surpresa. Buscá-la na porta do curso, na saída. Estava curioso. Não haviam placas ou nada que indicasse que era uma escola aquela casa.

Assim, novamente, foi disfarçado para poder segui-la, logicamente não pensava nada de mal, pois ela estava com tanta vontade dele que não poderia ter feito nada com outro. Assim, estacionou seu carro onde poderia estacionar para não ter o mesmo problema com o guarda e esperou.

Ouvia risadas, música e palmas do lado de dentro. Algo estava acontecendo.
Pensou em dar a partida, mas sua curiosidade era maior

—O que está acontecendo? O que passa com minha Betty?

Armando deixou o carro, trancou-o e foi contornar a casa.

Do lado de dentro, Betty fazia suas provas de postura, boas maneiras, servir e recepcionar.

—Devo admitir, Betty, que está de parabéns, aliás, Betty não Madame Mendoza, como deve ser chamada. -disse Arnô.

Beatriz ficou vermelha. Não estava acostumada a este tipo de tratamento.

—Muito bem, Beatriz!

—Realmente maravilhoso.

—Grata. -disse com vergonha.

—Convidei meu marido para a formatura.

—Será que ele virá? Os homens não gostam muito deste tipo de coisa.

—Certamente virá, gosta de me acompanhar e creio que está curioso para saber qual é este curso, me reclamou que chego tarde.

—Definitivamente este não parece meu filho. Ele nem se importava se suas namoradas saíam e chegassem quando quisessem.

—Ah, mas comigo sim. -Reclamou. M-as amanhã, ufa! Vai terminar.

—Até parece que não gostou do curso. -disse Margarida, chateada.

—Ah, desculpe, dona Margarida, que vergonha. Gosto de aprender coisas novas, mas não gosto de esconder coisas de seu filho. É que temos uma cumplicidade. Mesmo sendo "segredinhos femininos" gostaria de ter-lhe contado desde o primeiro dia. Sei que ele não perguntou, senão teria contado, mas mesmo assim.

—Ah, Beatriz não ligue para isso! Parece que quer ser a esposa perfeita. Todas minhas clientes fazem assim e até hoje não tive problemas. -disse Dora.

—Relaxe, Beatriz. Amanhã, poderá abrir tudo para meu filho. Fico feliz que não tenham segredinhos entre vocês. E são tão jovens! Roberto e eu chegamos neste estágio depois de algum tempo, mesmo assim, segredos de beleza não conta e ele tampouco quer saber.

—Mas, vamos! Vamos! Temos pouco tempo e algum conteúdo ainda falta.

—Ok!


Betty respirou fundo. Ainda teria que aprender a segurar Hashi (palitinhos japoneses), já que havia aprendido o nome de alguns pratos e até experimentado como Ramen, Sushi e Gyudon, mas só gostou do Sukiyaki. Yakissoba e do Tempurá de legumes definitivamente peixe cru não era o que gostava e não pediria isto, caso fosse a um restaurante de comida japonesa. Do famoso e alcoólico saquê passei longe ou perderia o controle.

Segurar a comida nos palitinhos era uma tortura. Betty tentou contornar com sua clássica risada até que viu a comida sair voando do prato.

—OJojo! Não sou tão perfeita dama como dizem.

—Não, minha querida. Nenhuma de minhas alunas deixou de saber manejar o hashi como deve.

—Não conhecia Beatriz Aurora. Vamos!

Assim, após tentar que ela o imitasse sem sucesso, segurou as mãos de Betty para ensinar-lhe a segurar os palitinhos corretamente.

Armando, do lado de fora, espiando por uma janela que dava para o salão e onde podia ver parcialmente o que acontecia, estava alheio a tudo. Não viu sua mãe entre as pessoas, já que ela estava em um canto e a sala iluminada com luminárias japonesas e embora evitasse olhar pela fresta da janela que havia descoberto, aquele silencio o deixava curioso.

Foi aí que viu aquele loiro alto segurando as mãos de Betty.

—O QUÊ ESTE TIPO FAZ COM AS MÃOS DE MINHA BETTY?

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