Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
230 Capítulo 227
Era um evento de gala, por ser aniversário de 30 anos da empresa e não poderiam deixar de ir e representar Ecomoda.
O que surpreendeu Armando é que Betty não parecia nervosa com o que vestiria ou como se comportaria, pelo contrário parecia bem tranquila.
—Meu amor, sei que não se sente bem em eventos assim, mas fique tranquila que estarei ao seu lado.
—Estou tranquila, meu amor!
Era um misto de sentimentos, ao mesmo tempo gostava de vê-la tão segura e ao mesmo tempo, por egocentrismo talvez, queria que ela dependesse mais dele. Mas aquela mulher naquele salão era outra vez uma Betty que não conhecia. Continuava gentil, meiga, mas muito fina e tinha uma classe que não podia acreditar que era a mesma, que era sua Betty, Beatriz Pinzón de Mendoza, parecia mais Beatriz Saenz.
—Mamãe! Você tem algo com isso. -pensa
Betty desfilava pelo salão do alto de um salto agulha 9, bico fino, para Armando estava claro que uma hora ela tropeçaria, cairia, como sempre. (Não que desejasse isso, mas desejava estar perto dela e a segurar em seus braços para que não caísse). Pois mesmo depois que Catalina a ajeitou e começou a vestir roupas melhores, Betty continuava a usar sapatos rasteiros e raramente usava sapatos com salto, salvo em eventos especiais, como lançamentos, seu casamento, o reencontro da faculdade, mas em todos, absolutamente todos, ameaçou cair e ele estava ali para ampará-la, pois sem dúvida, tropeçava em algo ou em si mesma. Se isto o incomodava quando ela era sua secretária apenas, desde que ficaram juntos o encantava. Sentia-se gratificado de segurá-la para não cair, de senti-la apertando sua mão para não cair ou quando caía de tomá-la em seus braços. Era tão terno, sentia-a tão desprotegida e isto ao mesmo tempo que aguçava seu instinto fraternal e paterno, o excitava. Quando chegavam em casa, sempre a tomava imaginando em sua mente que ela havia acabado de cair sobre ele e que faziam amor no local, em frente a todos, embora não tivesse coragem, mas na sua mente sim.
No meio daquele salão, Betty segurava sua mão, mas de um modo diferente, de modo que só restava-lhe segurar possessivamente em sua cintura.
—Quê?
—A senhora está muito afastada de mim, Quero senti-la mais perto.
—Hum, meu amor.
—Nunca a vi calçando sapatos tão altos. Está elegante.
—Gosta?
—Sim, tem postura de uma... dama de sociedade. Gosto sim, está perfeita. -sorriu e lhe deu um beijinho -Na verdade, perfeita demais. -disse, entre dentes.
"Está chamando a atenção desses babosos." -pensou.
Apertou mais sua cintura.
Nesta hora, um garçom virou bruscamente e por pouco a bandeja não caiu sobre Betty, que desviou, quase caindo sobre Armando, que prevenido, a segurou.
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Mas foi só isso. Fora isso, Betty foi perfeita, perfeita demais como disse Armando. até mesmo na dança, pois como havia tido o básico na valsa e bolero, não pisou nos pés de Armando.
Ah! Como ele sentia falta daqueles pisões. (Que cara maluco!Rs.) Pois ele a fazia "pagar" quando estavam sozinhos por cada pisadinha que lhe deu na pista. Eram dívidas a mais que Betty acumulava e era divertido cobrá-las em troca de carinho.
Depois do coquetel foram para casa, neste dia, Camila ficaria na casa dos seus pais.
Betty estava feliz, assim como Armando, pois aparte do social, encontraram clientes que prometeram visitas para futuros negócios.
—Ai, meu amor, estou tão feliz!
,-Feliz é? E por que está tão feliz, hein, senhora? De chamar atenção de tantos homens assim?
—Ai, Armando. Como assim?
—Foi a atração da festa.
—Imagina. Haviam tantas mulheres bonitas ali, modelos, empresárias. Muitas perfeitas.
—Nenhuma como você. Vi como os moscones te olhavam.
—Achei que já tínhamos conversado sobre isso.
—Agora, além de bonita, chique, é fina, educada, cheia de classe.
—O que quer dizer?
—Este sapato.
—Sapato? Que sapato? Ah este? É feio?
—É lindo, lindo. Mas altíssimo. Você jamais usaria uma coisa dessas sem se agarrar em mim, isto desde que eu era seu chefe. Tinha medo de cair e por muito pouco cairia. mas não. Não caiu!
—Está brigando comigo porque não caí?
—Sim, pois... quer dizer, não.
—Só faltava esta, Armando! Não posso acreditar que está brigando comigo porque não me arrebentei no chão, como muitas vezes aconteceu.
—Não aconteceu! Nunca deixei a senhora cair, sempre a segurei!
—Aconteceu sim, aconteceu muitas vezes, antes de tê-lo ao meu lado. Ou pensa que nunca tentei andar de salto? Uma delas foi na minha festa de quinze anos, quando acabei optando por um velho sapato de minha mãe, pois era menos vergonhoso que cair, outro foi na festa de aniversário de uma prima, onde enquanto Nicolás foi pegar uns pasteis eu me desequilibrei e caí e fui a vergonha da festa. Por fim, no coquetel da mesma Color Inc quando formos fechar contrato com a Rag tela e coloquei roupa emprestada da Ecomoda e salto para andar apresentável e como iria acompanhá-lo, não envergonhá-lo. O que não deu certo de novo, pois embora tenha andado agarrada no chão para não cair, tão logo o vi em ação com Claudia Elena me desequilibrei e caí pot cima nos displays (Armando sente um nó na garganta de vergonha) Logo, a vergonha de andar de salto sempre esteve presente na minha vida. Hoje, foi a primeira vez que não caí na vida, nem mesmo quando o garçom quase caiu em cima de mim.
Armando não sabia onde enfiar a cara, ter brigado por Betty ter se comportado como uma dama da sociedade perfeita e incluso andar de salto tão bem quanto uma modelo não deveria incomodá-lo, mas o incomodava e não sabia dizer o porquê. De modo que ficou mudo, deixando Betty falar. Até que se recolhessem.
—Desculpe-me, Betty. Na verdade, não queria falar nada daquilo. Não sei o que me deu.
—Desculpe a mim se não consigo ainda entender que possa ser tão inseguro, sendo tão lindo e charmoso como é e eu te amar tanto.
—Não sei o que me dá.
Logicamente, que os pedidos e a ternura e muito mais o fato de estarem sozinhos os levou a fazerem amor, mas foi pelo desejo contido, pela oportunidade e o costume e não tanto pela paixão como muitas vezes. Havia algo entre eles. Betty começou a não achar uma boa idéia. Deveria ter perguntado sua opinião ao invés de querer dar-lhe uma surpresa.
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