Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
19 Capítulo 19: Um sabor especial
Notas iniciais
Sabor especial
No domingo:
Armando acorda cedo e resolve se livrar daquele cheiro de bebida, pois precisa acordar cedo para ir à Ecomoda. Desde que voltara com Betty não se dava a ficar bebendo, no entanto, os ciúmes, a tensão da viagem para a Venezuela, não sabendo se o pai a deixaria ir o estava consumando, entre outras questões. Desejava ter um amigo, um de verdade, não Mário Caldeiron, que colocara para fora da Ecomoda a socos, após invadir sua intimidade, lendo seu diário. Como se ele mesmo, Armando, não o tivesse feito. Mas Caldeiron nunca havia se arrependido, nunca havia tido a consideração de pedir desculpas à Betty, ne mesmo para preservar a amizade deles. Logo, não a merceia.
Betty parecia solitária, mas ela sim tinha amigos verdadeiros como Nicolás ou as do quartel. E ele? Nem mesmo de seus pais! Não se imaginava tão solitário.
—Minha única amiga de verdade foi Betty. Meu anjo! Sempre me apoiou, sempre a apoiei. E a protegi, enquanto a protegia. -enquanto olhava no espelho, escolhendo uma roupa casual, mas ao mesmo tempo elegante, para um almoço na casa dos pais da namorada. Nada formal, mas elegante.
Precisava estar apresentável e educado, calmo como nunca em sua vida.
—Bem, vamos lá, Armandito! É por Betty, por você, pela Ecomoda!
Separou os convites, os folders, as revistas sobre a implantação das franquias, estudos sobre visibilização dos projetos. Sabia que apesar de ser um jantar familiar, Betty não se importaria, pois a tempos a Ecomoda também era sua vida e amava e cuidava da empresa tanto quanto ele. Como Mariana vira nas cartas, a vida pessoal e profissional de Betty estavam entrelaças, tal como a dele.
Chegou ao meio-dia em ponto, conforme combinara. A estas horas, a família já havia chegado há cerca de duas horas da Igreja católica onde costumava ir à missa pela manhã.
Assim que o carro de Armando parou em frente à sua casa, o coração de Betty acelerou, pois conhecia muito bem o som daquele motor pulsante. Armando, então, sorridente, trazendo algo nas mãos, pôs-se a caminhar sorridente. Eis que um outro rapaz, subitamente, tomou-lhe à frente:
—Ai! Boa tarde, cabeção!
—Nicolás! O que faz aqui?
—Como que faço aqui? Moro no bairro! Você o que faz aqui?
—Estou querendo dizer na casa de Betty!
—Ora, vim almoçar! E o senhor, Dr. Mendoza que faz aqui?
—O que te parece, molenga? Vou almoçar com minha namorada!
—Oh, Seu Mendoza! Mais respeito! Mais respeito! Também vou almoçar com os Pinzón!
—Olá, Dona Júlia! Como vai?- cumprimentou Nicolás já entrando, como de costume
—Nicolás! Seu Armando! Que bom tê-los aqui.
Armando cumprimenta Dona Júlia com sorriso amarelo, não por conta dela, mas por conta de Dona Júlia.
—Bem, Dona Júlia- Armando esticou um ramalhete de flores para colocar no jarro e enfeitar a mesa de jantar.
—Ah que lindas, doutor. Sente-se, por favor!
Nicolás já estava sentado., afinal, já frequentava aquela casa há muito tempo, E nos últimos meses ali havia sido, além da casa da amiga, e refeitório, seu escritório na Terramoda.
Os dois se sentaram lado a lado. Armando procurou respirar fundo, mas o fato é que a presença de Nicolás ainda lhe incomodava um pouco.
Betty desceu as escadas, estava vestindo uma camiseta de seda com mangas 3 quartos e uma saia azul escura reta que ia até os joelhos, cabelos úmidos presos em rabo de cavalo e uma leve maquiagem, Armando, pela primeira visitava a casa sem usar paletó ou gravata, mas ainda assim mantinha-se de camisa social e calça.
—Oi, mí amor! -sorriu Armando, levantando-se, maravilhado
Armando queria ser o primeiro a falar com ela, mas Nicolás se intrometeu
—Oi, Betty! Como vai?
—Oi, Nicolás! (cumprimentaram-se com o típico giro)
—Oi, Seu Armando! -deu-lhe um beijo terno, em resposta ao cumprimento
—Boa tarde, doutor! -cumprimentou Hermes
—Boa tarde, seu Hermes!
Um silêncio tomou conta do ambiente até que Hermes lembrou-se da festa de aniversário de Betty.
—Ah! Dr. Mendoza! Venha cá! Agora que frequenta esta casa, já não é mais chefe de Betty e sim seu namorado, chegou a hora de continuarmos de onde paramos nosso assunto!
—Como assim, Seu Hermes? -ajeitando-se no sofá
—Sobre o grande Lázaro Pinzón!
—Ai, papai! (Betty ajeitou os óculos)
—Quieta, minha filha! O Doutor adorou esta história! Então, olha só vou continuar de onde parei na sua festa de aniversário, Lembra-se, doutor? (Daquele dia, o casal só lembrava-se que haviam pertencido um ao outro pela primeira vez) O grande Lázaro Pinzón jogou na loteria a vida inteira, sempre com os mesmos números, uma sequência lógica, mas nunca acertava. No entanto, um dia, a sorte lhe sorriu! Nos seus últimos dois anos de vida pôde realizar seu maior sonho! Sabe qual era, doutor?
—Fica quieto, pateta! Deixa o doutor responder !-Hermes percebeu que Nicolás iria se intrometer no assunto
—Não ei, Seu Hermes! Ganhou na loteria? -completou Armando, virando já os olhos
—Isto mesmo, doutor! Vi que não esqueceu nossa conversinha!
Como esquecer se a história do Tio lázaro Pinzón, bem como as outras dos Pinzóns rodeavam sua mente e Seu Hermes sempre aproveitava a oportunidade de contar mais um pedaço, cada vez que vinha visitar Betty?
Depois Seu Hermes pôs-se a comentar algumas notícias do noticiário sobre a galopante violência em Bogotá e a crise econômica que rodeava o país. Mas Armando só conseguia olhar para Betty e como estava bonita com os cabelos úmidos e presos em um rabo de cavalo.
—E o que parece, Dr. Mendoza?
—Realmente, seu Hermes! -Olhando para Betty — Tem toda razão neste ponto. -disfarçou
Apesar de saber que Nicolás era como da família para eles, os acontecimentos eram muito recentes ainda e vez por outra via-se com ciúmes dele. Sabia que não rolava nada entre eles, eram como irmãos, mas podia evitar. Afinal, já se viam a semana toda na Ecomoda, por que aqui também? E o tipo ainda parecia que o fazia para provocar-lhe.
Quando Júlia anunciou que estava tudo pronto, sentaram-se todos à mesa. Armando pretendia sentar-se ao lado de Betty, mas Nicolás sentou-se entre Betty e Júlia, tendo que ficar ao lado de Seu Hermes.
Betty percebeu seu constrangimento, ajeitou os óculos e pôs-se a rir, de seu jeito
Apesar das trapalhadas e brincadeiras de Nicolás, Armando pôde comprovar que o que Seu Hermes dizia a respeito dos talentos culinários de Dona Júlia não eram, de forma alguma, exagerados. Sem dúvida alguma, o que degustava era algo único, maravilhoso. Mas por incrível que pareça não lhe parecia familiar. Estranho! Conhecia comida de tantos lugares, restaurantes finos, restaurantes medianos e até mesmo, “comida caseira” preparada por cozinheiros renomados, na casa de seus pais, quando estes moravam em Bogotá. Mas aquele sabor era diferente de tudo que havia experimentado na vida. Lembrou-se, então, que não se lembrava de algum dia ter visto sua mãe na cozinha. Sorriu de forma nostálgica, embora não tivesse nada a ver com sua infância.
—E aí, meu filho? Está bom de sal?
—Com todo respeito, Dona Júlia, está de fato... Maravilhoso! (Betty riu-se)
Quando os dois iam sentar no sofá, Nicolás apressou-se e foi primeiro, sentando-se ao lado de Betty. Desta vez, Armando teve que intervir, e puxando-lhe, pediu licença, aí o irmão agregado de Betty deu uma desculpa e foi à cozinha,
Betty ria-se, sem parar, do seu jeito,
—Ah para você está divertido!
—Ai, doutor! Não fique nervoso. Nicolás é assim mesmo! Faz para o provocar, ignore-o e ele para! -beijo
—Ai, só por você, Betty! Só por você aguento o molenga! -beijo
Mas Armando não queria ficar muito tempo beijando Betty no sofá, não neste dia, pois sabia como o pai dela era ciumento e não queria, de forma alguma, desagradar-lhe. Por vezes, tentava entrar no assunto da viagem, mas sem sucesso.
—Doutor! Estou chateado! Para mim ainda tinha meia garrafa de whisky!
—Que pena, Seu Hermes!
—Se não fosse domingo, iria ao mercado comprar agora mesmo!
—O que está aberto é longe! -comentou Nicolás
—Não se incomode, seu Hermes!
—Você podia ir lá, Nicrolax?
—Eu?
—Sim, inútil!
—Que passa? Que passa? Sou visita! -contornou Nicolás
—Visita o quê? Está aqui todos os dias comendo da comida da Júlia!
—Ah, é que minha mãe não cozinha tão bem assim como Dona Júlia!
—Vá lá no Supermercado buscar um garrafa de Whiskey importado para o doutor!
—Não precisa se incomodar com isto, Seu Hermes!
—Se for, também traz suco de amora para mim? -pediu Betty
—Eu vou, então! -ofereceu-se Armando
—Que isso, doutor!
—Sim vou! Como a Betty vai ficar sem seu suco?
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