Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
17 Capítulo 17: Ciúmes de Armando: Miguel, Roman e turma voltam a importunar Betty
Notas iniciais
—Olha só! O que temos aqui? -bateu um dos colegas de Roman no vidro do carro
—Vocês de novo? -um outro
—Não acha, Betty? Este tipo tem dinheiro! -provocou Roman- Por que não paga um motel para levar a Betty agora?
—Ela é coisa fina agora! -outro
—É, merece algo melhor que namorar em carro!
—Quanto mais rico, mais esconde ... paga uma cerveja para a moça e para os amigos dela aqui!
—Por favor, seu Armando, não saia! Eles só querem provocar! -segurando-o. Não quero que se machuque como da outra vez!
—Eu me machucar? Eles que vão se machucar!
—Por favor! Não! -segurando-o- Não há necessidade, não estão me ofendendo.
—Está bem! Mas por você! Vamos, vou deixá-la na sua casa! Se ficarmos aqui, seu pai vai acabar descobrindo que estamos aqui namorando e não quero problemas com ele!
—Estou gostando de ver!
—Olha só! Eles vão sair!
—Fala aí, ô bonitão? Quer emoções fortes? -perguntou uma das garotas do grupo-colocando a mão sobre seu ombro
—Não, obrigado! -Armando limpa o terno e acompanha Betty, mas os folgados seguram seu ombro
—E aí?
—Roman! Deixe-o em paz! Estamos indo na casa de meu pai! Ele está em casa! -ordenou Betty
—Ora, Betty! Só queremos fazer amizade! -Roman protestou
—Papear! -outro
—Que tem que ser esquentadinho, hein? Tem uma boa vida, mas não se mistura com as pessoas comuns!
—Me deixe em paz, garoto! -ordenou armando, afastando-se deles
—Ih... assim como está namorando a Betty, e ela é como nós, do bairro, =pode descobrir que podemos ser bons amigos!
—Tomar umas cervejas! Aí uma, de boa, parem de o perturbar! -ordenou Roman- Vamos fazer as pazes, se é namorado de nossa Betty é nosso amigo!
—Nossa Betty? Que nossa Betty? -franziu a testa
—Fica de boa aí! Não queremos confusão!
Mas tudo isso não passa de amolação para despistar Armando, enquanto isto uma das meninas chama Betty de lado:
—Ai, Betty! Onde arrumou um gatinho desses mesmo quando era feia?
—Dá umas dicas! Estes caras do bairro aqui são perda de tempo!
As meninas puxam Betty para o canto, enquanto Armando tenta cumprir a promessa que fez à Betty de não fazer nada com os rapazes se não o provocarem.
—Ai, Betty! Você ficou bonita!
—Dá umas dicas! Sabemos que trabalha em empresa de moda agora!
Eis que um rapaz sai detrás das meninas:
—Oi, Betty!
—Miguel! -ela leva um susto
—Sim, Betty! Prazer em revê-la! Está cada dia mais bonita!
—O que quer comigo, Miguel?
—Estou passando uns dias aqui, Betty, na casa de meus tios -mentiu-lhe- e tenho te observado, Betty... Hoje resolvi me aproximar para conversarmos!
—Se afaste de mim, Miguel!
—Ora, Betty! Por que tão arredia? Gostava de mim!
—Minha vida mudou, estou namorando firme! -soltando-se do braço dele -Me deixe em paz!
—Só quero conversar, Betty!
—Não temos nada para falarmos! Já foi tudo resolvido, já esqueci! E o melhor para você é que Seu Armando não o veja, ele é muito ciumento!
—Que Seu Armando?
(Betty não perde sua mania de chamar Armando de Doutor, Seu Armando. Costume adquirido.)
—Meu namorado!
—Ele é o quê? Seu patrão, seu dono, ou o quê?
—Não te interessa!
—Não fale assim comigo, Betty! Ah lá todo mundo conversando de boa! Ele é emplumado, se deu bem! Está dando golpe do baú, ou o quê?
—Largue-me!
—Vem cá! Vem me dar um beijinho! Eu não sou ciumento!
Ela o empurra
—Não faz assim não! sempre foi tão amável e dócil! Eu nunca te esqueci, mesmo sendo feiosa e sei que nunca me esqueceu, pois fui o primeiro! Este aí...
Ao perceber que Betty não estava mais ao seu lado, Armando começou a procurar por ela:
—Betty! Betty!
—Armando! -Betty empurra Miguel e vai ao encontro de Armando
—O que faz aí? -Armando, com cara de ciumento
—Estava falando com as meninas!
—E este tipo? O que você quer com Betty?
—Prazer, Miguel! -Estica a mão, mas Armando já está com cara de poucos amigos
As luzes da casa de Seu Hermes acendem:
—O que está acontecendo aqui? -Hermes sai com as mãos na cintura
—Nada, pai! Boa noite! — Betty puxa Armando para dentro- Vamos, Seu Armando, vamos para dentro!
—Betty, sei que não me esqueceu! Uma mulher nunca esquece! -Miguel grita, enquanto Betty empurra Armando para dentro de casa
—O quer dizer? -Armando, desconfiado
—Deixe-o! -Betty fecha a porta com tudo na cara do bando.
Do lado de dentro:
—Boa noite, doutor! Já disse para não darem confiança para estes tipos!
—Seu Hermes, apenas paramos e já íamos entrar, eles nos abordaram aqui na porta.
—São uns rapazes que não tem nada para fazer o dia inteiro. Não são como nós, doutor, pessoas de bem, trabalhadores!
—Sim, seu Hermes!
Ô Julia! Julia! Passa um cafezinho para o doutor!
—Não, Seu Hermes! Não precisa se incomodar Dona Júlia!
—Não é incômodo nenhum! Onde está ela? Espere um pouco, vou busca-la! Ô, Julia!
Quando Hermes vai buscar Dona Júlia
—Vai me dizer que é o talzinho que estava falando com você?
—São manchas do meu passado, doutor! Não tem importância alguma!
—Eu sei que não tem, Beatriz! Mas eu quero saber! Miguel... lembro-me de ouvir este nome!
—Ai, doutor!
—Boa noite, meu filho! -Dona Júlia secando as mãos no pano para cumprimentá-lo
—Boa noite, Dona Júlia! -tentando sorrir e disfarçar seu nervosismo
—Vou fazer um cafezinho, já temos uns quitutes.
—Estou só de passagem, vim trazer Betty!
—Fique à vontade, doutor! -Hermes, tentando vigiar e ao mesmo tempo parecer simpático- Mas não tão à vontade, sabe o diabo é porco!
—Pode deixar, Seu Hermes!
“Não estou com a mínima vontade de fazer nada disso agora.” -cochicha para Betty -Vai me dizer ou não que é este Miguel?-segurando-a pelos braços
—Doutor, não queria falar disso agora!
—E quando? Quando?
—Meu pai não sabe. Lembra o que te contei... da minha primeira vez?
Armando puxa da memória, pois de certa forma aquilo lhe doía também. Betty havia lhe contado de sua primeira vez, quando foi enganada e entregou-se por amor. Guardara esta confissão no campo das suas próprias recordações, ao lado do remorso que sentia com o plano de Mário. Doía-lhe saber que também a havia feito sofrer tanto. Lembrou-se do nome vagamente, pois a situação em si também lhe era dolorida, tal como fora para Betty:
—É este mesmo Miguel? -por fim perguntou revoltado, soltando-a
—Fale baixo! Sim, é ele! -ajeitou os óculos -Se meu pai souber, nem sei o que pode acontecer!
—Mas não disse que não morava mais aqui? O que ele está fazendo aqui no seu bairro?
—Disse que está visitando uns tios...
—E o que quer com você?
—Eu não sei! Nunca mais o vi!
—Para mim ele está atrás de você!
—Imagina...
—Sim, senão não tinha falado que você nunca o esqueceu! Fala a verdade, Beatriz! Não me faça de bobo!
—Seu Armando, meu pai pode ouvir.
—O que me importa? Quero saber o que foi falar com aquele tipo, por que foi falar no canto com ele, enquanto fiquei falando com os outros? O que está acontecendo, Betty?
—Doutor! Está gritando com Betty novamente? Já te disse que não gosto que grites com ela!
—E-e-eu?
—Ainda mais ela não é mais sua funcionária! É sua chefe, agora, há! E namorada e não se trata namorada assim, doutor!
—Não, não imagina, Seu Hermes! Não estava gritando com ela. Estava falando de assuntos da empresa! Aqueles funcionários... dão trabalho!
—Ah sim, doutor! Já tinha reparado. Ficam de fofocas o dia inteiro! Até mesmo os executivos! Que vergonha, doutor!
Armando dá uma suspirada de alívio. Ele queria achar desculpas para entrar no assunto da viagem à Venezuela, mas estava muito nervoso a respeito de Miguel estar rodeando Betty. Depois Seu Hermes chamou-o para ver umas fotos e contar história dos Pinzóns, sob os olhares de suspeita de Armando
Betty disfarçou e saiu da sala:
—O que foi, filha?
—Ai, mãe! O Miguel está aí no bairro!
—Você quer dizer “aquele” Miguel?
—Sim, mãe! (Dona Júlia fez o sinal da cruz) -Ai, queira que ele nunca cruze com Dr. Armando!
—Tarde demais, mãe!
Betty explica que Miguel a está importunando há dias, seguindo-a
—Achei que era só impressão minha, mas era ele mesmo!
—Ai, minha filha!
E teme pelo pior se Armando cruzar com ele, pois já sabe e também teme que ele conte algo a seu pai.
—Ele não vai ter coragem, filha! O tal, assim como da turma, tem medo do Hermes!
—Ai, mãe! Não sei o que fazer! Seu Armando está pensando que estou dando confiança para ele! A senhora não em ideia como Seu Armando morre de ciúmes de mim!
—É porque ele te ama muito, filha!
—Eu sei! E o amo também, mas ele tem que confiar em mim! Jamais o trairia!
—Bem, Seu Hermes! Este assunto é muito interessante, mas receio que está muito tarde, então, vamos ter que deixar para outro dia, um pouco mais cedo... -Armando não aguentava mais ouvir a história.
—Ora, sim, doutor! Ô Júlia! Por que não convidamos o doutor para um almoço aqui em casa? Aí você vai ver, doutor, que maravilha que Júlia cozinha! O que Betty é com as finanças, Júlia é com a cozinha!
—Será um prazer! -confirmou Júlia
—Seus pais também estão convidados!
—Obrigado. Mas.... quando?
—Este fim de semana, doutor! Que tal domingo?
— Mas meus pais estão fora do país, deixe para a próxima!
—Mas o senhor pode vir!
—Sim, aceito Seu Hermes!
Embora, estivesse com raiva por conta da história do retorno do Miguel e Betty não ter lhe falado nada, a amava e não perderia a oportunidade de vê-la mais um dia, ainda mais a convite de Seu Hermes!
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