Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
159 Capítulo 158
Notas iniciais
Armando se arruma e sai da sala de Presidência para que Catalina fale com Betty. De verdade, quer que a esposa aceite o convite e que possam ir ao baile. Seria uma honra mostrar aos colegas de Betty que ela ficou linda, além de continuar como sempre, muito inteligente. E como ele pensava, casou-se com um bom marido (metido, mas tem razão).
—Betty, por que não quer ir a este baile?
—Ai , dona Catalina.
—Armando queria tanto levá-la.
—Ai, dona Catalina. Eu sei que ele quer, mas eu não quero!
—Não gostava da faculdade?
—Amava. Mas sofri ainda mais gozações do que havia sofrido na escola. Não podia falar nada que tiravam sarro de mim.
—Que coisa feia! Ainda mais por serem pessoas quase adultas fazendo isso.
—Eram adultos já. Se não fosse Nicolás, não sei o que faria.
—E os professores permitiam isto?
—A maioria era fora da classe, mas tinham dois professores que faziam vista grossa e às vezes riam junto das piadas.
—Que horrível. Mas como assim?
—Algo como: agora vai falar a Miss universo Beatriz Pinzón! E o professor ria, depois seguia com: Martins, não é hora de brincadeiras. Ou não é hora de paquerar sua colega. Lógico que sabia que não era uma piada, nem paquera. E quando era hora de fazer os trabalhos, me procuravam. Bem, queria fazer em dupla com Nicolás, mas não era possível, logo, tinha que fazer em grupo. Com muita pouca vontade nos reuníamos na casa de algum deles. Eram casa como as dos Mendoza e as mais simples como este apartamento.
—Ou seja, luxo.
—Sim, tinham muitos quartos e eram de cobertura na zona norte da cidade. Ninguém queria ir à minha casa em Palermo para estudar e de qualquer forma, era melhor fazer na casa deles, pois tinha computador, o que eu não tinha na época. Geralmente, acontecia o mesmo: eu fazia a maior parte, para não dizer tudo e eles só colocavam o nome. Depois tinha que fazer o arrazoado do que iam ler na apresentação e explicar-lhes.
—E por que aceitava isso?
—Não tinha outra opção, Catalina. Falavam que tínhamos que fazer em grupo ou não saberíamos fazer no Mercado de Trabalho. Ojojojo tal como Ecomoda, onde eu fazia tudo: trabalho de secretária, assistente e vice-presidente financeiro e a oxigenada correndo atrás de don Mário e doutor Valência.
—Realmente, uma loucura. Não sei como ainda dormia.
—Não dormia. Ou dormia pouco e quando dormia sonhava com Ecomoda!
—Com Ecomoda ou com o presidente?
Betty fica vermelha.
—Sim, sonhava com seu Armando. Acho que sempre fui louca por ele.
—Foi ou é?
—Cada vez mais louca!
—Eu vi. Vi como estavam hoje mesmo na presidência.
—Ai, que vergonha, dona Catalina. Mas não consigo dizer não quando Armando me beija e me abraça. Quando vejo já estou implorando para que me ame.
—E ele é louco por você também! E Armando sempre foi muito fogoso, era fogoso com Marcela, mas queria as outras. Mas agora mudou, Betty, está satisfeito e louco por você! E sei porque o conheço.
—Eu sei.
—Meus ex-maridos nunca foram assim ou se foram, só com as outras.
—Ai, dona Catalina.
—Mas voltando o assunto do baile.
Betty conta mais algumas coisas que passou na faculdade, até conseguir o estágio para o Banco Montreal. E se formar.
—Ir ao baile de formatura era meu sonho. Mas meu pai não tinha como pagar pelo pacote: buffet, fotos e vestido. Ou o último ano ou a formatura. Então, optamos pelo ano.
—Muitos passam pelo mesmo.
—De qualquer forma, foi bom não ir.
—Por quê? Se era seu sonho?
—Seria desperdício de dinheiro. Pois ninguém a não ser Nicolás dançaria comigo. Logo, foi melhor não ir.
—Já pensou que por isto mesmo deveria ir ao baile de reencontro? Para verem como está linda?
—Não sei, dona Catalina. Não quero rever ninguém de lá.
—Betty, você superou esta dor. Talvez seja bom revê-los para perdoá-los. Pode ser bom. Lembra que também achava que seria ruim voltar à Ecomoda e veja onde está.
—Mas foi à custa de muita dor, Catalina.
—Porque não tinha resolvido sua questão com Armando, depois só bençãos!
Betty pede à Copa que tragam uma chaleira com água fervente para que Catalina coloque us saquinhos do chá especial que sempre carregava para relaxar, além de biscoitos.
Betty contou várias coisas que havia passado na escola e na faculdade, partes tristes de seu passado com bullying, preconceito e lágrimas.
—Chore, Betty! Não se recrimine por chorar. Ponha para fora.
—O que mais doía é que me chamavam de pobre filha de pobre. Que sendo pobre e eia não ia poder fazer operação plástica para ficar apresentável e ter um bom emprego e se casar.
—E veja onde está! Presidente de uma das melhores empresas de Moda e inclusive, agora, com a parceria, vestirão a roupa produzida em sua empresa. Tome um pouco, Betty. Vai se sentir melhor.
—É amargo.
—Tome e no terceiro gole sentirá o doce. Estes são as experiências e se olhar para elas de uma forma diferente, se não se tornarem doces lembranças, ao menos não doerão mais.
—Sim, agora tem saber doce.
—Lembra quando foi a primeira vez à Cartagena? Estava dolorida, queria ir embora, mas aos poucos foi passando e hoje quando viaja à Cartagena é sempre maravilhoso e em companhia exatamente de quem havia lhe provocado a dor. Quando olha Armando o que vê?
—O homem da minha vida! O homem terno e doce pelo qual me apaixonei.
—É uma nova forma de olhar. Você superou.
Betty sorriu.
—Entendo o que diz, mas ainda é difícil para mim.
—Leve o tempo que precisar. Mas quanto ao contrato?
—Claro que pode fechar, Ecomoda não perderia um negócio desses e pode tudo ser feito em parceria com a Salloon Bogotá que proporcionará toda a preparação desde as unhas até os cabelos para que forandas e ex-alunos posam parecer verdadeiras princesas!
—Betty, parece uma profissional do RP falando.
—Oj oj oj –riu- deve ser influência de AuraMaria.
—Ah ela está muito bem. Ainda é maluquinha, mas quando trabalha assume uma postura diferente. Lamento, Betty, mas logo, perderá sua secretária.
—Oj oj oj fico feliz por ela. E temos Mariana que enquanto não for ser estilista pode muito bem assumir o posto de secretária de Presidência.
—Betty, terei que ir, pois tenho outros clientes para visitar.
—O chá e nossa conversa me fizeram bem, prometo que vou pensar.
—Pense. E continue, você e Armando a serem como são. Aproveitem sempre para se amarem.
Betty fica vermelha, mas responde
—O farei, Catalina. O farei.
Catalina se despede das meninas do quartel e de Armando que vendo que Betty está de novo sozinha na sala da Presidência, alisa os umbrais da porta, pedindo para entrar.
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