Beatriz faz sua risada de ganso, mas Armando não acha a menor graça.

—Meu amor, não pense que gostaria ou tenho saudades de sair por aí sozinho. Todos este tempo que estamos juntinhos só temos saído junto a coquetéis, festas e para quê, hã? Para que sairia sozinho sendo que estar contigo é o que me satisfaz? -beijo

—Hum.

—Ainda mais quando saímos sempre voltamos tão carinhosos que fazemos amor como loucos.

—Armando!

—Não duvido, espertona, que logo estará tão a vontade que me proporá fazer amor nestes mesmos lugares.

Betty fica vermelha.

—Sabe como sou envergonhada em público.

—Ah sim? -beijo e a pega a ele –Você me enlouquece assim, vermelhinha, sabia?

—Você é louco, doutor Mendoza!

—Me deve a da banheira no novo apartamento. A do elevador e uma que me lembrei agora.

—Deste jeito vou ficar tão pendurada de dívidas contigo que não vou ter tempo nem de trabalhar só para pagar as dívidas.

—E com juros, Beatriz! Deixe-me dizer a que tive para ver se a encanta. Quando me disse que a tal da Francesca.

—A que estava interessada em você. –disse ciumenta.

—A sua ex-colega.

—A que te queria.

—Esta mulher não me atrairia em nada. Parece a oxigenada. Mas continuando, quando me disse que flagrou a tal com os populares na biblioteca, fiquei pensando.

—Nela?

—Imagina, Beatriz. Fiquei pensando que nunca fiz isto em uma biblioteca. É sério. Gosto de ler, sabe? E para biblioteca ia para estudar, jamais pensei em fazer isto ali. E quando me mostrou a biblioteca da faculdade. Pensei que embora passasse um tempo na da minha faculdade, nunca pensei. Talvez estivesse tão centrado para terminar os estudos que nem pensava nisto ali.

—Mas provável que as ratas de biblioteca não te atraíam. Sabe, pessoas como eu, que passavam o dia na biblioteca. Te contei que fazia trabalho de bibliotecária para ter o dinheiro da passagem.

—Não. -ele sorriu com olhos abertos -Bibliotecária?

—Olhava para os lados e não se sentia atraído pelas nerds.

—Ah sim? Talvez tenha razão, Beatriz. Mas na biblioteca da sua faculdade tive vontade de subi-la na mesa no meio daqueles livros e possuí-la como um louco.

—Doutor...

—Não sabe como tive que me controlar.

—Ojojo e que o senhor só pensa nestas coisas?

—E você não, Beatriz? Não gosta quando te tomo em meus braços –a toma – e começo a beijá-la –beija – a aperta contra mim –a aperta –começo a mordiscar-lhe – a mordisca –quando começo a desabotoar seus botões –o faz –para poder tocar seu seios –o faz –e eles me apontam como agora –e me abraça pelo pescoço como agora.

—Ah!

Ouvem um barulho, alguém vai abrir a porta.

—Que cruz!

Armando dá um jeito de se esconder no banheiro, ainda bem, pois é nada mais, nada menos que seu Hermes.

—Oi, minha filha!

—Papai!

—Sim. Por que está pálida e aí em pé?

—Nada, papai. O que faz aqui?

—Como o que faço aqui? Trabalho aqui, se esqueceu?

—Não. Se sente bem? Parece assustada.

—Estou bem.

—Sua mãe mandou uns bolinhos. Onde está seu marido? Não está na sala dele.

—É eu não sei. Deve estar trabalhando.

—Vou fazer o mesmo. Mas Betty quando ele passe por aqui, não esquece de me avisar, que quero acertar a saída (Faz o costumeiro barulho com a boca.)

—Que saída?

—À tangueria. –ri de sue jeito

—E pensa em fazer quando?

—Hoje é sexta, penso em fazer hoje mesmo.

—Armando não me disse nada.

—É que pensava em acertar com ele.

—Escute, sabe que vou com ele. -disse Beatriz.

—Claro, não pense que o deixaria ir por aí e dançar tango com outra.

—Assim que creio que tampouco pensa em ir sem mamãe.

—Er, claro. Com sua mãe, claro. Ela não gosta muito de sair...

—Papai!

—O que pensa, Betty? Pensa que ia sair por aí sem sua mãe em um lugar com esse? Pensei que poderia dançar comigo.

—Como? Vou dançar com Armando. Creio que mamãe vai gostar muito de sair, Há tempos não saem como casal e nem viajam.

—Mas Beatriz, sabe que estávamos em situação difícil, mas agora. Não sou do tipo romântico que sai por aí, desfilando pelos lugares, fazendo passeios românticos como...

—Meu marido?

—É...Vou para minha sala.

Do banheiro, Armando ouviu tudo. Talvez fosse melhor marcar para irem logo a este baile.

—Que cruz! Eu tinha que inventar!

Ao ouvir que don Hermes ia para a salinha, Armando saiu de fininho, sob os olhares de sua mulher.