Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
7 Capítulo 7: Voltando a sorrir...
Notas iniciais
No dia seguinte, Betty acordou com o semblante renovado, que nada lembrava o dos meses anteriores. Desde que lera a carta de Mário que não acordava sorrindo, nem mesmo após o desfile triunfante, nem após ganhar a presidência da Ecomoda após ter sido tão humilhada, nem mesmo sob o sol em Cartagena sentia-se tão bem, tão renovada. Pelo contrário, sentia o coração oprimido e cheio de saudades, o rosto triste e derrotado que Armando exibia no dia da reunião diretiva lhe sobrepunha e lhe causava mais dor que prazer, fazendo com que o sol de Cartagena parecesse escondido por nuvens de chuva. Lembrou-se quantas vezes pensou em fugir dali e voltar aos braços de Armando, mesmo julgando seu coração traidor por ser tão atraído por seu algoz. Arrependeu-se de não ter ficado e ouvido o que seu amado enganador queria lhe dizer mesmo após tê-lo entregue perante sua família e empresa. Enquanto penteava seu cabelo, uma lágrima de felicidade desceu de seus olhos e encontrou seu sorriso, borrando levemente a maquiagem. Que bom que acordara em Bogotá e não em Cartagena!
Rapidamente, limpou o rosto e pôs-se a consertar o estrago. Desde que aprendera como vestir-se e maquiar-se adequadamente, não perdia a oportunidade de realçar seus pontos favoráveis. Naquele dia necessitava estar especialmente bela, pois iria além de dar continuidade à administração da empresa,e iria encontrar seu amado Armando Mendoza.
—Vamos, Betty! Que tanto demora neste quarto?-Seu Hermes chamou-lhe a atenção -Nicolás já está aqui!
—Ah sim, papai!-levantando rápido e deixando cair o pó compacto no chão –Ai, depois limpo isso!
—Olá, Betty!-cumprimentou Nicolás-Tudo bem?
—Sim! Como vai, Nicolás?
—Não tão bem quanto você, mas... –as faces de Betty ficaram levemente avermelhadas
—O que quer dizer, Nicrolax?-repreendeu Hermes
—Nada não! Betty está feliz porque não foi para Cartagena.
—Eu também, pois não iria deixar que fosse!-determinou Hermes- Seu lugar é aqui nesta casa, mesmo que um dia não seja Presidente da Ecomoda. Aliás, falando em Ecomoda, estou pronto para irmos, seu carro ficou lá na empresa.
—Er... sim, mas não tem problema, o Nicolás me leva!
—Está pensando que vou deixá-la ir para a empresa e ficar de agarramentos com aquele Sr. Mendoza pelos corredores como vi ontem? Não senhora! O diabo é porco, senhorita!
—Mas não vamos ficar, papai! É muito trabalho. Naquele momento estávamos apenas comemorando a minha permanência na empresa...
—Oh, Hermes! Deixa a menina!
—Sei o que estou fazendo, Júlia! Vamos!
Júlia, inconformada, olha para cima. Logicamente o carro de Hermes demora para pegar!
—Bom dia, meninas! –Mesmo constrangida pela presença de seu pai, Betty não consegue esconder a felicidade em seus olhos, ao chegar nos corredores da Ecomoda
—Bom dia, Betty! –responderam em coro.
As meninas do quartel logo viram como Betty estava radiante. Bertha iria lhe perguntar algo, mas quando vperceberam que de dentro do elevador saía seu Hermes e Nicolás , ficaram sem jeito.
Pai e filha adentraram a sala da Presidência.
—Você viu? –comentou Sandra
—Está na cara que Betty passou a noite nos braços de seu Armando! –deliciou-se Bertha
—Ai, mas o quê o Seu Hermes veio fazer aqui hoje, hein?
—Imagina! Vigiá-los!
—Será que ele pensa que a filha ainda é...
—Pode ter certeza que sim!
—Ai, que horror!
Patrícia fica observando o queestão falando:
—Que foi, oxigenada? Perdeu alguma coisa?-questionou Sandra
—Ela perdeu a função de vice-presidente! Achava que seria chefe do quartel!
—Olha, acho bom se dedicarem ao trabalho, pois o Armando continua sendo o mesmo bravo gritador de sempre. Não pensem que só porque está com a Betty...-comentou Patrícia
—Ai, meninas! O Sr. Armando pediu para avisar-lhe quando Betty chegasse...-lembrou-se Sandra, no exato momento que Armando passava pelo corredor
—Patrícia Fernandéz! Quem é bravo e gritador aqui? Diga-me!
—Ai, Armando!
—Pedi que me levasse os relatórios de sua chefe, Marcela, à minha mesa, por que ainda não levou?
—Estavam na mesa de reuniões com Daniel.
—Eu preciso buscá-los?
—Não, eu já busco!
—Bom! E Sandra...
—Sim, Doutor! Eu ia te avisar... Betty chegou!
—Sim? –Armando ajeitou a gravata com um sorriso nos lábios e apressou-se para adentrar a sala da Presidência
—Mas, doutor... –Sandra iria correr atrás do chefe para avisar-lhe que não estava sozinha, mas antes que o fizesse, ele abriu a porta:
—Meu amor!
Os dois corações pularam como se fossem um só. Quando Armando ia se aproximar de Betty para dar-lhe um beijo daqueles, Betty fez sinal que seu pai estava na sua antiga sala. Então, ele lhe deu um beijinho e foi cumprimentar Hermes.
—Bom dia, seu Hermes!
—Bom dia, Dr. Mendoza!
Armando virou os olhos, Betty riu-se constrangida.
Na hora do almoço, Armando pensou em convidar Betty para almoçar com ele no Lenoir:
—Podemos almoçar?
—Sim!
—Sim, vamos almoçar! –convidou –se Sr. Hermes
—Ah, claro, vamos! -mesmo contrariado, não quis fazer desfeita a Seu Hermes
No Lenoir, Betty pediu truta e suco de amora, como de praxe
—Estes pratos! Não entendo nada! Estão em língua estrangeira!-reclamou Hermes
—Seu Hermes, eu lhe ajudo. Está em francês. Aqui...
Betty ajeita os óculos e olha para Armando constrangida.
De volta à empresa, Armando tenta se concentrar no trabalho, mas a tentação de ter Betty tão perto e tão longe torturava-lhe, queria sentir o sabor de seus lábios de forma plena. Sempre tinha alguém a vigiá-los, antes era Marcela, agora Seu Hermes. Pôs-se a sonhar com a noite anterior, quando sua Betty foi novamente sua. Por isso e só por isso valeria a pena aguentar Seu Hermes. Não poderia aguentar separar-se dela novamente.
Nos dias que se seguiram, Hermes continuou a ir com mais frequência ao escritório a fim de vigiar Armando e Betty, então, quando não conseguem inventar algum jantar de negócios, exposição ou coquetel, para escapar da vigilância e entregar seu corpos à paixão no apartamento de Armando, o casal tinha que se contentar em namorar no sofá da casa de Seu Hermes. No entanto, apesar de ser uma experiência única, Armando está feliz, pois sabe que tudo que está fazendo perpetua o seu futuro com Betty. Precisa conquistar a confiança e tirar de Seu Hermes a imagem de chefe severo e playboy irresponsável que acabou com a empresa.
Depois de um mês: Como para Seu Hermes, Armando estava se comportando bem com sua filha, já lhes permitia andar pelos corredores, de mãos dadas e saírem acompanhados de Nicolás para almoçar e participar de reuniões importantes. O mais difícil era cruzar com Marcela pelos corredores, e aguentar seus olhares ciumentos. Ela havia oficialmente desistido dele, mas logicamente esperava que aquilo tudo fosse apenas uma aventura ou remorso e que pudesse voltar para seus braços.
—Onde está Armando, Patrícia? -perguntou Marcela com sua cara ameaçadora
—Imagina, com a Garfield!
—Venha até minha sala! -Patrícia fecha a porta
—O pai dela já está permitindo que saiam sozinhos?
—Sim! E também com aquele abusado do Nicolás!
—E você continua com ele?
—Imagina, Marcee! Nunca estive com Nicolás!
—Não se faça de tonta, Patrícia! Andou no carro dele, passou a noite com ele!
—Unicamente pelo celular e o carro, Marcee! Nem para isso aquele idiota serve!
—Pois acho que deveria pensar nele com carinho. Ele gosta de você de verdade! Foi o único que te tratou com respeito! Pode ser que acabe gostando dele de verdade!
—Pois está pensando que eu, ex-esposa de Maurício Bigman, que cursei seis semestres de finanças na San Marino vou namorar qualquer um?
—Ele é o vice-presidente financeiro da Ecomoda, fez Pós-graduação, Patrícia e é bem inteligente!
—Marcee! Ele é feio, sem classe!
—Sim, mas gosta de você! E pode te dar a vida que sonha! Pode acabar se apaixonando por ele se lhe der uma chance.
—Está pensando que eu, Patrícia Fernandez vou sair por aí namorando e me apaixonar perdidamente por qualquer um, Marcee?
—...
Está pensando que vou me apaixonar por ele como o Armando por aquela coisa?
—Saia daqui, Patrícia! Saia! Vai trabalhar! E me deixe em paz!- Marcela grita
Patrícia sai correndo da sala.
Marcela joga umas coisas no chão de raiva.
Do lado de fora:
—Que foi, Oxigenada? Foi expulsa da sala de sua chefe?-provocou Sandra
—Acho melhor tratar sua chefe bem, pois é a única que te conserva aqui!-riu-se Bertha
Patrícia jogou o cabelo e sentou-se em sua mesa, fingindo telefonar, para disfarçar.
Continua...
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