—Er, desculpa.

—Seu sotaque...

—Doutor Mendoza?

—Sim. A senhora é...

—Senhorita Silva, Maria Silva.

—Ah da Silva Modas e Associados?

—Sim.

—Entre, por favor!

A mulher em questão, era jovem, tinha cabelos loiros enrolados e olhos negros. Podia se dizer que em outros tempos, não entraria naquela sala de reuniões sem que Armando tivesse lhe proferido umas boas cantadas. E a noite não acabaria sem que no final a convidasse para uns drinks ou algo mais.

—Er, havia entendido que viria acompanhada... do senhor Silva.

—Senhor Silva, ah sim. Ele está chegando. Desculpe se nos atrasamos um pouco, mas não estamos acostumados com o fuso.

—Sei, as coisas no Brasil são diferentes.

—Nos chama de impontuais, doutor Mendoza?

—Bem... já estive no Brasil.

Um ar de seriedade inundou o ambiente.

—E teve experiências com outros brasileiros que não eram nada pontuais?

—Sim. De duas reuniões que tinha que fazer por dia, só conseguia fazer uma.

O clima se tornou ainda mais constrangedor, a tensão se instalava.

—Mas a questão é que... apesar de tudo, adorei o Brasil, o futebol, as paisagens, a música.

E também os negócios!

—Ufa! –Maria respirou aliviada. –Por um momento, pensei que... havia acabado tudo. Pois lhe garanto Doutor Mendoza que embora possamos não ser tão pontuais, sabemos honrar nossos negócios!

—E isto é o que interessa no momento!

Entraram rindo na sala de reuniões, chamando a atenção dos presentes, Beatriz e atrás deles Nicolás que chegava neste momento.

—Ér, esta é senhorita Maria da Silva, a empresária brasileira.

—Bem-vinda à Colômbia! –disse Beatriz -Já se conhecem?

—Não!

—Nos conhecemos agora mesmo!

—E já estão assim animados? –perguntou Nicolás.

—É o que acontece...

—Desculpa, doutores.

—Aura Maria, não aprendeu a bater?

—Sim, mas é que o Dr. Silva acabou de chegar.

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