—Então, Nicolás, acho que não é segredo para ninguém, seja estudante ou economista formado, a crise que a empresa passou no último ano.

—Realmente, Betty, todos sabem a situação em que o cabeção colocou a adorada empresa de seu pai.

—Ele soube aprender com os erros, Nicolás...

—Sim, mas...

—E temos que pensar que as coisas não acontecem por acaso.

—Como assim?

—Se tudo desse certo, ele contrataria uma secretária bonita de longas pernas e cérebro de minhoca, vestidos curtos, que seria sua amante. Teria sido um bom presidente responsável, no papel, se casado com dona Marcela, querendo ou não. E nós dois, estaríamos feiosos, amargando a fila do desemprego, pois quem contrataria dois feios como nós? Ojojo

—Ojojo Mas cabeção te contratou mesmo feia!

—Foi um gesto de bondade.

—Bondade nada. Te contratou por este cérebro, para que administrasse sua empresa!

Betty deixa o brilho de seus olhos transparecer.

—Sabe, acho que sempre foi louca por este cabeção!

—Como?

—Desde que o viu, da entrevista! Vi como falava dele!

—Não sei do que fala, Nicolás. -disse Betty, vermelha.

—Sabe muito bem!

—Ai, Nicolás! -ainda mais tímida.

—E agora este galã mexicano acabou caindo nos seus braços. Parece conta de fadas, Betty! Não acontece todo dia!

—Eu sei. Pensei que ia amá-lo para sempre em segredo.

—Queria eu ter uma que me amasse assim pelo que sou! Assim, horrível mesmo!

—Segue assim porque quer! Catalina já tinha te arrumado com ajuda de Camila e Armando.

—Eu sei! Mas pouco me interessa ficar parecido com Mário Duarte!

—Mas você parece um pouco com ele! Ojojo

—Está vendo? Vai ver que o amor não é para mim, isso sim! Assim como a beleza!

—Pois ficou um triplepapito com a aquele visual, até as meninas da faculdade te olharam como a sua ex paixão Francesca!

—Esta aí está que impressionada pelo cabeção!

—Eu vi! Não deve estar acreditando que Betty a feia conquistou tamanho bombom!

Os dois riem e dão o giro.

—O amor pode ser para você, Nico, um dia acreditei que não era para mim! Até pensei que estivesse apaixonado.

—Eu apaixonado?

—Sim!

Betty não quer lhe falar, mas suspeita que Nicolás e Camila tinham algo. Quer que o amigo se abra.

—Ah, por... por... -saca a foto do terno e beija -Minha Patty!

Esta mulher aqui!

Betty não pode acreditar que o amigo ainda guarde a foto de Patricia em seu terno. Será que se enganou? Mas podia vir um clima entre sua cunhada e seu irmão e ela amaria isto. Não sabe se Armando pensaria igual.

—Não acredito! Patrícia não!

—Não entende que a sigo amando? Ainda mais, posso ser pai de Patrick!

—Não creio!

—Sim, ela não me disse, mas creio que sou o pai do filho de Patty. Patrick Fernandéz Mora! Soa lindo!

—Ai, Nicolás! Crê que este filho de Patty é seu?

—Pois creio, Betty!

—E acha que se fosse seu, ela não estaria aqui cobrando-lhe toda hora que lhe desse TUDO! A boa vida?

—Aí que está, Betty! Patty é orgulhosa! Para ela é difícil assumir que temos algo. que temos um filho e que um pouquinho que seja gosta de mim!

—Acorde, Nicolás! Esta mulher não quer nada com você! Quando pôde ficar contigo, preferiu o asqueroso do doutor Valência!

—Entenda que para uma mulher como Patty é difícil assumir que sente algo por um cara como eu!

—Um cara como você? Você que deveria ter vergonha de sentir algo por uma cabeça-vazia como esta oxigenada! Você é inteligente, educado, brilhante, um gênio!

—São seus olhos, Betty! Mas as outras mulheres não pensam assim!

Armando ouvia atrás da porta.

—Posso saber o que passa aqui?

—Armando!

—Só falta agora eu apanhar por conta desses elogios que sua mulher me faz!

—Só bato se for com motivo. Acaso, não é como um irmão para Betty?

—Ojojo Oi, meu amor! Estávamos aqui planejamos os temas da palestra da nossa faculdade, quando o assunto se desviou.

—Desviou? Desviou para onde?

—É que começamos falando de Ecomoda e acabamos falando da oxigenada!

—E o que esta mulher tem a ver com a empresa? Que eu saiba está trabalhando com Marcela lá no posto de Miami! Não me diga que está voltando!

—Nâo!

—Ufa!

—Mas disse a Nicolás que ele deveria tentar esquecê-la e arrumar uma mulher boa que o mereça!

—E por isto começou a elogiá-lo?

—Bem... E estava ouvindo atrás da porta, senhor?

—Éee...

—Sai dessa, cabeção!

—Eu estava entrando quando ouvi.

—Sei.

—Bem, vou deixar vocês dois.

—Não, Nicolás, só passei para dar um beijinho em minha Betty e este relatório das franquias de Argentina e Uruguai. E sigo. Sobre o que vão falar na faculdade?

—Pensamos em falar como a crise colombiana influencia o mercado da Moda, citar Ecomoda como exemplo de como superar a crise.

—É só ter você de presidente! -disse dando um beijinho.

—Não disse? Estou sobrando!

Armando queria concordar, mas o olhar reprovador de Betty fez com que pedisse licença e assim os dois continuaram a amontar o workshop da Faculdade.

Após, fazerem um esboço, Nicolás sai da Presidência. Claro que estava faltando a verdade com Betty. Há algum tempo não sentia nada por Patrícia, não como antes. Sentia algo especial por Camila que não sabia dizer o que era, mas havia ficado magoado com a irmã de Armando.

—Ah, Cami! Se soubessem que é por você e não por Patty que suspiro. De Patty só tenho esperança que voltemos caso eu seja o pai de seu filho, o que é provável, mas não sei se me aceitaria. Mas o que tivemos juntos, foi especial. Queria que se apaixonasse por mim como o cabeção de seu irmão por Betty. E pensei que era assim, mas... agora, está na Suíça, vai saber se não fez as pazes com o pai de Michelzinho? Pois, estava decidida a ficar e resolveu ir quando te ligou. Vai ver que foi isso, Nicolás! Eles voltaram e você chorando. Esqueça, Nicolás! Esqueça! Camila Mendoza não é para você! Foi apenas uma aventura para ela! Uma pena! Tão linda e inteligente. -diz acariciando a foto da bela irmã de Armando, cabelos cor de mel com reflexos dourados, olhos verdes escuros como esmeraldas, como os de Margarida.

O jovem economista guardou a foto de Camila na gaveta e pegou a de Patrícia em seu bolso do terno, olhou-a. Preferia seguir "amando" Patrícia como ideal de mulher, era menos doloroso. Nâo tinha como se decepcionar mais com ela. Era apenas uma bela figura estampada que vivia de aparência, tal como se fosse uma atriz em seu papel ou uma modelo na passarela. Já Camila era real e amá-la e ter que aceitar que não era sua era muito mais doloroso.