Notas iniciais
Quando Armando chega na sala da presidência encontra Betty rodeada por dois homens (são dois empreiteiros no estilo do Programa "Irmãos à obra" da Discovery, Triplepapitos como diria Aura Maria. Quer dizer, só um é assim, o outro é meio barrigudo e baixinho.) Betty só tem olhos para Mendoza, mas sabem como é Armando.

—Posso saber o que está acontecendo aqui?

—Armando!

—Quem são estes homens?

—E o senhor quem é?

—Armando Mendoza, marido desta senora.

—Marido? Pensamos que fosse uma senhorita. -disse um.

—Bem, não importa. Somos da Empreiteira que fez orçamento no apartamento da senho... de vocês. -conserta o outro.

—Sim, Armando. Acabaram de chegar. Aura Maria não te avisou?

—Avisou, avisou mas esqueeci.

Betty olha feio, pois sabe que ele está com ciúmes.

—A Dra. está interessada na coleção Mellow-Yellow e estávamos lhe mostrando.

—Beatriz tem muito bom gosto, mas não precisa mostrar assim tão de perto.

—Armando!

—São normas padrão.

—Ah sim! Compreendo.

(Vai com este papo furado para cima do marido de outra. Conheço este jogo.)

Betty balança a cabeça. Mas logo, sorri. Está encantada com o papel de parede, a pintura. A casa onde moravam fizeram uma reforma básica e não escolheu quase nada. E estava cheia de mofo por ser muita velha.

—Ai, Armando é linda.

—Gostou, meu amor?

—Sim.

—Quero este e este na casa, a cozinha branca e bege no nosso quarto, o que acha de azul?

—Amo azul. -diz Armando.

Os empreiteiros mostram algumas decorações azuis.

—Estou entre este e este. O que acha, Armando?

—Este aqui é perfeito, senhora!

—Pois gostei mais desse outro. -disse Armando, irritado -E quem vai dormir neste quarto sou eu com minha Sra. Mendoza.

—Como queira, senhor.

—Temos uma filha.

—Pode colocar outra cor no quarto.

—O que pensa?

—Acho que vou no tradicional Rosa. Quando menina, queria ter um, mas...

—Tudo para minhas princesas. -diz Armando encantado. Betty às vezes parecia uma menina.

(Se ela não tivesse ficado tão encantada com tudo que lhe estavam mostrando, ele trataria de despachar estes, mas não poderia fazer isto agora, para não decepcioná-la. Ainda mais eles podem olhar o que quiserem, mas Betty é só dele. Pensou e riu com satisfação.)

—Aqui as ideias do quarto.

—Este, este! -disseram os dois- Para Cami.

—Ah sim, este.

—Perfeito, senhora.

—O quarto principal é suíte, não?

—Sim.

—Como querem o banheiro?

—Temos estes modelos. Com banheira ou chuveiro.

—Com ducha, jacuzzi, bancada e tudo. -disse Armando, já imaginando o que ia rolar.

—Neste caso, temos que falar com nosso parceiro. Ele que vende jacuzzis.

—E tem estas duchas, sabe, como as que tem nos motéis de luxo?

Betty fica vermelha.

—Com quatro temperaturas?

—Sim.

—A ducha bem larga, chuveirinho, sensível ao toque.

—Anotado.

—E o box, bem largo, sabe? Sou espaçoso. E como é para dois.

Betty não sabe onde esconder a cara e Armando segue falando.

—Creio que o senhor quer algo como isto. Não é bem um boxe, é uma parede de pedra. Olhe só.Ele mostra fotos de um banheiro enorme dividido por uma parede. Na frente, tem uma bancada para colocar perfumes, sabonete e vasos perto da pia e um espelho enorme em cima. Atrás da parede, um sofá de pedra com almofadas e na frente a jacuzzi redonda. Em cima da jacuzzi, uma ducha, podendo ou não fecha o boxe. Ao lado, ainda outra ducha menor, para um banho rápido.

—Perfeito!

—Como perfeito? E o vaso?

—Neste modelo o vaso fica separado.

—Eu gostei! -entusiasma Armando. Já imagina tudo que vai rolar naquele banheiro.

—Mas eu não. Pergunto de novo, e o vaso?

—Neste outro modelo, quase parecido a este, temos o vaso no local da ducha.

Betty vê as fotos, mas nem ela, nem Armando gostam.

—A senhora pode pegar elementos de uma e de outra.

—Perfeito. Armando gostou do primeiro. Creio que dentro do banheiro tem uma porta que dá um pequeno depósito. Poderiam colocar o vaso sanitário aí.

—Perfeito, senhora.

—Quê? É arquiteta agora? -perguntou Armando a sua mulher.

—Não, sr. Engenheiro. -respondeu ela.

—Ah, é engenheiro? -perguntou um dos engenheiros.

—Industrial.

—Ah sim. -segura o riso.

(Na Engenharia ser engenheiro industrial é motivo de risada para os outros, assim como ser guarda de Trânsito. Um despropósito, pois todas as profissões são importantes na sociedade.)

—Quê?

—Nada. Sigamos.

Seguem mostrando fotos e escolhem as cores bege e branco para o banheiro.

—Sabe quê? Este banco não gosto. Ao invés destas almofadas, colocaria tábuas de madeiras que aqueçam.

—Como de sauna.

—Sim. -disse Armando com cara de safadinho.

Depois de anotado tudo, os empreiteiros fazem algumas ligações, passam o orçamento.

Enquanto escolhiam a decoração e as cores, Armando ia se acalmando.

—E o banheiro dos visitantes?

—Ah sim. Pode ser verde.

—Claro..

—Dona Velasquéz, nossa decoradora não chegou, pois teve uns problemas em outra reforma. Mas qualquer dúvida, ela entra em contato.

—Estaremos aguardando.

Quando os homens saíram, Aura Maria ficou toda de sorrisinhos. Enquanto Armando estava mais calmo.

—Ah!

—Morreu de ciúmes dos empreiteiros.

—Sim. Me conhece. Ninguém pode estar tão perto para sentir este seu aroma.

—Imagina se tivesse se casado como uma modelo. Iria ficar louco cada vez que olhassem para ela desfilando.

—Este não seria eu! Nunca tive ciúmes de nenhuma de minhas conquistas e tampouco me casaria com uma dessas.

—Só queria se divertir!

—Sim e elas também. Mas com você, Beatriz, quero me divertir também, mas casadinho e ter mais um, dois, três filhos. Portanto, devemos ir...

—Aqui não, louquinho. Já nos flagraram.

—E pouco me importo que este invejoso do Daniel Valencia. É só minha. — puxa sua cadeira e a beija.

—Deixemos para casa!

—Pensando em casa, aí que teremos uma jacuzzi enorme, cheios de bolhas.

—Já temos.

—Mas não como esta que escolhi. Vou deixar que me deva fazer amor. E anotar mais uma em sua conta. E nem imagina a maravilha que é esta ducha.

—Não imagino. Não frequento este tipo de lugares... -disse ciumenta.

—Ah. Mas eu também não frequento há mais de 2 anos, estou até desatualizado. Prefiro mais o La Fontana, onde foi nossa pela primeira vez e nossa Lua-de-Mel.

—E onde voltamos sempre! -beijo. -Armando, não acha que a reforma vai ficar muito cara?

—Não. Tudo para nosso castelo. Mas estava pensando em negociar meu apartamento de solteiro.

—Como?

—Sim, conservei o apartamento pois pensava que minha irmã iria ficar, mas...

—Não pensa em guardar para Camila?

—Para nada! Camila vai viver conosco até casar-se, se casar.

—Armando!

—Beatriz!

—Parece meu pai falando às vezes!

—Para nada! Falando em seu pai, ele anda me cobrando aquela saído a uma tangueria. Onde fui me meter?

—Foi inventar. Ele que não invente de ir sozinho conosco ou só contigo.

—Imagina, meu amor. Seu Hermes jamais faria isso!

—Sei...

—Jamais iria ir em um lugar sem dona Júlia, 30 anos de casados, o que iria fazer sem ela?

—Hã. Não pense que meu papai é acima do bem e do mal. Estas coisas acontecem. E os homens...

—Pois eu tenho pouco mais de um ano e para mim estou em Lua-de-Mel e não penso em ir a algum lugar sem você! Muito menos a uma tangueria. Nem mais faltava.

—Acho bom, senhor Mendoza, acho bom!

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