O dia seguinte, era sábado. Assim, a família iria para a casa dos Pinzón, como haviam combinado com os pais para almoçarem a convite de dona Júlia.

Ao chegarem lá...

—Olha, quem está de volta!

—Visitando os pobres?

—Olha, até que a união está durando.

—Achei que estes playboys trocavam rápido de mulher.

—Deixe-nos em paz, Roman!

—Esta é a filha de vocês? Que bonitinha.

—Tire suas mãos imundas de minha filha!

—Calma, ô gorila, não precisa ficar bravinho. Segura este troglodita, Betty!

—Trogloditas são vocês. Vão cuidar das suas vidas!

—Eu te acalmo, bonitção! –disse uma das meninas do grupo (aquela do chiclete), colocando a mão nos ombros de Armando, que mesmo segurando Camila e as bolsas, logra se afastar.

—Olha, Betty se um dia ele te largar, pode me procurar que te consolo!

—Ah é? Anote aí a data que vai me tocar: 31 de fevereiro!

Armando se dirige a eles, sentindo seu sangue ferver.

—O que disse a ela?

—Calma, meu amor! Não vale a pena, são um bando de idiotas desocupados!

—Betty, sabe quem te mandou lembranças e não te esquece? Miguel! Digo o que para ele?

—Que o marido e home dela vai arrebentar a cara dele tanto que não vai mais conseguir falar, nem mandar recado para a mulher dos outros!

—Quem mandou deixar Betty se tornar esta mamacita? A feia ninguém queria, só você!

Quando Armando ia para cima deles para mandar um recado” para Miguel, a porta abre e é Don Hermes.

—O que fazem aqui incomodando minha família? Já os avisei!

—Calma, calma Seu Hermes! Estávamos apenas dando as boas-vindas , já que há muito tempo Betty não vinha. –saem correndo

—Covardes! Já disse para entrarem direto, para não ficarem parados aí na frente.

—Eles já estavam aí quando chegamos.

—São um bando de desocupados!

—Ai, meus filhos!

—Dona Júlia!

—Mamãe! –beijo

Júlia pega Camilinha nos braços.

—Que linda e grandona está! Você sempre foi miudinha nesta idade.

—Éeee... –balbucia Camilinha com um sorriso encantador

—Imagina oj oj oj é assim por conta de Armando.

—Imagino.

—Grande e forte!

Armando sorri meio tímido com o elogio. Não era assim normalmente, mas frente aos pais dela sim.

—Acabei de passar um cafezinho.

—Seria ótimo, mamãe. Deixa que pego, fique um pouco com Milinha.

—Estes tipos sempre foram assim?

—Diz Román e a turma?

—Sim, ele é filho de dona Branca. Ela é uma boa senhora, caridosa, mas como é viúva, desde quando ele era pequeno ficou assim- disse Júlia

—Para virem quando digo que o diabo é porco! O que faz falta um homem em uma casa.

Júlia rodeia os olhos. –O menino é um desocupado, pois não tem um pai para fazê-lo respeitar e ser um homem de bem. Quando era pequeno eu dava conselhos e mesmo ficando pelas ruas, não fazia estas coisas, mas agora, não tem mais jeito não.

—Don Hermes. Tenho um apartamento que era meu de solteiro. Está vazio, pois só minha irmã utiliza quando vem à Colômbia. Pretendo colocar para alugar, mas poderia ceder aos senhores. O que acham?

—O que que quer dizer?

Os olhos de Júlia se iluminaram. Pelo que sabia de sua filha, aquele apartamento era perto da casa que Amando havia comprado para sua filha.

Neste momento tocou a campainha. Era Nicolás. Júlia foi atender.

—Boa tarde, dona Júlia! Betty, o cabeção e minha sobrinha já chegaram?

—Sim, meu filho!

—Ah, chegou o tubo digestivo com pernas.

—Mais respeito, seu Hermes, mais respeito!

—Enquanto vir comer em minha casa, não vem exigir respeito.

—Ai, papai! Oj oj oj Oi Nicolás!

—Que saudades, Betty! –a abraçou, deram um giro, sob os olhares ciumentos de Armando.

—Deixa eu cumprimentar o cabeção, senão sou um padrinho morto! –riu de seu jeito.

—E minha sobrinha?

—Imagina, dormindo no meu quarto! Oj oj oj

—Voltando ao que falávamos antes deste tubo digestivo nos interromper... o que quis dizer, Armando?

—O que Armandinho quis dizer

—Júlia, em boca fechada... deixa que o doutor explique.

—Siga, Armandinho.

—O que quero dizer é que não fico seguro com estes tipos rodeando a casa de vocês. Nos abordam sempre que vimos aqui e Beatriz (vira para ela) e eu ficaríamos mais seguros, creio que posso falar por você, meu amor (ela olha de forma cúmplice a ele) se fossem morar no meu antigo apartamento, perto de nós.

Júlia juntou as mãos em sinal de agradecimento. Estava contente com o convite, mas seu Hermes não.

—Olha, doutor Mendoza, Armando, meu genro. Agradeço o convite, mas não.

—Não?

—Não.

—Ora, seu Hermes, o que o Cabeção propõe é uma boa. Seu apartamento antigo era aquele onde estava Camila?

—Sim, mas... (Armando estranhou) como sabe disso?

—É, é...

—Nicolás foi busca-la naquele dia do jantar com seus pais, lembra?

—Ah sim. Tinha me esquecido.

Betty desconfiava que Nicolás e Camila estavam interessados um no outro, mas como não tinha tido tempo para conversarem sozinhos sobre isso, não queria perguntar na frente de Armando. Temia a reação dele. Não sabia se haviam chegado às vias de fato, ou se apenas gostavam de conversar e passar tempo juntos, mas gostaria que ficassem juntos: sua cunhado e seu quase-irmão. Deixou escapar um sorriso.

—Que foi, Betty?

—Nada, Armando.

—Lá é um bom lugar, sabe? Muito melhor que aqui.

—Te perguntei algo, Microláx? Escute, Armando. Agradeço o convite, mas a resposta é não.

—Mas, papai...

—Por que, seu Hermes?

—Porque moramos nesta casa desde que no casamos. Foi construída em um terreno que já pertenceu ao meu tio Lázaro. Já contei como ele ganhou o dinheiro para compra-lo?

Betty e Júlia viram os olhos.

—Foi de um trabalho que fez para uma importante família de Santa Fé. Uma família tão importante como a sua, doutor, os Gonsalez! Deve conhecer.

—Sim, conheço.

—Com o dinheiro, comprou o terreno e muitos outras coisas, como carro, uma casa para cada uma das filhas. E me deixou de herança o terreno. Quando estava me preparando para casar com Júlia, comecei a construir com o dinheiro que me deixou, esta casa. De modo que, aqui vivo desde que saí da casa de meus pais para me casar com Júlia.

—É uma boa casa, seu Hermes!

—A melhor da região (faz o barulho com a boca) Armando! Aqui vivemos toda uma vida e Betty nasceu aqui, pelas mãos de uma de minhas primas, filha de tio Lázaro, que é parteira. Esta creio que não conhece.

—Betty nasceu aqui?

—Sim, em nosso quarto. E depois levaram para o hospital para examiná-la, enquanto eu fui registrá-la. Aqui Betty também passou toda a sua vida até casar-se. Esperava que viesse morar aqui depois de casada.

Armando e Betty tossiram, Nicolás riu e Júlia virou os olhos para cima.

—Mas não quiseram. Nem precisavam ter comprado uma casa, iríamos ceder o sótão para vocês.

—Hermes, como iam viver aqui com a menininha?

—Sempre pode-se dar um jeito. Construiria mais um andar.

—Seu Hermes teria que construir um prédio em lugar da casa, pois estes dois aí vai ter muitos filhos.

—Nicolás!

—Só disse a verdade, Betty!

—Fecha a bca, ô inútil. Entenda, Armando, não posso me livrar desta casa. É um bem familiar, como sua empresa, por exemplo.

—Minha ideia não era que se livrassem da casa.Poderiam alugá-la e irem morar em meu apartamento, mas perto de nós.

—Não, seu Mendoza!

—Não é porque é longe,mas pela segurança. Nunca se sabe com esta quadrilha por aí e eles não tem respeito por nada!

—Pensa, Hermes!

—Papai.

—Agradeço, Armando, mas sei cuidar deles.Minha maior preocupação é quando Betty vivia aqui e chegava tarde da faculdade e depois quando chegava tarde da Ecomoda.Mas agora que não vem sozinha e tem você para cuidá-la, estou mais tranquilo. Júlia quase não sai de casa e eu sei me cuidar.

—O senhor é quem sabe,mas quando precisar. Este apartamento era meu, mas agota é tão meu quanto de Betty, logo, não precisa se sentir mal. Não era de minha família, sempre foi meu e agora. Nosso. –beija a mão de Betty.

—Papai, eu ficaria mais tranquila.

—Betty, fim de papo.

—Bem, vou servir o almoço.

—Eu te ajudo, mãe!

Depois de comerem a deliciosa comida de dona Júlia, Hermes serviu whisky para Armando e obrigatoriamente paa Nicolás, que ainda preferia seu perfume.

Camila abriu o berreiro por se ver sozinha.

—Acordou! Vou pegá-la!

—Eu te ajudo! -disse Armando.

Assim, os dois subiram. Camilinha estava suja e depois de trocarem-na, ficou brincando com o patinho de Betty.

—Ah, este é o tal pato que tinha?

—Sim oj oj esuqeci aqui, podemos levá-lo.

—Betty...

—Quê?

Armando agarrou sua cintura, para puxá-la para si e poder beijá-la apaixonadamente.

—Estava ansioso para fazer isso.

—A menina!

Não precisaram se preocupar muito, pois quando viram ela havia voltado a dormir. Armando só sorriu e voltou a beijá-la enquanto passava a mão em seu corpo.

—Armando, meu pai pode vir se demorarmos.

—Estou louco para te beijar.

—Armando, não.

Mas ao mesmo tempo que falava não com os lábios, seus braços o abraçavam pelo pescoço. Esta dualidade de Betty, este jeito tímido e sensual, o deixava doido.

—Só um pouquinho, Betty.

—Sabe que nunca é pouquinho contigo.

Não puderam fazer muita coisa, pois logo bateram à porta. Por sorte, ainda estavam vestidos.

—Desculpem, meus filhos! –disse Júlia do lado de fora.

—A minha mãe! –abotoando as roupas

—Sabe como é Hermes, se eu não viesse, ele iria vir, mas juro que não vi nada.

—Já iríamos descer com a menina.

Depois de descerem com Camila que acordou para comer papinha e ficar rindo das palhaçadas de Nicolás, conversaram sobre a empresa, sobre a ideia de Hermes de abrir um escritório de contabilidade para se sentir útil novamente.

—Também ofereceria serviços de Auditoria e Imposto de Renda como faço para a Ecomoda.

—É uma boa ideia, seu Hermes! Posso lhe recomendar alguns clientes.

—Seria ótimo (fez o barulho característico) assim me sentiria útil novamente e Júlia não precisaria trabalhar para ninguém!

—Como assim?

—Imagina, minha filha. Estou pensando em oferecer refeições prontas de comida caseira, na padaria de Eugênia (mãe de Nicolás) e também vender alguns doces! Para ajudar aqui nas contas da casa, sabe?

—Mas mãe, eu não te dou uma ajuda?

—Isto também não está certo. Não é justo que seu marido tenha que nos dar dinheiro. –disse Hermes

—Eu ajudo com meu dinheiro, do meu salário na Ecomoda.

—Sim, ainda que eu teria muito prazer em ajudar, mas Betty não deixa.

—Mesmo assim, me sinto mal. Seu salário deve ser para comprar suas coisas e agora de nossaneta, or isso, quero voltar a trabalhar. Preciso me sentir útil, sabe?

—E eu da mesma forma. Agora que Betty não está aqui, sinto-me sozinha e se Hermes vai sair para trabalhar todo o dia, vu ficar aindamais sozinha, logo, pensei em ajudar e vender pratos congelados e doces na padaria de Eugênia.

—Sabe, ela adorou a ideia!

—E por que não faz inicialmente este tabalho de contabilidade desde casa? -perguntou Armando –agora que tem o quarto de Betty vago.

—Não é má ideia, doutor. Mas se eu precisar atender clientes.

—Pode fazer na empresa. Só agendar. Apesar que estou pensando em algo melhor. Aquela ideia que me deu, molenga.

—A da Terramoda, cabeção?

—Sim. Betty e eu pensamos bem e não concordamos com a ideia de acabar com a Terramoda! É uma empresa legalmente construída e já contamos com alguns sócios. Para se tornar uma empresa respeitável, só falta uma sede, um escritório. Logo, o senhor poderia tomar conta da empresa, contratamos uma secretária, Nicolás e Betty podem ajudar na empresa também.

—Olha não é má ideia! E onde seria?

—Estava pensando em um lugar que está alugando lá no centro, bem perto da primeira loja da Ecomoda. –apontou para a foto.

—Hum, genial, doutor. Sabe, foi por ali que meu tio Lázaro teve seu escritório. Por isto comprou seu terno na loja de seu pai.

(Agora, a foto de tio Lázaro e Roberto figuravam na sala de Hermes, a qual exibia a todos que os visitavam: a foto do tio Lázaro e do, na época, sogro de sua fiha;

Papo vai, papo vem.

—Está tarde, temos que ir!

—Por que não ficam aqui?

—Amanhã iremos passar o dia no clube. E teremos que sair cedo. Estão convidados a ir!

—Não obrigado, Armando. Deixe para outro dia.

—Camila e Michel também irão.

—Eu vou. –disse Nicolás, Armando virou os olhos, mas Betty não deu tempo de que se manifestasse.

—Ótimo, passe lá em casa, logo, pela manhã, pois não-sócios precisam de autorização para entrar.

—Oito horas e não atrase, molenga!

Assim, a família foi para casa para descansarem para o dia seguinte.

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