Notas iniciais
Cabe à Inesita limpar a barra de Armando na Ecomoda, sobretudo com o quartel, eia que as fofocas correm soltas e a má fama de mulherengo de nosso vice-presidente perdura, ameaçando a paz. Mas mais problemas se avizinha. Esperamos que nosso casal consiga provar seu amor perante as adversidades.

No dia seguinte, Nicolás foi com seu carro sozinho, enquanto, Betty foi com Seu Hermes à Ecomoda:

Marcela estava animada, vez que percebera que Betty havia separado de Armando, ou era o que pensava.

—Hoje, Patrícia, vou convidá-lo para almoçar com a desculpa de ver algo da empresa e vou ficar do lado dele, apoiando-o. Dizer que se gosta das modelos, que não tem nada demais, afinal, são mulheres muito bonitas. Não era a estratégia dela? Agora é a minha!

—E você acha que era a estratégia dela, Marcee? Acho que ela o apoiava em tudo porque sabia que não tinha chance alguma com ele, era a única forma de estar junto dele!

—Sai daqui, Patrícia! Me deixa trabalhar!

Patrícia percebe que Nicolás a está olhando.

—Que foi, ô quatro olhos!?

—Nada, Patty! Quer conversar comigo?

—Imagina que eu, ex-mulher de Maurício Bigman, que cursei seis semestres de Finanças na San Marino iria querer algo com você, nem conversar!

—Patty, olha! A Ecomoda está fechando algumas parcerias e entre elas com salões de beleza da cidade.

—E o que tenho com isso? Minha beleza é natural, não sou como sua amiga, nossa presidente, que precisa dessas coisas!

—Pois é, Patty, mas inclui tratamento de cabelo, inclusive, poderá retocar seu cabelo, Paty!

—O que está querendo insinuar, Nicolás? Meu loiro é verdadeiro!

—Olha, Paty! Fique com este cupom, vai ficar ainda mais linda! Sem ressentimentos, Patty!

Patrícia jogou o cupom sobre Nicolás

—Desgraçado!

Ele tristemente fechou a porta do seu escritório.

—Olha só, oxigenada! -cutucou Sandra- Até o Nicolás está te chamando de oxigenada!

—Eles tiveram um caso quando ele estava com Betty! -comentou Sofia

—Só que ele nunca esteve com Betty, sempre foram amigos, o caso de Betty era com Seu Armando! -lembrou-se Bertha

—Ah sim!

Elas começam a cochichar:

—E ele? Já chegou?

—Acham mesmo que ele vai aparecer depois do que aprontou com a Betty ontem? -lembrou-se Sofia

—Homens! -reclamou Sandra

—Pois se sou a Betty deixo para lá, vou até ele e o seduzo na sala dele e o faço esquecer qualquer modelo, filha! -recomendou aura María- Homens são assim mesmo e um bombom como Seu Armando está sujeito a estas coisas, não pode deixá-lo solto, tem que mostrar serviço e trabalhá-lo!

—Aura María! Estes termos! -repreendeu Sofia

—Ai, parece até Inesita!

—E ontem ela saiu com seu Armando, sei lá para quê!

—Inesita é sempre conciliadora, no mínimo quis que Betty desse mais uma chance para ele!

—Ai, vamos falar com Betty! -pediu Aura Maria -Betty? Podemos falar?

—Betty, ouvimos umas coisas... -começou Sofia

—E ficamos chateadas! -continuou Bertha

—Bem, meninas, posso agora explicar-lhes... -Betty estava começando a falar

Neste momento, Armando adentrou o andar:

—Bom dia, Patrícia!

—Bom dia, Armando!

—Onde estão as outras secretárias?

—Ora, quando não estão fofocando no banheiro, estão sempre enfiadas na sala da Betty!

—Ah sim! Vou até lá!

Armando abre a porta;

—Bom dia, Betty! Bom dia, meninas!

—Bom dia, Seu Armando!

—Bem, podem me dar uma licença, preciso falar com Betty!

—Sim... -meio contrariadas, o quartel foi se retirando, pois queriam falar sobre as fofocas que corriam nos corredores, sem saber que tal assunto já estava superado:

—Bom dia, mí amor!

—Bom dia, doutor!

Ele estica um bela caixa de chocolate suíco com um cartão em branco:

—Pela nossa reconciliação!

—Mas nem brigamos, sei que foi um mal-entendido que resolvemos a tempo.

Beijo

—Seu pai não está aí?

—Está na sala do Nicolás!

—Então... (Armando lhe dá outro beijo breve)

—Este cartão está em branco! (risos)

—Então, vou escrevê-lo aqui, quero que tenha certeza que fui eu mesmo que lhe escrevi com todo meu amor! -lembrou-se armando

—Já resolvemos esta questão, não?

—Bem... sim! Mas sei que até o resto dos meus dias pagarei por este jogo sujo e pela minha fama de mulherengo, logo, não posso perder a oportunidade.

Armando posiciona-se em frente a ela e começa a admirá-la, pensando o que escrever-lhe:

Neste momento, Seu Hermes adentra a sala.

—Ora, bom dia, Doutor Mendoza! O que faz aqui?

—Bem... estou dando bom dia para Betty! E escrevendo-lhe algo, namorados podem escrever cartões, não Seu Hermes?

—Ah o senhor gosta de escrever cartas, cartões estas coisas?

—S-sim, seu Hermes!

—Eu escrevia muitas para Júlia nos tempos de namoro! Não sabia que o senhor tinha esta veia de escritor!

—Ah sim, senhor Hermes! Nem eu...

Betty começou a rir, de forma característica.

—Mas Betty me desperta estes sentimentos, escrever, colocar em papel meus sentimentos!

—Pois faço muito gosto nisso! Vejo que seu pai, dr. Roberto, o criou muito bem, dentro dos modos de pessoas de bem. Embora o senhor com minha filha tenham andado descabeçados e enfiado a empresa no buraco, estão de fato, colocando a cabeça no lugar com trabalho, disciplina, fazendo as coisas certas!

—Sim, Seu Hermes!

—Sim, Dr. Mendoza! Não tem nada para fazer em sua sala?

—Como disse, estou escrevendo este cartão para Betty...

Betty queria se manter séria, mas não conseguia.

—Do que está rindo, minha filha?

—Nada, papai!

—O diabo e porco, filha! Uma moça de bem não pode ficar dando risadas à toa!

Com Seu Hermes na sua cola, Armando percebeu que não iria conseguir se concentrar na beleza de Betty, então, resolveu deixar para escrever o cartão depois:

—Seu Hermes, conseguiu resolver o assunto de sua rescisão?

—Não. Preciso de um advogado para ver se consigo receber estas contas, veja! Veja! Doutor! Um grana boa! Conferi tudo certinho! Vinte anos dedicados à esta empresa!

—Sim, Seu Hermes!

—O seu advogado, Senhor Sanches não poderia me ajudar nisto, filha?

—Não creio, papai! A especialidade dele é outra...

—Ora, que isso, seu Hermes! Temos um advogado que faz este serviço para a Ecomoda e ele pode muito bem cuidar disso. Rescisão, questões trabalhistas!

—Olha, Dr. Não quero dar trabalho, nós os Pinzón não misturamos coisas particulares com coisas pessoais.

—Ora, mas que isso, Seu Hermes, não é uma questão particular! O senhor é... é.... nosso colaborador e devemos ajudar nesta questão sim, para que fique tranquilo. Meu pai sempre ensinou a ter um bom relacionamento com os empregadores e o senhor é muito mais que isso para nós. É... amigo de meu pai, inclusive!

—Fico lisonjeado, Doutor Mendoza! Mas só vou aceitar, pois estou, de fato, desesperado com esta questão!

—Tudo vai se resolver, Seu Hermes!

Seu Hermes vai feliz para sua sala. Armando suspira aliviado.

—Viu¿ Ele gosta de você!

—Eu tremo cada vez que o vejo!

Betty ri de seu jeito.

—Meu pai é bravo, mas não morde!

—Seu pai é bravo, pois tem uma filha muito especial!

(Jogam beijos de longe.)

—Bem, vou terminar de escrever, em minha sala, depois trago.

—Sim!

Armando sai da sala de Betty e encontra Marcela

—Olá, Armando!

—Bom dia, Marcela!

—Preciso falar com você, tem um minuto?

—Sim. (Os dois adentram a sala de Marcela)

—Pois bem! Soube que a franquia da Venezuela está a ´pleno vapor!

—Sim. Inclusive, Alejandra já convidou os executivos da Ecomoda para o evento.

—Ora, ora! Ainda não recebi meu convite!

—Chegará em breve, Marcela.

—E você deve estar ansioso para verificar tudinho pessoalmente...

—Não entendi o que quer dizer, Marcela!

—Armando, nos conhecemos desde pequenos, está com Betty, somos amigos, agora... Não temos mais nada, deixei o caminho livre para Betty. Mas sabemos que você tem seus desejos, te conheço e sei como é. Não precisa esconder de mim que tem desejos pela Alejandra! Pode confiar em mim, somos amigos!

—Continuo não te entendendo, Marcela!

—Ora, Armando! Quando estava depressivo por não estar com Beatriz entendo que tenha dispensado a empresária venezuelana, mas agora, que estão juntos, não há porque dispensá-la, não é mesmo? Não é segredo para ninguém que Alejandra estava com olhos sobre você...

—Sim. Mas fui bem claro com ela a respeito e ficamos amigos. Temos negócios importantes; franquias.

—Amigos, sei! Suas “amiguinhas” eu conheço.

—Marcela! Se é tudo o que tem para dizer, eu já vou... Afinal, tenho muitas outras propostas de franquias para serem implantadas e preciso estudá-las.

—Armando, pode confiar em mim, se precisar de ajuda. Betty não precisava ficar sabendo... -pisca para ele- É um segredo de amigos!

—Desculpe-me, Marcela! Mas acho que já falamos sobre isso! Com licença!

Armando sai da sala com raiva de Marcela. Apesar de ser ótima profissional e ter boas lembranças de sua juventude com ela, preferia que não continuasse na empresa. Conhecendo-o tão bem, não percebia que ele era um novo homem, que havia mudado?

Não demorou muito para Inesita, convocada para o 911 explicasse o que de fato, aconteceu e as meninas do quartel confirmassem que Armando continuava alucinado por sua Betty. Patrícia, do banheiro ouviu tudo e tratou de por Marcela a par, que lógico explodiu de raiva.

—Não sei o que esta Garfield fez para ele! Parecia bruxaria, Marcee!

—Que nada, Patrícia! Ela sabe jogar muito bem! É sonsa, boazinha! Pior que tenho que aturá-la, nisso ele tem razão ela é ótima administradora! Nunca lucramos tanto, as ideias das franquias do Armando aliadas às abordagens dela estão dando muito resultado. Não só vamos sair do buraco, como vamos lucrar mais!

—Sério, Marcee?

—Sim, ela é um gênio das finanças! Até o Daniel me confirmou isso! Conferiu todos os números e teceu elogios. O próprio Roberto disse o mesmo! Um desperdício como secretária, assistente ou qualquer coisa! Por isto, ele a queria atuando como o Olarte!

—Bem, para alguma coisa ela serve!

—Sim. Com tudo isso, estou ficando louca, Patrícia! Por mim eu saía de Bogotá e ia para Palm Beach ou sei lá! Não quero ver Armando babando atrás dela!

Na hora do almoço, Armando leva o cartão, deixando Betty emocionada!

—Sabe que fui eu que escrevi! -segura seu queixo

—Sim, eu sei! Te amo também!

Convida Betty para comer algo e é obrigado a convidar Hermes também. Mas vale tudo pela fama de bom moço, frente ao pai de sua amada. Vão, então, ao Medalhão, para variarem um pouco da comida do Lenoir. Como sempre Hermes fica reclamando dos preços.

—Você deveria protestar, Doutor! Um absurdo o que pagam pelo prato nestes lugares!

—Ah, Seu Hermes... é que estou acostumado!

—Um dia vou levá-lo ara comer em um lugar lá no bairro onde uma vez por ano levo Júlia e que comida, doutor! Que comida! Lá o senhor vai comer à vontade, ovo, arroz, comida boa! Não estas coisas!

Armando sorri amarelo, Betty ajeita os óculos.

—Tenho certeza que vou gostar, Seu Hermes!

—Mas a melhor comida quem faz é a Júlia. O senhor só vem para o café, mas um dia vamos combinar do senhor jantar lá em casa! Aí o senhor vai ver que perdeu tempo comendo por aí. Comida boa é a Júlia que faz!

—Ai, pai!

—Esta aí não! Coloquei para estudar cedo, então, não aprendeu nada de cozinha com a mãe! Mas ainda bem, doutor! Tenho muito orgulho de tanto que esta menina estudou. Como na Ecomoda só tinha tempo para trabalhar, na faculdade só para estudar! Nada das outras coisas!

—Ah sim, Seu Hermes!

—Sabe, doutor! apenas por respeito a seus pais, pela educação que lhe deram, permito que tome minha Betty em namoro. Ainda são muito jovens para estas coisas.

—Sim, Seu Hermes!

—Sei que respeita minha Betty!-Sim, Seu Hermes, jamais desrespeitaria Betty, a amo e respeito.

—Faço muito gosto, doutor! Beatriz é uma menina diferente, estudiosa, inteligente. Criei-a para ser diferente dessas outras moças. Para chegar pura e imaculada à Igreja, tal como a criei.

Armando virou os olhos, mas concordando com a cabeça. Betty ri timidamente, de seu jeito particular.

—E espero que saiba preservar isso. Sabe, Dr. O diabo é porco!

—Sim, Sr. Hermes!

No final do dia, Seu Hermes leva Betty para casa em seu carro, deixando Armando na solidão de seu apartamento, tomando whisky, lendo uma revista que fala as aberturas de franquias da Ecomoda.

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Notas finais
Embora, tenham opiniões divergentes de Seu Hermes e vivam sua intimidade a pleno vapor, sabem que devem respeitar a opinião dele. Ainda mais, não seria pior discordar dele? Paciência, Armando... Continua...