Notas iniciais
Uma confusão est´´a armada entre Hugo e Jacques no ateliê. No meio da confusão, Armando grita com Betty novamente e se sente mal com isso. E fica ainda pior quando ela diz que vai castigá-lo.

Armando, logo voltou, embora, Beatriz fosse a líder que era, estaria lidando com Hugo, a única pessoa que não respeitava-a como presidente.

—Pois bem, senhores! Sentem-se, por favor, e me expliquem

Os dois começam a falar ao mesmo tempo, então, Armando faz que vai gritar de novo, então, Hugo perde permissão para falar.

—O que acontece, menina é que um dia cheguei aqui e o ateliê estava uma bagunça. Como nem Inês estava para me ajudar, comecei a ajeitar eu mesmo. Tinha coisas: desenhos, bonecos, papel amassado, tecidos retalhados, enfim, uma infinidade de coisas jogadas e não dava, não dava para continuar fazendo arte em um pardieiro daquele, resolvi eu mesmo colocar minhas luvas e faxinar este lugar! Logo, peguei tudo que encontrei e coloquei em uma caixa! E como disseram estes aí: Sim. Coloquei tudo em uma caixa! Passei um paninho, deixei tudo limpinho, esperei e quando estava seco comecei a colocar meus croquis. Sabe que tenho que entregar até o fim desta semana para que passe à produção e comecem a elaborar de acordo com os desenhos. Não posso perder tempo brincando! Tenho um nome (colocando a mão no peito) a zelar!

—Sim, sabemos, mas...

—Acontece, Seu Hugo, que poderia me esperar que eu mesmo recolhia tudo.

—Não sabia que horas voltaria e nem se voltaria! Não pode deixar as coisas espalhadas por aí!

—Não estavam “espalhadas por aí”. Coloquei na mesa de trabalho, não imaginava que o senhor iria querer a mesa para trabalhar justo hoje! Ainda mais, também estou trabalhando com prazo. O desfile de bonecos é o último estágio antes de produzir as peças!

Hugo faz um gesto de deboche.

—E por que o senhor mesmo recolheu as peças e não chamou a limpeza? -perguntou Betty

—Porque... Porque... (Hugo lembrou-se que ficou com muita raiva ao encontrar as peças de Jac ocupando “sua mesa” , então, deu um ataque, jogou tudo no chão, mas depois arrependido, pegou tudo, passou um pano de qualquer jeito e colocou em uma caixa.) Bem... não devo satisfações, mas só por ser à “senhora presidente” vou dar-lhe, pelo fato, que prometi que teríamos uma boa relação: não chamei a limpeza por consideração.

—Hã? (Todos, com exceção de Hugo)

—Isto mesmo que ouviram. Se eu chamasse alguém da limpeza, iriam simplesmente jogar tudo por aí e talvez jogassem até fora. Sabe, apesar de tudo, sei que Jacques é um estilista, aprendiz da honrada Bettina Spitz, logo, tem talento, pois ela não trabalha com qualquer um. Então, reconhecendo seu valor, juntei eu mesmo!

—Mas que consideração, hein? -ironizou

—Não me agradeçam! Tenho um coração de ouro.

Armando balança a cabeça.

—O que acha, Betty? -perguntou Armando

—Bem... -Betty estava pensando -Jac, poderia continuar a confeccionar suas peças na sala de Reuniões por hoje? Está livre e como Hugo espalhou seus desenhos na mesa do ateliê.

—Bem, sim... como quiserem, doutores!

Apesar de se considerar vitorioso...

—Se tivessem me oferecido a mesa da sala de reuniões, eu mesmo teria se “ajeitado por lá” e não teria tirado as “bonecas” de Jacques. Se fiz foi pela necessidade empírica de produzir arte em um prazo tão curto.

—Do que reclama, Seu Hugo? O senhor ganhou, ficou com a mesa do ateliê!

—Não, Mariana! Não foi bem isso que quis dizer! Ninguém ganhou nada e tampouco perdeu. Dei apenas uma solução provisória para que não percamos o tempo, este sim valioso. Estamos com uma coleção em cima e entendo que nossos brilhantes estilistas precisam de espaço para trabalhar e que comessem já! Pois logo, Catalina me cobrará algo, inclusive a respeito dos tecidos e estilos adotados, logo. Mas a solução mesmo, irei dar em breve. Estamos combinados? Agradeço.

—E onde está Inês?

—Está na presidência com Sandra! -disse Armando -Não está se sentindo bem, então, uma enfermeira irá atendê-la. Mas não se preocupe, Huguinho que o médico dos Mendoza irá atendê-la e recomendar-lhe algo! Provavelmente hoje tomará repouso.

—Quanta consideração por Inês, nunca pensei que...

—Sempre tive grande apreço por ela. E um carinho muito grande. -Betty lhe deu o braço e sorriu.

Depois saíram do ateliê de braços dados, acompanhados por Jacques e Mariana.

Na sala de reuniões, Jacques organizava suas coisas, enquanto, Armando foi ver Inesita que estava descansando no sofá da presidência, Betty foi falar com ele, pedindo à Mariana para ficar a sós com ele, a moça retornou à recepção:

—Jac, entendeu ou não? Hugo é muito talentoso, mas não sei se sabe, mas sempre foi muito ciumento e agora vê que temos bastante apreço por seu trabalho.

—Eu entendo, mas... 9com lágrimas -Mas não precisava fazer isso. Está tudo amassado!

—Sim. Lamento. Não sei se foi de propósito ou não. Não quis falar mais nada, porque Armando se exalta quando está com ele.

—Sim, já me contaram que eles sempre discutiram.

—Sim, inclusive, eu pessoalmente nunca me dei bem com Seu Hugo, mas sempre o respeitei. Sabe, a Ecomoda, a Ecomoda é uma empresa familiar criada com o sangue dos Mendoza e dos Valência. Aprendi a respeitar e amar o trabalho de meus sogros e seus amigos antes mesmo de me casar com Armando. Sei a história que seu Hugo tem na empresa e assim como Inesita, Maria, nossa líder de produção e muitos outros, a empresa não seria a mesma sem alguns desses, os empregados, não são só empregados e sim colaboradores, meu sogro ensinou que são patrimônio da empresa. Por isso, aguento Hugo Lombardi, ele tem um gênio difícil, mas sim também é genial!

—Não duvido disso! Incluso, quando soube que trabalharia com ele, fiquei muito entusiasmado. Desculpe, Betty, não queria trazer problema para vocês, doutores, mas...

—Você não trouxe problema nenhum! Gostamos muito do seu trabalho, Jac!

—Mas sei que... -abaixou a cabeça- que em uma desculpa com Seu Hugo sairia perdendo! Não digo em questão de talento, pois sei que Seu Hugo tem experiência e nome no mercado da Moda, mas digo em relação, sabe como, ele tem história com vocês e...

—Gosta de trabalhar por Ecomoda, Jac?

—Sabe que sou cria de Bettina e adoro aquela mulher! -coloca a mão sobre a de Betty -Mas gosto mais deste contexto aqui. De trabalhar efetivamente para o Mercado da Moda. E não tanto fazer peças exclusivas para algumas pessoas e sim, para pessoas que querem se vestir bem!

—Isto. Então, fique tranquilo. Pode usar a sala de Reuniões quanto quiser, mas vamos dar um jeito que possam trabalhar juntos. Sei que é difícil, mas tente “aguentar” Seu Hugo (riu de seu jeito) Não entre na pilha dele, seja firme, mas não perca a calma!

—Sim, desculpe-me por hoje à tarde...

—Eu sei que é difícil!

—Betty, poderia desenhar um vestido sem alças para você usar em um dos desfiles do Cruzeiro? Tive a ideia agora.

—Ai, Jac! Não sei se ficarei bem...

—Imagina, Betty! Comeste colo que tem. E pode completar com uma joia, mas algo bem leve. De repente um colar da família, mas algo bem delicado.

—Ah tenho um ouro branco que Armando me presenteou e não tive a oportunidade de usar.

—Traga-o.

—Apesar de sem alças, é algo bem discreto e decente, Betty! Clássico.

—Assim sim.

—Vou cria-lo e depois corto e produzo nos bonecos. Creio que ficará perfeito com este: (Jacques mostra um boneco com uma calça branca de linho e uma bata branca com fios de ouro, despojado e elegante)

—Este é para Armando?

—Sim, uma das peças. Sei que ele não gosta muito de roupas esportivas.

—Mas este é bem interessante. Parece uma roupa que imaginei para ele....

—Sério? Temos outra estilista também?

—Imagina. Para nada! Mas foi uma espécie de sonho -riu-se que tive.

—Conhece-o há muito tempo?

—Armando e eu nos conhecemos há quase três anos!

—Só isto? Pelo jeito que se entendem com os olhares, pensei que se conheciam há uns dez anos ao menos!

—Não, imagina! Há dez anos, jamais imaginaria que conheceria um homem como ele. Não era de seu mundo...

Armando abre a porta da sala e sorri ao encontrá-la.

—Mí amor! Olha só, a produção de Jac!

—Desculpa, Jac, por Hugo!

—Já está tudo resolvido! Expliquei-lhe o melindrado que Hugo é!

—Fique à vontade, Jac. Betty, preciso falar contigo!

—Oh sim, Jac! Vamos indo! Se precisar, chame Mariana!

Betty e Armando saíram da sala de Reuniões a caminho da Presidência.

—Betty! Preciso falar uma coisa contigo...

—Agora, vamos ver como está Inesita.

—Mas Betty, ela está bem! Está medicada. Quero falar...

—Se é sobre o assunto de hoje À tarde e seu grito comigo, esqueça, Doutor Mendoza, que sobre isso só falo fora da empresa.

—Mas Betty...

—Isto mesmo que ouviu! Lá fora!

(Ele fica com receio)

—Boa tarde, doutor!

—Boa tarde, Beatriz! Como tem passado?

—Bem. E Inesita?

—O que ela teve foi uma queda de pressão, mas me disseram que passou um pouco de estresse esta tarde.

—Sim.

—E isto justo com o cansaço. Mas ela está bem. Peço apenas uns dias, três dias de descanso.

—É que ela não vai aceitar, doutor! Não conhece Inesita! Ela não quer descansar sozinha em casa. Sente-se mal estando só.

—Mas então recomendo umas férias ou quem sabe um spa!

—Um spa? -pergunta o casal

—Sim. Por que não?

—Bem, é algo a se pensar!

—Bem, deixo vocês, aqui está a receita, deixo vocês, tchau, Beatriz! Tchau, Armando! Lembranças à Dona Margarida, a Seu Roberto.

—Sim. Pode deixar!

Hugo vai visitar Inesita e eles passam as recomendações. Logo, o casal se oferece para levar Inesita e Hugo à casa dela, ajudam-a a subir as escadas. No carro...

—MI amor, Betty! Podemos falar agora, ah?

—Olha, Armando. Já lhe disse que falaríamos disse em casa.

—Não, disse que não queria falar na empresa, mas estamos no carro.

—Dá no mesmo, Armando!

—Meu amor, me deixa falar, por favor.

—Está bem , fale!

—Quero pedir, perdão, Betty, juro que não sabia que era você que estava falando “Mas, doutor...” pensei que era uma das secretárias fofoqueiras intrometidas do quartel e...

—Está falando de minhas amigas!

—Ah, mí amor! Eu sei, são minhas amigas também, as adoro! Ajudaram a nos unir, mas que são fofoqueiras e intrometidas são.

—E o senhor que é um gritão?

—Admito que sou um gritão, mas doutora, hoje foi você que gritou, não? Fiquei até assustado! Depois eu até gritei, mas... já tinha gritado antes, ah?

—É que quando vi aqueles dois brigando...

—Duas, quer dizer!

—Bem... percebeu que Jac é também, não?

—Sim, lógico. Mas ao contrário de Hugo gosto do rapaz! É esforçado, humilde! Mas estas brigas constantes por qualquer motivo dos dois!

—Eu conversei com Jac, vou pedir à Catalina que fale com o Hugo.

—Então, Betty, mas voltando ao nosso assunto, eh, eu não queria gritar contigo. Faz muito tempo que não grito contigo e não sabia que era você, senão, jamais gritaria.

—Ah não sei, Armando. -fazendo charminho

—Betty, nunca mais gritei contigo e... pôxa. -faz bico de menino rejeitado -Me perdoa, vai?

—Não sei! Isto vai ter castigo, Armando.

—Castigo? Como assim castigo?

—Em casa, vemos! Vai se arrepender de ter gritado comigo, senhor Mendoza!

—O que vai fazer?

—Aguarde!

Ele para o carro em frente à casa dos Pinzón.

—Betty...

—Chegamos, vamos! Estou morrendo de saudade de Cami! Os seios estão cheios!

Os dois saem, mas Armando está preocupado. E assim fica durante todo o jantar, Após alimentarem e arrumarem Camila, os dois vão para casa. Armando prefere não entrar no assunto novamente, quem sabe Betty esquece esta de castigo.

Os dois chegam, Betty sobe para dar banho em Camila, trocá-la e dar de mamar.

Quando chega no quarto encontra tudo a meia-luz, um pijama seu sobre a cama. Tudo arrumado. No banheiro, a jacuzzi preparada com sais de banho, águas borbulhando.

—Mas quê? O que é tudo isso?

Armando estava de pijama, fingindo dormir.

—O que é isto, Armando?

—Preparei um banho bem relaxante para tirar o estresse do dia... Sei que não sou o melhor homem. Mas... não me castigue, sim? Não posso viver sem você um dia sequer!

—O que crê que é o castigo?

—Não sei, mas... qualquer dia que passa sem sentir o mesmo ar que você, que não possa dormir com seu corpo em meus braços, qualquer dia, que não posso sentir seu calor, que não possa sequer te ver, este dia, esta noite, seria o maior castigo para mim. -Ele havia sentado na cama para olhá-la nos olhos

—Pode ter certeza que também para mim, também para mim, este dia seria um castigo, mi amor!

—Então, me perdoa?

—Não. Não pode sair gritando comigo em frente aos outros... (começa a desabotoar a camisa de seu pijama.

Sem entender, mas entrando no jogo dela

—Não?

—Não. Sabe que... (tira a camisa toda)

Ele, então, não se faz de rogado e a abraça, começando a tirar a blusa que usava.

—Então, não vai me castigar?

—Sei que não fui sua intenção (Senta sobre ele e beija seu pescoço) sei que não queria...

—Não queria mesmo... (devolve as carícias) quero sempre a tratar... (tira seu sutiã, passando os dedos sobre os mamilos) com muito amor e carinho!

—Mas penso...penso... (os dois já estavam só com as roupas de baixo) em te castigar sim!

—Ah é, como?

—Podíamos começar tomando um banho junto na banheira que preparou...

—Ótima ideia, mi amor! (Pega-a no colo) Esta ideia é ainda melhor que a minha que era que você tomasse um banho bem relaxante e me perdoasse.

Já dentro da jacuzzi. Com Betty colocando à frente dele, sentada em seu colo.

—Mas se tomasse este banho sozinha, Armando (ele afasta o cabelo dela para o lado, para beijá-la no ombro) não poderia castigá-lo.

—Já seria muito castigo não tê-la aqui em meus braços!

—E você nos meus! -beijo -virando-a de frente)

—Sabe que te amo?

—E que te amo, por ser tão doce, linda, inteligente, boa... (beijo)

Os dois fazem amor de forma doce.

Betty chega primeiro, sendo seguida por Armando

—AAAAAIIIIII, BETTY!!

Depois encostados recuperam o fôlego.

—Sabe, doutor montris, este é o único grito que permito comigo!

—E este grito de prazer desesperado é o único que terá sempre, minha Betty! E este, com certeza, merece, merece e muito!