Mais tarde, Nicolás mostra algumas coisas que descobriu da empresa na internet a respeito da empresa de Mercedez, Não é tão grande como a Ecomoda, não se estende por todo o país, sendo a maioria dos pontos de venda concentrados na Cidade do México. No entanto, interessava a eles, pois a maioria eram em shoppings e bairros de luxo: o principal público da Ecomoda. Descobriram que Mercedez não era a única dona da empresa que fôra fundada por seu marido e que era viúva. Pouco depois, Pablo enviou mais algumas coisas por fax, tais como fotos, planilhas e propostas. O rapaz estava de fato interessado em fechar negócio, sobretudo, através dele e não de Mercedez. Ou talvez a quisesse impressionar.

—É uma boa empresa! Gostaria de ver os calçados de perto, para atestarmos a qualidade, mas parecem bons, pela foto. -comentou Betty

—De fato, temos que ver de perto! Tocá-los. Sentir a textura, ver se são confortáveis! -Armando comentou -Antes de qualquer coisa! Os clientes de Ecomoda são muito exigentes. Se não seguirem o padrão de qualidade de Ecomoda, sabe o que acontecerá!

—Sim. Disto tenho receio. E posso dizer que até trauma! -lembrou-se Betty

—Creio que podemos entrar em contato com eles e ver se teriam amostras dos sapatos.

—Sim. Bem, vou para minha sala, vou pedir para Sandra que entre em contato!

Mas não foi necessário. Logo, Pablo ligou para Armando e ele comentou da amostra dos sapatos.

—Ah sim, Dr, Mendoza! Falarei com Dra. Mercedez sobre isso.

—Sim.

—E quanto às cifras, Pablo? Alguma conclusão?

—Olha, Doutor. Analisei tudo e para mim, o que ofereceram está de acordo com o que esperamos, mas doutora propôs esta dos sapatos. Isto foi novidade até para mim! Mas creio que sim, este negócio está a ponto de ser concretizado e será bom para as duas empresas!

—Sim, fico no aguardo.

No dia seguinte, Armando, Betty, Pablo e Mercedez almoçaram na sala de reuniões da empresa, após o almoço, antes de continuar a reunião, Betty foi até a sua sala para ver Camilita e dar de mamar. Apesar de já mamar na mamadeira, a menina não abria mão de mamar o leite de Betty e ela ficava feliz em oferecer sempre que podia, vez que mamou até completar um ano e segundo as tias Pinzón. Foi isso que a fez ficar com a pele tão macia e a saúde tão forte, vez que nunca parou em hospital durante toda a infância e adolescência, diferentemente das crianças da vizinhança de seu bairro.

Na sala de reuniões, após o almoço, Mercedez já mostrava os sapatos para Nicolás e Armando, com ajuda de Pablo. Como sempre, Nicolás dá uma de que entende do assunto, sendo que só entende de Economia e Finanças mesmo.

Armando, no entanto, criado neste meio, acostumado a boas coisas, gostou dos modelos e da qualidade do material. Não eram nada excepcionais, mas não decepcionavam para o padrão latino-americano.

—Temos também este (Mercedez colocou o pé sobre a mesa para mostrar o modelo de sapatos que estava calçando) veja o modelo. O material, é couro puro, Armando! -Mercedez colocou a perna com o sapato com salto que media 20cm., sobre a mesa, em frente onde estava Armando. Ela estava com uma saia com uma fenda nas costas e uma meia calça que deixava as pernas brilhosas.

(Nicolás sentiu apertar o nó da gravata.)

—Sim, muito bonito! (Mercedez deu uma risadinha, achava que impressionava Armando, mas as atenções de Armando eram para o sapato.)

Exatamente, neste momento, Betty adentra a sala e se depara com aquele cena. Aí sim, Armando se deu conta, do detalhe da saia, revelado pela posição da perna de Mercedez sobre a mesa e ficou visivelmente, constrangido.

—Posso participar desta reunião, também? Ou já está tudo definido?

—Cla-cla- ro, mí amor, cla-cla-ro! (Armando levantou-se e puxou a cadeira para Betty, enquanto Mercedez recolheu a perna)

—Betty, então, sentou-se na cadeira que ele ofereceu.

—Doutor! -disse Sandra chamando Armando na sala de reuniões

—Sim, Sandra?

—Desculpe chamá-lo, mas é o gerente da franquia do Chile, disse que é urgente.

—Está bem, vou atender em minha sala! Dra. Mercedez, desculpe-me, mas surgiram alguns problemas e vou ter que resolvê-los.

—Espero que não seja nada grave! -preocupou-se Betty

—Disse que é urgente e muito importante!

Betty tenta resolver os assuntos com Mercedez, com a ajuda de Nicolás e Pablo, analisando as cifras e tudo, checando as condições, mas...

—Veja, Dra...

—Beatriz!

—Sim, Beatriz! Também tenho um compromisso agora. Creio que da parte de nós duas está tudo certo. Das cifras, dos contratos o Pablo e este Doutor podem acertar, mas temos outras coisas para falar.

—Mas Mercedez, não é melhor aproveitarmos que estamos aqui e fechar o negócio?-pediu Pablo

—Faça o que digo sim, Pablo? Vamos?

Pablo e Mercedez saíram, deixando Nicolas sem entender nada.

—E que mulher maluca esta, Betty! -comentou Nicolás

—Sim, maluca! -lembrando da cena que presenciou a poucos minutos

—E no fim para aqui só para mostrar estes calçados, se interessa pela franquia, quer formar parceria, por que não fecha negócio logo?

—Não sei, Nicolás! Mas tenho minhas suspeitas!

—O que quer dizer?

—Que é maluca sim, mas não da cabeça!

—Mas o quê? Acha que... está interessada no cabeção?

—Óbvio, não?

—Ora, mas não sabe que são casados?

—Sabe, mas o que lhe importa? -riu-se do seu jeito nervosa, ajeitando os óculos -Não quer casar com ele!

—Ai, Betty! Que sujeira!

Depois Sandra foi à sala de Betty para comentar que estranho parecia Mercedez desde o primeiro encontro no Café.

—Eu sei! Já me dei conta, Sandra!

—E o que pretende fazer?

—Ora, mas o que poderia fazer?

—Só falar, Betty! Quebro aquele salto com uma derrubada só, esfrego o cabelo dela neste piso e vai ver que não pode sequer olhar para o marido das outras!

—Não, imagina, Sandra! Não quero que faça nada disso! Não sou assim!

—Ah, Betty! Tem que abrir os olhos.

—Estão abertos! Mas tal coisa não compete a mim e sim a Armando!

—E vai deixar que ele decida? Sabendo que a carne é fraca e o diabo é porco como diz seu pai?

—Sim, Sandra. Armando sabe no que consiste nosso relacionamento. Sabe o que deve fazer e o que não deve fazer!

—Ah, Betty. Você faz parecer tão fácil. Será que consegue ser assim tão racional, cerebral a ponto de não ter ciúmes? Bem, deixo-a!

Quando Sandra saiu, Betty pôs-se a pensar:

—Eu? Cerebral? Gostaria de ser como sempre pensei ser! Mas Seu Armando Mendoza faz meu sangue ferver em todos os sentidos!

À tarde, Armando passa na sala de Betty para que irem embora. Conta que o problema que teve com a franquia (um roubo por parte de um funcionário, que o franqueado do Chile lhe pediu um prazo para pagar o destinado do mês).

—Mas claro que sim. Eles estão em dia, merecem este crédito!

—Foi o que disse! Sabia que concordaria comigo!

—Pode passar com qualquer um! E já sabem quem foi?

—Estão com suspeitas! Já entregaram as fitas para a Polícia.Vamos, mí amor?

—Sim, vou pegar minha bolsa! Vamos, mamãe?

—Mamita, Armandito, vamos jantar lá em casa? Já deixei tudo pronto na geladeira.

—Está bem!

Quando estavam no carro, o celular de Armando tocou, era Mercedez, perguntando se haviam gostado dos calçados e com a resposta afirmativa, disse que havia analisado as cifras e concordado e sim estava disposta a fechar a parceria, mas que devido a um compromisso de última hora terá que retornar a seu país na manhã do dia seguinte. Se haveria possibilidade de jantarem aquela noite no restaurante do hotel onde estava hospedada e assinar o contrato.

—Sim, já retorno, Dra. Mercedez!

—Betty!

—Quem era?

—Era a Dra. Mercedez! (Betty e Júlia se olharam) amanhã ela terá que viajar , de volta, mas quer voltar com o contrato assinado. Bem, quer que me encontre com ela para jantar e fecharmos o contrato esta noite!

—Ora, vá!

—Não, mi amor! Acho que devemos ir juntos!

—Ela me convidou também?

—Acho que já está subentendido isso...

—Não, Armando. Sabe que não está...

—O que quer dizer, Betty?

—Sabemos, não?

—Mí amor! Sabe que a mim não me interessa nada que possam oferecer. Gostaria que fosse comigo, Betty!

—Meu amor! Quando saiu falei tudo o que tinha que falar com ela. Mostrei tudo. O que tinha para falar comigo já foi falado. Ela quer acertar as coisas é contigo!

Dona Júlia faz sinal para Betty para que se acalme.

Ao chegar na casa de Betty, Júlia chama Betty para conversar, enquanto Hermes cumprimenta Armando.

—Betty! Eu vi a tal empresária, mamita! Acho que deve ir neste tal jantar, Betty!

—Mamãe, não posso simplesmente aparecer lá!

—Como não? É um jantar de negócios, não? Ou é outra coisa?

—De negócios, mamãe!

—Se é de negócios e é a presidente da empresa, deve ir com ele!

—Ele vá pensar mal, vai achar que não confio nele e sim confio.

—Mas não é ele mesmo que lhe convidou?

—Sim, mas...

—Então, mihija! Se o problema é Camilita, ficamos com ela!

—Ai que vergonha, mamãe! Tive uma filha e nunca tenho tempo para ficar com ela como a senhora ficava comigo!

—Imagina, filha! Você é uma grande mãe, esposa, mas também é empresária e presidente de uma empresa e tem que dar conta de tudo, eu era apenas uma dona de casa!

—Vocês vão jantar aqui, não?

Betty olha para Armando.

—Não, é que tenho um jantar de negócios agora!

—Vai também, filha?

—Não papá! Estou cansada! Prefiro ficar com Camila!

—Mas como assim? Quando não era presidente de Ecomoda, ia a todos os lugares com seu chefe para assinar contratos, fechar negócios de madrugada e agora que deveria acompanhá-lo, como a presidente e esposa, não vai?

Betty fica sem palavras diante da reprimenda de seu pai.

—Que horas será o jantar?

—Às nove!

—Então, pode levar-nos para casa, mí amor, antes de ir a seu compromisso?

—Claro, mí amor!

Armando pegou Camila em seu colo, e depois a acomodou na cadeirinha.

Mercedez retornou a ligação.

—Sim, Dra. Confirmo, por volta das 9horas no restaurante a encontro! Sim, tenho tudo pronto. Betty ajeitou os óculos. Ao desligar o telefone, Armando lhe perguntou.

—Tem os contratos prontos contigo, Beatriz?

—Sim, claro. Já devíamos tê-los assinados!

Um silêncio toma conta do casal no caminho de casa, Betty queria comentar sobre a cena que viu, mas que apesar de tudo confiava nele e ele por outro queria dizer-lhe que aquela atitude também o surpreendeu e que não faria nada com mulher alguma, não havia que pudesse minar a relação deles. Mas não encontra a palavra certa, nem o momento. Chegando em casa...

—O que acha de fato, monstro?

—Quer saber a verdade? — Betty tentando disfarçar o nervosismo- A Doutora Mercedez é uma mulher muito inteligente, que sabe o que quer... quer negociar até o último momento... E que diferente de Alejandra, por exemplo (Armando virou os olhos) gosta de usar de seus atributos físicos como arma para fechar negócios!

—Quer dizer que, além de ser uma empresária, Doutora Mercedez é uma espécie de “predadora”?

—Sim, no melhor estilo “Armando Mendoza”! -riu-se

—Que isso, Betty? Eu não sou assim! Não misturo negócios com estas coisas!

—Do passado, claro! Sei que mudou!

—Agora só você é minha presa!

—A presa do tigre de Bogotá?

—O seu tigre! (faz barulho e lhe dá uns beijinhos na nuca)

—Eu sei!

—Mas a tal da Mercedez não sabe! Vi como olhava para você! Te devorava.

—Deve ser só impressão. Quer dizer... (lembrou-se) Então, por que faz questão que eu vá a este jantar?

—Ela não disse que só tem a noite de hoje? Já fechamos contratos de madrugada. E este contrato é importante para a Ecomoda!

—Vai confiar que eu vá sozinho?

—Quando aceitei casar-me contigo foi para confiar em você, confiar em sua mudança e não para ficar me massacrando ou perseguindo-o por ciúmes!

—Eu sei! -dá-lhe um beijo na testa. O descontrolado aqui sou eu.

—É que você é exagerado e inflamado em tudo o que faz!

—É uma crítica?

—Não, pelo contrário! Você é uma força da natureza!

—Ai não!

—O quê?

—Nossa força da natureza é nossa filha! Olha, o que fez!

(Camila havia regogitado tudo no terno de Armando, sujando até seu pescoço)

—Agora, vou ter que tomar um banho.

—Pois tome! Vou te separar um terno.

—Tenho uma ideia melhor! Não quer tomar comigo?

—Se tomarmos banho juntos, não chegará tão cedo neste jantar...

—Isto é uma promessa, Sra. Mendoza?

Betty riu.

—Pense bem, Betty! Gostaria que fosse comigo!

—E Camila?

—Dona Júlia disse que poderíamos deixá-la com ela caso mudássemos de ideia. Não acha uma boa ideia? É a presidente de Ecomoda, este é um compromisso de negócios que estamos fechando!

—Pode estragar a proposta...

—Se estragar é porque não era para ser, como sempre diz Cata. O que é para ser é para ser! Assim como nós dois! Estamos juntos, apesar de tudo. Olha, sei que quer mostrar que confia em mim... Eu sei que confia em mim! Mas vejo isto como uma oportunidade de ficarmos juntos, não faz sentido ficar aqui sozinha com nossa filha, estando casada comigo. Até seu pai acha que deveria ir comigo!

—Vai tomar banho, trocar de roupa, vou ficar bem, mí amor!

—Depois de jantar e fecharmos o negócio, poderíamos sair para dançar um pouco. Faz tempo que não fazemos isso! -propôs Armando

Betty fica no sofá pensando com Camila nos braços, enquanto o marido vai tomar banho.

—O que acha, filha? Não vai ficar triste de ficar na casa dos vovós de novo, enquanto mamãe sai com o papai?

Camila, em sua inocência, ri, mesmo sem os dentes.

Armando termina de tomar banho, se veste sem passar a loção.

—Está bem, monstro! Me convenceu!

—Isto, Betty! Vai se por linda para sair com seu monstrengo e fecharmos mais um negócio para nossa empresa!

—E se o negócio que a Mercedez quiser fechar for você?

—Aí ela vai ter uma grande decepção, pois meu corpo não entra nesta jogada! Ou vai querer negociar seu marido?

—De forma alguma, meu amor! -beijo -Você é só meu!

Armando, então, enquanto espera Betty se vestir, coloca a loção, brinca com Camila e liga para Dona Júlia para avisar que vão levar a menina para ficar com eles. A sogra fica contente, pois desde que ficaram juntos, nunca haviam saído separados, sequer para fechar negócios à noite. Até cuidar da empresa, desfiles e coquetéis era uma oportunidade para ficarem juntos.

Betty coloca um vestido de alças de veludo que cai perfeitamente bem em seu corpo delgado, dá um esticada no cabelo, deixando-o solto, caindo pelos ombros, coloca brincos, um salto alto, passa uma maquiagem que destaca seus olhos, coloca lentes de contato para não ter que sair para dançar de óculos. Afinal, Armando, após o compromisso, quer levá-la para dançar. E ainda desce de posse da bolsa da menina pronta, com novas roupas, fraldas, lenços, talco, toalha, adesivos e etc que possa precisar.

—Divina! -dando a mão para Betty descer os últimos degraus da escada e pegando a bolsa da filha com a outra mão.

—Grata, mí amor!

—Deste jeito cancelo este jantar e pedimos algo aqui mesmo!

—De forma alguma, mí amor! A noite está apenas começando!

Betty, então, colocou um sobretudo por cima do vestido.

Armando pegou o moisés, apagou as luzes, trancou a casa e se dirigiram para a casa de seus sogros para deixar Camila e ir ao tal jantar.

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Notas finais
Será que Mercedez está mesmo interessada em fechar negócio com a Ecomoda ou só estava tentando ganhar tempo para seduzir Armando? O que os aguarda esta noite?