Tamers of Violence
2 Fúria Vermelha
Após a decisão de Dim, a dupla se despediu de Melissa e foram até o centro de dados da organização, onde lá registraram o novato para deixar as coisas oficiais.
O fato de Eran ter uma alta patente dentro daquelas comodidades fez o processo todo ser bem mais rápido e menos cansativo.
Por fim, Eran decidiu mostrar melhor o local para seu novo companheiro e assim a dupla começou sua caminhada pelas instalações.
— Então Dim, me conte um pouco sobre você. O que fez nos últimos anos desde a explosão da bomba? — Questionou Eran curioso.
— Sobrevivi. Caminhei de rua em rua, cidade em cidade, estado em estado, buscando alimentos e qualquer suprimento que eu julgasse ser útil. Nem sempre era fácil, mas dava para se virar. — Respondeu o moreno dando de ombros.
— Entendo. E quanto a sua família? Alguns dos membros da organização têm como objetivo encontrar membros desaparecidos de suas famílias, o que não é meu caso, já que a minha morreu a muito tempo atrás. Eran soltou uma gargalhada sem graça após seu relato.
— Minha família também está morta. — Ao dizer aquilo, Dim sentiu pequenos flashbacks surgirem em sua mente, já estava acostumado com aquela sensação.
— Entendo, é uma pena, mas não deixe isso te desani...- Eran sentiu sua vista ficar embaçada enquanto seu corpo pendia para o lado, o mesmo teve que se apoiar na parede para não cair.
— Ei, está tudo bem? — O tom de voz de Dim era de preocupação olhando o estado de seu novo amigo.
— T-Tudo. Tudo ó...- Eran não pode completar a frase, pois havia desmaiado.
O moreno foi prestar socorro ao amigo imediatamente, ao notar que o mesmo pareci estar apenas dormindo, ele chamou um dos seguranças do local.
— Não se preocupe novato, isso acontece com muita frequencia. Afinal, esse cara é praticamente um Narcolépso. Eu vou leva-lo ao seu quarto. — Dito isso, o guarda se retirou carregando Eran. — Aguarde aqui, pedirei a doutora Melissa que chame outra pessoas para lhe mostrar o local.
— Que maravilha. — Dim suspirou se encostando em uma das paedes do corredor onde estava.
Após esperar por volta de vinte minutos, Melissa apareceu e ao lado dela estava uma garota baixinha, seus cabelos eram ruivos, sua pele bronzeada e seus olhos castanhos. A mesma possuía uma expressão irritada no rosto inflando as bochechas rechonchudas, a expressão da jovem combinada ao fato de um dos seus caninos ficar sempre amostra deixava a mesma com um aspecto que Dim não pode nomear de outra forma que não fosse fofa.
— Olá Dim, essa é Espe. Sua nova guia. — Melissa mal terminou a apresentação e Dim já se encontrava apertando as bochechas da menor.
— Fofa, muito fofa. — Dim sorria enquanto continuava a apertar as bochechas da menor que parecia estar irritada.
— Dim, eu acho que...- Melissa tentou avisar ao moreno, mas havia sido tarde demais.
— SEU PEDAÇO DE ESTRUME, TIRE AS MÃOS DE MIM. — Bradou Espe socando a face de Dim fazendo o mesmo ir de encontro a parede de metal deixando a mesma amassada e o jovem moreno inconsciente.
— Não acha que pegou pesado demais com ele? — Questionou Melissa um pouco preocupada.
— Detesto que toquem em mim. — Bufou a ruiva pegando Dim pelos cabelos e arrastando o mesmo pelo caminho.
Após alguns minutos, o rapaz foi acordado por um copo de água gelada que havia sido jogada encima dele.
— O-O que aconteceu?! — Questionou o moreno assustado, mas logo levando sua mão a cabeça no exato local onde havia batido na parede, havia um inchaço relativamente grande na área. — Ai, minha cabeça.
— Isso é o que ganha por tocar em mim sem a minha permissão. — Comentou Espe que estava sentada em um banco com o queixo repousado em umas das mãos, ela olhava para o moreno de forma entediada. — Enfim, vamos acabar logo com isso, tenho algo melhor para fazer do que desperdiçar meu dia com um novato. — Continuou a menor enquanto se levantava e seguia seu caminho.
Dim ficou em silêncio se limitando a apenas seguir a menor por todo trajeto. A primeira parada era um local repleto de ciêntistas analisando dados e algumas outras pessoas.
— Essa aqui é a merda do laboratório de pesquisa, onde caso tudo de errado, caras inúteis como você podem servir como ratos de laboratório. — Comentou Espe desinteressada enquanto Dim se mantinha calado.
A dupla seguiu mais um pouco e foram para o que parecia ser um refeitório onde vários membros da organização estavam rúnidos comendo.
— Esse aqui é o refeitório. A comida não é lá essa coisas, mas é melhor que morrer de fome.
A próxima parada da dupla foi uma espécie de academia com destino ao melhoramento físico dos membros da organização.
— Essa é a academia da organização, seria uma boa ideia você passar um tempo aqui e deixar de ser um fracote que pode ser derrubado tão facilmente. — Mais uma vez a ruiva soltava outro de seus comentários cruéis.
E assim se seguiu durante toda a apresentação do local, Espe fazendo comentários cruéis sobre Dim, enquanto Dim parecia ignorar as palavras da menor.
— Ei, garoto. — Espe fez uma pausa, ambos estavam em uma das grandes de treino da organização. — Eu te insultei o dia inteiro e você não mostrou reação nenhuma, você é idiota? — Questionou a menor olhando para o moreno com uma expressão de nojo.
— O que vem de baixo não me atinge. — Dim respondeu desinteressado, isso irritou profundamente Espe.
— Sabe garoto, não sei se lhe explicaram isso, mas existem dois tipos de energia psíquica que o NA cria, a primeira é o tipo arma, aquela que você provavelmente viu o Eran usar, mas também existe a do tipo animal, que é a que eu uso. — O olho da ruiva emanou uma energia vermelho sangue e logo aquela energia tomou o formato de duas asas de morcego gigante em suas costas. — Vamos ver se você é tão bom lutando quanto falando asneiras! — Espe estava furiosa e começou a voar.
— Eu quase sinto que foi uma má hora para irritar ela. — Suspirou o moreno aguardando o ataque.
Com um bater forte de suas asas a jovem disparou pequenos morcegos de energia como se fossem balas na direção de Dim. O jovem moreno se manteve parado. Os disparos levantaram uma enorme nuvem de poeira.
— Isso deve lhe ensinar uma lição. — Riu a menor, mas ao baixar da poeira, a mesma se assustou.
Dim estava ali, parado e sem um único arranhão além da vestes um pouco empoeiradas.
— Maldito! — Espe voltou a atirar dessa vez com mais intensidade e em maior número.
Dim continuava parado no local sem fazer um único movimento. Essa situação se repetiu por quase meia hora até que Espe ficou sem energia e seu olho parou de brilhar.
— Já acabou? — Dim perguntou se aproximando da menor e lhe oferecendo a mão.
— Não é justo. — Espe fez bico nostrando os olhos lacrimejando. — Você trapaceou Dim! — A ruiva começou a bater no peito do maior, mas diferente de antes seus golpes estavam bem fracos e sua expressão também estava diferente, claramente mais infantil que antes.
— Tão...fofa! — Dim apertou a ruiva em seus braços a abraçando deixando a mesma corada.
— D-Dim, isso é constrangedor. — Resmungou Espe corada.
Mas o moreno ignorou a mesma enquanto continuava a abraçar e apertar ela contra si. Espe com sua personalidade totalmente mais calma riu do gesto, fazia tempo que a mesma não se sentia tão calma e aconchegante.
Fale com o autor