Tamashii no Ryuu
2 A garota dos cabelos de ouro.
Notas iniciais
Depois desse acontecimento, começamos a andar pela floresta, procurando um lugar para nos escondermos. Era uma noite sem lua, nem estrelas para nos guiar, um completo breu, um verdadeiro manto negro cobrindo todo o reino, como se o céu estivesse de luto, com pena do vilarejo que havia deixado de existir naquela noite.
Quem ouvisse a história poderia dizer que eu era um monstro sem coração que destruiu o pobre vilarejo, tirando vidas inocentes. Mas ninguém pensaria que, foi pelo fato desse “monstro’’ ter coração que aquela vila foi destruída. Por culpa dessa vila, perdi tudo que eu tinha, a minha vida se perdeu nas chamas daquela cidade. Por isso, fiz uma pequena vingança só para eles saberem pelo menos um pouco da dor que eu sentia, uma pequena parcela do que se despedaçou na minha frente. Eu tenho que acreditar... Tenho que acreditar que tudo que eu fiz foi por vingança, não pelo ódio que eu tinha daquele lugar e daquelas pessoas egoístas e hipócritas. Mas no final, tudo não passava de uma desculpa pela minha fraqueza, minha incapacidade de superar essa dor. Então comecei a correr, para bem longe, pois se eu ficasse ali, seria caçado, até que um dia, minha cabeça estaria pendurada em um mastro. Enquanto pensava, a noite foi dando lugar ao dia em um lindo amanhecer que não pude apreciar por conta dos pensamentos ruins que giravam na minha cabeça e quando me dei conta, havia chegado em uma clareira. Pretendendo descansar, subi numa arvore, me ajeitei em um dos troncos e dormi, por sorte o cansaço não deixou que os terríveis pesadelos que eu esperava viessem. Quando acordei, o sol já estava alto, e ao olhar para um lago que tinha nas proximidades vi uma garota de pele bronzeada e cabelos loiros que ia até a cintura, sentada perto do rio balançando seus pés dentro do lago, criando pequenas ondas que levavam reflexos do sol. Quando tentei sair de lá em silencio, caí da arvore em que eu estava, quando ela ouviu o barulho, automaticamente ela se virou para trás, assustada, me encarando com seus olhos, um pequeno mundo dourado que qualquer um poderia se perder, provavelmente sem saber o que estava fazendo lá. Então ela começou a se aproximar de mim, sem me dizer uma palavra e olhando nos meus olhos. Ficamos nos encarando por uns minutos até ela me perguntar:
– Quem é você? – já que ela parecia não saber quem eu era, então quer dizer que as notícias não correram tanto assim. Então ela fez outra pergunta — Qual é o seu nome? — De maneira relutante, respondi:
–Ryuji...
–Só Ryuji?
–Sim...não lembro do resto...
–Entendo...
Ficamos quietos por mais alguns minutos, procurando alguma coisa para dizer. Até que meu estomago roncou, fazendo me lembrar que não havia comido nada desde o dia anterior.
– Quer comer alguma coisa?
–...
–Certo, já volto.
Depois de dizer isso, saiu correndo, voltando minutos depois com uma cesta nas mãos, fazendo-me questionar se eu estava realmente longe da civilização. Então, ela foi me entregando comida, e quando ela colocava algo na minha mão, eu já colocava na boca, a comida estava realmente boa.
– haha!!- ela começou a rir baixinho.
–que foi?
–nada. É só que você estava fofo comendo.
Instantaneamente eu corei – d-desculpe, é que eu não como nada desde ontem...
– Isso não é nada para se desculpar, qualquer um teria feito o mesmo – disse com um sorriso que brilhava em seus lábios, e eu lhe retribui o sorriso.
Depois de comer tudo, ela me perguntou:
– O que você está fazendo aqui?
– Estou fugindo...
– De quem?
– De todo mundo.
Ela ficou em silencio, talvez para pensar no que dizer, minutos depois ela disse:
– Eu também... — Aquela resposta me deixou intrigado — Então você não precisa se preocupar, ninguém me achou até agora... — Depois que ela disse aquilo, fiquei aliviado. Mas eu precisava saber o que ela tinha, então eu perguntei:
– Você está fugindo por quê?
– Meu irmão me disse que pelo fato de eu ter estática, as pessoas me odeiam, então eu preciso ficar escondida...
–Estática?
–Sim, é meio complicado de explicar...
–Entendo...
Foi quando escutei aquele infeliz se comunicando comigo por telepatia
– “p*** que p****!!!! Você finalmente resolveu pegar uma garota, já tava achando que gostava de outras coisas...mas vem cá, ela é bem bonitinha né não?”
– CALA A BOCA!!!
–Ryuji? – a garota me olhou meio assustada.
– A-Ah não d-desculpa não era com você...!
– Haha!!!! Você é realmente estranho!
–há...há... – fiquei totalmente sem jeito.
–“ ONAGA!!!!! FICA QUIETO!!! Você quase ferrou tudo!!”
– “ nada a ver, meu caro Ryuji, ninguém mandou você berrar daquele jeito”
– “mas você também não tinha que abrir a boca.”
– “ué!! Eu só fiquei feliz em ver que você está crescendo.”
– “vai se ferrar!!”
– Ryuji? – quando olhei vi aqueles lindos olhos dourados me encarando curiosos. – tudo bem?
– t-ta tudo bem – aquele maldito Onaga só ferra a minha vida... – ah, mas vem cá, qual é o seu nome?
– ahhh desculpa, eu nem me apresentei!! Meu nome é Elúcia, e assim como você também não tenho um sobrenome. – mas antes que eu pudesse pronunciar algo um grito ecoou pela floresta e eu senti meu corpo ir de encontro com uma árvore.
– o que você pensa que está fazendo com a minha irmã, desgraçado? – um cara de cabelos castanhos e olhos verdes escuros me ataca. E antes que eu pudesse reagir, Onaga o fez. Transformou meu corpo em metade dragão.
– Ryota!! Espera você não pode sair correndo deste jeito pensando que qualquer um é seu inimigo!!
– Mas Mary, esse cara estava querendo se aproveitar de Elúcia!!
–como você pode saber, se nem escutou a conversa? – a garota de cabelos prateados na altura do ombro e olhos azuis esmeralda, dava uma bronca no outro.
– mas—
– sem “mas”, larga ele. — disse em tom autoritário
– só porque foi você quem pediu...- ele me colocou no chão a contragosto. – agora desembucha moleque, o que você quer com a minha irmã, e...o que exatamente é você?- disse olhando para meu corpo transformado.
– ah e-eu—
– onii-chan, nós estávamos apenas conversando! Mas sobre a transformação...eu não sei nada... – disse Elúcia pensativa.
Todos começaram a me encarar, já sabia o que queriam, então contei toda a história para eles.
– entendi... – Ryota ficou olhando pra mim meio pensativo. – E o que você pretende fazer agora?
– não sei... tudo o que pensei foi em fugir...
– se é assim, você pode ficar lá em casa!!
– M-MARY!!??
– Eu concordo com a Mary onii-chan!
– até você Elúcia??? – ele se deu por vencido, e me deixou ficar em sua casa com tanto que eu não fizesse nada a Elúcia. Como se eu tivesse coragem de fazer algo.
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