Você nunca reclama quando eu apareço sem avisar. Apenas me olha com aquela cara de quem segura um suspiro e faz um gesto para eu entrar no apartamento. Kurode faz sua festinha, e eu enterro o rosto em seu pescoço. É bom demais estar de volta.

Nós passeamos pelas ruas. Os dias são frios e tem chovido muito, mas eu não recuso o sorvete daquela cafeteria de que você tanto gosta. É incrível como conhece tantos lugares aconchegantes. E todos eles aceitam cachorros, então podemos levar o Kurode. Acho isso ótimo. Eu não te perdoaria por deixá-lo sozinho em casa enquanto nos divertimos.

Quando fica muito tarde, sentamos no sofá para assistir a alguns filmes. Você sempre escolhe umas comédias estúpidas, mas franze o cenho quando eu escolho um filme decente. Reclama que eu só gosto de dramas e documentários monótonos. O único aqui que faz drama é você. No final, acabo me rendendo às suas comédias. Elas não me fazem rir. Eu nem presto atenção no enredo. Apenas fico meio deitado, brincando de esfregar os pés no pelo do Kurode.

Às vezes, eu vejo você triste. É uma tristeza mascarada, mas eu te conheço, e sei que ela está ali. Uma tristeza que se esconde por trás do seu sorriso, que brilha em seu olhar quando você olha para mim. E eu me sinto mal por ser a causa dessa tristeza.