Talvez o céu seja mais azul amanhã

7 Uns anjos vem, outros vão


Notas iniciais
desculpem pela demora, esse capitulo apesar de fugir um pouco do figurino dos anteriores, não poderia deixar de ser lido... conto com vocês ^^

Esse novo quarto é um tanto interessante, outra enfermeira, Ana, trouxe uma cadeira de rodas pra que eu pudesse ir ao jardim. Foi me empurrando pelos corredores, passamos pela porta da ala infantil e estava um silêncio. Não demoramos a sair, a claridade até me assustava, estava um dia muito bonito, no jardim eu via flores e pequenos arbustos junto a grama podada recentemente. Era um lugar muito aconchegante, principalmente abaixo da árvore, onde Ana me deixou, com uma vista privilegiada para a única roseira, essa de rosas rosa mesmo.

Olhei para cima e comecei a admirar as frestas de luz por entre seus galhos cheios de espinhos da cor de suas folhas tão verdes quanto a grama.

Juntei minhas mãos entrelaçando meus dedos, olhei para a grama a minha frente, virei um pouco a direita de onde vinham risos bem baixinhos, eram duas crianças que estavam deitadas num banco olhando para o céu e apontando para as nuvens:

_ Elas arrancam cada sorriso.

Virei-me um pouco mais e lá estava Marcos observando os garotinhos com um olhar já perdido no caminho:

_ Pois é. –Respondi, abaixando a cabeça e observando minhas mãos.

_Você me parece preocupada. Ele se pôs a empurrar minha cadeira de rodas-Com o que?

_Não estou “preocupada”, mas estou curiosa pra saber o que aconteceu com aquela garotinha.

Ele parou de empurrar minha cadeira em fronte a um banco ao lado da roseira, então se sentou a minha frente.

_Pois é, ela não estava nada bem, com certeza ainda não está. Eu procuro ela pra você depois, mas agora quero que você conheça alguns amigos meus. — Marcos foi se levantando — Você quer ir comigo?

_Adoraria, mas acho que as enfermeiras vão sentir minha falta por aqui.

_Não se preocupe com isso. – ele sorriu.

_Tudo bem então.

Fomos saindo do jardim e demos de cara com um enfermeiro.

_Onde vocês estão indo sozinhos? Ele perguntou.

_Carlos! Essa é Louise, está no horário de visita, então estamos indo ver alguns amigos meus, sabe “aqueles”.

_Você sabe muito bem que não pode ficar passeando pelas alas do hospital, é seguro pra ela e pra eles?

_Não se preocupe, Louise está quase cem por cento!! – disse Marcos alisando sua careca.

_Tá bom, eu acompanho vocês então.

Estávamos voltando ao corredor do meu quarto e paramos na porta da ala infantil.

_Então, é aqui.- Disse Carlos o enfermeiro, largando por um momento minha cadeira de rodas.

A porta se abriu e fomos entrando.

_Onde estão todas as crianças dos quartos? –eu perguntei.

Marcos tentava segurar o riso mas não me respondia. Fomos andando até a ultima porta do corredor, lá estavam elas todas sentadas vendo um teatro de fantoches.

Quando avistaram Marcos começaram a ficar inquietas e o teatro acabou sendo esquecido.
Carlos continuou me empurrando até a frente da sala enquanto Marcos vinha vestindo uma peruca toda colorida:

_Então estavam com saudades de mim? Sabia, vocês não vivem sem mim!! (risos)

Ele andava de um lado para o outro com as costas curvadas e agora colocando um óculos de plástico no rosto.

_Hoje trouxe aqui uma amiga especial, ela estava looouca pra conhecer vocês – eu sorri. – trouxe essa cadeira de rodas!!!

Todos gritavam desaprovando a Marcos.

_Tá bom, tá bom, vocês me pegaram.- Ele tirou os óculos e colocou em meu rosto – pessoal, essa é Loiuse, nossa nova amiguinha.

_Seja bem vinda Louise- eles me disseram.

Estavam tão animadas aquelas crianças naquela sala, que por um momento me senti uma delas também e me esqueci de tudo porta a fora, mesmo com os soros e as enfermeiras, elas transmitiam um ar de esperança, de felicidade.

Não fiquei muito tempo por ali, logo já estava em meu quarto. Sozinha já não me sentia mal, nem inútil.

Mais a noitinha me levantei de minha cama e tentei caminhar até o banheiro, foi um belo tombo pra falar a verdade. Me levantei e cai por mais umas duas vezes até dar os doze passos em direção a porta, e na volta não foi muito diferente, me sentia muito fraca mas mesmo assim não queria ficar dependendo de uma cadeira.

A manhã não estava nada bonita, tinha um ar pesado com um tempo abafado, no jardim não vi luzes transporem as folhas como nos dias de sol, uma pena.

Me peguei pensando naquela garotinha novamente e não poderia ter me surpreendido mais do que quando a encontrei no quarto 23 da ala infantil, Clara é seu nome, sua pulseira também é roxa como a de Marcos, pensei em pergunta-la o que significa mas acredito que ela assim como eu não faça a menor ideia, além disso por que não perguntar a ele?

Esses últimos dias têm sido muito bons pra mim breve, breve estarei sem essa cadeira de rodas e quem sabe eu não ande mais por aí.

Marcos não apareceu no jardim nem na ala infantil hoje, Carlos virou um mudo quando perguntei dele. Algo muito ruim queima dentro de mim, sinto ser um mal pressentimento, só espero que ele esteja bem, ou ao menos, fique.

Notas finais
Estamos prestes a saber mais sobre Marcos *--* pra quem estava curioso, é claro ^^ desculpem o desvio na história mas ele foi necessário :) espero que estejam gostando :3