Talvez o céu seja mais azul amanhã
11 Quase final feliz
Notas iniciais
E aí, você sabia a doença de Marcos? parece que agora a única preocupação de Louise é em como será sua vida lá fora. Mas alegria de pobre dura pouco....
Andei passeando pelo hospital e parei pra observar as crianças brincando no jardim. Engraçado, no mundo lá fora elas não encontram tal liberdade mesmo não estando presas a um certo local.
Deixar tudo pra trás... As crianças, o Doutor, enfermeiros, minhas companheiras de quarto que praticamente sub existem e o mais difícil, Marcos. Não sei se conseguiria viver sem tudo isso, me sinto parte desse mundo, tudo la fora me é estranho, lá não há esperança, união; os jardins não reluzem nem vivem como este; as pessoas não tem tempo pra viver como aqui, o dias passam rápido de mais e a noite não ultrapassa um piscar de olhos. Não sei se consigo voltar a viver como "qualquer pessoa meio saudável" , na realidade, eu não quero. Fui até a ala infantil buscar meu not. Passei para meu quarto feito um rastro me sentei em minha cama abri o note e o liguei. Futriquei os perfis de meus amigos e familiares em buscas de minhas fotos antigas, encontrei muita coisa engraçada, muitas boas lembranças. Mas como dito, lembranças. Não tenho feito nada de muito interessante por toda essa semana pra falar a verdade esta tudo muito tedioso. Não tenho visto praticamente ninguém nem saído muito do quarto nem feito nada mas nada mesmo de proveitoso, nada além de exames todos os dias. O tédio tomou conta do meu ser. Foi quando uma pequena da ala infantil veio me buscar em meu quarto e praticamente me arrastou até la. Quando cheguei na sala principal vi uma faixa e fitas coloridas por toda parte, Marcos estava ali parado num canto com um retroprojetor e todos estavam sentados crianças enfermeiros e até mesmo o Doutor. Olhei pra faixa com uma enorme escrita "boa sorte Louise" acho que devo ter virado um arco íris de cores de tão surpresa que fiquei. "Como assim, eles sabiam que eu estava de partida?" Marcos veio em minha direção e sussurrou em meu ouvido: _Achou mesmo que eu não fosse me despedir de você? Foi me levando para um lado da sala quando um vídeo começou a rodar na telona Poxa era eu!!! Deitada na cama com a cabeça toda enfaixada e os braços ainda machucados; observando a chuva e chorando ali, era eu tentando levantar a mão; dormindo; saindo da cirurgia, visitando a clara, brincando com as crianças.... Aos poucos imagens picadas de mim ao longo do tempo na cama, na cadeira de rodas, tentando andar, finalmente andando e por fim, observando o por do sol pela janela do décimo primeiro andar. Nossa, fiquei emocionada e chorei. _Parece que sua jornada por aqui chegou ao fim- disse Marcos lendo um papel que estava relutando p segurar em meio a tremedeira — e como é parte da família não podíamos deixar de dizer o nosso muito obrigada... Nisso seus olhos foram se enchendo de lágrimas... Uma pessoa tão cativante não podia ir em bora sem uma despedida a sua altura. Não temos muito a oferecer, mas podemos todos dizer um imenso... Todos sorriam ao dizer: _Obrigada por existir em nossas vidas, boa sorte!!!! Então as lágrimas deixaram de rolar e o sorriso tomou conta do meu rosto. _Você gravou tudo isso? _Desde o primeiro momento que te vi!- respondeu Marcos. _ Vocês não fazem ideia do que significam pra mim... Olhei para Marcos e ele estava sorrindo. Nossos olhares se encontravam alegres e tristes ao mesmo momento. Ele levou a mão ao meu rosto; foi muito rápido, seu sorriso se desfez, sua mão escorregou, virou os olhos e caiu desmaiando, a máquina de sua cintura apitou e eu estava tentando segura-lo em um braço. O Doutor se levantou bruscamente pegou ele no colo e saiu carregando-o e chamando os enfermeiros. Fiquei paralisada, aquele zunido voltou aos meus ouvidos e senti como se a carreta tivesse acabado de capotar novamente, vi o vão de luz entre o asfalto e o tanque, o suor frio escorreu em meu rosto e minhas pernas relutavam em não ir atrás deles. Aquilo era um mau pressentimento. Foi para a UTI, a segunda vez que eu via aquela parte do hospital. Passaram-se treze horas e eu se quer pensei em dormir, estava ali na sala de espera, imóvel aguardado por qualquer que fosse a notícia. Vinte horas e minha mente já estava variando, começava a assistir aquele filme novamente e via Marcos sorrindo e caindo a minha frente, tentava segura-lo. Tava meio doida, confesso. Me levantei para tomar um copo de água, quando o Doutor apareceu com os olhos meio inchados e vermelhos: _Nossa, você está péssima!! Vai ficar com olheiras. Esteve aí esse tempo todo? _Assim como o senhor, só que não estou ajudando apenas esperando. _Bom, vamos a parte chata então. — o doutor me parecia um tanto perturbado e inquieto, era mais que evidente que a situação de Marcos o afetava emocionalmente. — Fizemos de tudo p contê-lo e o manter acordado, foi o rompimento de uma artéria e a válvula do coração não resistiu a despressurização. Seria mais fácil se ele n tivesse outras complicações, mas agora não temos outra saída Louise. Ele terá de passar por um transplante e esse é o nosso último recurso, se você estava rezando reze ainda mais. a cirurgia será em das horas vou tentar descansar na minha sala.
Outro médico chegou e encostou no ombro do Doutor: _Renato, por favor, seu turno já acabou e já vai começar novamente. Vá pra casa e descanse, você está estressado não pode operar nessas condições. Ele passou as duas mãos no rosto, nem se virou apenas disse: _Estou em minha sala, vou dar uma descansada, por favor peça que não me incomodem-saiu andando sério e distante.- Faço a cirurgia em duas horas, e a única coisa que peço é a minha melhor equipe. Fiquei ali, sem saber onde me esconder, o outro médico desaprovou com a cabeça se virou e foi em direção ao CTI. Eu; bem, continuei ali sentada com as mãos unidas e a mente distante. Posso dizer que senti tudo, menos sono. Dessa vez o cançasso não me venceu, logo passaram-se quase duas horas e lá vinha o Doutor passando instruções para seus enfermeiros: _Tome, sabia que você ainda estaria aqui, trouxe um café — Dessa vez o Doutor. Renato o nome dele, estava muito mais tranquilo e centrado — te vejo em quatro ou cinco horas. Deseje-me sorte e, Louise, reze por nós. Então ele seguiu para a cirurgia. Meu estômago roncou. Senti fome, mas também já era de se esperar. Queria entrar lá. Essa podia ser minha ultima chance de dizer adeus mas eu tinha certeza de que eles não me deixariam passar da porta, então me levantei e fui a cantina. Na volta parei de fronte o elevador e olhei o andar 11. Encarei o botão por um momento dei meia volta, peguei a câmera de Marcos e subi até laera por volta de quatro e quarenta, o sol logo ía nascer e eu fiz questão de registrar dizendo que nunca tínhamos visto o nascer do sol mas que aquele seria um de muitos que ele veria com um novo coração. Voltei a sala de espera, o café ja estava frio, assim como aquele dia, esfriava o corpo e a alma. Parece que o relógio resolveu parar e nada funcionava em seu tempo certo. Já era tarde quando voltei a ver o doutor. Ele me parecia muito mas muito cansado: _ Fiz tudo que pude, vamos esperar. Você não pode visita-lo mas amanha vou ao seu quarto levar noticias okay? Até parece que eu ia ficar aguardando por notícias. Voltei ao meu quarto e não consegui ficar ali inquieta fui para o jardim, sentei abaixo da árvore: _Guardar seu segredo né? E de que isso vai me adiantar?? Estava triste, muito triste. Eu não sou boba sei que as chance de se rejeitar um transplante de coração. e no caso dele não seria só essa cirurgia haviam outras mais. Será que existe ao menos uma ultima melhora, ao menos um ultimo adeus? não sei de mais nada só sei que quero acordar, quero gritar, quero chorar, se pudesse trocava de coração com ele, faria qualquer coisa só pra ele ficar bem, só pra ver ele sorrir outra vez e dizer daquele jeito que vai dar tudo certo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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