Notas iniciais
é pessoal, acho q posso me candidatar nas próximas eleições... me desculpem os séculos de demora mas aqui esta o que a maioria quer saber ao fim, o que Marcos tem? ^^

Quase me transformei numa estátua, ninguém havia me visitado no hospital desde sempre

Não sabia se ria, chorava, ou sei lá o que.

_Cadê meu abraço pequena?

Meus olhos se encheram de lágrimas e meu rosto queimava; corri cinco passos e dei um forte abraço em meu tio:

_Tiio Fernando!!!! Senti saudades.

_Eu também pequena.

Soltamos-nos e eu não pude deixar de perguntar:

_Por que não veio me ver antes?

Ele se sentou numa cadeira perto da cama:

_Ah pequena, não tem sido bons tempos, eu sempre quis vir te ver mas sua tia não me permitia, ela ficou um tanto “maluca” depois do seu acidente, tanto, que não tem nem coragem de vir aqui te ver. Mas mandei um presente, gostou do notebook?

_Haha’, obrigada tio, gostei sim.

Meu tio me contou que havia voltado com minha tia e que ela ainda estava meio em choque e pirando na maionese, coitada. Ela se culpa pelo acidente até hoje. Mas o assunto que tio Fernando queria tratar não era sobre minha tia e sim, minha alta:

_O Doutor me ligou semanalmente para me falar como você estava. E essa semana ele me deu uma ótima notícia, disse que em breve você poderá voltar pra casa. Que o seu tratamento está no fim e que rendeu bons resultados.

Abaixei a cabeça e, enquanto ele falava eu estava longe pensando no nada:

_Louise? Está me ouvindo?

_Sim tio. Pode continuar.

_Claro que é uma escolha sua, se você quiser voltar pra Minas ou recomeçar a vida em São Paulo conosco, ficaremos felizes de qualquer modo.

_Tio, sinceramente, ainda não sei o que vou fazer depois de sair daqui, ainda tem um bom tempo pra mim por aqui, vou pensar com muito carinho e te falo na sua próxima visita, o senhor volta pra me ver neh?

_Claro pequena, só iremos pra Sampa depois que você sair daqui, inteira de preferencia.

_Que bom.

Confesso a surpresa, mas contava com que meus tios continuassem aqui no Rio e eu pudesse ficar com eles por um tempinho até me estabilizar por aqui. Minas ou São Paulo. De qualquer forma estarei longe de tudo isso, e com certeza não é o que eu quero, não agora, as coisas andam tão bem aqui.

No dia seguinte o doutor foi ao meu quarto era hora de trocar a pulseira e tirar a atadura da cabeça. As voltas foram se desfazendo e enquanto a enfermeira tirava aquela faixa eu me lembrei dos longos cabelos que eu tinha e tanto gostava de prender, pensei na careca de Marcos e pensei se a minha estava como a dele, ou se já havia crescido algum cabelo por ali.

Quando o Doutor pegou minha nova pulseira ele disse:

_Pra você que é tão curiosa com as pulseiras, amarelo: significa sua passagem pra vida real.

Me lembrei da pulseira de Marcos:

_E a cinza?

_Bom, eu sei o porque da pergunta. Cinza é a pulseira do Marcos não é?

_Sim, Doutor.

_Significa que ele pode ficar por aqui um longo tempo, ou, que de uma hora pra outra ele tenha q sair.

_Não entendi. Ele pode se curar de uma hora pra outra?

_Quem dera. Marcos chegou nesse hospital a muito tempo. Lembro-me dele com aqueles cabelos loiros cortados como em uma tigela, ele era muito serelepe,. No começo era um tratamento que ele precisava fazer, mas o tratamento não deu resultados e decidimos por internar ele aqui, na época ainda na ala infantil. Quando ele começou a ter crises de dores fortes nos peitos intensificamos os tratamentos, mas nada adiantou, foram meses a fio lutando pra manter seu coração batendo. Ele não podia fazer nenhum esforço físico e então ficou condenado a seu quarto. Imagine um menino tão ativo preso a uma cama num quarto. Ele precisava de um coração novo, o dele já não tinha volta, tentamos uma cirurgia de risco que também não deu bons resultados e a recuperação tirou ainda mais tempo de vida dele. Quando decidimos pelo transplante não encontramos o órgão compatível e ele ficou por muito tempo vivendo por maquinas, até que apareceu um coração, íamos fazer a cirurgia quando os exames acusaram mais problemas dessa vez, nas veias e artérias .Colocar um novo coração iria fazer muita pressão internamente e elas não suportariam, então, tivemos de submete-lo a outro tratamento, esse o mais longo e as melhoras foram visíveis, ele pode sair do quarto, começou a fazer novas amizades e fomos adaptando o hospital à ele, o tratamento acabou mas o estado de Marcos não é estável e nos últimos meses tem piorado cada dia mais, aos poucos ele esta perdendo novamente energia, e voltou a ter crises, tanto que tivemos de monitora-lo de dentro pra fora, com aquela maquininha q ele usa na cintura, ele sente muita dor ao misturar o sangue, e tem q ter um cuidado mais até mesmo que você quando estava mal. A nova pulseira, é a ultima cor que ele vai usar, se ele não receber um transplante dentro de um ou dois meses, seu corpo não irá resistir...

Em minha mente veio a imagem de Marcos sereno observando o por do sol pela janela. Fiquei pensando como ele sobreviveria a mais essa provação

_Sabe, Marcos teve um grande amigo, os dois eram do mesmo quarto. Bruno tinha câncer, e eu me lembro como se fosse ontem, de Marcos me pedir para rapar os cabelos e sobrancelha, seu amigo estava no fim da vida, mas ele queria ainda dar forças pra que ele lutasse, foi a primeira vez que o vi careca, ele já tinha esse sorriso, só não era tão pálido como hoje.

Vi os olhos do Doutor molhados pela primeira vez, ele estava longe, pensando no passado. Deve ser muito difícil querer salvar vidas e não poder fazer nada a respeito.

_Ah, por favor não comente sobre isso com Marcos, se ele não te falou, ele tem os seus motivos.

_Sim doutor. Ele ia tirar minha pulseira quando puxei meu pulso.

_Doutor, eu poderia pedir um grande favor, dois favores?

_o que?

_Não troque minha pulseira e não conte pra ninguém que estou de saída. Os exames ainda vão demorar certo?

Ele consentiu:

_Então, quero ficar por aqui o máximo de tempo possível e assim como Marcos, quero dar uma força pra alguém especial.

Meu cabelo estava crescendo novamente mas fiz questão de raspar o pouco que tinha, recolocar as faixas e continuei andando como se nada estivesse mudando.

Pensei comigo mesma que se ele apoiou seu amigo no momento mais difícil, era mais que minha obrigação apoia-lo também.

Notas finais
ta quaase...