Notas iniciais
talvez Louise comece a cativar você, talvez. Agora ela chora uma dor diferente das dores que choramos a todos os dias ela tem novos motivos..

"Sinto tanta dor de cabeça que até meus olhos doem, está tão difícil abri-los, talvez eu deva fazer mais força, preciso ver como está minha tia".

_Vamos com calma ferinha.- Disse uma voz grossa e alta, um tanto simpática

Agora posso ouvir no silêncio alguns sons, finalmente aquele zunido maldito acabou.

mas não enxergo nada, apesar de estar forçando meus olhos, não posso sentir a claridade.

_Você teve muita sorte, — Aquela voz novamente — é raro alguém sobreviver a um acidente desses, a essas cirurgias então! Bom descanso.

"Hã? Onde eu estou? E minha tia? o que está acontecendo? Porque não consigo me mexer, nem falar? Onde você vai? Volta!!!"

“É, estou num hospital, a quanto tempo não sei nem que cirurgias foram essas, mas com certeza não estou nada bem." O pânico tomou conta de mim.

O tempo passa e eu já perdi a noção do dia e da noite, apesar das fortes doses de remédios ainda posso sentir essa maldita dor de cabeça, aliás, é a única coisa que eu consigo sentir pois não consigo me mover, ver, nem mesmo falar, mas posso ouvir as pessoas, tem uma enfermeira, Márcia é o nome dela, cuida de mim, conversa comigo; parece gente boa, mas não ouvi minha tia.

_Vamos ver como você está hoje ferinha- Aquela voz.

"Ele voltou, preciso dar um sinal de vida!"

Fiz todo o esforço possível para mover um dedo que fosse, mas não adiantou, meus batimentos aceleraram, até que me cansei de tentar.

_Está agitada hoje, espero que seja um bom sinal.

"Caramba, nada me obedece, corpo idiota! preciso de você!!

_Você está chorando? Calma, Deve estar preocupada, essas coisas levam tempo, muito tempo, mas você já está bem melhor, afinal já tem três semanas né.

"Três semanas!? Três semanas sem me mexer, sem sentir um neurônio que seja!!! Caramba, a coisa é séria mesmo, muito séria."

Se era dia ou noite, eu já nem sei, mas um formigamento tomou conta do meu corpo, depois de tanto pedir, não sabia se ficava feliz por me sentir ou se gritava de dor. Finalmente pude me mover, abri a boca e gritei, não foi bem "um grito" mas eu tentei, juro que tentei. Ouvi meus batimentos dispararem na maquina, e veio o enfermeiro com mais uma injeção. Aquela foi só a primeira de muitas e muitas crises, cada vez mais fortes, meu grito cada vez mais alto, e o enfermeiro, depois enfermeira, outra enfermeira, sempre aquela mesma injeção e o sono vinha, parecia um ciclo vicioso.

“Será que isso vai acabar? Minha cabeça ainda dói, dói muito! Minha vida vale tudo isso? É tão difícil. Não tenho forças, mas tenho fé.”

Cheguei a perder as contas, de quantos enfermeiros já visitaram meu quarto, ouvi algo sobre futebol, tinha tanto tempo que não ouvia uma conversa. Podia sentir uma pequena claridade, mas ainda não abri meus olhos, acho que por medo, Márcia está quase vindo, vai trocar meus curativos, isso é meio doloroso.

_Sabe Louise, tenho boas notícias- Disse Márcia- Menos curativos hoje, ordens do médico.

Márcia era tão animada, me transmitia coragem em cada curativo a menos.

_Obrigada – Foi oque eu tentei dizer, não saiu bem assim, mas ela me entendeu.

_Amanhã eu volto, estou torcendo por menos outro viu? – a porta se fechou.

Notas finais
bom, procurei não detalhar muito porque os detalhes que quero que imaginem estão nos próximos capítulos. Por favor não desistam de mim *--*