Não há como falar de nós, sem antes falar de você. Você é uma preciosidade, age como uma rosa bruta, com a ajuda do sol que bate nas gotas de água de suas pétalas, brilha, continua radiante,admirável. Eu apenas observando sua natureza apaixonante,me coloco sobre o chão, observando de longe, bem de longe. Mesmo longe, eu quero saber os detalhes. Desejando seu toque, o calor, da sua luz, interação com sua natureza, minha alma conversando com a sua.

Já eu, pequeno, tinha espinhos igual a você, mas eles não eram como os seus que eram bravos defensores, eles apenas eram substitutos das folhas. Se me regassem como regam você, eu não aguentaria muito. Eu fazia coisas, não tanto quanto você. Nenhuma delas, davam certo,nem te admirar, que era uma das coisas que eu mais fazia dava errado, sempre perdia algum detalhe e eu me escondia por dentro. Perdido por ali, meu caminho é você.

Um encontro entre dois distintos seres como nós era quase que impossível, então minha diversão era me aventurar e encontrar outras coisas. Mais próximos a mim, haviam mais três: uma Violeta, uma Margarida, e uma Tulipa. A Violeta era tímida, suas pétalas mal se abriam. Diferente da Tulipa que era comunicativa extrovertida. A Margarida era alegre e divertida. Os mais próximos, deixavam alguns dias mais iluminados, eu gosto muito de todos eles, mas mesmo com eles não deixo de pensar em você. Eu desejo sentir o seu toque.

Eu estava lá, meu dia indo embora e a noite chegando. Ao invés de descansar, fiquei sob a luz lunar, apreciando os arredores. A noite nunca era boa, eu não devia estar lá, mas nela eu pude ver, que você também estava sob a mesma luz, e nós podíamos conversar. Eu não pude ouvir você, mas entendi o que queria dizer. Nós ficamos assim até a luz do sol aparecer novamente e eu perceber que mesmo sem a luz lunar, nós ainda podíamos nós falar pela luz solar. E assim fizemos.

Vão se passando os dias e eu conheço mais sobre aquela rosa. Eu estou apaixonado por você.

Mais alguns dias e nós estamos os dois perdidos em detalhes um no outro. Então eu me arrisco, me aproximo de você, e pra mim parece seguro. Me aproximo, quero mais perto. Não há dúvidas sobre nós agora. Estávamos felizes e satisfeitos, mesmo sabendo que podia acabar, isso não nós abalava. Eu trouxe algo pra você.

Passou mais tempo ainda, e ainda estava tudo bem, enquanto diziam que não iria dar certo, estava dando, e pela primeira vez senti que estava fazendo certo dessa vez, dessa vez era certeiro. Você é incrível.

Tinha muito tempo para mim, e eu achava que te conhecia mais que ninguém, porém era mentira. Essa foi a vez que senti a dor dos seus espinhos, dor horrível, dilacera. Eles eram bravos, porém doíam tanto. Não posso dizer que a dor passou completamente, ainda está se cicatrizando e não há remédio que acelere o processo.

Quando estávamos "bem" eu comecei a sentir um peso em mim. Suas pétalas eram grandes, portanto difíceis de carregar. Eu sentia o peso agora junto com você e isso me deixou desesperado, meus espinhos espetaram suas pétalas,você sentiu a dor e eu enlouqueci. Dói saber que eu te machuco e que talvez nós não possamos estar juntos. Não pense nisso por hora.

Ainda perto, não estávamos mais nos observando tanto quanto antes, mas observávamos muito, não sei se observava o mesmo que eu, mas estava pacata e quase imóvel.

Pela última vez, nós olhamos ao redor e decidimos. Era mais difícil do que qualquer coisa que eu já havia feito, eu preferia sentir seus espinhos mais cem vezes do que fazer isso, pois doeria menos que te deixar. Eu não me escondi, desabei, e infelizmente foi para longe de você. Te vi longe de novo, você estava murchando e suas pétalas iam caindo. Agora eu não vou mais te machucar né? Eu não aguentei, quis provar meu veneno pois era melhor que o ver se despedaçando. Não vivi muito depois disso,mas espero que você tenha sido regada com o a água mais límpida e brilhante, como você.

Quanto mais eu olho, mais angustiado fico.

Notas finais
Apenas uma história curta.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!