Talvez não haja o amanhã
1 Capítulo 1
— A Alvorada pinta o céu em seu estilo mais fosco possível, dando o sinal de que não haverá sol durante essa manhã. Se parar para ouvir, os pássaros estão louvando em seu ritmo de assovio, o vento se arrasta entre as árvores do bosque, fazendo com que as folhas dancem sua música. Esta bem frio para o mês de dezembro de 1980, mas é porque ainda é cedo.
U-uuu, U-uuu, U-uuu. O barulho exagerado anuncia que o trem da Alvorada esta passando em Hampstead-Londres, especificamente longe da civilização, e a grosso modo ‘meio do mato’. Há apenas quatro ou cinco casas bem pobrezinha nessa parte de Hampstead e uma delas pertence a Família Mitchell.
Mais duas vezes o trem apita: U-uuu, U-uuu!
A pequena Alice de 10 anos é a primeira a acordar. Esta animada e sorridente, o fato de acordar cedo é uma tortura para a maioria das crianças nessa idade. Mas isso nunca incomodou a menina, ao contrário, é uma bênção divina para ela sentir a brisa do amanhecer.
Alice esfregou os olhos afastando qualquer vestígio de sono que ponderava ali. Deslizou para fora da cama vestindo a primeira roupa que encontrou em meio a bagunça que é seu guarda-roupa. Não precisava de calçado, porque segundo ela, isso não era confortável.
— Onde você vai, Alice? — Perguntou seu irmão menor Owen, se levantando, sonolento, da sua cama ao lado.
— Pssiu... — Avisou ela.
As paredes da casa eram tão finas que Mamãe surtaria feito um touro bravo, se alguém ousasse a acorda-la naquela hora do dia.
Ela chegou mais perto do pequeno Owen e acariciou seus cabelos, ajeitou o lençol enrolado e o cobriu até a altura do seu queixinho.
— Vou até a linha do trem — sussurrou
Owen sorriu e se encolheu debaixo das cobertas. — Qual será a aventura de hoje? — Donzela em perigo.
É claro que ia ser uma aventura perigosa. Tinha levantado bem cedo todos os dias das férias para construir histórias deitada sob a linha do trem. Metera na cabeça que, o barulho do trem e a adrenalina de estar em seus trilhos tornaram todas suas fantasias mais perigosas — e Deus sabia como era perigoso —, Poderia morrer; mas não adianta, podia sentir prazer só ouvindo a palavra 'Perigoso' e, é exatamente isso que a aventura de hoje seria. Uma das últimas aventuras antes que as aulas recomeçassem semana que vem. E tinham de ser a mais emocionantes. Não uma das mais emocionantes, nem quase emocionantes, mas realmente as mais emocionantes de todas.
Owen uma vez perguntara o porquê dela gostar dessa loucura, e ela respondeu:
''- Ah meu irmão... Eu vivo a história de hoje, porque talvez não haja o amanhã.''-
Alice saiu de casa na ponta dos pés. O lugar estava tão velho que rangia cada vez que ela apoiava os pés no chão, mas Alice tinha descoberto que, na pontinha do pé, o barulho era só um gemido fraco, e geralmente conseguia chegar lá fora sem acordar a mãe ou o pequeno irmão.
Owen não era o problema, ele ia fazer sete anos e simplesmente a idolatrava, o que às vezes era ótimo. Quando você é a irmã mais velha, completamente impulsiva, que coleciona histórias em trilhos, tem um pai desconhecido que a abandonou e choras antes de dormir... Então dá para ver como é bom ter alguém que lhe adora. Mesmo se de vez em quando isso cria uns probleminhas.
Alice atravessou o quintal bem depressa. Quando respirava, o ar saia em pequenas nuvens de vapor — estava bem frio —Alice andou em passos animados, enquanto ela subia pelo monte de mato e lama, pulava algumas pedras e cercas e logo caia em dois pés próximo a linha do trem. Andou pelo menos uns onze metros ao norte, mais longe de sua casa aproximando-se do túnel para deitara ali. Cabeça e pernas apoiadas nos trilhos. Fechou seus olhos e deixou os pensamentos sucumbir sua alma, um sorriso quase angelical brotou em seu rosto bonito de porcelana.
Isso seria adorável se não fosse um ato de tanta rebeldia.
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IMAGINAÇÃO
DE
ALICE
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Era uma vez um velho bruxo muito bondoso que usava a magia com generosidade e sabedoria para beneficiar seus vizinhos e o castelo do rei (onde vivera a maior parte de sua vida). Em vez de revelar a verdadeira fonte do seu poder, ele fingia que suas poções, amuletos e antídotos saíam prontos de um pequeno caldeirão a que ele chamava de paladina da sorte. De muitos quilômetros ao redor, as pessoas vinham lhe trazer seus problemas, e o bruxo, prazerosamente, dava uma mexida na paladina e resolvia tudo. Esse bruxo muito querido viveu até uma idade avançada e, dedicou sua vida inteira a magia não dando espaço a ter esposas e filhos; conforme a idade ia avançando deu-se conta que o o povo devera usufruir do seu conhecimento por mais longos anos e ao morrer, deixou todos os seus bens para a única pessoa que o bruxo sentia um afeto parecido com amor de pai e filha, deixou seus bens para a filha caçula do Rei, a Princesa Angelina Van D'llaer.
Depois de sua morte, Angelina viu-se chorando noites, após noites, com saudades do bruxo, levou tempo até que a princesa tomasse coragem para adentrar aos aposentos do antigo amigo.
Enquanto o luto se esvaíra, Angelina via-se com uma luz de bravura em sua alma. Levantou-se em uma madrugada acinzentada de inverno e caminhou até os aposentos do bruxo, talvez relembrar as velhas memória e até mesmo pensou que ele poderia estar lá esperando ela e contar-lhe que tudo isso não passara de um pesadelo de Angelina.
Ao ranger das portas se abrindo dolorosamente devagar, suas emoções foram mortas quando apertou os olhos e presenciou um quarto vazio. Adentrou ao lugar com sua vela e avistou frascos de mais variadas cores, pedras, ordenadas por tamanho, e muitos dos mais variados tipos de ervas que alguém vira. Clareou o velho Caldeirão Paladina e encontrou escondido no fundo um embrulhinho. Pousou a vela na escrivaninha e apressou se para pega-lo. Abriu-o na expectativa de que fosse palavras confortantes do bruxo à ela, mas, em lugar disso o embrulho estava escrito somente ANGELINA. Um pouco angustiada, Angelina jogou o embrulho de volta ao caldeirão; Quando o material tocou o fundo, o nome de Angelina transmitiu uma luz arroxeada e seus olhos se arregalaram parecendo duas azeitonas verdes na escuridão da noite. Angelina tomou o embrulho em suas pequenas mãos tremulas. Um pensamento a acertou de surpresa; já vira o bruxo escrever um ''nome iluminado'' , e quando fizera, ele apontava para os seus frascos e a poção iluminava da mesma cor do nome, então sabia que a pessoa teria que tomar tal frasco.
Angelina tomou o embrulho de volta em suas rosadas mãos e guiou-se para junto das poções. Apontara para os primeiros frascos da prateleira, passando dolorosamente devagar por cada um; nenhum acendeu por agora; continuava de fileira em fileira. Chegara na última prateleira, ao passar do nome luminoso no ultimo frasco da fila, ele não acendera, nada aconteceu.
Angelina viu-se frustrada, e não percebera que suas mãos chegara perto demais, derrubando um dos frasco de vidro, em cima de seus pés. Fez-se um linha vermelha por cima da pele delicada e o sangue surgia preguiçosamente, não fazia doer tanto, a dor era suportável, segundo a menina.
Soltou um suspiro leve e voltou ao que estava fazendo. Sabia que o embrulho significava alguma coisa, não poderia ser apenas uma mera luz em seu nome.
Saiu de perto dos frascos mancando um pouco e vagou para as ervas, insistindo em passar o embrulho em cada item. Mas, mais uma vez sem sucesso.
Angelina pensou para si: '' Talvez eu queira que haja algo, mas é apenas um enfeite de luz''. Virou-se abruptamente para sair dos aposentos do bruxos, porém foi surpreendida. Algo ao lado da porta brilhou em tom roxo. Foi ao encontro da parede, não era surpresa que ali havia um buraco e Angelina o tocou. Havia algo dentro brilhando em púrpura, uma varinha, uma linda varinha com uma pedra de ametista na ponta. A boca de Alice formou um 'o', em suas mãos estava algo que sentira ser poderoso, precioso e quem sabe perigoso. Afastou-se da porta e sentou-se na cama amadeirada. Não sabia como funcionara e nem o que faria. Fechou os olhos por um momento e voltou a abri-los, fazendo a primeira coisa óbvia que lhe parecia: Falou seu nome em voz alta.
— ANGELINA.
A varinha brilhou fortemente fluindo vibrações pelo corpo da princesa; sentira a energia no topo da cabeça e escorrendo para os pés, e quando chegou aos pés, o corte que havia feito pelo frasco começou a sarar, sua carne foi de encontro uma com a outra, fechando o rasgo, livrando completamente da dor, apesar de pequena. A varinha que recebera era a gloriosa varinha da cura, seria talvez a fonte de poderes do poderes do bruxo? Talvez exista outras varinhas com outros tipos de poderes, mas essa era sem duvidas a mais generosa e gloriosa, e foi dada a pessoa que possui as mesma característica da varinha.
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