Era um dia bonito e ensolarado e Mônica mal podia acreditar que estava voltando ao seu querido bairro do Limoeiro, como será que estariam seus amigos, será que se mudaram? Ou ainda moravam lá? Ela estava bastante curiosa.

–Eu queria poder ver a cara dos meninos que te zoavam!.-Uma garota de olhos verdes e longos cabelos ruivos falaram, naquele lugar ela era a melhor amiga da Mônica.

–Nem mudei tanto assim Michele-Mônica ri.

–Tá brincando né?! Garota você era gordinha, não tinha modos de meninas, queria bater em todos, mas aí eu cheguei e acalmei a fera, você emagreceu e hoje tá aí botando inveja nas meninas!.-Michele fala abraçando a Mônica.

–Ai... eu vou sentir muito a sua falta, vai me visitar quando?

–Quando entrar as férias vou ver se minha mãe me leva. Agora eu tenho que ir. Se cuida e mande notícias.

Mônica então entra em casa e pega sua mala, seus pais já estavam esperando ela com um sorriso no rosto, eles mudaram de cidade por causa do trabalho do Sousa e também aproveitaram para tirar a Mônica de lá e assim a tornar uma pessoa decente e controlada. Quem sabe o tipo de adolescente seria se crescesse ouvindo insultos dos garotos?.

–Nem acredito mamãe. Depois de anos, eu sinto tanta falta... Até dos meninos.

–E você verá todos. Assim espero já que as coisas podem mudar e eles podem não viver mais lá.

–Mas o importante é que vou matar saudade do meu lugar preferido no mundo.

–Como sabe se não foi á todos os lugares do mundo?-Se Sousa fala.

–Por isso mesmo pai!.

O caminho ia ser longo, pois eles estavam morando em uma cidade muito distante mesmo, e só chegariam quase no final da tarde.

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–Meninos, vocês não sabem em que eu estava pensando hoje.

–Em comida, é só em que você sabe pensar!.-Cascão fala tirando uma onda.

–Eu já passei dessa fase, lembram-se da Mônica?

(Cascão) — A baixinha?

(Cebola)- Dentuça?

(Os dois) — Gorducha?!. -Os dois falam em sintonia e logo param quando olham para a Magali.

–Eu não acredito que mesmo depois de crescidos e mesmo ela não estando mais aqui vocês ainda façam essas coisas idiotas.-Ela diz seriamente.

–Calma aê Maga! Só estávamos zoando, você que remexeu no baú. -Cascão fala para se defender.

(Cebola)- Mas conta aí.

–Contar que coisa?.

–Sobre a Mônica oras, há tempos não falamos dela, você sonhou?.

–Eu tive um sonho com ela essa noite, mas era no presente e ela usava um vestido de renda branco e ainda continuava gordinha.

(Cascão)- Minha mãe coloca renda branca lá no botijão de gás lá de casa.

–Larga de ser besta Cascão -Cebola fala bravo.

Magali fica feliz ao ver a atitude do amigo, mas ele continua.

–Imaginou ela como a Magali sonhou? Se ela te der um tapinha de nada você já era!.-Cebola fala rindo.

–Vocês não tem jeito. Vou embora fiquei de encontrar com o Quim. Até!.

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No caminho Magali fica pensativa, ela nunca teve contato com a Mônica desde que ela se foi e teve um sonho com ela recentemente coisa que só aconteceu no primeiro ano sem a amiga, será que aquilo poderia significar alguma coisa? Certamente não, Magali era muito cética para essas coisas.

Logo seu pensamento na amiga foi se desfazendo quando ela viu a padaria do namorado, ali era o único lugar no mundo aonde ela se sentia bem depois de sua casa , era como um santuário onde ela podia relaxar e encher a barriga.

–Pão quentinho saindo do forno! Vai levar quantos?-Ela amava ver o namorado preparar e vender os pães e a melhor coisa era saber que chegou na hora exata.

–Magali!.-Quim sai do balcão rapidamente colocando um funcionário no lugar dele, era sempre bom quando ela iria ver ele no trabalho.

–Oi meu fofo, então como vai?

–Meio cansado, muita correria e hoje o movimento é grande.

–E isso é bom, né?

–Muito! Espera que vou te trazer uma gostosura. -Quim fala e se levanta para buscar algo para a namorada comer.

Magali olha ao redor e vê duas meninas que pareciam estar fofocando, mas aquilo era fichinha e nenhuma superava a Denise.

–Do que será que falam e por que olham tanto para mim?-Magali fala baixo apenas para sí mesma.

–Estão dizendo que só namora o Quim por causa da comida.

–Aiii! Denise, de onde você apareceu criatura?-Magali fala com a mão no coração por causa do susto.

–A louca. Vim aqui comprar pão e resolvi sentar para papear.

–Ah claro, pensei que estava atrás de fofoca, mas que absurdo que essas garotas falaram.

–Pois é amore. Mas eu não vou atrás de fofoca, elas vem até mim.

–Ai, só você mesmo!.-Magali ri.

Logo Quim chega com uma bandeja com um sanduíche natural, suco de laranja e de sobremesa um mousse de limão.

–Aqui está meu amor, desculpa não ficar aqui, mas preciso ajudar os funcionários que não estão dando conta.

–Tudo bem. Obrigada fofo.

Quando Quim sai Magali percebe a cara que a Denise faz olhando a bandeja.

–Quer?

–Não, mas é muita coisa né?

–Que nada aqui tem pouco e é tudo o que eu preciso.

–Eu te faria companhia, mas tenho que ir, minha mãe deve estar arrancando os cabelos com a minha demora. Fui!

–Tchau.

–Ah hoje as três horas vamos ao shopping e você está convidadíssima! Beijosmeliga!.

Denise sai de lá e finalmente Magali começa a comer.

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–Está chorando filha?

–Estou com saudades da Michele, todos me zoavam como no limoeiro e foi ela que mostrou que o problema estava em mim por dar motivos para eles. No começo até achei que ela me chamava de gorda, mas ela quis dizer que era o meu jeito de resolver as coisas.

–Eu sempre falei isso, mas parece que ouvir de fora é melhor.

–É sim. -Mônica diz enxugando as lágrimas. -Ô pai, vamos demorar?

–Creio que sim, por causa da chuva de ontem deu enchente e por isso os carros estão desviando e está formando um trânsito enorme.

–Eu não aguento de tanta ansiedade.

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Cascão e Cebola estavam na casa do Xaveco jogando videogame, e o próprio estava sentado no sofá só olhando.

–Ei vão me deixar jogar agora?

–Calma aí que eu preciso passar de fase. Ô Cascão cura o meu personagem aê!.

Xaveco estava frustrado e de saco cheio que resolveu sair dali , apesar do game ser dele , ele deixou os meninos ali , afinal quando fossem embora o jogo voltaria a ser só dele.

–Imagina a Mônica em tamanho maior?.

–Pára de me meter medo Cebola, até me arrepiei aqui.

Os dois dão risadas, e até sentiam saudades quando a dentuça ia atrás deles girando o coelhinho de pelúcia. Eles até zoavam a Magali, mas com ela não tinha adrenalina , pois a mesma começava a chorar e eles ficavam com pena.

–Que horas são Xaveco?.-Cebola pergunta e não é respondido. -Ué!.

–Ele ficou frustrado por não jogar no game dele, mas eu digo, são duas e quarenta. -Cebola sente até um arrepio nas costas quando ouve uma voz feminina.

–Xa-Xabéu, o Xaveco não disse que estaria aqui!.-Cebola diz todo abobado.

–Essa semana é aniversário do meu irmão, e o Astronauta, quero dizer... Comandante Astronauta me deu uns dias de folga!.

–Ah que bom, cadê o Xaveco? Já estamos de saída. -Cascão fala cortando a onda do amigo.

–No quarto mexendo no computador.

–Tchau Xabéu!.

–Até mais Cebola!, Até mais Cascão!.-Xabéu se despede educadamente quando Cebola vira de coatas e lhe faz uma pergunta.

–Não é mais Cebolinha?

–Há um ano você me repreendeu por te chamar de Cebolinha, não vou cometer esse erro novamente.

Cebola sai de lá meio encabulado, provavelmente ela estaria na tpm ou algo assim , ou estressada trabalhar com aquele cara fechada do Astronauta era linha pesada.

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Magali já estava pronta e foi direto ao encontro das meninas que a esperavam para passearem no shopping, lá estavam Denise, Carmem, Marina e Maria Mello, todas estavam casualmente vestidas, menos a Carmem que parecia estar indo em um lugar muito chique e sua cara de arrogante não ficava de fora.

–Demorei meninas?.

–Não, que vestido divo amiga e que cabelo é esse? Eu já disse que deveria sempre andar de cabelo solto?.

–Já, mas nesse calor é duro viu?.

(Carmem) — Humpf. Eu tenho isso tudo de cabelo e não reclamo, o que é bonito é para ser apreciado.

(Denise). Mas para ficar assim você sofre que eu sei. È secador, babyliss... -Denise para ao ver a cara que a loira fez, claro que ela não acordaria todo os dias com aqueles cabelos lindos e cacheados

As meninas dão risada e Carmem fica brava , aonde já se viu a Denise falar uma coisa daquelas.

Elas andaram pelo shopping, pararam e entraram em algumas lojas para olharem as roupas e cada loja que saiam, Carmem saia carregando sacolas.

–A louca, não sei o que faz com tantas roupas, Cruzes!.

–Eu uso né?. Meninas se quiserem podem pegar algumas, elas não servirão mais para mim. -Carmem fala com tom superior as demais, ela se achava a última bolacha do pacote.

–Você deveria doar para quem realmente precisa Carmem. -Marina fala.

–Eu preciso!.-Maria Mello fala. -Você é mais rica que a Carmem Marina então não precisa, mas eu quero e preciso de roupas novas.

Carmem ficou com um pouco de raiva, ela não suportava saber que não era a garota mais rica daquele bairro e sentia raiva por Marina ser tão simples e não mostrar ostentação.

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Mônica olhava pela janela e logo conheceu o lugar , mesmo depois de tanto tempo aquilo não mudou em nada e sua felicidade só fica maior quando seu pai estaciona o carro em frente á uma casa.

A casa era grande, pelo menos parecia maior em comparação á sua casa na infância e a sua casa na outra cidade.

–Nossa eu nem acredito!.-Ela diz descendo do carro, foram horas sentadas e ela queria descansar, por sorte seus pais tinham comprado já a casa mobiliada e isso facilitou as coisas, tudo já estava pronto e eles tinham apenas que arrumar as roupas e algumas coisas pequenas, como colocarem as coisas do jeito deles.

Na casa em frente Cebola olhava curioso , quem era aquela garota bonita que entrava na casa? Ele não sabia, mas sentiu grande simpatia por aquela garota tão bonita olhando de longe.